Análise sintática externa - orações
Antes de aprendermos análise sintática vamos relembrar.
Como já vimos, frase é uma palavra ou grupo de palavras que contém uma ideia com sentido completo. E oração é um conjunto de palavras ou frases com estrutura em torno de um verbo.
Continuando, temos o período, que é um texto formado por uma ou mais orações.
Já a análise sintática é o estudo da estrutura de um período e das orações que o compõem. Ou seja, fazer a análise sintática de um período é estudar a sua estrutura e determinar os seus componentes.
Os períodos podem ser de dois tipos: simples ou compostos.
1) Simples quando é formado por uma só oração. Nesse caso é chamada de oração absoluta.
Ex.: A chuva castigou a cidade.
2) Composto quando é formado por mais de uma oração.
Ex.: A moça fechou a porta e dirigiu-se à rua.
- Quando for composto, ainda pode ser: por coordenação (oração coordenada), por subordinação (oração subordinada) ou misto (ambos os tipos).
ORAÇÕES COORDENADAS
As orações coordenadas, não dependem de outra e são ligadas apenas pelo sentido. Podem ser: assindéticas quando não têm conjunção, estão apenas justapostas, separadas por vírgula e sindéticas quando são introduzidas por uma conjunção coordenativa.
As conjunções coordenativas são:
1) Aditivas – dão a ideia de soma, adição (e, nem, mas também, mas ainda, como também - depois de não só). Ex.: Ele não pagou a conta nem deu satisfação.
2) Adversativas – como o nome diz, exprimem a ideia de adversidade, contraste ou oposição (mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto, não obstante, senão = mas sim, e = mas). Ex.: Não gosto de areia, mas vou sempre à praia.
3) Alternativas – oferecem uma escolha, outra opção ou outra alternativa (ou - repetido ou não, ora, já, quer, seja - repetidos). Ex.: Coma ou perderá a saúde.
4) Conclusivas – a segunda oração conclui a primeira (pois, logo, então, portanto, por isso, por conseguinte). Ex.: O sol não se move, logo a terra gira.
5) Explicativas – a segunda oração continua o sentido da primeira explicando o motivo (porque, que, pois, porquanto). Ex.: Daqui não sairei, pois sou o dono.
ORAÇÕES SUBORDINADAS
Nas orações subordinadas, uma depende da outra, nesse caso existe uma oração principal (Parte que contém a informação principal e não tem sentido sem o complemento de uma oração subordinada) e uma oração subordinada, (que depende da principal para ter sentido, apresenta uma circunstância de tempo e pode desempenhar a função de substantivo, adjetivo ou advérbio).
Ex.: Ele chegou quando todos dormiam.
Ex.: Ele chegou (oração principal – completa e independente)
Ex.: quando (conjunção – inicia a segunda oração e dá uma circunstância de tempo)
Ex.: todos dormiam (oração subordinada – precisa da oração principal para ter sentido; completa a principal e, juntamente com a conjunção, tem função de advérbio de tempo)
Então, como vimos no parágrafo anterior, as orações subordinadas podem ser de três tipos: Substantivas, Adjetivas e Adverbiais:
1) São orações subordinadas substantivas – quando exercem a função de substantivo e, normalmente, são introduzidas por conjunções integrantes, pronomes ou advérbios interrogativos.
Ex.: Convém que você se esforce.
E as orações subordinadas substantivas são divididas, ainda, em:
a) Subjetiva – funciona como sujeito de uma oração principal.
Ex.: É importante que você fale.
b) Objetiva direta – funciona como objeto direto do verbo da oração principal.
Ex.: Ele afirmou que tudo era verdadeiro.
c) Objetiva indireta – funciona como objeto indireto do verbo da oração principal.
Ex.: Todos necessitam de receber alimentos.
d) Completiva nominal – funciona como complemento de um substantivo, adjetivo ou advérbio da oração principal.
Ex.: O povo tinha certeza de que haveria eleições.
e) Predicativa – funciona como predicativo do sujeito da oração principal. Aparece sempre depois do verbo ser.
Ex.: Nosso desejo é que sejas feliz.
f) Apositiva – funciona como aposto de um dos termos da oração principal. Vem normalmente após dois pontos, vírgula ou travessão.
Ex.: Espero sinceramente isso: que você seja feliz.
g) Justapostas – São as orações que não iniciam por conjunção e que podem ser iniciadas por pronomes interrogativos (que, quem, qual, quanto) ou por advérbios interrogativos (onde, como, quando, por que), nas frases interrogativas indiretas.
Ex.: “Quem espera sempre alcança”.
h) Agente da passiva – quando o verbo da oração se apresenta na voz passiva. É apresentado pela preposição por e eventualmente pela preposição de.
Ex.: Era amada por todos. Era estimada de quantos a conheceram.
2) São orações subordinadas Adverbiais – quando exercem a função de adjunto adverbial da oração principal, podendo exprimir as circunstâncias de acordo com a conjunção que faz a sua ligação com a oração principal. São iniciadas por conjunção subordinativa, com exceção das integrantes.
E as orações subordinadas adverbiais são divididas, ainda, em:
a) Temporal – complementa a oração principal, exprimindo uma circunstância de tempo.
Conjunções - quando, enquanto, mal
Locuções conjuntivas - logo que, assim que, antes que, depois que, sempre que, desde que, até que, toda vez que
Ex.: Os índios já habitavam essa terra quando os portugueses chegaram.
b) Causal – exprime a causa da afirmação contida na oração principal.
Conjunções - porque, como, porquanto
Locuções conjuntivas - já que, visto que, uma vez que, na medida em que
Ex.: Como choveu muito, não houve jogo. Não houve jogo, pois choveu muito.
c) Comparativa – exprime circunstância de comparação.
Conjunções - como, que (precedida de mais, menos, maior, menor, melhor, pior)
Locuções conjuntivas - assim como, bem como, tal qual, tanto... quanto/como, tão... quanto/como
Ex.: Trabalha como escravo. Trabalha tanto quanto um escravo
d) Concessiva – exprime a ideia de conceder, não negar, admitir.
Conjunções - embora, conquanto
Locuções conjuntivas - ainda que, mesmo que, posto que, se bem que, apesar de que, nem que
Ex.: Ele viajará, embora a estrada não esteja boa.
e) Condicional – quando dá a ideia de condição, de considerar outra hipótese.
Conjunções - se, caso
Locuções conjuntivas - desde que, contanto que, exceto se, salvo se, a menos que, a não ser que, sem que, uma vez que
Ex.: Se ele não estudar, será reprovado.
f) Consecutiva – aponta uma consequência do fato expresso na oração principal.
Conjunção - que (precedida de tal, tão, tanto, tamanho)
Locuções conjuntivas - de forma que, de modo que, de sorte que, de maneira que
Ex.: Gritou tanto que ficou rouco.
g) Final – exprime circunstância de finalidade, intenção em relação a oração principal.
Conjunções - que, porque (= para que)
Locuções conjuntivas - para que, a fim de que
Ex.: O lavrador trabalha a fim de não perder a colheita.
h) Proporcional – exprime um aumento ou diminuição proporcional ao declarado na oração principal.
Conjunção - enquanto
Locuções conjuntivas - à medida que, à proporção que, ao passo que, quanto mais, quanto menos
Ex.: À proporção que a civilização progride, o romantismo se extingue.
i) Conformativa – indica conformidade, semelhança em relação a oração principal.
Conjunções - conforme, segundo, consoante, como
Ex.: Ela agiu como sua mãe lhe ordenou. Ela agiu conforme sua mãe lhe ordenou.
Apesar de a NGB não registrar, existem orações subordinadas adverbiais que indicam modo e lugar. São as orações modais e locativas. Estas iniciadas por 'onde' sem o antecedente expresso (aparecendo o antecedente, será adjetiva), aquelas iniciadas por 'sem que' ou na forma reduzida de gerúndio.
3) São orações subordinadas Adjetivas – quando exercem a função de adjunto adnominal da oração principal, função própria de adjetivo. São introduzidas por um pronome relativo.
E as orações subordinadas adjetivas podem ser:
a) Restritiva – restringe, delimita o sentido do antecedente, que pode ser um substantivo ou um pronome, por isso é indispensável ao sentido do enunciado.
Ex.: O homem que mente é indigno de confiança.
b) Explicativa – justapõe-se ao antecedente (substantivo ou pronome) já definido, acrescentando uma característica que lhe é própria. Em outras palavras é uma explicação colocada entre vírgulas, travessões ou parênteses.
Ex.: O homem, que é um ser racional, vive pouco.
4) Orações reduzidas são orações subordinadas introduzidas por formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio) e que não são acompanhadas por conjunção subordinativa, locução conjuntiva ou pronome relativo, mas podem ser introduzidas por preposição ou locução prepositiva.
A professora parecia não escutar o que os alunos diziam.
Temos a primeira oração, também chamada de principal: A professora parecia.
Temos também a segunda oração: Não escutar o que alunos diziam – classificada como uma oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo.
Desdobrando-a temos:
A professora parecia que não escutava o que os alunos diziam.
Encontramos lá algumas pessoas caminhando rapidamente.
Temos a primeira oração, denominada de principal: Encontramos lá algumas pessoas.
Encontramos a segunda, demarcada por: caminhando rapidamente - classificada como uma oração subordinada adjetiva restritiva reduzida de gerúndio.
Desdobrando-a temos:
Encontramos lá algumas pessoas que caminhavam rapidamente.
Não obteve bom resultado por não ter estudado.
Temos a primeira oração: Não obteve bom resultado
Segunda oração: por não ter estudado – classificada como uma oração subordinada adverbial causal reduzida de particípio.
Desdobrando-a, temos:
Não obteve bom resultado porque não estudou.
Orações subordinadas substantivas:
Forma desenvolvida - iniciada por conjunção integrante, pronome ou advérbio interrogativo, verbo flexionado
Forma reduzida - sem conjunção ou pronome, verbo expresso no infinitivo
Orações subordinadas adjetivas:
Forma desenvolvida - iniciada por pronome relativo, verbo flexionado
Forma reduzida - sem pronome relativo, verbo expresso no infinitivo, gerúndio ou particípio
Orações subordinadas adverbiais:
Forma desenvolvida - iniciada por conjunção adverbial, verbo flexionado
Forma reduzida - sem conjunção, verbo expresso no infinitivo, gerúndio ou particípio
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