Em 1997, com Concurso de Paródias, SBT turbinava linha de shows

O SBT sempre teve certa tradição de fazer estreias no mês de agosto, quando a emissora faz aniversário. Há 20 anos, entre o final de julho e início de agosto de 1997, o canal de Silvio Santos faria uma série de mudanças na grade e lançaria programas que seriam lembrados até os dias de hoje. Numa única semana, por exemplo, o SBT lançava um jornalístico, uma nova novela e três novos programas na linha de shows, turbinando a programação.


A primeira estreia foi, na verdade, um retorno. O jornalístico policial Aqui Agora retornava ao ar reformulado em 31 de julho de 1997, na faixa das 18 horas, com apresentação de Ney Gonçalves Dias. O jornalista, na época, fazia sucesso com o Cidade Alerta, da Record, e levou o formato para o SBT. Entretanto, o novo Aqui Agora não deu muito certo e saiu do ar em dezembro do mesmo ano, quando estreou o lendário Fantasia.


A segunda estreia foi Chiquititas, primeira versão, que entrou no ar no dia 31 de julho de 1997, às 20h. Coprodução entre SBT e a argentina Telefe, a trama infantil substituía a primeira exibição da mexicana Maria do Bairro, e era uma adaptação de um texto argentino, gravada nos estúdios da Telefe, em Buenos Aires, mas com elenco brasileiro. Flavia Monteiro, como Carolina, e Fernanda Souza, como Mili, encabeçavam o elenco desta trama que fez história e se tornou mania entre as crianças. A trajetória das meninas órfãs habitantes do orfanato Raio de Luz encantava com suas travessuras e os clipes musicais, cujas letras e coreografias eram copiadas pela crianças da época.


No dia seguinte, 1º de agosto, o SBT lançaria um novo programa no horário nobre que traria um, digamos, “novo conceito” de telebarraco no Brasil. Márcia revelava ao país a apresentadora Márcia Goldschmidt, escolhida entre 200 candidatas para apresentar a atração, nas noites de terça-feira, para concorrer com o Casseta & Planeta, Urgente! e o Som Brasil, e era um programa de debates, no qual populares compareciam para “lavar roupa suja” em público. A atração, uma adaptação brasileira do americano Ricki Lake Show, trazia um tema diferente a cada semana, e não era raro seus participantes saírem no tapa em pleno palco. Muitas vezes, Márcia tentava intervir na briga, mas outras tantas ela recorria ao segurança, a quem chamava “James, James!”. Era engraçado.


Márcia fez muito sucesso e abriu caminho para que outros “telebarracos” surgissem na televisão brasileira. A extinta e saudosa Manchete (atual RedeTV!) apostaria em formato semelhante com o Magdalena Manchete Verdade, apresentado pela jornalista Magdalena Buonfiglioli. Já a Record tiraria Ratinho da CNT e lançaria seu Ratinho Livre, também caracterizado por muitas brigas no palco. Ratinho foi o fenômeno daquele ano na TV, e o SBT tentou competir com ele, tornando Márcia um programa diário, exibido às 21h. Márcia acabou substituindo a novela Os Ossos do Barão, fazendo o SBT engavetar a trama que a sucederia, Pérola Negra, que seria exibida apenas no ano seguinte. No novo horário, Márcia não conseguiu fazer frente à Record, e acabou sendo deslocada para a faixa das 18h. Saiu do ar quando Ratinho foi contratado pelo SBT. A apresentadora, no entanto, conseguiu construir uma carreira na telinha, tendo passado por programas como Programa Livre, Fantasia, Mulheres, Hora da Verdade e Jogo da Vida, os dois últimos como uma continuação espiritual do programa de 1997.


Dois dias depois da estreia de Márcia, em 3 de agosto, entrava no ar o Concurso de Paródias, nas noites de quinta-feira, para concorrer com o Você Decide. Também versão nacional, desta vez de um formato europeu, no estilo show de calouros, o programa, como o próprio nome sugere, trazia compositores com novas versões de músicas e letras bem-humoradas, que apresentavam suas canções e concorriam a prêmios. Um júri convidado fazia a análise, e, no final do programa, a melhor paródia era premiada. O programa trouxe de volta à telinha Moacyr Franco, que estava há 15 anos afastado da TV, e era um entretenimento bem divertido. Mas, mesmo com o sucesso, teve vida curta, já que o SBT sacrificou o programa para abrir espaço a transmissões de futebol. Entretanto, o programa serviu para trazer Moacyr Franco de volta, já que o “showman” emplacaria outras atrações na emissora nos anos seguintes, como os humorísticos Ô, Coitado e Meu Cunhado, e o show de crianças Pequenos Brilhantes. Moacyr segue no ar até hoje, vivendo tipos em A Praça É Nossa.


Outro programa “antológico” que estrearia naquela semana era a faixa de filmes Tela de Sucessos, nas noites de sexta-feira, para concorrer com o Globo Repórter e a Retrospectiva, exibindo filmes inéditos e grandes sucessos de bilheteria. A atração estreou um dia depois do Concurso de Paródias com a missão de ser uma espécie de “Tela Quente do SBT”, tornando-se a principal faixa de filmes da emissora. Apesar de ter estreado em 1997, a Tela de Sucessos só diria a que viria a partir de 2000, quando a emissora investiu pesado em blockbusters.


Todos estes programas se juntariam ao Alô Christina (depois, grafado como Alô Chrystynah), inspirado no talk show argentino Hola Susana e no italiano Pronto Raffaella, mistura de game e talk show apresentado por Christina Rocha. A atração estreou em abril daquele ano, nas noites de quarta-feira, para concorrer com a Globo, transmitindo o futebol, trazendo a ex-apresentadora do Aqui Agora comandando games por telefone. O público participava mandando cartas, e Christina ligava para a casa de um espectador, que devia dizer “Alô Christina!” para participar. Além dos jogos, o programa também recebia convidados e números musicais. Deste modo, naquela primeira semana de agosto de 1997, a emissora montaria uma linha de shows variada e popular nas noites de segunda a sábado, às 21h40: Hebe, às segundas; Márcia, às terças; Alô Christina, às quartas; Concurso de Paródias, às quintas; Tela de Sucessos, às sextas; e A Praça É Nossa e Sabadão, aos sábados. Hebe concorria com a Tela Quente, A Praça é Nossa e Sabadão concorriam com o Supercine. Nessa super linha de shows, o SBT Repórter era exibido às quartas e Os Simpsons, às quintas. 


Esta linha de shows não teve vida longa, mesmo com o sucesso. O SBT exibia futebol naquela época, e abriu as noites de terças e quintas para o esporte. Assim, Márcia, antes de se tornar diário, passou para as noites de quarta-feira, enquanto Alô Christina e Concurso de Paródias foram definitivamente cancelados a partir de fevereiro de 1998. Quando Márcia se tornou diário, foi substituído pelo Fórum Popular, com Ney Gonçalves Dias, que tentava resolver problemas de populares imitando um juiz resolvendo casos judiciais e desentendimentos na família. O programa também teve vida curta, durando até agosto.


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