Jornal Correio da Paraíba - Milenium - 10 de novembro de 2021

 F1

Mulheres cujo ciclo menstrual passou a durar mais tempo no início da transição para a menopausa precisam ficar atentas à saúde do coração. Embora seja natural que o ciclo fique cada vez mais longo, o momento em que isso acontece pode ser um marcador para problemas cardíacos, segundo estudo publicado no periódico Menopause.



Ao olhar para os dados de 428 mulheres — e 1808 ciclos menstruais — que já participavam de outro estudo (Study of Women’s Health Across the Nation), pesquisadores de diferentes instituições norte-americanas verificaram três trajetórias de duração do ciclo durante o período de transição para a menopausa:


- Estáveis (sem mudanças no tempo de duração);

- Aumento tardio (alterações que ocorreram dois anos antes da menopausa estar instalada);

- Aumento precoce (mudanças que surgiram cinco anos antes da menopausa estar instalada).


As participantes que tiveram o aumento tardio apresentaram resultados da saúde cardiovascular melhores do que aquelas que mantiveram os ciclos estáveis. No caso das mulheres com alterações cinco anos antes da menopausa, os riscos cardiometabólicos foram maiores. Isso pode ser explicado, segundo os pesquisadores, pela redução precoce dos hormônios — especialmente o estrogênio.


Os resultados, no entanto, ainda são iniciais e estudos mais aprofundados precisam ser feitos para confirmar os achados.


Proteção do estrogênio


Os ciclos se iniciam no primeiro dia da menstruação. A duração de cada ciclo interfere na quantidade de hormônios aos quais as mulheres são expostas. Se esse período for curto (menos de 21 dias) e, portanto, mais frequente, a concentração de estradiol — tipo mais ativo do estrogênio — será maior em comparação aos ciclos na média (21 a 35 dias) ou ciclos mais longos (acima de 35 dias).


Isso porque, no caso dos mais longos, as mulheres levam mais tempo para amadurecer os óvulos e esse período é caracterizado por uma secreção relativamente menor do estrogênio. Como esse hormônio é também responsável pela manutenção da saúde cardiovascular das mulheres, se elas acabam tendo uma exposição menor ao estrogênio no início da transição para a menopausa, o risco de problemas cardíacos pode aumentar.



De acordo com o estudo, as mulheres com um aumento tardio apresentaram, após a menopausa, uma menor espessura da artéria carótida e níveis menores de velocidade da onda de pulso do tornozelo braquial (medida não invasiva que verifica a rigidez das artérias), do que em comparação com o grupo que manteve os ciclos em uma duração estável.Carótidas menos espessas indicam que o sangue flui com mais facilidade, sem tanto risco de bloqueios que levariam à aterosclerose.


“Padrões na duração dos ciclos durante a transição para a menopausa parecem ser um marcador para a saúde vascular futura”, destacam os autores no artigo publicado. Tais evidências, segundo os autores, ajudariam a criar estratégias preventivas no cuidado de mulheres na meia-idade. Para isso, eles pretendem prolongar os estudos de avaliação das consequências das alterações hormonais durante a transição da menopausa.

F2

Se o home office veio para ficar na sua vida, você talvez tenha entrado para o time de pessoas que sonham com um wi-fi que funciona em qualquer lugar da casa, não caia e opere em alta velocidade. A tecnologia mesh, já comum em países da Europa e nos Estados Unidos, é uma solução para muitos desses problemas.



Numa rede de wi-fi tradicional, um único roteador distribui o sinal por todo o ambiente e, quanto mais longe o dispositivo em uso estiver do aparelho, mais fraco será o sinal. Já o sistema moderno funciona como uma malha (que em inglês traduz justamente como mesh) em que roteadores distribuídos em diversos pontos trabalham juntos para disseminar o sinal de forma mais eficiente. Com isso, o entrave gerado pelas chamadas “zonas mortas” — aqueles locais da casa em que a internet fica muito fraca ou não chega —  é minimizado. A desvantagem desse método é que os preços costumam ser mais caros do que roteadores comuns.


Embora essa tecnologia ainda não esteja difundida por aqui, já há opções no mercado. E, nesta quinta-feira (14), mais uma desembarca no país: o Google Wifi, atualmente o roteador mesh mais vendido nos EUA, segundo a fabricante. “Diferentemente das redes ampliadas por repetidores comuns, a malha formada pelos roteadores do Google consegue entregar a mesma qualidade de sinal, não importa de qual ponto de wi-fi você esteja mais próximo”, diz a empresa norte-americana, em nota.


Um único aparelho Google Wifi conectado a um modem consegue distribuir internet para todos os ambientes em uma residência de até 110 m². De acordo com a companhia, com um kit de três unidades é possível obter cobertura para um espaço de até 330 m².



O sistema também é integrado ao Network Assist, tecnologia que seleciona automaticamente o canal que esteja mais nítido (2,4 GHz ou 5GHz), ajudando a maximizar a conexão com o dispositivo. O recurso ainda avisa se você deve mudar o aparelho de lugar para obter uma melhor performance.


Conexão com Google Home


Assim como acontece com o Nest Audio e o Nest mini, o gerenciamento do wi-fi também ocorre pelo aplicativo Google Home. Mas isso não serve apenas para configurar a rede: com o app, também é possível direcionar o sinal para um dispositivo específico, como uma Smart TV ou um notebook durante uma videochamada. 



Por meio do Google Home você ainda consegue “pausar” o uso da internet por outras pessoas da casa, como crianças na hora de jantar, dormir ou fazer tarefas da escola. O fabricante também destaca que é possível bloquear o acesso a certos sites em dispositivos selecionados. 


Segurança e sustentabilidade


De acordo com o Google, as atualizações de segurança e desempenho dos roteadores são feitas automaticamente. Para evitar ataques, há o recurso de “inicialização verificada”, por meio da qual o aparelho só será ligado se o usuário estiver conectado ao app oficial do Google Home. “Vale também para alterar alguma configuração — só é possível quando o aparelho em que você acionar o aplicativo estiver no mesmo ambiente de segurança da nuvem do roteador”, destaca a empresa.


Outra funcionalidade é poder criar uma rede para convidados e uma senha alternativa compartilhada diretamente pelo app com eles.



A sustentabilidade é também uma preocupação da gigante de tecnologia. No caso do Google Wifi, 49% do plástico usado no dispositivo é reciclado, e as operações são neutras em emissão de carbono.


Serviço


Disponível apenas na cor branca, o Google Wifi já está à venda em lojas físicas e virtuais dos principais varejistas do Brasil. Um roteador (para ambientes com até 110 m²) tem o preço sugerido de R$ 999, e o kit com três unidades (para ambientes com até 330 m²) custa R$ 1.999.

F3

“Quando os cientistas olharam para Andrômeda pela primeira vez, eles esperavam ver um buraco negro supermassivo cercado por um aglomerado estelar relativamente simétrico. Em vez disso, encontraram essa enorme massa alongada”, diz Ann-Marie Madigan, coautora de um estudo que pode ter desvendado a razão para essa aparência inusitada.

Publicada recentemente no periódico científico The Astrophysical Journal Letters, a pesquisa da American Astronomical Society diz que a colisão entre dois gigantescos buracos negros é uma possível resposta. Simulações de uma colisão foram feitas e o resultado gerado é semelhante ao formato de Andrômeda, segundo os cientistas. 


Buracos negros podem se aproximar uns dos outros em espiral, por conta do movimento de redemoinho de gases e estrelas. A alta gravidade deles também tem um papel importante no fenômeno, pois essa gravidade cria um recuo que faz com que os buracos negros se movam mais depressa. Uma colisão como essa leva bilhões de anos e pode gerar novas galáxias.


“Se você é um buraco negro supermassivo e você está se movimentando a milhares de quilômetros por segundo, você pode realmente escapar da galáxia em que você está vivendo”, diz Madigan. Só que, quando a colisão acontece sem que eles escapem, isso pode bagunçar os aglomerados estelares que estão nas proximidades – gerando formatos inusitados.

F4

A centenas de metros abaixo da superfície das águas do Lago Superior, no estado norte-americano do Michigan, pesquisadores encontraram três navios naufragados do século 19. A descoberta, conduzida pelo grupo Great Lakes Shipwreck Historical Society (GLSHS), contou com a participação de historiadores, técnicos de sonar e mergulhadores, segundo o site local Detroit Free Press.







Em entrevista ao canal norte-americano 9&10 News, Bruce Lynn, diretor executivo da GLSHS, conta que a equipe superou as expectativas neste ano de 2021. “Têm sido um ano fenomenal. Em apenas algumas semanas encontramos três navios, isso não é recorrente nem normal para nós”, afirma. 



Para Darryl Ertel, diretor de operações marítimas, o sucesso das expedições se deu pois houve uma ampliação das mesmas: a equipe explorou mais de 4 mil quilômetros só neste ano. “Estamos pesquisando cerca de 160 quilômetros por dia. Estamos viajando a mais de 14,5 km/h enquanto pesquisamos e vemos muitos detalhes lá no fundo [do lago], é incrível”, diz, em comunicado.


A primeira descoberta do grupo, ao que tudo indica, é a escuna Dot, que saiu da cidade de Marquette, no Michigan, rebocada pelo navio a vapor MM Drake, com uma carga de minério de ferro, em 25 de agosto de 1883. Naquele dia, a água começou a entrar na embarcação, então o capitão, Jones, pediu socorro ao veículo rebocador, que se aproximou e acolheu toda tripulação dele antes do barco afundar a mais de 106 metros nas profundezas.



Outro achado é possivelmente o navio Frank W. Wheeler, que também estava sendo rebocado, só que pela embarcação a vapor Kittie M. Forbes, em 29 de setembro de 1885. Na ocasião, um vendaval varreu o Lago Superior e ambos os veículos tentaram resistir por horas àquela situação.



A tripulação do Wheeler, contudo, notou que ele estava afundando, então o capitão, chamado Forbes, sinalizou a ocorrência, tentando levar seu barco junto ao rebocador até a costa em Grand Island, no Nebrasca. O comandante ordenou também que seus homens entrassem em um barco salva-vidas e, passados 15 minutos, o Frank W. Wheeler naufragou, conforme explosões eram ouvidas. Seus destroços estão hoje a cerca de 182 metros de profundidade.


Além disso, os pesquisadores também acharam os restos do que seria o Michigan, uma embarcação que também era rebocada pelo navio MM Drake. O mar estava agitado naquele dia 2 de outubro de 1901 e a água começou a entrar no veículo, que submergiu, enquanto navegava a região de Vermilion Point, no condado de Chippewa.



O MM Drake tentou manobrar ao lado do Michigan para tentar resgatá-lo, mas uma forte onda esmagou os dois barcos. O impacto foi tão intenso que destruiu a chaminé do Drake e sua máquina de vapor perdeu a pressão, deixando o navio sem direção.


Enquanto isso, dois outros navios a vapor nas proximidades ajudaram a resgatar as tripulações. Mas tanto o rebocador quanto o rebocado afundaram (este último a quase 200 metros de profundidade). Apenas o cozinheiro do Michigan morreu.

F5

A cena é trivial. O cachorrinho deseja comer o pão que está em cima da mesa. E o que ele faz? Olha para o alimento, para o seu tutor e mira mais uma vez o pão. Até que, por meio dessa “conversa” com o humano, ele obtém o que deseja.


Esse tipo de comunicação entre cachorros e seres humanos a partir da troca de olhares é muito comum. E um estudo conduzido na Universidade de São Paulo (USP) mostrou que diferentes experiências de vida podem alterar a maneira como os animais direcionam o olhar – e se comunicam – com as pessoas.



A pesquisa, publicada na revista Behavioural Processes, mostrou que animais de estimação trocaram muito mais olhares para conseguir objetos inalcançáveis. Na comparação entre 60 cachorros de raças e idades variadas, 95,7% dos que viviam dentro de casa usaram alternância de olhar pelo menos uma vez, enquanto os cães que vivem fora de casa se comunicaram com menor intensidade (80%). Já cachorros de abrigo, que têm pouco contato com humanos, interagiram ainda menos (58,8%).


O estudo teve apoio da FAPESP por meio de um projeto sobre a abordagem etológica da comunicação social entre diversas espécies – entre elas a humana. “Os resultados indicam uma forte influência da experiência de vida sobre o desenvolvimento e o uso de comportamentos de comunicação em cães. O grupo que passa mais tempo próximo das pessoas se mostrou mais disposto a se comunicar como uma estratégia para obter um objetivo desejado”, afirma Juliana Wallner Werneck Mendes, que realizou o experimento no Laboratório do Cão do Departamento de Psicologia da USP durante seu mestrado.


Trata-se do primeiro estudo a avaliar a diferença entre cães que convivem diariamente com humanos dentro de casa e animais que habitam apenas as áreas externas das residências – tendo uma interação menos intensa com os tutores.


“Outro aspecto importante observado é que todos os grupos se comunicam. Há alguns anos, chegou-se a acreditar que cães de abrigo não conseguiriam se comunicar com seres humanos. Na verdade, eles conseguem, mas em menor grau. Isso mostra que as várias experiências de uma vida inteira vão resultar em comportamentos diferentes”, diz Mendes.


A pesquisadora ressalta que a baixa interação dos cães de abrigo não deve ser traduzida como uma incapacidade desses animais. “Muito pelo contrário. Mesmo com pouca exposição a seres humanos eles são capazes de se comunicar. Outros estudos já demonstraram que eles aprendem a usar a troca de olhares muito rapidamente na hora em que ocorre a interação com humanos”, diz.

Isso ocorre porque o animal tem a capacidade de aprender. “O cachorro de abrigo está muito bem adaptado para a sua situação, pois ao longo de seu desenvolvimento não precisou dessas habilidades”, afirma Briseida de Resende, professora da USP e co-orientadora da dissertação de Mendes com a professora Carine Savalli Redigolo.


Resende explica que com os resultados do estudo é possível afastar uma antiga dicotomia da área da etologia – a ciência que estuda o comportamento dos animais – relacionada a comportamento herdado e aprendido.


“Os cães têm o aspecto herdado [evolutivo] e o aspecto de domesticação nesse sentido de ancestralidade. Porém, isso nunca pode ser descontextualizado do ambiente em que se desenvolveram. Na verdade, há influência de todos os contextos de desenvolvimento: do micro [história de vida] ao macro [história evolutiva da espécie]. Há um debate histórico sobre comportamento inato e aprendido dentro dos estudos com cães desde a origem, mas atualmente estamos caminhando para um entendimento de que essa separação não faz nenhum sentido”, afirma Resende.

F6

Todo vestibulando sabe que, além das disciplinas clássicas, as provas de ingresso em universidades exigem também conhecimentos de atualidades. Mas não é só decorar os acontecimentos mais importantes — até porque, especialmente em um ano como 2020, a lista seria longa. “Foi um ano maluco, com muitos acontecimentos, a gente tem dito que foi como dois anos dentro de um”, opina a professora de Geografia e Atualidades Thais Formagio, do cursinho pré-vestibular Hexag Medicina.


A habilidade de interpretação e compreensão é mais importante do que o conteúdo em si, que em geral aparece no texto contextualizador da questão. “Mas um conhecimento prévio mínimo do tema ajuda, pois se o aluno não acompanhou nada, ele primeiro vai precisar fazer as inferências para depois responder a pergunta”, explica o professor Alexandre Ferreira Mattioli, diretor de Educação Básica e Ensino Superior da empresa britânica Pearson Education. “Faz parte da preparação para qualquer vestibular acompanhar as notícias.”


Para ajudar o vestibulando a se organizar na hora de revisar os principais acontecimentos do ano, os professores sugerem prestar atenção primeiro ao período em que ocorreram. Provas como a do Enem em geral são finalizadas entre abril e maio (mesmo com a mudança de datas devido à pandemia), portanto notícias após aqueles meses provavelmente ficarão fora das questões. Já em vestibulares como o da Fuvest, tudo o que aconteceu até outubro e novembro pode aparecer na prova.


A dica de Formagio é olhar para os acontecimentos em blocos geográficos de assuntos em geral cobrados nos testes: Oriente Médio, Rússia, China, Estados Unidos e Brasil. A seguir, os professores selecionaram os assuntos que consideram mais relevantes dentro desses blocos para relembrar.


Oriente Médio

O ano de 2020 começou com um grande acontecimento na geopolítica do Oriente Médio: no dia 3 de janeiro, o general iraniano Qasem Soleimani foi assassinado em um ataque aéreo dos Estados Unidos em Badgá. Soleimani era considerado a segunda pessoa mais poderosa do país persa, e sua morte aumentou a tensão histórica entre os dois países, que havia diminuído após o acordo nuclear assinado em Viena em 2015. A negociação de 20 meses liderada pelo então presidente americano Barack Obama garantiu o compromisso do Irã em garantir que seu programa nuclear não tenha caráter militar.


“Aqui, é importante entender que o general representava um novo Irã, que vinha se tornando uma potência econômica, e que seu assassinato retomou também rivalidades regionais, visto que os Estados Unidos apoiam a Arábia Saudita, historicamente rival do Irã”, explica a professora do Hexag.


Ainda no Oriente Médio, em agosto de 2020 uma grande explosão em um depósito no porto de Beirute, no Líbano, deixou ao menos 220 mortos, 110 desaparecidos e 7 mil feridos. Com uma força tão grande quanto a de um terremoto de magnitude 3,3, o incidente abriu uma cratera de 43 metros de profundidade. A causa foi o armazenamento de nitratos, componentes comuns em fertilizantes e explosivos.



O fato teve graves consequências políticas, visto que o país, dependente de turismo e importações, teve sua principal “porta de entrada” danificada pela explosão — segundo o governo, o segundo maior elevador de grãos foi destruído, piorando a escassez de alimentos que já vinha sendo causada pela pandemia. Dias depois da explosão, dezenas de manifestantes tomaram as ruas e provocaram a renúncia de 30 ministros do governo, entre eles o do Meio Ambiente e o da Defesa, e a ministra da Informação,.


Um mês depois, em setembro, um acordo histórico foi assinado entre Israel, Bahrein e Emirados Árabes, com mediação do então presidente dos EUA, Donald Trump. Segundo os termos do que foi chamado de “Acordo de Abraão”, Israel deve frear a anexação de territórios palestinos ocupados e, em troca, os outros dois normalizam as relações com o país. “O estudante deve prestar atenção ao contexto histórico deste acordo”, observa a professora Formagio. “Israel sempre foi isolada pelo restante do Oriente Médio e há 26 anos não fazia acordos com países árabes. A assinatura representa mudanças na geopolítica local por questões econômicas, não só sociais ou culturais.”


Ela destaca ainda a necessidade de compreender a participação dos EUA: seria uma tentativa de Donald Trump de se fortalecer para as eleições que viriam meses depois, ao mediar o que alguns especialistas consideraram o “acordo do século” e uma tentativa de pacificar o conflito israelo-palestino. “A realidade é que muitos palestinos acharam que o acordo foi uma traição dos outros países”, explica Formagio.


Finalizando o bloco do Oriente Médio, os professores destacam também a situação na Síria, que continua em guerra, e na Turquia, que vem fazendo uma transição de um estado laico para um religioso e conservador, sob o governo de Recep Tayyip Erdoğan.


“De novo, o contexto é muito importante, visto que Erdoğan não está sozinho e esse movimento vem sendo observado em diversos países do mundo”, observa Formagio. Um dos episódios mais marcantes que escancararam isso foi a reconversão da antiga basílica de Santa Sofia, que funcionava como museu histórico em Istambul, em mesquita.


Rússia

Saindo do Oriente Médio, o confronto histórico entre Armênia e Azerbaijão pela região de Nagorno-Karabakh se acirrou em 2020. Os dois países brigam pelo território desde os anos 1990: a Armênia tem o apoio dos russos, enquanto o Azerbaijão tem o apoio dos turcos. Trata-se de um conflito considerado “clássico”, segundo os professores, visto que a região é um território multiétnico. Embora seja reconhecida como parte do Azerbaijão, os armênios étnicos, que são a maioria da população no local (cerca de 150 mil habitantes), não aceitam o domínio azeri.




Antes de chegar de vez à Ásia, porém, uma parada em outra potência é obrigatória: a Rússia. O ano que passou foi marcado pela reforma constitucional que derrubou a antiga Constituição do país e, com isso, zerou os mandatos dos governantes. O resultado é que, em 2024, Vladimir Putin, atual presidente do país, pode se candidatar para a reeleição. Se reeleito, Putin poderá ficar no poder até 2036 — ele ocupa cargos importantes desde 1999 e assumiu a presidência em 2012. A Rússia de Putin vem sendo marcada pela busca por hegemonia, com o envolvimento em conflitos a fim de demonstrar poder.



China e tecnologia

Entrando na Ásia, a China deve aparecer em peso nas provas dos vestibulares, em diversos aspectos. O principal, é claro, é a pandemia de Covid-19, cujos primeiros casos foram registrados em Wuhan. Há também questões de tecnologia envolvidas, com o símbolo máximo no TikTok: a rede social aparentemente inocente explodiu durante a pandemia e se tornou uma febre mundial, competindo diretamente com gigantes como Facebook, Twitter e Instagram.


Mas o que provavelmente costura todos os temas relacionados à China é a disputa crescente entre o país e os EUA. “A China é um gigante que vem crescendo demais e apresenta risco aos EUA por sua inovação tecnológica”, diz Formagio. “Cabe destacar que, no século 21, o novo petróleo são os dados”. Donald Trump alimentou a disputa chamando o Sars-CoV-2 de “vírus chinês” e acusou o TikTok e o WeChat (espécie de WhatsApp usado principalmente por chineses que vivem no exterior) de espionagem, chegando a proibir o download dos aplicativos nos EUA.


Para entender ainda mais sobre a questão dos dados no século 21, os professores recomendam aos estudantes os documentários Privacidade Hackeada e O Dilema das Redes, ambos disponíveis na Netflix.


Estados Unidos

A maior potência global deve aparecer de diferentes maneiras nas provas. Mesmo que a maioria dos exames tenha sido finalizada antes das eleições de novembro, a temática pode aparecer. Neste caso, é importante que o estudante conheça principalmente o perfil do eleitorado de Donald Trump: homens, brancos, cristãos, conservadores e de classe média.


Esse conhecimento se faz necessário para compreender, por exemplo, os protestos antirracismo que tomaram conta do país em maio, após o assassinato de George Floyd, um homem negro, por policiais brancos. É que a postura negacionista de Trump diante dos protestos foi muito criticada e questionada — possivelmente de olho nas eleições, o presidente não queria desagradar seu eleitorado. “O estudante deve sempre buscar fazer associações e pensar no que o trumpismo representa para a geopolítica mundial”, aconselha Formagio.



Ainda na temática dos protestos Black Lives Matter, a professora destaca os episódios de derrubada, depredação ou retirada de estátuas de figuras históricas, como a do traficante de escravos Edward Colston em Bristol (que foi derrubada por manifestantes), do estadista Winston Churchill em Londres (que foi pichada) e do Rei Leopoldo em Antuérpia (que foi retirada da cidade pela prefeitura). Além de saber quem eram as principais figuras, é necessário ser capaz de relacionar as temáticas de memória, símbolos e urbanismo.



Brasil e meio ambiente

Nas atualidades locais, a pauta principal deve ser o meio ambiente, em especial as queimadas na Amazônia e no Pantanal. A partir disso, diversas questões de política externa podem ser abordadas. A começar pela relação do país com a Europa, que não está boa, visto que o continente tem expressado repetidamente seu descontentamento com a maneira como o Brasil tem lidado com as questões ambientais.



Outros temas relevantes da política externa brasileira e que se associam com os mencionados em outros blocos são a China e os Estados Unidos. A relação com o país asiático, maior parceiro comercial do Brasil, também é desconfortável, muito porque líderes do alto escalão do governo, além do próprio presidente Jair Bolsonaro e seus filhos, em diversas ocasiões fizeram declarações ofensivas sobre a China.


No início da pandemia, por exemplo, Eduardo Bolsonaro culpou a China pelo novo coronavírus e gerou uma crise diplomática. A situação tem se tornado cada vez mais grave: em entrevista à BBC News Brasil, o diplomata aposentado Roberto Abdenur, que atuou como embaixador em Pequim, avaliou que o país está “metendo os pés pelas mãos de maneira desarrazoada e contraproducente. Eduardo Bolsonaro fala como deputado, como filho do presidente e como presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara. É de uma imensa irresponsabilidade, agora ameaçando causar danos graves aos interesses do Brasil com a China”.


Já o “namoro” do Brasil com os Estados Unidos de Donald Trump, que nunca trouxe de fato benefícios para o país (a maior expectativa, de obter o apoio da potência no ingresso à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), não se concretizou), chegou ao fim com a eleição do candidato do Partido Democrata, Joe Biden. Na visão de Formagio, a demora de Jair Bolsonaro em reconhecer a vitória de Biden pode trazer problemas para a consolidação de relações amigáveis com o novo líder norte-americano.


Pandemia de Covid-19

Nas questões das provas, vai ser impossível escapar da Covid-19, que deve permear questões de Biologia, Química, Física, Geografia, História e até Inglês. Entre os destaques de possíveis abordagens interdisciplinares estão as questões ambientais relacionadas à Covid-19, como a redução dos níveis de CO2 e os registros positivos durante o lockdown, a exemplo do ar mais limpo em cidades chinesas e dos córregos transparentes em Veneza.


Na geopolítica, entender a relação de oferta e demanda, a oscilação das bolsas e a relação do petróleo é crucial — com o mundo em lockdown, o preço do petróleo baixou, e houve tensão entre Arábia Saudita e Rússia em relação ao equilíbrio do preço da commodity. Outro ponto importante, e aí entra a relação também com história e, por que não, inglês, é o conhecimento sobre as agências das Nações Unidas (ONU), em especial a Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo a professora Formagio, a pandemia escancarou a necessidade de uma união global, e as agências da ONU seriam uma maneira de conquistá-la.

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