Programas que não duraram vida curta em 2019 e 2020

 Televisão é um brinquedo caro, que envolve centenas de milhares (ou até milhões) de reais. Se um novo programa não dá o retorno esperado, passa por reformulações ou ajustes no formato. Em casos extremos, porém, é melhor cortar o mal pela raiz e tirá-lo da grade de uma vez por todas. E, em 2019, cinco programas tiveram vida curta na TV aberta.


As atrações "piscou, perdeu" do ano incluem: um programa policial bizarro, com "notícias" que iam do mundo cão à escatologia, passando por vídeos de mulheres seminuas em atos (que deveriam ser) sensuais; uma série mexicana que faz os dramas das novelas da Televisa parecerem obras dignas do Oscar; e um programa de auditório de um padre que pedia dinheiro a viúvas e humilhava idosas.


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Otaviano Costa estreou à frente de um programa solo na Globo em uma inusitada (e pouco inspirada) gincana entre jovens amadores e expoentes do esporte na terceira idade. E Celso Zucatelli voltou à televisão depois de um ano fora do ar em pleno 1º de abril. Parece mentira, mas ele não completou sequer três meses no ar.


Confira cinco programas que duraram tão pouco em 2019 que dificilmente conseguirão cravar um lugar nos anais da TV brasileira:


reprodução/sbt


Apresentadora Janice Villágran no Alarma TV, considerado o telejornal mais violento do mundo



Alarma TV

Só mesmo Silvio Santos poderia ter tirado essa bizarrice de sua cartola: um jornal com as piores notícias do mundo, exibidas sem nenhum contexto e, muitas vezes, ilustradas apenas com vídeos de internet --uma mistura de Encrenca com mundo cão e escatologia. O Alarma TV estreou no SBT em 1º de outubro, sem alarde, às 19h20. Chegou a perder para a Band na audiência e foi tirado do ar no dia seguinte.


Por insistência do dono da emissora, a atração voltada para o público hispânico nos Estados Unidos ganhou uma segunda chance às 10h30, antes do Bom Dia & Cia. Crianças que sintonizaram no SBT mais cedo se depararam com um vídeo de um homem que foi parar no hospital para retirar um brinquedo sexual de seu ânus. Um momento que tem a cara da autoproclamada "TV da família brasileira".


No horário matinal, o Alarma TV teve uma vida 100% mais longa do que na faixa noturna: em vez de um único dia, durou dois. Em 4 de outubro, após mais um fracasso na audiência, diretores do SBT convenceram Silvio a tirá-lo do ar.


Insistente, o homem do Baú ainda mandou colocar depois uma enquete no site do SBT com a pergunta: "Qual a sua opinião sobre o programa Alarma TV?". As opções de resposta eram duas, "manter na programação do SBT" e "tirar da programação do SBT". A segunda conseguiu abrir uma vantagem tão esmagadora que a votação saiu rapidamente do ar --assim como o "jornalístico", que sequer deveria ter estreado.


reprodução/canal de las estrellas


María Rubio em cena de um dos mais de mil capítulos da série mexicana A Rosa dos Milagres



A Rosa dos Milagres

Mais uma decisão questionável de Silvio Santos: colocar no ar uma série mexicana, exibida desde 2008 e com mais de 1200 capítulos, cada um com uma história extremamente dramática que culmina com os protagonistas fazendo uma oração diante da imagem de Nossa Senhora de Guadalupe (padroeira do México) e conseguindo um milagre, simbolizado pela aparição de uma rosa branca.


Chamada de La Rosa de Guadalupe na TV mexicana, onde é um sucesso absoluto, a série ganhou o título A Rosa dos Milagres no Brasil. Silvio acreditava que a atração faria a audiência disparar e colocou-a no ar em 11 de março, no lugar da reprise de Carrossel, às 18h. Mesmo longe de ser hit, passou a ser exibida duas vezes ao dia a partir de 20 de março. Não funcionou em nenhum horário e saiu do ar no dia 29.


Quase cinco meses depois, em 19 de agosto, uma rosa branca se materializou na grade do SBT e, como milagre, o programa voltou ao ar. Ganhou um novo título, Milagres de Nossa Senhora, e conseguiu um público maior. Mas nem isso permitiu sua sobrevivência na programação: a flor foi cortada de vez em 25 de outubro.


reprodução/tv globo


Otaviano Costa na última edição do Tá Brincando?, em 16 de março: fora do ar e da Globo



Tá Brincando?

Depois de apresentar programas como O+ (2000-2001) na Band e Domingo Espetacular na Record, Otaviano Costa foi para a Globo tentar a sorte como ator. Mas brilhou mesmo na bancada do Vídeo Show, em uma dobradinha inspirada com Monica Iozzi que deu novo fôlego ao vespertino. Ele ficou na atração de celebridades entre 2013 e 2018, e deu tão certo que a emissora decidiu lhe dar uma chance solo.


Depois de seis meses fora do ar para formatar algo que tivesse a sua cara, ele estreou à frente do Tá Brincando? em 5 de janeiro. Era uma gincana que colocava veteranos como Hortência Marcari, ex-jogadora de basquete, e Rui Chapéu, de sinuca, contra jovens que tentavam ganhar dinheiro ao superar os experts.


A ideia era mostrar que idade não é limitação para nada. E os ex-atletas até mantiveram o fôlego, mas o programa não: saiu do ar em 16 de março. Em seu lugar, voltou o Só Toca Top. Otaviano deixou a Globo depois disso --em 2020, ele vai apresentar um programa no GNT.


reprodução/redetv!


O padre ostentação Alessandro Campos, cujo programa na RedeTV! durou apenas dois meses



Programa Padre Alessandro Campos

Astro da Rede Vida, o religioso Alessandro Campos foi para a RedeTV! apresentar uma atração matinal que levava seu nome. Antes mesmo de estrear, já irritou o público: em um vídeo de seu programa na TV católica, ele aparecia maltratando fãs idosas. Chegou a dizer que uma delas não voltaria ao seu auditório porque ela não estaria viva para isso. Ao Notícias da TV, ele alegou que tratava todas com carinho.


Na emissora de Amilcare Dallevo, nova polêmica: Campos cobrava R$ 35 das pessoas interessadas em estarem na sua plateia --nem atrações mais populares, como o Superpop ou o Encrenca, fazem isso. Na época, a RedeTV! afirmou que não embolsava um centavo desse dinheiro, que ia todo para o padre.


Com custo alto, pouco retorno financeiro e audiência desprezível, o Programa Padre Alessandro Campos teve vida breve nas manhãs da emissora: estreou em 11 de fevereiro e saiu do ar em 12 de abril. Dois meses que marcaram a RedeTV! --mas não por motivos positivos. No lugar dele, Olga Bongiovanni voltou à grade.


reprodução/gazeta


Celso Zucatelli voltou à TV no De A a Zuca, da Gazeta; ele agora apresenta policial na Record



De A a Zuca

Fora do ar desde 30 de março de 2018, Celso Zucatelli voltou à TV em 1º de abril de 2019 à frente do De A a Zuca, na Gazeta. O programa foi pensado para fazer parte de uma megamaratona feminina na grade: eram quatro atrações com formatos similares na sequência, na faixa das 10h30 às 17h50, com dicas de saúde, comportamento, culinária, fofocas e cuidados com os pets.


A empreitada do ex-Hoje em Dia na emissora durou pouco: o De A a Zuca saiu do ar em 19 de julho, juntamente com o veteraníssimo Todo Seu, de Ronnie Von. Em comunicado divulgado à imprensa, a Gazeta informou que a decisão de encerrar as duas atrações foi motivada por questões econômicas.


Mas Zucatelli conseguiu se reposicionar mais rápido dessa vez: em 4 de novembro, ele foi anunciado pela Record como o novo apresentador do Balanço Geral Manhã. No policial matinal, Zuca fica do ar das 5h às 8h45.

Em um ano marcado pelo novo coronavírus e por muitas reprises na televisão, alguns programas conseguiram a "façanha" de serem cancelados mesmo que suas emissoras não tivessem algo inédito para colocar no lugar. Teve atração que saiu do ar após apenas quatro edições. Afinal, TV é um brinquedo que custa milhões, e é melhor cortar o mal pela raiz de uma vez do que tentar salvar o formato --alô, Globo, por que insistir no Se Joga em 2021?


A lista de programas "piscou, perdeu" de 2020 inclui atrações prejudicadas pela pandemia, outra que surgiu justamente por causa da crise de saúde (mas acabou muito antes da Covid-19), um talk show que já nasceu errado e um matinal feminino cuja maior ousadia era não ter quadro de culinária.


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Relembre cinco atrações com vida tão curta que vão cair (ou já caíram) no esquecimento do grande público:


reprodução/tv globo


Márcio Gomes tinha até álcool gel na bancada


Combate ao Coronavírus

A pandemia ainda estava engatinhando no Brasil em 17 de março, quando a Globo suspendeu o Mais Você, Encontro e Globo Esporte (que passou a fazer parte do Praça TV) e estreou o Combate ao Coronavírus, no qual Márcio Gomes abordava as últimas notícias sobre a doença no mundo todo e dava dicas de prevenção --e de como fazer máscaras caseiras. Em abril, teve sua duração reduzida para 1 hora com a volta do Encontro com Fátima Bernardes.


O jornalístico durou pouco mais de dois meses, e em 22 de maio a emissora decidiu acabar com o programa, na expectativa de que a Covid-19 estava caminhando para o fim. A medida se mostrou precipitada e ainda causou uma revolução na vida de Gomes, que se sentiu subaproveitado e migrou para a CNN Brasil em busca de novos desafios profissionais. O horário passou a ser ocupado pela versão estendida do Bom Dia Brasil e da volta do Encontro ao seu horário normal.


marcus godoy/record


Sabrina durou quatro semanas no Domingo Show


Domingo Show com Sabrina Sato

A passagem de Sabrina Sato pelo Domingo Show durou pouco: apenas quatro edições, para ser exato. A apresentadora estreou em 8 de março à frente do dominical, com a promessa de trazer diversão, música e muito xaveco. Mas a baixa audiência na estreia e a pandemia forçaram a Record a acabar com a atração no dia 29 do mesmo mês.


O quadro Made In Japão, que já estava todo gravado --exceto pelo anúncio do campeão, feito ao vivo--, virou um programa independente nas noites de sábado, mas também passou longe de ser um sucesso de público.


Sabrina se deu melhor como apresentadora do Game dos Clones e com seu canal no YouTube, no qual entrevistou amigos famosos diretamente do banheiro --e que lhe rendeu o Prêmio Notícias da TV de personalidade da TV no YouTube/web.


divulgação/redetv!


Olga Bongiovanni saiu do ar em janeiro


Olga

Lançado em 15 de abril do ano passado, o matinal Olga conseguiu passar de ano apesar de nunca ter sido um fenômeno de audiência --nem a própria RedeTV! fazia muita questão de divulgá-lo. Em 2020, porém, Olga Bongiovanni recebeu a faca antes mesmo de a pandemia estourar. Seu programa, um feminino que apostava na "prestação de serviços, e não na culinária", como ela mesma definiu, saiu do ar em 27 de janeiro.


divulgação/band


Talk show não durou nem três meses na Band


Melhor Agora

O Melhor Agora é um caso de programa que já nasceu errado. Após passar quase cinco anos à frente de um talk show na RedeTV!, Mariana Godoy assinou com a Band para comandar um matinal diário idealizado por Zeca Camargo. A estreia foi adiada várias vezes, até que o projeto foi cancelado de vez --ele nem chegou a ter um nome.


Mariana, então, ganhou um prêmio de consolação: um talk show semanal noturno, bem parecido com o que comandava na antiga emissora. O Melhor Agora estreou em 21 de setembro, mas não fez nenhum furor na audiência. Toda a equipe foi demitida, e o programa saiu do ar em 7 de dezembro. Apesar da curta duração da atração, Mariana teve tempo de ser diagnosticada com Covid-19 e ficar duas semanas fora do ar. Ninguém sentiu falta...


estevam avellar/tv globo


Fora de Hora: bastidores melhores do que atração


Fora de Hora

Criado para substituir o Tá no Ar na Globo, o Fora de Hora conseguiu ser mais interessante em seus bastidores do que pelo que apresentava semanalmente na TV. O humorístico que simulava um jornal com notícias bizarras teve sua produção cancelada por causa do novo coronavírus e saiu do ar com apenas 11 episódios (dois deles de "melhores momentos"). Sem repetir o sucesso do Tá no Ar: A TV na TV, foi substituído pela série Manifest.


A Globo, que já havia encomendado um segundo ano da atração, cancelou qualquer chance de ela voltar ao ar depois que vieram à tona as acusações contra Marcius Melhem, então chefe do Humor da emissora. Dani Calabresa e outras profissionais alegam que o ator as teria assediado moral e sexualmente --ele confirma que errou em alguns momentos, mas nega que tenha abusado ou sido violento.


Curiosamente, o Fora de Hora surgiu como um projeto que seria comandado por Dani Calabresa. Ela queria dividir a bancada com Bento Ribeiro e refazer na Globo o Furo MTV, formato similar que a dupla tinha apresentado no canal musical entre 2009 e 2013. No fim, Paulo Vieira e Renata Gaspar assumiram as funções. Melhem foi dispensado da Globo em agosto.

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