Entenda os rituais sagrados da Santa Missa

 A missa é uma celebração em que podemos ficar ainda mais próximos de Nosso Senhor. Neste momento especial, podemos reviver os mistérios da vida de Cristo: sua vida, paixão, morte e ressurreição. Com isso, recebemos as bênçãos dos Céus, livramo-nos dos pecados e ficamos com a sensação de estarmos mais leves. A Santa missa segue um ritual, repleto de significado. Entenda cada detalhe dessa celebração e viva ainda mais intensamente essa experiência religiosa.




Ritos iniciais

Canto de entrada: ele cria um clima festivo e de comunhão com Deus e os fiéis, além de acolher o padre e os ministros, leitores, coroinhas, acólitos, diáconos e seminaristas. Este é o momento em que devemos abrir o nosso coração para receber Jesus em nossa vida. O canto também está em sintonia com o tema que será celebrado na santa missa: no Tempo Pascal deve falar da ressurreição, no Advento deve falar da expectativa da vinda do Salvador, no Natal deve falar da encarnação e do nascimento de Cristo, na Quaresma deve falar sobre penitência e mudança de vida.


Sinal da cruz: ele é realizado no início e no final da celebração. Com esse símbolo, marcamos o nosso corpo, consagrando-o à Santíssima Trindade. Para ressaltar esse ato, alguns sacerdotes preferem cantá-lo.


Saudação: é a parte em que o padre recebe e saúda a comunidade anunciando a presença de Jesus. Normalmente, a saudação é retirada de uma das cartas do Novo Testamento. Os fiéis louvam a Deus por estarem reunidos no amor de Cristo.


Ato penitencial: é o momento reservado a todos os presentes para que possam pedir perdão pelos seus pecados a Deus. Nesta hora, é importante que estejamos dispostas a perdoar e ser perdoadas. Este ato costuma ser cantado.


Hino de louvor: também conhecido como Glória, é o grande momento de louvar a Deus durante a missa. Aproveite para cantar e agradecer ao Senhor pelas inúmeras bênçãos que ele vem derramando sobre a sua vida. Não se canta no Advento e na Quaresma, porque são tempos de preparação para as grandes festas, a Páscoa e o Natal. Também não se canta nos dias de semana, porque cabe ao dia por excelência do encontro com os cristãos - o domingo.


Oração do dia: após pronunciar a palavra “oremos”, o sacerdote faz uma pausa para que cada um de nós coloque as suas intenções. Em seguida, o padre faz a oração. Os fiéis demonstram que estão de acordo ao dizerem o “amém”.


Liturgia da palavra

Primeira leitura: com exceção dos domingos do Tempo Pascal, no qual é retirada dos Atos dos Apóstolos, a primeira leitura é normalmente retirada do Antigo Testamento.


Salmo responsorial: é quando os fiéis, em coro, dão a sua resposta à Primeira Leitura. Por exemplo: ao ouvir a palavra de Deus, a comunidade responde com um salmo. É bem provável que os números dos salmos usados na celebração não correspondam com os da sua Bíblia, pois a Liturgia ainda baseia-se na numeração latina.


Segunda leitura: diferentemente da primeira leitura, a segunda leitura é feita com base no Novo Testamento. Ela, não necessariamente, combina com a primeira leitura ou com o Evangelho. Ela é feita por meio de uma das cartas dos apóstolos ou do Apocalipse, no Tempo Pascal.


Aclamação ao Evangelho: é o momento da comunidade manifestar toda a sua alegria pela presença de Jesus entre os fiéis. É cantando o “Aleluia” ou outro canto que a assembleia acolhe a palavra sagrada.


Evangelho: quando o sacerdote proclama o Evangelho do dia. Marcamos com uma cruz (persignação) a testa (simbolizando a nossa mente), a boca (nossas palavras) e o peito (nossos sentimentos). Nos domingos do Tempo Comum, lemos um a cada ano. Mateus (Ano A), Marcos (Ano B) e Lucas (Ano C). O Evangelho de João entra particularmente em momentos especiais.


Homilia: quando o padre esclarece os ensinamentos divinos. Para que possamos compreender o significado da palavra de Deus, é importante que prestemos atenção com respeito e tenhamos o nosso coração aberto.


Profissão de fé: ao rezar o Credo, os fiéis assumem o seu compromisso com a Igreja Católica e com Deus. É a hora em que se fecha, praticamente, a liturgia da palavra.


Oração da assembleia: unida, a comunidade reza não só pela Igreja, mas também por todas as pessoas do mundo.



Liturgia eucarística

Canto e apresentação das oferendas: o padre apresenta ao Pai as ofertas do pão e do vinho, que se tornam no altar o verdadeiro símbolo do Corpo e do Sangue de Cristo. Durante o canto, os fiéis oferecem as necessidades da comunidade e da Igreja.

Costumamos chamar esse momento de ofertório, mas trata-se da apresentação das oferendas, porque quem preside toma as ofertas do povo e as apresenta a Deus.


Orai, irmãos e irmãs: após o canto, o padre convida a assembleia a se unir em uma só oração para que o Senhor aceite o sacrifício oferecido.


Oração sobre as oferendas: em nome dos presentes, o padre pede a Deus que acolha e aceite as ofertas da comunidade, que consente com o “amém”.


Oração eucarística: momento em que recordamos a morte e a ressurreição de Cristo. Não é apenas uma lembrança de algo ocorrido no passado, mas de um fato que acontece hoje, na hora da Eucaristia. A oração eucarística possui oito elementos importantes:


1) Prefácio: quando damos graças ao Pai por nos ter dado seu Filho, Jesus. O prefácio é iniciado com um diálogo entre o padre e os presentes.


2) Santo: todos cantam a santidade de Deus com este louvor:  “Santo, Santo, Santo…”.


3) Epiclese: o sacerdote coloca suas mãos sobre o pão e o vinho e pede que, pela ação do Espírito Santo, eles se transformem no Corpo e Sangue de Cristo e depois novamente invoca o Espírito Santo, desta vez sobre a comunidade que vai participar da Eucaristia, pedindo que se transforme e vá se construindo na unidade.


4) Narrativa da instituição e consagração: é o momento em que todos os fiéis adoram em silêncio a hora em que o padre repete os gestos e as palavras de Cristo em sua última ceia, mostrando aos presentes a hóstia e o vinho consagrados.


5) Anamnese (memorial): Jesus ordenou:  “Fazei isto em memória de mim”. E o apóstolo Paulo recebeu a esse respeito:  “Toda vez que se come deste pão, toda vez que se bebe deste vinho, se recorda a Paixão de Jesus Cristo e se fica esperando Sua volta”. É exatamente isso que toda comunidade celebra neste momento de oração. Esta oração leva à oblação.


6) Oblação (oferta): quando é pedido aos presentes que fiquem em unidade com Cristo. Ao receber o corpo de Jesus, nos tornamos o próprio filho de Deus, por obra do Espírito Santo. Só após a consagração aparece a palavra 'oferecemos', este é o verdadeiro ofertório da Missa.


7) Intercessões: neste momento, o sacerdote faz todas as intercessões pela Igreja, pela comunidade, pelos mortos e pelo mundo.


8) Doxologia final: com este pequeno hino de louvor, “Com Cristo, por Cristo e em Cristo…”, encerra-se a oração eucarística, que é o próprio Cristo que oferece e é oferecido. No final, canta-se, repetidas vezes, o “amém”.


Pai-Nosso: como Jesus nos deixou apenas essa oração, ela é chamada de a “Oração do Senhor”. Com ela, ele nos ensina que somos uma única família e temos um único Pai.


Abraço da paz: após rezar a oração pela paz, o sacerdote nos convida a nos saudarmos com um abraço ou aperto de mão, um costume que nasceu com os primeiros cristãos.


Fração do pão: ao partir o pão, o gesto do padre nos compromete com a partilha. Nesta hora, os participantes invocam o Senhor com as palavras do Evangelho de João: “Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo…”.


Convite à ceia: ao mostrar a hóstia consagrada à assembleia, o padre nos faz um importante convite: “Felizes os convidados para a ceia do Senhor / Provai e vede como o Senhor é bom. Feliz de quem encontra nEle seu refúgio”. As pessoas respondem: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e serei salvo”.


Comunhão e canto: para recebermos o corpo de Cristo, um canto nos acompanha até a Mesa Eucarística. Neste momento, entramos em total sintonia com Cristo. Acompanhando o canto, elevando a nossa voz, expressamos a nossa unidade com nossos irmãos.


Ação de graças: após a distribuição da Eucaristia, iniciamos a ação de graças, momento em que agradecemos em silêncio as bênçãos de Deus e pode ser cantado um canto.


Depois da comunhão: por meio de uma oração, pedimos ao Senhor que renove sempre a nossa vida, a nossa fé e a nossa esperança.


Ritos finais

Avisos: o padre ou algum membro da comunidade divulga os eventos religiosos do mês ou informa algo de interesse à comunidade.


Bênção final: marcamos o corpo com o sinal da cruz. Na bênção final, é a própria Santíssima Trindade que nos acompanha pela vida inteira.


Despedida: o padre se despede dos fiéis e inicia-se o canto final. Os fiéis devem esperar a saída do celebrante e dos ministros.

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