Termos acessórios da oração e vocativo - Gramática e Cognição

 No latim, ad quer dizer junto, então o Adjunto Adnominal seria o “junto junto junto do nome”, ou seja, é uma palavra ou expressão que fica perto do Nome (substantivos, adjetivos, etc.). Diferente do Complemento Nominal, ele não complementa nada, ele DETERMINA a palavra ou expressão. São adjuntos os Adjetivos, Locuções Adjetivas, Artigos, Pronomes Adjetivos e Numerais Adjetivos.


 Adjunto Adnominal: usos e características

 O jovem valoroso é um bravo guerreiro.


A linda mulher ruiva passou apressadamente.


Três ovos caíram no chão.


A menina que vem e que passa.


 Os determinantes estão, em geral, representados pelas seguintes classes de palavras: adjetivo, artigo e pronome demonstrativo ou equivalentes de adjetivos (estes veremos adiante):


Noites claras prenunciam bom tempo.

O livro está esgotado.

Esta manhã prometia chuva.


Na sequência de determinantes, aparecem como pré-determinantes, à esquerda do determinante, as palavras que podem receber globalmente o nome de Quantificador (algum, certo, vários, todo, todos, qualquer, alguns (de), vários (de), etc.):


Alguns bons momentos são inesquecíveis.

Todos os alunos saíram.

Alguns de nós não foram à festa.


Aparecem como pós-determinantes, isto é, as palavras que ocorrem à direita do determinante, e do pré-determinante, o pronome possessivo e o numeral:


Os seus livros não estavam na estante.

Aqueles dois erros eram graves.

Vários de meus sobrinhos são engenheiros.

Aqueles dois seus vizinhos trabalham no comércio.


DICA!

Repara, o sujeito é tudo (“o jovem valoroso”, “a linda mulher ruiva”, “três ovos”), mas os elementos periféricos ao núcleo não complementam, eles determinam, delimitam, especificam a informação sobre o núcleo do sujeito. Há situações em que o Adjunto Adnominal aparece com preposição, muito parecido com Complemento Nominal. Dica que pode ajudar: substitua o conjunto “preposição + substantivo” por um único adjetivo. Se conseguir, é Adjunto Adnominal; caso contrário, é Complemento Nominal.


Exemplo:


Homem de coragem (corajoso)


Pão com manteiga (amanteigado)


Jovem de valor (valoroso)


Maria tem medo de aranha. (?)


Ferdinando estava ciente do ocorrido. (?)


A banca decidiu favoravelmente aos candidatos. (?)


Pode haver vários adjuntos adnominais:

Foi socorrido pelos dois médicos do hospital. - no agente da passiva

núcleo - médicos

os - artigo

dois - numeral adjetivo

do hospital - locução adjetiva

As nossas primeiras experiências científicas falharam. - no sujeito

núcleo - experiências

as - artigo

nossas - pronome possessivo adjetivo

primeiras - numeral adjetivo

científicas - adjetivo

No latim, ad quer dizer junto, então o Adjunto Adverbial seria o “junto junto junto do verbo”, ou seja, é uma palavra ou expressão que fica perto do Verbo, mas é totalmente diferente de Complemento Verbal. Usado para indicar uma circunstância dando ideia de tempo, lugar, modo, causa, finalidade, etc.


Adjunto Adverbial: tipos e características

Sabendo que a classificação do adjunto adverbial se relaciona com a circunstância por ele expressa, podem ser classificados como:


Acréscimo

Além da fadiga no corpo inteiro, sentia dor no braço.


Afirmação

Sim, realmente vou amanhã.


Eu irei com certeza.


Assunto

Falávamos sobre política. (de política, ou a respeito de política).


Causa

Com o calor, o poço secou.


Não comentamos nada por discrição.


O menor trabalha por necessidade.


Companhia

Fomos ao parque com sua irmã.


Com quem você saiu ontem?


Sempre estarei contigo.


Concessão

Apesar do estado precário do gramado, o jogo foi ótimo.


Condição

Sem minha autorização, você não passará pela portaria.


“Sem erros, não há acertos.”


Sem dor, não há ganhos.


Conformidade

Fiz tudo conforme diz a Lei.


Dúvida

Talvez seja melhor não sairmos tarde.


Porventura, encontraram uma saída?


Quiçá acertemos da próxima vez.


Fim/finalidade

Ela vive para o amor.


Estudou para a prova.


Trabalho para seu sustento.


Viajarei a negócios.


Frequência

Sempre aparecia de mãos vazias.


Marcavam reuniões todos os dias.


Instrumento

O corte deve ser feito com um estilete.


O guerreiro apontava com a espada.


Intensidade

A atleta corria bastante.


O aparelho custa muito caro.


Limite

A menina andava correndo do quarto à sala.


Lugar

Nasci em Portugal.


Estou em casa.


Vivo nos Alpes.


Viajaram para o interior.


Matéria

Compunha-se de substâncias estranhas.


Parecia feito de aço.


Meio

Fomos de avião.


O pacote chegou de trem.


Enriqueceram mediante fraude.


Modo

Foi escolhido a dedo.


Fiquei à vontade.


Esperava tranquilamente a morte chegar.


Negação

Não há muitos erros nesse trabalho.


Não assinarei o contrato de maneira nenhuma.


“Se você demorar, eu não vou te procurar.”


Preço

“Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis”. (Memórias póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis)


As casas nesta região custam muito caro.


Substituição ou troca

Troquei o pão pelo bolo.


Tempo

O restaurante fecha às 18:30.


Faço aniversário em Janeiro.


Ontem à tarde encontrei uma velha na estrada.


O show começará a qualquer momento.


De vez em quando, vou à academia.


Ninguém confia nos políticos hoje em dia, no Brasil.


 


CUIDADO!!!!

Não se deve confundir Adjunto Adverbial com Complemento Circunstancial!


Se o verbo for intransitivo, mas há necessidade de um termo preposicionado que complemente seu significado, este será conhecido como Complemento Circunstancial (Rocha Lima, 1957). Diferente do Adjunto Adverbial, o Complemento Circunstancial é exigido pelo verbo sob risco de a ausência desse elemento prejudicar a compreensão da frase. Normalmente, as gramáticas tradicionais consideram tudo como Adjunto Adverbial.


Exemplo:


Chegaram à cidade sãos e salvos.

Ficamos ao lado da igreja.

Voltou à terra natal.

O avião procede de Manaus.


Se não houver a opção Complemento Circunstancial no concurso, os termos devem ser classificados como Adjuntos Adverbiais.


Também temos que distinguir o Advérbio do Adjunto Adverbial. Advérbio é a classe gramatical de uma série de palavras, Adjunto é uma função sintática.

Aposto, lê-se [apôsto] para diferenciar de [apósto], do verbo apostar, de apóstrofo (sinal gráfico), apóstrofe (figura de linguagem) e apóstolo (cada um dos doze discípulos de Jesus), no plural fica [apóstos], é um termo acessório, pois MODIFICA substantivos ou pronomes. Serve para explicá-los com informações sintaticamente desnecessárias, mas semanticamente são importantes para a compreensão da frase.


A seguir, temos alguns exemplos de apostos.


“O rio Amazonas deságua no Atlântico”.


Marisa, pessoa boníssima, é muito bonita e fala bem.


Comprei de tudo: bolsas, sapatos, colares e muito mais.


“As estrelas, como grandes olhos curiosos, espreitavam através da folhagem”.


A classificação de Aposto, dada por Bechara (2009), é que esse pode ser especificativo ou explicativo. Se for especificativo, terá “aparência” de adjetivo, normalmente é um nome próprio de pessoa ou lugar e não se separa do termo modificado; caso funcione como explicador do termo que se refere, há separação por vírgula, dois-pontos, parênteses ou travessão.


1 - Faço aniversário no mês de junho. (aposto, porque há uma relação de igualdade: junho = mês)

2 - As festas de junho são muito populares na região Nordeste. (adjunto adnominal, porque tem função adjetiva: festas de junho = juninas)


Dentro do tipo explicativo temos três subcategorias


1 – Aposto enumerativo

Para ser considerado ser vivo deve-se atender a quatro características: Nascer, crescer, reproduzir-se e morrer.


Tudo – alegrias, tristezas, preocupações – ficava estampado logo no seu rosto.


Duas coisas o encorajavam, a fé na religião e a confiança em si.


“Duas cousas se não perdoam entre os partidos políticos: a neutralidade e a apostasia”


2 – Aposto distributivo

Pelé e Maradona, um pelos brasileiros e o outro pelos argentinos, são considerados os melhores jogadores de futebol.


Machado de Assis e Gonçalves Dias são os meus escritores preferidos, aquele na prosa e este na poesia.


Um no automobilismo, outro no futebol, Senna e Pelé marcaram um período de ouro no esporte brasileiro.


3 – Aposto circunstancial (do tipo comparação, tempo, causa, etc.):

D. Pedro II, quando imperador do Brasil, agiu com grande esperteza.


O Papa, na qualidade de chefe de Estado, recebeu honrarias militares.


Mal. Deodoro, como general, era implacável.


O aposto pode ser transformado em Oração Subordinada Substantiva Apositiva como em:


Só digo uma coisa: que hoje você não dorme aqui.

Vocativo é um termo que não possui relação sintática com outro termo da oração, não é nem sujeito nem predicado nem nada. É um termo independente da oração. Só serve para atrair a atenção do interlocutor, invocando-o, pondo-o em evidência.


Não grite, Carlos.


Senhoras e senhores, por favor deem uma salva de palmas para o nosso anfitrião.


“Pai, afasta de mim esse cálice” (Cálice – Chico Buarque)


Nessas orações, os termos destacados indicam e nomeiam o interlocutor a quem se dirige a palavra e só. Pode ser antecedido por interjeições de apelo, por exemplo: ó, olá, eh!, etc.


“Fulguras, ó Brasil, florão da América” (Hino Nacional Brasileiro)


Olá gente bonita, tudo bem?


Eh! Gente, temos que estudar mais.


Vocativo vem do latim vocare, que significa chamar.

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