Ex-ministro ou ministro aposentado? / Ex-: grafia e emprego
Vicente Limongi Netto escreveu: “Terça-feira o Jornal Nacional chamou Ayres Brito de ex-ministro do STF, quando na verdade é ministro aposentado. Quarta-feira, o Bom Dia Brasil limpou a barra do JN, informando corretamente que Ayres Brito é ministro aposentado. Contudo, ontem, Sexta-feira da Paixão, o Jornal Nacional novamente chamou Ayres Brito de ex-ministro da Suprema Corte. Como sábado não tem Bom Dia Brasil, só segunda-feira o programa salvará o Jornal Nacional de mais um mico jornalístico”.
Errata: Não se diz ex-ministro para o ministro de tribunal superior que está aposentado. Neste caso, usa-se ministro aposentado. Como o cargo de juiz, desembargador e ministro é considerado vitalício pela Constituição, quando um ministro se aposenta, não deixa de ser ministro. Assim, não cabe a forma ex. O magistrado só perde o cargo - e então passa a ser considerado ex - depois de sentença judicial sem possibilidade de recurso ou se for exonerado a pedido. Também são considerados vitalícios os cargos de ministro e conselheiro de Tribunal de Contas e membros do Ministério Público dos estados e do Distrito Federal.
Ex- indica cessação de estado anterior. Pede hífen: ex-deputado, ex-combatente, ex-diretor, ex-tuberculoso, ex-marido, ex-namorado, ex-esposa, ex-vereador, ex-senador, ex-presidente, ex-governador, ex-prefeito, ex-secretário. Atenção: em exportar, excursão, explicar, expatriar, explodir, expelir e excomungar, o prefixo ex significa movimento para fora, e não se usa o hífen. Em extraordinário, o prefixo é extra, e não ex.
Atenção
Cuidado com o emprego desse prefixo. Mantega é ex-ministro da Fazenda, mas era ministro no governo Dilma. João Figueiredo é ex-presidente do Brasil, mas era presidente em 1979.
2. O ex-tem requintes. Ao designar alguém com a duplinha, abra os dois olhos. Nomeie o cargo mais alto que a pessoa ocupou ou aquele no qual ela se tornou mais conhecida. JK foi deputado, prefeito, senador, presidente da República. Quando se referir a ele, escreva o presidente Juscelino. Não o deputado, senador ou prefeito.
3. Os mortos? Esses têm direitos eternos. Glauber Rocha não é ex-diretor de cinema, nem Garrincha é ex-jogador de futebol, nem Renato Russo é ex-compositor. Ao citá-los, diga sem medo de errar: o diretor Glauber Rocha, o jogador Garrincha, o compositor Renato Russo. É a tal história: quem foi rei não perde a majestade e nada de trocar seu reino por um dicionário.
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