Jornal Correio da Paraíba - Pensando em Sexo - 10 de novembro de 2021
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O ménage à trois, ou sexo a três, está em alta depois da segunda temporada de “Verdades Secretas 2”, da Globo, exibir cenas que deixaram os internautas impactados e curiosos. A expressão francesa, na verdade, fala sobre três pessoas morando em um cômodo ("moradia a três"), mas ganhou nome do sexo a três e assim ficou. Aline Mineiro, participante de "A Fazenda 13", é uma revelou que ela e o parceiro, Léo Lins, têm um relacionamento aberto e praticam ménage (mas só com mulheres, como combinado entre eles).
A prática pode ser feita entre casais com desconhecidos, casais com amigos, apenas amigos, apenas desconhecidos… Como cada trio vai curtir a experiência do ménage é uma verdadeira caixinha de surpresas - assim como suas consequências. O Delas reuniu seis relatos de mulheres que foram anfitriãs (formavam o casal) e convidadas para contar como foi a experiência. Veja:
Delicioso, mas cuidado com o emocional
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“Na época em que participei do ato fui com meu namorado da época e estava realmente interessada em experiências novas. Fui anfitriã junto com ele e experimentamos com outro rapaz e também com outra moça. Foi delicioso, mas o lado emocional que realmente precisa estar em dia, por que infelizmente causa um abalo de estruturas em um relacionamento que já esteja fragilizado. Usar desses artifícios para tentar salvar o relacionamento só faz com que a coisa termine mais rápido.”
Daniela*, 31 anos, auxiliar de coordenação.
Perdida no rolê
“Não gostei porque era eu, minha melhor amiga e um colega. Bebemos para ficar mais soltas, mas pra mim não adiantou muito, porque não sabia o que fazer e em quem fazer, já que o sexo a 2 é completamente diferente. Acredito que se os 3 tiverem mais intimidade, falarem do que gosta, vai fazer se tornar bom. Fui a convidada.”
Bárbara, 25 anos, autônoma.
Experiência em casal
“Fui anfitriã junto com a minha namorada, o convidado foi um amigo dela. Foi uma experiência nova e razoável, faria novamente, mas não com a mesma pessoa. Conversamos muito antes pra impor alguns limites tanto eu e ela quanto nós três.”
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Mia*, 19 anos, estagiária.
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“Fui anfitriã junto com a minha namorada, o convidado foi um amigo meu. Foi uma experiência nova e razoável, acredito que por nervosismo da parte dele, porque nós duas conversamos bastante a respeito pra impor alguns limites e manter uma experiência saudável. Com certeza faria novamente.”
Carla, 24 anos, estagiária.
Alerta DP
“Participei com dois homens e não tinha ligação, nem familiar e nem amizade com nenhum dos dois. Foi uma delícia, recomendo muito. Sempre tive vontade de experimentar o sexo com dois homens e só eu de mulher. As coisas fluíram mais naturalmente do que eu pensei e tudo aconteceu de uma maneira bem tranquila e gostosa para todos. Não sei se tentaria com mais uma mulher, mas a experiência com certeza é única e a dupla penetração foi sensacional.”
Iara*, 22 anos, estudante.
Convidada de um casal indeciso
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“Fui convidada por um casal que queria conhecer pessoas novas e terem novas experiências. Foi um pouco desconfortável porque acredito que o casal não tivesse 100% de certeza que queria uma terceira pessoa e acabou sendo uma situação chata porque me senti incomodando. Um pouco de bebida conseguiu contornar a situação e deixar um pouco mais leve pra continuarmos. Faria novamente, mas talvez falasse um pouco mais com o casal junto para não ficar chato.”
Fernanda*, 22 anos, estagiária.
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Em uma roda de amigos, na Internet e em grupos de redes sociais, entre um papo e outro, falar sobre “erros” ou padrões, muitas vezes influenciados pela pornografia, que acontecem na hora H pode render muita risada, mas também servir como alerta para não cometer gafes. Para ajudar nesse momento, o iG Delas preparou um guia completo das posições sexuais que pode ajudar a aprimorar o que você mais gosta.
Cada pessoa gosta de coisas diferentes na relação sexual, mas algumas situações acabam entrando em senso comum quando o assunto é não gostar ou gerar constrangimento. Cinco mulheres, que preferiram se manter anônimo, afirmaram que usar os dentes na hora do sexo horal é um erro muito grave, já que pode machucar tanto a vulva, quanto o pênis.
Essas situações constrangedoras não se aplicam somente a técnicas sexuais, mas também comportamentos na hora do sexo. A terapeuta orgástica e doula Juliana Thaisa conta 5 coisas que devem ser evitadas na relação e também como apimentar a hora H.
Evite os dentes
No sexo oral, os dentes não são bem-vindos! Thaisa afirma que é muito importante ter cuidado nesta região, que é muito sensível. Se a pessoa em questão não tem fetiche em relação a essa prática, os dentes podem machucar, são desconfortáveis e não proporcionam prazer algum.
“Dente na vulva, no clitóris ou na glande do pênis é horrível porque é um lugar muito sensível, pode machucar. Pode dar uma arranhadinha, depois a mulher vai tomar um banho e vai passar um sabão, alguma coisa vai arder. O dente é muito perigoso tanto na glândia do pênis como no clitóris”, diz.
Ciúme de brinquedos sexuais
Na hora H, os acessórios sexuais são amigos e não inimigos! Thaisa explica que o sexo padrão hétero é muito focado na penetração e isso faz com que o homem se sinta ameaçado quando uma parceira deseja usar o vibrador. “Às vezes a mulher não está tendo um orgasmo com ele, mas na hora que ela usa o vibrador ela vai ter. Então os homens eles acabam vendo o vibrador como se fosse uma competição de quem proporciona mais prazer ali”, conta.
Nesses momentos, o ideal é se permitir curtir muito. A terapeuta orgástica ressalta que o sextoy não tem que ser visto dessa forma e sim, como algo que pode auxiliar no prazer. “Ciúmes de vibrador na hora da relação acaba deixando a mulher extremamente desconfortável e não tem absolutamente nada a ver uma coisa com a outra”, afirma.
Dispensar lubrificante
Esse erro é bem comum! A lubrificação é extremamente necessária para evitar machucados e atritos perigosos. Thaisa conta que introduzir o dedo, pênis ou qualquer outro sextoy no canal vaginal ou no ânus com força, sem lubrificação e sem tomar cuidado com a unha não é nada confortável!
A terapeuta orgástica explica que existe a penetração passiva, que começa mais devagar, e a ativa, que é mais rápida. Em todas as formas, é essencial relembrar que a saliva não é lubrificante! Fazer uma transição calma e prestando atenção nos detalhes faz toda a diferença na hora do prazer.
“Tem que tem que sentir com calma, massagear antes pra depois ir introduzindo o dedo com calma e não já colocar de uma vez. Deixa passar primeiro essa pontinha do dedo ali onde tem a unha e aí depois tá tudo certo. Então qualquer tipo de penetração seja o dedo ou o pênis não dá pra ir tipo de primeira, já ir com tudo sem dar essa atenção se realmente está lubrificado”, diz.
Constrangimento após flatos vaginais
Quando ocorrem os flatos vaginais, também conhecidos como “xoxopeidos” ou “pulvagi”, as mulheres tendem a ficar envergonhadas e até podem perder o tesão. Isso é absolutamente normal! Thaisa conta que muitos homens — e até mulheres — não tem noção do que acontece e acabam constrangendo a parceira.
“É uma reação normal do organismo pra expelir o ar do canal vaginal. Então não devia causar nenhum constrangimento, porque é completamente normal e é só ar, não produz cheiro ou odor”, diz. Algumas posições como de quatro podem facilitar que esses flatos ocorram. Thaisa relembra que é importante normalizar esses acontecidos, que são naturais do organismo.
Nojo da ejaculação feminina
A ejaculação feminina, como é conhecido o squirting , também é algo que muitos homens não tem conhecimento e mulheres acabam acreditando ter alguma questão fisiológica ou não ser normal. Pessoas com vulva no sexo podem ter o orgasmo (que é a sensação e reação do corpo) e a ejaculação, quando o orgasmo acontece junto com um líquido expelido pela uretra.
Thaisa explica que quando o orgasmo vem de forma intensa, a ejaculação pode acontecer e ser confundida com a urina. “Eu já ouvi vários relatos, um de que a mulher estava transando na casa de um parceiro e ela ejaculou muito. Aí o parceiro foi super grosseiro, achando que ela tinha feito xixi”, relembra. Ela ressalta que essa é mais uma reação natural que não precisa virar uma torta de climão!
Como melhorar?
“Não são erros, são padrões, é falta de informação, falta de educação sexual e a galera meio que reproduzindo algumas coisas sem muito entendimento”, diz. Alertar o parceiro sobre essas repetições é uma boa ideia, mas para quem quer evitar parecer grosseira ao apontar essas questões, Thaisa indica conduzir a pessoa a fazer a da melhor forma.
“Se ela percebeu que está lá, recebendo um sexo oral e estão chupando o clitóris com muita força ou colocando o dente, ela pode falar ‘passa mais a língua nessa intensidade, eu sinto mais prazer desse jeito’. Ao invés de apontar o erro, ela pode apontar como ela gosta”, diz.
Para turbinar a relação e garantir o prazer de todos os lados, a terapeuta conta que é preciso que o sexo esteja fluindo de uma forma boa para quem esteja participando, tem que estimular com toques, beijo lento, olho no olho, beijos no corpo inteiro, toques suaves com as pontas dos dedos, lambidas e etc .
“Esse toque desperta eletricidade da pele, então a pele fica mais sensível, nossa pele é o nosso maior órgão sexual. Quando a pele inteira, o corpo inteiro lá dos pés até a cabeça, braços, pernas, costas, barriga, bumbum, pescoço... Tudo quando é estimulado com essas pontinhas dos dedos, com essa língua e tudo mais fica muito mais sensível e isso vai elevando o nível de sensibilidade. Elevando o nível de excitação, quando aquela pessoa chegar a um orgasmo, aquele orgasmo vai ser muito intenso porque aquele corpo recebeu o devido estímulo”, completa.
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Brian Lobel e Joon-Lynn Goh, dois britânicas sobreviventes de câncer, criaram o primeiro sex shop da Inglaterra que busca trazer melhoria na vida sexual das pessoas que também passaram pela doença. O "Sex With Cancer" ajuda a combater as necessidades específicas que os sobreviventes acabam convivendo durante e depois do tratamento.
O sex shop foi criado em parceria com um grupo de pacientes, enfermeiros e psicólogos sexuais. Os produtos são desenvolvidos com design especial para atender as necessidades e proporcionar prazer e versatilidade para os sobreviventes do câncer.
A radioterapia e quimioterapia podem causar exaustão, mudanças no peso, falta de libido, disfunção erétil e ressecamento vaginal, além de contribuir com infecções. Pensando nisso, os produtos especiais foram feitos a partir de uma pesquisa com 200 pacientes oncológicos para saber as necessidades e curiosidades mais relatadas.
À venda estão massageadores de próstata e do períneo para quem convive com a dor crônica de cirurgias e amputações, brinquedos eróticos de sucção clitoriana e também vibradores para quem teve perda de sensibilidade.
"É para qualquer pessoa que se sinta tímida ou envergonhada na frente dos médicos, desencorajadas ou advertidas pelos médicos, onde o prazer é de importância secundária. É para parceiros, amantes e admiradores que queriam melhorar a relação", contam no site da marca.
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Desde que estreiou a terceira temporada de "Sex Education" , série da Netflix, a personagem Lily, conhecida pela sua fixação em extraterrestres - inclusive e especialmente na hora do sexo -, sofre questionamentos sobre o quanto o seu desejo é normal e/ou saudável. Apesar dessa dúvida ser algo presente para quem assiste a série desde o seu lançamento, em 2019, somente este ano existe um convite para aprofundar neste tema. O nome exofilia fala justamente sobre as pessoas que tem desejo sexual por formas de vida extraterrestres, sobrenaturais ou não humanas.
"Pessoas com exofilia têm um desejo sexual de estar com formas de vida não humanas e são excitadas por imagens delas", diz Lucy Beresford, psicoterapeuta, especialista em relacionamento e podcaster, ao Metro UK . Isso também pode se aplicar a entidades, energias ou seres de outro mundo. "Vemos isso como um fetiche principalmente porque esses objetos geralmente não têm conotações sexuais", explica Lucy.
Embora a causa ou o gatilho para este fetiche seja difícil de identificar, os mitos de outras culturas falam de espíritos ou acoplamentos alienígenas com humanos que nos parecem de natureza sexual, comenta Lucy.
Fetiche ou amor?
No entanto, a especialista em sexo e relacionamento Ruby Payne aponta que muitas pessoas realmente não vêem isso como uma festa. "Algumas pessoas não consideram a exofilia um fetiche, mas sim que alguns indivíduos simplesmente nascem com esse amor pelo outro mundo." Um exemplo disso são os filmes "Guardiões das Galáxias" e o ganhador do Oscar de 2018, "A forma da Água".
Esta atração afetiva e sexual também não é um fenômeno recente. "Muitos acreditam que a exofilia costumava ser mais comum do que agora. A mitologia de outras culturas muitas vezes fala de casais entre espíritos, alienígenas e semideuses com humanos que são de natureza sexual", Ruby continua.
"Algumas pessoas podem ficar excitadas simplesmente com o pensamento de outros seres inteligentes existindo em uma galáxia muito, muito distante. As infinitas possibilidades de espaço, a ausência de gravidade da gravidade e o frio atraente - não é difícil entender a curiosidade."
Muito além dos extraterrestres
Ruby acrescenta que os exófilos podem ser atraídos por qualquer coisa que não seja humana - podem ser alienígenas, robôs, o sobrenatural (como demônios, anjos ou monstros), ou mesmo espíritos e deuses. Mas tudo isso é variável já que, como ela diz, fetiches são como flocos de neve: cada um é diferente.
A especialista em sexo explica que enquanto algumas pessoas podem ser atraídas pelos aspectos físicos de alienígenas ou pelo sobrenatural, outras estão mais interessadas no que podem fazer a você - seja a" sondagem "estereotipada ou o contato sexual telepático. "Alguns podem não querer fazer sexo com alienígenas, mas sim ser levados embora para explorar a galáxia - para o último é mais sobre a conexão emocional."
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A calcinha vibratória é um brinquedo erótico que atrai curiosidade com a promessa de prazer e discrição em um só vibrador . Ela, inclusive, já apareceu em cenas de filmes como "50 tons de cinza", "A verdade nua e crua" e até o brasileiro "De pernas para o ar". O diferencial mesmo está em sair de casa usando o vibrador acoplado à calcinha e controlar ele por aplicativo no celular - ou pedir para que a pessoa que está com você dite o ritmo da vibração.
Mas afinal, a calcinha vibratória funciona? Vale o investimento? Testei o modelo Satisfyer Sexy Secret , um dos mais vendidos quando se fala em calcinha vibratória controlada por aplicativo (porém também funciona sem, rodando um programa próprio de vibrações, tal qual uma cadeira de massagem). Ela custa, em média, R$ 650. Desenvolvido com um silicone seguro para o corpo, ela promete uma vibração potente e silenciosa, apesar do tamanho discreto e pesar apenas 200 gramas. A bateria é carregada por cabo USB e corrente elétrica e tem longa duração. Um diferencial deste vibrador para outros do mercado é o ímã em círculo que garante a permanência na calcinha no mesmo lugar, independente da movimentação.
O ímã é este círculo saliente. Basta removê-lo, colocar o vibrador onde você sentir melhor, vestir a calcinha e colocar o ímã por fora.
Arquivo pessoal
O ímã é este círculo saliente. Basta removê-lo, colocar o vibrador onde você sentir melhor, vestir a calcinha e colocar o ímã por fora.
Confesso que mesmo com uma curiosidade alta pelo brinquedo erótico, eu não colocava muita fé em um vibrador focado no clitóris - o que é bem diferente de um sugador de clitóris. Em conversa com a Natali Gutierrez, fundadora da Dona Coelha, ela me passou um segredo para aproveitar melhor a experiência com a calcinha vibratória e seu aplicativo de controle: colocar um funk com uma batida muito boa e me deixar levar.
A experiência
No começo não entendi muito bem a indicação, mas foi o suficiente para aumentar a curiosidade e testar no mesmo dia. Acredito que, de todo o processo, a parte mais chatinha é baixar o aplicativo e fazer todo o cadastro. De resto, ele é bastante intuitivo e funcional. Com ele você tem acesso aos seis programas de vibração do brinquedo e, depois, pode viver seu momento Mônica de Friends, quando ela cria a sequência perfeita para atingir o orgasmo e criar os seus programas com base nas vibrações disponíveis.
Os meus programas preferidos foram o wave que, como o nome em inglês sugere, faz a vibração acontecer como se fosse em ondas; o pulses, onde existem pulsos ritmados de vibração; o accelerator, com uma vibração em ondas mais rápidas; e o big fun que é, praticamente, um compiladão desses últimos.
O funk
Finalmente chegamos à parte que me deixou curiosa. No modo vibrações musicais, você pode adicionar músicas que estão no seu celular a playlist do aplicativo e a batida das músicas vai reproduzir a vibração. Como eu uso serviços de streaming, usei a opção de som ambiente, onde o aplicativo tem acesso ao microfone do celular e coloquei as músicas que eu escolhi ( "se teu hobby é sentar, não vou te criticar..." ).
Foi, de longe, a parte onde eu mais me diverti e senti prazer de fato - inclusive quando passou uma moto na rua de casa e a calcinha reproduziu a vibração do som da moto. Acredito realmente que funciona bem com músicas que têm uma batida forte, deixando a experiência muito mais prazerosa.
Eu gostei do brinquedo e pelo tamanho e praticidade, isso me estimulou a usar mais vezes e em momentos aleatórios. Minha única ressalva é que ele não é tão silencioso quanto promete. Talvez, em uma multidão e com som ambiente, ele passe despercido. Mas em um lugar silencioso, com certeza as pessoas vão se questionar de onde está vindo o "bzzzz" - e se é realmente da sua vagina.
Uma observação final: como eu falei antes do texto, o aplicativo permite que outra pessoa possa controlar a vibração do brinquedo. Entretanto, eu não usei esta função porque preferi descobrir primeiro sozinha quais vibrações me interessam mais. Mas do que eu já percebi, estou curiosa para usar em dupla, inclusive na hora do sexo, já que o ímã que prende o vibrador à calcinha é bem resistente. Vale o experimento .
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