Substantivo - Gramática e Cognição
Neste artigo, vamos começar uma série sobre Morfologia e o primeiro assunto é Substantivo, uma classe de palavras bastante produtiva na língua portuguesa. Vamos ver os seus principais conceitos; como classificar os substantivos em Concretos e Abstratos; como diferenciar aqueles que são Comuns, Próprios e os coletivos; os meios de expressão do gênero; como o número, plural e singular, ocorre nesse tipo de classe e a graduação dos substantivos, Diminutivo, Aumentativo e Superlativo.
SUBSTANTIVO: CONCEITOS GERAIS
Substantivo é, por definição, a palavra que nomeia os seres em geral. Tudo aquilo que tiver substância (essência) pode ser considerado um substantivo. Todos os seres animados e inanimados são substantivos. Pessoas, animais, utensílios, sentimentos, todos esses são considerados Substantivos.
SUBSTANTIVO: CONCRETOS E ABSTRATOS
São chamados Substantivos Concretos aqueles que designam seres cuja existência é independente, ou assim considerados. Não importa se estes são observáveis no mundo real ou não, materiais ou espirituais.
São chamados Substantivos Abstratos aqueles que designam nomes de qualidades, ações ou estados. Não confundir com Adjetivos!
Pertencem ao conjunto dos Concretos os nomes que indicam:
Pessoas: Marcelo, Valentina, Evangelina, Ângela, professora, médico.
Animais: cavalo, águia, tigre, cão, boi, mosquito.
Vegetais: árvore, planta, vitória-régia, rosa.
Objetos: livro, mesa, faca, lápis.
Lugares: Brasil, Paris, Ipanema, Terra, Lua.
Entidades: diabo, alma, fada, lobisomem, saci.
Minerais: água, ouro, cobre, mercúrio, chumbo.
Fenômenos: chuva, nevoeiro, vento.
Instituições: parlamento, dinheiro, tribunal.
Concepções: círculo, algarismo, símbolo.
Pertencem ao grupo dos Abstratos os nomes que indicam:
Qualidades: formosura, tristeza, bondade, palidez, desdém, ira, coragem, ódio, inteligência, pessimismo, frio, calor.
Ações: adoração, agradecimento, resolução, vingança, casamento, encontro, zombaria, caça.
Estados: morte, vida, sonho, cegueira.
Tudo que for ação, qualidade ou sentimento será abstrato, o que sobrar disso será concreto. Vejamos um exemplo com a palavra internet:
Você já deu uma internetada em alguém?
Você já sentiu uma internet por alguém?
Você já disse: você está internet hoje?
Não, porque internet não é ação, qualidade nem sentimento. Então, não pode ser abstrato. Só pode ser concreto.
SUBSTANTIVO: COMUNS, PRÓPRIOS E COLETIVOS
Os Substantivos, ou Nomes, Comuns descrevem o ser de modo bem genérico, por exemplo: flor, homem, mulher, casa, bairro, novela, filme, programa de TV, remédio, etc. Os Nomes Próprios descrevem apenas um único ser. Esse indivíduo recebe uma única palavra para descrevê-lo, por exemplo: Pedro, Viaduto Engenheiro Oscar Brito, Parque do Ibirapuera, Vale a Pena Ver de Novo, Laços de Família, Como se Fosse a Primeira Vez, Tylenol. Os Nomes Comuns podem descrever um grupo, dada sua generalização, mas os Coletivos descrevem sempre um conjunto homogêneo de indivíduos. Os Coletivos sempre representam a massa, sendo esta indeterminada ou determinada.
Os Coletivos Indeterminados Gerais não aludem à quantidade dos seres da coleção. Eles se parecem com os Comuns, mas expressam um todo. Exemplo: exército, a totalidade dos militares integrantes dessa Força Armada. Os Coletivos Indeterminados Partitivos expressam uma parte de um todo. Exemplo: batalhão, parte do exército.
Os Coletivos Determinados, por sua vez, referem-se à quantidade ou à qualidade dos integrantes da coleção. Se à primeira, chamam-se Numéricos, exemplo: par, casal, terno, dúzia, dezena, grosa, centena, milheiro. Se à segunda, especiais. Quando se diz, por exemplo, cardume, não há como pensar de imediato que está sendo feita menção a abelhas, cardume é um agrupamento de peixes.
O Coletivos Determinados Especiais mais comuns:
acervo — de obras de arte
alavão — de ovelhas leiteiras
alcateia — de lobos
armento — de gado grande (búfalos, elefantes, etc.)
arquipélago — de ilhas
assembleia — de parlamentares, de membros de associações,companhias, etc.
batalhão — de soldados, de pessoas em geral
baixela — de objetos de servir à mesa
banca — de examinadores, de advogados
banda — de músicos
bandeira — de garimpeiros, exploradores de minérios
bando — de aves, de ciganos, de salteadores
boana — de peixes miúdos
cabido — de cônegos (como conselheiros de bispo)
cacho — de uvas, de bananas
cáfila — de camelos
cambada — de caranguejos, de malvados, de chaves, etc.
cancioneiro — de poesias, de canções
caravana — de viajantes
cardume — de peixes
choldra — de assassinos, de malfeitores
chusma — de pessoas da plebe, de criados
clientela — de clientes
clero — de sacerdotes
cinemateca — de filmes
confederação — de estados
conselho — de vereadores, de diretores, de juizes militares
conciliábulo — de feiticeiros, de conspiradores
concílio — de bispos convocados pelo Papa
conclave — de cardeais (para o fim exclusivo de eleger o Papa)
congregação — de professores, de religiosos
congresso — de senadores e deputados, de cientistas, de especialistas
consistório — de cardeais (sob a presidência do Papa, para tratar de interesses da Igreja)
constelação — de estrelas
corja — de vadios
elenco — de atores
enxoval — de roupas e complementos
esquadra — de navios de guerra
esquadrilha — de aviões
fato — de cabras
fauna — conjunto dos animais de uma região
flora — conjunto dos vegetais de uma região
feixe — de capim, de lenha
frota — de navios mercantes, de ônibus, de táxis
girândola — de fogos de artifício
hemeroteca — de jornais e revistas
hinário — de hinos
junta — de bois, de médicos, de credores, de examinadores
joldra — variação de choldra
legião — de soldados, de anjos, de demônios
malta — de desordeiros
manada — de bois, de elefantes
matilha — de cães de caça
matula — de desordeiros, de vagabundos
mobília — de móveis
ministério — de ministros
ninhada — de pintos
nuvem — de gafanhotos, de pó
penca — de bananas, de chaves
quadrilha — de bandidos, de ladrões
rebanho — de ovelhas, de gado em geral
récua — de cavalgaduras
réstia — de alhos, de cebolas
repertório — de peças teatrais
resma — de papel
revoada — de pássaros
súcia — de pessoas desonestas
sínodo — de religiosos reunidos
senzala — de escravos
sistema — de órgãos
talha — de lenha
universidade — de faculdades
vara — de porcos
vocabulário — de palavras
Existem coletivos que se referem a:
unidades de tempo: tríduo (3 dias), semana (7 dias), novena (9 dias), trezena (13 dias), quinzena (15 dias), mês (28, 29, 30 ou 31 dias), quarentena (40 dias), bimestre (2 meses), trimestre (3 dias), semestre (6 meses), ano (12 meses), biênio (2 anos), triênio (3 anos), quadriênio (4 anos), lustro (5 anos), década (10 anos), século / centenário (100 anos), milênio (mil anos), sesquicentenário (150 anos)
quantidades: par (2), trinca (3), quina (5), dezena (10), dúzia (12), centena (100), milhar (mil), decálogo (10 - leis ou mandamentos), resma (500 - folhas de papel)
versos: monóstico (1), dístico (2), terceto (3), quarteto (4), quintilha (5), sextilha (6), septilha (7), oitava (8), nona (9), décima (10)
Para o conjunto de três seres ou coisas, também podem ser usadas - tríade, terno, trilogia, trio, trindade.
A palavra quarentena costuma ser usada para o isolamento de pessoas ou animais por um determinado intervalo de tempo, não necessariamente de quarenta dias.
Atenção para “junta”, “manada” e “bando”, pois devem ser seguidos da especificação do coletivo em questão. Exemplo: junta de médicos, junta de bois, junta de examinadores; manada de elefantes, manada de búfalos; bando de aves, bando de ciganos, bando de ladrões, etc.
SUBSTANTIVO: GÊNERO
A Língua Portuguesa possui apenas dois gêneros gramaticais, ou a palavra é masculina ou ela é feminina. Não quero entrar no assunto de representatividade de gênero social, a questão aqui não é o sexo do ser, mas como a língua o classifica. Nomes masculinos geralmente são terminados em “o” (ex.: carro), os femininos em “a” (ex.: casa), mas há palavras masculinas e femininas que terminam com “e” (ex.: ponte e pote). O uso do “x”, “@”, ou outra marcação genérica, não faz parte da norma-padrão da língua.
Note-se que Gênero gramatical não tem nenhuma relação direta com o sexo do ser, já que “criança”, “vítima”, “pessoa”, “criatura” são sempre femininos, independentemente de serem do sexo masculino.
Pode-se dizer que nomes terminados em “o” átono são masculinos; e os que terminam em a átono são femininos. Entretanto, há um grupo de substantivos terminados em “a” que são masculinos, por exemplo: clima, cometa, mapa, além. Também são masculinos os nomes de origem grega terminados em “ema” ou “oma”:
anátema
aroma
axioma
carcinoma
cinema
coma
diadema
dilema
diploma
emblema
estratagema
fibroma
fonema
idioma
morfema
poema
problema
sistema
telefonema
tema
teorema
trema
Alguns substantivos terminam em E átono, como pente, pote, leque, estandarte e debate, e outros terminam em E tônico, como café, chaminé, fé, ré e sé.
São femininos os seguintes terminados em R - como beira-mar, colher, cor, dor e flor.
Alguns que derivam de adjetivos são femininos: a (igreja) catedral, a (carta) circular, a (caneta) esferográfica, a (casa) lotérica, a (agência) funerária, a (escova) progressiva, a estação (de trem), a parada (de ônibus). Outros são masculinos: o (telefone) celular, o (filme) documentário, o (documento) abaixo-assinado, o (membro) representante, o (medicamento) genérico, o controle (remoto), o décimo terceiro (salário).
Substantivo: Apenas um Gênero
Há três tipos de Substantivos com apenas um só gênero gramatical:
1° Tipo: Para designar pessoas de ambos os sexos. Também chamados sobrecomuns:
o algoz
a criança
o apóstolo
a criatura
o cônjuge
a pessoa
o indivíduo
a testemunha
o verdugo
a vítima
2° Tipo: Para designar animais de ambos os sexos. Também chamados epicenos:
o albatroz
a águia
o badejo
a baleia
o besouro
a borboleta
o condor
a cobra
o gavião
a codorniz
o jaguar
a formiga
o rinoceronte
a mosca
o rouxinol
a onça
o tatu
a pulga
o tigre
a tartaruga
3º Tipo: Para designar coisas (vegetais, minerais, objetos, entidades, instituições, qualidades, etc.), estes não possuem ambos os gêneros, são exclusivamente masculinos ou exclusivamente femininos:
o diamante
a alma
o livro
a beleza
o navio
a estrela
o vento
a faca
o tribunal
a rosa
Substantivo: Mais de um Gênero, sem flexão
Neste grupo, há apenas uma só forma para os dois gêneros, mas os elementos adjacentes (artigos e adjetivos) os apontarão como masculinos, ou femininos. Também chamados comuns de dois gêneros:
o aborígine // a aborígine
o agente // a agente
o artista // a artista
o atendente // a atendente
o camarada // a camarada
o colega // a colega
o colegial // a colegial
o cliente // a cliente
o dentista // a dentista
o estudante // a estudante
o gerente // a gerente
o herege // a herege
o imigrante // a imigrante
o indígena // a indígena
o intérprete // a intérprete
o jornalista // a jornalista
o mártir // a mártir
o pianista // a pianista
o protestante // a protestante
o selvagem // a selvagem
o servente // a servente
o silvícola // a silvícola
um artista // uma artista
artista talentoso // artista talentosa
Também pode-se obter o feminino de determinados substantivos por meio da Flexão de Gênero, mas esse assunto será tratado em outro artigo.
SUBSTANTIVO: NÚMERO
O número indica a quantidade de seres nomeados, se é um ou mais de um. Há apenas Singular, referente a um ser ou grupo de seres, – a criança, o peixe, o rebanho –, e Plural, referente a mais de um ente ou grupo de entes – as crianças, os peixes, os rebanhos. O singular pode exprimir um ser individual (o homem que esteve ontem aqui, o relógio que comprei, um boi), ou uma espécie (o homem é mortal, o relógio serve para marcar as horas, o boi é ruminante).
Substantivo: Formação do Plural
O morfema de plural é o s (com uma variante es), que se opõe a um morfema zero, sinal particularizante do singular. Apenas fogem à singeleza desse mecanismo morfológico os nomes paroxítonos já terminados em s (ou em x), nos quais a identificação do número se faz pela concordância com um determinante:
alferes, atlas, lápis, oásis, ourives, pires, fênix, ônix, tórax.
alferes correto (singular) — alferes corretos (plural)
lápis vermelho (singular) — lápis vermelhos (plural)
um tórax aberto (singular) — dois tórax abertos (plural)
Substantivos terminados em vogal, ou ditongo
Recebem s:
monte — montes
café — cafés
sapoti — sapotis
bambu — bambus
divã — divãs
órfã — órfãs
pai — pais
mãe — mães
NOTA: Nomes finalizados em “em”, “im”, “om” e “um”, troca-se o “m” pelo “n” antes de receber o s:
vintém — vinténs
jardim — jardins
bombom — bombons
jejum — jejuns
Substantivos terminados em consoante
a) Terminados em “r”, “z”, “n” ou “s” (este em sílaba tônica) junta-se “es”:
mulher — mulheres
cruz — cruzes
abdômen — abdômenes (mas também: abdomens)
gás — gases
português — portugueses
b) Terminados em “l” em sílabas “al”, “el”, “ol” e “ul” têm o “l” substituído por is, mas mantendo a vogal anterior:
jornal — jornais
papel — papéis
mel — méis (ou meles)
farol — faróis
álcool — álcoois
paul — pauis
NOTA: Caso a palavra termine com “il” tônico, traca-se para “is”; caso “il” seja átono, passa a “eis”:
fuzil — fuzis
covil — covis
réptil — répteis
OBSERVAÇÃO:
Há Nomes que não possuem singular:
anais, antolhos, arredores, arras, calendas, cãs, condolências, (jogo de) damas, endoenças, esponsais, esposórios, exéquias, fastos, férias, finanças, fezes, manes, matinas, núpcias, óculos, olheiras, parabéns, primícias, pêsames, reticências, trevas, víveres, e os naipes: copas, ouros, espadas e paus.
SUBSTANTIVO: GRAU
O Substantivo pode ser expresso por dois graus: Diminutivo e Aumentativo. Essas formas são obtidas por meio e sufixos através da Composição e/ou Derivação. Demonstração de afetividade, caráter conotativo, indicação de tamanho, entre outras finalidades estão presentes na escolha do aumentativo e do diminutivo. Os principais sufixos que dão conta do grau são:
DIMINUTIVO:
-ito, -zito
copito, amorzito, passeandito
-ico
namorico, veranico
-isco
chuvisco, petisco
-eta, -ete, -eto
saleta, diabrete, livreto, lembrete
-eco
livreco, padreco
-ota, -ote, -oto
ilhota, caixote, perdigoto
-ejo
lugarejo, animalejo
-acho
riacho, fogacho
-el, -ela, -elo (ora com e aberto ora fechado)
cabedelo, magricela, donzela, donzel, costela, escorregadela, amassadela (não confundir com clientela, em que tem sentido coletivo)
–iola
arteríola
-ola
bandeirola, aldeola, camisola (também tem sentido aumentativo quando designa a camisa longa de dormir); rapazola (cf. -iola)
-ucho
gorducho, pepelucho
-ebre
casebre
-ula, -ulo, -cula, -culo (típicos da terminologia científica)
nótula, glóbulo, célula, óvulo, partícula, módulo, fórmula
-alho, -elho, -ilho, -olho, -ulha
ramalho, rapazelho, pesadilho, ferrolho, bagulho
-aça, -aço, -iça, -iço
fumaça, caniço, nabiça
-el
cordel
AUMENTATIVO
-ão, -zão
cadeirão, homenzão
-anço
falhanço, copianço
-arro, -arrão, -zarrão, arraz (arro + az)
naviarra, beatorra, santarrão, coparrão, homenzarrão, pratarraz
-eirão
vozeirão
-aço, -aça
ricaço, barcaça, copaço
-astro
poetastro, medicastro, politicastro, padrasto, madrasta (nos dois últimos houve dissimilação)
-alho, -alha, -alhão
politicalho, muralha, grandalhão
-ama
ourama, poeirama, dinheirama
-anzil
corpanzil
-ázio
copázio
-uça
dentuça
-eima
guloseima
-anca
bicanca
-asco
penhasco
-az
fatacaz, famanaz, famaraz
-ola
beiçola
-orra
cabeçorra
-eirão
chapeirão, toleirão
-ento
farturento
Registram-se aumentativos e diminutivos formados por prefixação: supermercado, hipermercado, megaevento, minidicionário, microempresário...
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