Pronome - Gramática e Cognição

Essa classe de palavras é muito versátil. Said Ali disse: “Pronome é a palavra que denota o ente ou a ele se refere, considerando-o apenas como pessoa do discurso.” Os pronomes geralmente se referem às Pessoas do Discurso, o indivíduo que fala, o indivíduo com quem se fala e o indivíduo ou a coisa de que se fala. Os pronomes não possuem conteúdo semântico propriamente dito, têm significação essencialmente ocasional. É o conjunto da situação que confere significação à essas palavras.


 

 

PRONOMES: CONCEITOS GERAIS

Pronomes são palavras, geralmente invariáveis, que remetem a um ser, abstrato ou concreto. Exercem função sintática nas frases as quais se referem. Por exemplo:


Eu – Refere-se à pessoa que fala;

Meu – Refere-se àquilo que pertence à pessoa que fala;

Este – Refere-se à proximidade em relação à pessoa que fala, etc.

Os pronomes podem ser classificados em seis grandes grupos: pessoais, demonstrativos, relativos, possessivos, indefinidos, interrogativos.


A seguir, veremos alguns conceitos sobre cada um desses grandes grupos.


PRONOMES PESSOAIS

Pronomes pessoais, também chamados Pessoas Gramaticais, são palavras que representam as três pessoas do discurso, indicando-as simplesmente, sem nomeá-las. A primeira pessoa, aquela que fala, chama-se Eu, a segunda, Tu, a terceira é a pessoa ou coisa de que se fala, é Ele ou Ela, com os respectivos plurais, Eles ou Elas. A gramática tradicional considera Nós e Vós como plurais de Eu e Tu, mas são, na verdade, Pessoas Estendidas.


Nós não é plural de Eu, mas a concepção de Eu+Tu+Ele/Ela; semelhante ao que acontece com Vós, que é a concepção de Tu+Ele/Ela; diferente do que ocorre com Eles/Elas em relação a Ele/Ela, pois temos uma clara flexão de número.


Pronome Reto e Pronome Oblíquo

Pronomes Retos são aqueles que desempenham função sintática de Sujeito, Predicativo do Sujeito, Aposto ou Vocativo, esse último com tu e vós. 

Não vem acompanhados de preposição, exceto Ele, Ela, Nós, Vós, Eles e Elas.

Eu e Tu são sempre pronomes retos. Os demais podem ser retos ou oblíquos.


1ª Pessoa Gramatical:


Eu

2ª Pessoa Gramatical:


Tu

3ª Pessoa Gramatical:


Ele/Ela

4ª Pessoa Gramatical:


Nós

5ª Pessoa Gramatical:


Vós

6ª Pessoa Gramatical:


Eles/Elas

Exemplos:


Eu falei com ele.

Nós saímos com ela.

Ela reclamou dele.

Pronomes Oblíquos são aqueles que desempenham função sintática de Objeto Direto, Objeto Indireto, Complemento Nominal, Adjunto Adverbial, Agente da Passiva, Adjunto Adnominal (indicando posse) ou Sujeito de Infinitivo (com verbo causativo ou sensitivo). Possuem formas átonas e tônicas. As formas átonas são palavras sem tonicidade colocadas antes ou depois do verbo, com ou sem hífen, como se fossem uma sílaba a mais desse verbo; as formas tônicas são sempre regidas de preposição. São os seguintes esses pronomes:


1ª Pessoa:


singular: me (forma átona); mim (forma tônica)

plural: nos (forma átona); nós (forma tônica)

2ª Pessoa:


singular: te (forma átona); ti (forma tônica)

plural: vos (forma átona); vós (forma tônica)

3ª Pessoa:


singular: o, a , lhe, se (formas átonas); ele, ela, si (formas tônicas)

plural: os, as, lhes, se (formas átonas); eles, elas, si (formas tônicas)

As formas o, a, os, as empregam-se em substituição a um substantivo que, sem vir precedido de preposição, completa o sentido de um verbo. Exemplo: Vi o menino = Vi-o; Não escrevi as cartas = Não as escrevi.


As formas lhe, lhes representam substantivos regidos das preposições a ou para. Estes são os reais Objetos Indiretos, diferente dos Complementos Relativos.


Dei o livro ao menino = Dei-lhe o livro;

Os reis magos levaram ouro, incenso e mirra para Jesus = Os reis magos levaram-lhe ouro, incenso e mirra.

As formas se e si são reflexivas porque só se podem usar em relação ao próprio sujeito do verbo.


O capitalista matou-se.

Os empregados se despediram.

Ela é muito egoísta: só pensa em si.

Tratem de si e não dos outros.

Há, ainda, cinco formas que, combinadas com a preposição com, se apresentam cada uma num vocábulo único. São:


“com+me” = comigo

“com+te” = contigo

“com+si” = consigo

“com+nos” = conosco

“com+vos” = convosco

Conosco e convosco, quando acompanhados de mesmos, próprios, todos, algum numeral ou oração adjetiva iniciada pelo pronome relativo QUE, são substituídos pelas formas com nós e com vós.

Note-se que, como o si, o pronome consigo é exclusivamente reflexivo:


Levou consigo quanto era seu.

O advogado nada trouxe consigo.

Os pronomes de tratamento também fazem parte dessa categoria:


você, vocês (tratamento familiar)

o Senhor, a Senhora (tratamento cerimonioso)

Senhorita (tratamento cerimonioso - para moças solteiras)

Vossa Senhoria (para funcionários públicos graduados e na linguagem comercial)

Vossa Excelência (para altas autoridades e oficiais-generais)

Vossa Alteza (para príncipes e duques)

Vossa Majestade (para reis e imperadores)

Vossa Santidade (para o Papa e o Dalai Lamaa)

Vossa Eminência (para cardeais)

Vossa Reverendíssima (para sacerdotes e religiosos em geral)

Vossa Magnificência (para reitores de universidades)

Vossa Excelência Reverendíssima (para bispos e arcebispos)

Vossa Paternidade (para superiores de ordens religiosas)

1) O uso corrente do pronome “tu” ficou restrito ao extremo Sul do Brasil e a alguns pontos da região Nordeste e Norte. Em quase todo o território brasileiro, utiliza-se o pronome de tratamento “você” no lugar do pronome pessoal “tu”. Observação: A flexão verbal, quando o pronome “você” é sujeito, segue a 3ª pessoa gramatical. Já o pronome 'vós' ficou restrito à linguagem litúrgica, ultraformal, literária ou científica, por isso deve ser evitado em textos argumentativos, por conferir um tom cerimonioso ao discurso.

É comum o uso do tu nas seguintes regiões: no estado de Minas Gerais, nos estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, no sul do estado do Paraná, em toda a região Norte, na região metropolitana de Santos no estado de São Paulo, no Distrito Federal e em toda a região Nordeste exceto o estado da Bahia. Nesses lugares se usa a conjugação errada, de 3ª pessoa do singular.

Somente no litoral de Santa Catarina, na região metropolitana de Belém do Pará e em alguns lugarejos do Rio Grande do Sul é que se conjuga o verbo corretamente, na 2ª pessoa do singular.

Os lugares onde esse pronome não se usa são a região Centro-Oeste em sua totalidade, o estado da Bahia e a maior parte dos estados de São Paulo, Paraná e Espírito Santo.


2) O emprego das formas “você” e “senhor(a)” estende-se, dia a dia, não só às funções de sujeito, predicativo, agente da passiva e adjunto adverbial, mas também às de objeto (direto ou indireto) e complemento nominal, substituindo com frequência as correspondentes átonas: o, a e lhe.


Não vi você ontem. [= Não o vi ontem.]

Queria servir o senhor muito bem. [= Queria servi-lo muito bem.]

Comprei uma bolsa para a senhora. [= Comprei-lhe uma bolsa.]

3) Vossa Excelência (V.Ex.a) só se emprega para o Presidente da República, ministros, governadores dos Estados e do Distrito Federal, senadores, deputados federais, estaduais e distritais, juízes e as mais altas patentes militares. E assim mesmo quase que exclusivamente na língua escrita e protocolar. Em requerimentos, petições, etc. o seu uso costuma estender-se a presidentes de instituições, diretores de serviços e altas autoridades em geral.


4) Vossa Senhoria (V.S.a) é tratamento muito raro na língua falada. Na língua escrita, emprega-se ainda em cartas comerciais, em requerimentos, em ofícios, etc.



 

5) As outras formas são protocolares e se aplicam especificamente aos ocupantes dos cargos atrás indicados. Por vezes, no tratamento direto, é possível substituí-las por formas também respeitosas, mas menos solenes. A um sacerdote, por exemplo, é comum tratar-se, em lugar de Vossa Reverendíssima, por o senhor.


Títulos profissionais e honoríficos:

a) a patente dos militares:


O General Osório

O Brigadeiro Eduardo Gomes

b) os altos cargos e títulos nobiliárquicos:


O Presidente Bernardes

A Condessa Pereira Carneiro

c) o título Dom (escrito abreviadamente D.), para os membros da família imperial, para os nobres, para os monges beneditinos e para os dignitários da Igreja a partir dos bispos:


D. Pedro

D. Hélder

O título Dom tem emprego restrito em português, mas seu feminino, Dona (também abreviado em D.), se aplica, de modo bem informal (mas ainda respeitoso), a senhoras de qualquer classe social no Brasil.


O uso generalizado do título de Doutor recebe bastantes críticas, a classe acadêmica reconhece apenas aqueles que concluíram o grau acadêmico de doutorado. De modo geral, são chamados de doutores os bacharéis, especialmente em direito, medicina e odontologia.

Também generalizado é o título de Professor. Enquanto no Brasil se aplica aos docentes de qualquer grau de ensino, em Portugal se restringe aos docentes de ensino primário e superior.

PRONOMES POSSESSIVOS

Pronomes possessivos fazem referência às pessoas do discurso, apresentando-as como possuidoras de algo. Tais palavras mantêm alguma relação com os Pessoais porque sua significação está relacionada às pessoas do discurso. São eles:


1ª Pessoa:


singular: meu, minha, meus, minhas

plural: nosso, nossa, nossos, nossas

2ª Pessoa:


singular: teu, tua, teus, tuas

plural: vosso, vossa, vossos, vossas

3ª Pessoa:


singular e plural: seu, sua, seus, suas

Informalmente, os pronomes possessivos de 3ª pessoa são utilizados no lugar dos pronomes de 2ª pessoa, isso ocorre principalmente no Brasil.

Para indicar que algo está em posse da terceira pessoa, pode usar-se a preposição de posse (de) mais o pronome reto (ele, ela, eles, elas), que resulta em uma contração: dele, dela, deles, delas. Caso o sujeito seja um substantivo, usa-se a preposição de posse (de) mais o nome do sujeito.

Todos são sempre pronomes possessivos, com exceção de nossa, que pode ser usado como interjeição. Vossa e sua podem fazer parte de pronomes de tratamento.



PRONOMES DEMONSTRATIVOS

Estas são palavras que assinalam a posição dos objetos designados, no espaço, no tempo ou no próprio texto, tomando como ponto de referência a posição dos participantes da interação discursiva.


Espaço:

Perto de quem fala: Este, Esta, Isto.

Perto de quem ouve: Esse, Essa, Isso.

Longe de ambos: Aquele, Aquela, Aquilo

Tempo:

Presente: Este, Esta, Isto.

Passado ou futuro próximo: Esse, Essa, Isso.

Passado ou futuro distante: Aquele, Aquela, Aquilo.

Discurso:

Para retomar o que já foi citado: Esse, Essa, Isso.

Para apresentar o que ainda será citado: Este, Esta, Isto.

Para retomar o último termo citado: Este, Esta, Isto.

Para retomar o primeiro termo citado: Aquele, Aquela, Aquilo.

Na fala coloquial, esse tipo de referencial não necessariamente obedece a critérios posicionais rígidos.


Outros tipos de Demonstrativos:


mesmo, mesma, mesmos, mesmas - idêntico ou em pessoa 

próprio, própria, próprios, próprias - em pessoa

tal, tais - aquele(s), aquela(s)

semelhante, semelhantes - tal, tais

o, a, os, as

Observação: o, a, os, as são demonstrativos quando equivalem a este, esse, aquele, isto, aquilo, etc.


Não compreendo o (= isso) que disseste.

Os (= aqueles) que mais protestam, são os (= aqueles) que menos razão têm.

PRONOMES INDEFINIDOS

Estes se aplicam à 3ª pessoa gramatical quando esta tem sentido vago, ou exprimem quantidade indeterminada. Alguns podem ocorrer desacompanhados de substantivo; outros vêm ao lado de um substantivo, concordando em gênero e número.


Porem ser:


1. Referentes a pessoas:


quem, alguém, ninguém, outrem, fulano, sicrano, beltrano

2. Referentes a coisas:


que, algo, tudo, nada

3. Referentes a lugares:


onde, algures, alhures, nenhures

Também são Pronomes Indefinidos:


todo, toda, todos, todas

algum, alguma, alguns, algumas

vários, várias

nenhum, nenhuma, nenhuns, nenhumas

certo, certa, certos, certas

outro, outra, outros, outras

muito, muita, muitos, muitas

pouco, pouca, poucos, poucas

quanto, quanta, quantos, quantas

que, qual, quais

um, uma, uns, umas

bastante, bastantes (invariável em gênero)

qualquer, quaisquer (invariável em gênero)

cada (invariável em gênero e número)

Há locuções pronominais indefinidas:


quem quer que, qualquer um, cada qual, todo aquele que, todo mundo, seja qual for, seja quem for, etc.


PRONOMES RELATIVOS

Os pronomes relativos são palavras que reproduzem, numa oração, o sentido de um termo ou da totalidade de uma oração anterior. Eles não têm significação própria; em cada caso representam o seu antecedente. Eis o quadro dos pronomes relativos:


que, quem, onde, como, quando;

quanto, quanta, quantos, quantas;

cujo, cuja, cujos, cujas;

o qual, a qual, os quais, as quais.


Como relativo, quanto refere-se a tudo, tanto ou todo:


“Ouvia-a! A sua voz me despertava

Tudo quanto de bom conservo n’alma.” (GONÇALVES DlAS)

Podem ou não ser relativos - que, quem, onde, como, quando e quanto

São sempre relativos - o qual e cujo


PRONOMES RELATIVOS INDEFINIDOS

Assim se chamam os pronomes relativos empregados sem antecedente expresso, em frases como as seguintes:


Quem espera sempre alcança.

Traiu a quem lhe fora tão fiel.

Não teve que objetar.

Fez quanto pôde.

Quem procura acha aqui.

Estes relativos, também chamados “condensados”, trazem o antecedente incorporado em si.


Quem (aquele que) espera sempre alcança.

Traiu a quem (àquele que) lhe fora tão fiel.

Não teve que (o que) objetar.

Fez quanto (tudo que) pôde.

Quem (aquele que) procura acha aqui.

PRONOMES INTERROGATIVOS

Na verdade, não existem pronomes exclusivamente interrogativos. Os pronomes indefinidos “que, quem, qual, quanto” serão interrogativos quando aparecerem em uma pergunta. Quando, como, onde e por que são advérbios interrogativos.


“Quem eram? De que terra? Que buscavam?” (CAMÕES)

Paralelamente a que (= que coisa?), pode-se usar da forma enfática “o que”:


Que procuras aqui?

O que procuras aqui?

Uma interrogação pode ser feita direta ou indiretamente. Na interrogação direta, a frase terminará por ponto de interrogação; Na interrogação indireta, tem-se um verbo próprio para interrogar, como: perguntar, verificar, ignorar, saber, indagar, etc. Exemplos de interrogação indireta:


Indagaram que motivos há para desistir.

Perguntaram quem os acompanharia.

Quero saber quantos ficarão.

O COMPORTAMENTO DO PRONOME NA ORAÇÃO

Os pronomes podem assumir dois tipos de comportamento, semelhante aos numerais:


Substantivos: Comportando-se como verdadeiros substantivos, exercem as funções próprias do substantivo.



 

Adjetivos: Vindo sempre referidos a um substantivo (explícito ou oculto), ao qual funcionam como um adjunto adnominal.


1) Os pronomes pessoais, de tratamento e relativos (exceto cujo) e suas flexões são sempre substantivos.

2) Os demais podem ser pronomes substantivos ou adjetivos.

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