Paralelismo - enumerações e termos da oração

A língua aprende a lição do corpo. No corpo, tudo o que existe aos pares tem harmonia. Temos duas orelhas, dois olhos, duas narinas, dois braços e duas pernas. Uma orelha é igual à outra, um olho igual ao outro, uma perna igual à outra. Eles são iguais porque têm funções iguais. A dos olhos é enxergar; a dos ouvidos, ouvir; a das narinas, cheirar, a das pernas, andar; a dos braços, abraçar.


Na língua vigora a mesma ordem. Os termos e orações com funções iguais devem ter estruturas iguais. O que acontece quando as embaralhamos? O mesmo que com o corpo. Imagine um rosto com um olho grande e outro pequeno. Ou uma pessoa com a perna de um lado e o braço de outro. Ou um tronco com um peito no lugar dele e o outro no lugar do umbigo. A harmonia se vai.


Paralelismo é isto: simetria. Lé com lé, cré com cré. Termos e orações com funções iguais devem ter estruturas iguais. É o caso das enumerações. Se um item se inicia com verbo, os demais não têm saída. Vão atrás. Se por nome, idem. Veja:


São funções do Banco Central:


emitir moedas;

fiscalizar o sistema financeiro nacional; e

controlar a moeda e o crédito.

São funções do Banco Central:


a emissão de moedas;

a fiscalização do sistema financeiro; e

o controle da moeda.

Misturar estruturas? Valha-nos, Deus! É cruzar girafa com elefante. O resultado é este mostrengo:


São funções do Banco Central:


emitir moedas;

a fiscalização do sistema financeiro; e

controlar a moeda.

Paralelismo não se observa só em enumerações. Ele pede passagem também em termos da oração. Se, por exemplo, um verbo pede dois objetos diretos, eles devem ter a mesma construção sintática. Misturar estruturas é pisar o paralelismo. Assim: Ele negou interesse no projeto e que o telefonema do deputado tivesse relação com as propostas nele apresentadas.


Ele negou dois fatos:


a) interesse no projeto e


b) que o telefonema do deputado tivesse relação com as propostas nele apresentadas.


Os dois fatos, por serem objetos diretos do mesmo verbo (negou), deveriam ter a mesma estrutura: ou os dois nominais ou os dois verbais:


Ele negou interesse no projeto e a relação do telefonema do deputado com as propostas nele apresentadas.


Ou:


Ele negou que tivesse interesse no projeto e que o telefonema do deputado tivesse relação com as propostas nele apresentadas.


Cuidado com o e que. Só se pode empregá-lo quando houver o primeiro quê, claro ou subentendido. Na falta dele, o paralelismo chora de dor:


As pesquisas revelam grande número de indecisos e que pode haver segundo turno no Distrito Federal (corrigindo: as pesquisas revelam grande número de indecisos e a possibilidade de segundo turno no Distrito Federal).


Os trabalhadores precisam assegurar o poder de compra dos salários e que seja mantida a garantia de emprego (corrigindo: os trabalhadores precisam garantir o poder de compra dos salários e manter a garantia do emprego).

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