Orientações gerais - Domingo de Páscoa

 ORIENTAÇÕES GERAIS

 


Os cinqüenta dias que vão desde o Domingo de Páscoa na Ressurreição do Senhor até o Domingo de Pentecostes devem ser celebrados com verdadeira alegria como se fosse um grande domingo. Esses cinqüenta dias é como se fosse um só dia de festa, “símbolo da felicidade eterna” (Santo Atanásio). Os domingos pascais se caracterizam pela “ausência de elementos penitenciais” e pela acentuação de elementos festivos. A alegria deve ser a característica do Tempo Pascal. A alegria deve estar presente nas pessoas da comunidade e também no espaço litúrgico, na cor branca (ou amarela), nas flores, no canto alegre do “Aleluia”, na alegria de sermos aspergidos pela água batismal, no gesto da acolhida e da paz. O Tempo Pascal constitui-se em “um grande domingo”. Vivenciamos dias de Páscoa e não após a Páscoa.

 


“Os oito primeiros dias do Tempo Pascal forma a Oitava da Páscoa e são celebrados como “solenidades do Senhor”. A festa da Ascensão do Senhor é celebrada no sétimo domingo da Páscoa. A festa da Ascensão do Senhor oficialmente é celebrada em uma quinta-feira (quarenta dias depois da Páscoa). No entanto, no Brasil, como não é feriado, ela é transferida para o domingo seguinte, ocupando assim o sétimo domingo da Páscoa, para que todos vivam melhor este dia. A semana seguinte, até Pentecostes, caracteriza-se pela preparação para a vinda do Espírito Santo.

 


A Oitava da Páscoa tem missa própria, o canto do glória, com textos bíblicos que nos levam a viver o mistério da presença do Cristo ressuscitado em nossa vida, a partir dos relatos da experiência das primeiras comunidades cristãs. As leituras litúrgicas da Oitava da Páscoa apresentam uma grande unidade. Os evangelhos relatam as primeiras aparições do Cristo Ressuscitado e as leituras relatam as primeiras pregações dos apóstolos.

 


A catequese primitiva tem sua fonte nas instruções do Ressuscitado a seus apóstolos em dois níveis: o fato e a teologia. As cinco primeiras leituras desta semana fornecem um resumo clássico geral dessa catequese na qual se inspira a oração retomada na sexta leitura.

 


Esta catequese se baseia nos acontecimentos da morte e da ressurreição, a apresenta-os num contexto de entronização do Senhor sobre o tempo e sobre o universo, de libertação da humanidade do pecado, de apelo ao reino e de conversão do coração.

 


Na Igreja primitiva a Oitava da Páscoa era também chamada de “Semana Branca” porque os catecúmenos ficavam de roupas brancas durante esta semana.

 


O Círio Pascal deve estar sempre presente, junto à Mesa da Palavra em todas as celebrações do Tempo Pascal. É importante que o Círio seja aceso no início da celebração, após o canto de abertura, enquanto a assembléia entoa um refrão pascal. Ele é o sinal do Cristo ressuscitado, Senhor de nossas vidas.

 


Dar destaque durante o Tempo Pascal para a água batismal. Onde há pia batismal, ela deve ser o ponto de referência para a realização de ritos como aspersão, renovação de promessas, compromissos. Onde não há pia batismal, preparar alguma vasilha de cerâmica, de preferência junto do Círio Pascal.

 


Vivamos intensamente este tempo de festa, celebrando a vida nova que Cristo nos deu, vencendo a morte. É importante que o espaço celebrativo da Vigília Pascal continue o mesmo para a celebração do Domingo de Páscoa.

 


O Tempo Pascal é, muito indicado, liturgicamente, para as celebrações da Crisma e das primeiras comunhões, numa continuidade com a noite batismal da Páscoa.

 


7- MÚSICA RITUAL


 


O canto é parte necessária e integrante da liturgia. Não é algo que vem de fora para animar ou enfeitar a liturgia. Por isso devemos “cantar a liturgia” e não cantar na liturgia. Os cantos e músicas, executados com atitude espiritual e, condizentes com o Tempo Pascal e com cada domingo, ajudam a comunidade a penetrar no mistério celebrado. Portanto, não basta só saber que os cantos são do Tempo Pascal, é preciso executá-los com atitude espiritual. A escolha dos cantos deve ser cuidadosa, para que a comunidade tenha o direito de cantar o mistério celebrado. O canto de abertura deve nos introduzir no mistério celebrado.

 


Canto de abertura. Cristo ressuscitou verdadeiramente (Apocalipse 1,6). “O Senhor ressurgiu, aleluia, aleluia!”, CD: Liturgia X, melodia da faixa 1.

 


Refrão para o acendimento do Círio Pascal. “Cristo-Luz, ó Luz bendita,/ Vinde nos iluminar!/ Luz do mundo, Luz da Vida,/ Ensinai-nos a amar!”, CD: Festas Litúrgicas I, melodia da faixa 9.

 


Canto para acompanhar a aspersão com a água. “Banhados em Cristo”, CD: Tríduo Pascal II, melodia da faixa 11 ou Hinário Litúrgico II da CNBB, página 196. Outra ótima opção é o canto “eu vi foi água”, CD: Tríduo Pascal II, melodia da faixa 12 ou Hinário Litúrgico II da CNBB, página 225.

 


Hino de louvor. “Glória a Deus nas alturas.” Vejam o CD Tríduo Pascal I e II e também no CD Festas Litúrgicas I; Partes fixas do Ordinário da Missa do Hinário Litúrgico III da CNBB e também a versão da CNBB musicado por Irmã Miria Reginaldo Veloso e outros compositores.

 


O Hino de Louvor, na versão original e mais antiga, é um hino cristológico, isto é, voltado para Cristo, que exprime o significado do amor do Pai agindo no Filho. O louvor, o bendito, a glória e a adoração ao Pai (primeira parte do Hino de Louvor) se desdobram no trabalho do Filho Único: tirar o pecado do mundo, exprimindo e imprimindo na história humana a compaixão do Pai. Lembremo-nos: o Hino de Louvor não se confunde com a “doxologia menor” (Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo). O Hino de Louvor encontra-se no Missal Romano em prosa ou nas publicações da CNBB versificado numa versão que facilita o canto da assembléia.


 


Salmo responsorial 117/118. “Eis o dia que o Senhor fez!”. A pedra angular. “Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos”; CD: Liturgia X, melodia da faixa 2.

 


Seqüência Pascal: “Victimae Paschali Laudes”. A seqüência pascal é um hino ao Cristo, Cordeiro Pascal, que enfrentou a morte e a venceu. “Cantai, cristãos, afinal”; CD: Liturgia X, melodia da faixa 4; “Ó cristãos, vinde ofertai” Ofício Divino das Comunidades, página 336.

 


Aclamação ao Evangelho. Cristo nossa Páscoa foi imolado (1Coríntios 5,7b-8a). “Aleluia, O nosso Cordeiro pascal foi imolado”, CD: Liturgia X, melodia da faixa 3. O canto de aclamação ao evangelho acompanha os versos que estão no Lecionário Dominical ou a versão que está no CD.

 


Apresentação dos dons. O canto de apresentação das oferendas, conforme orientamos em outras ocasiões, não necessita versar sobre pão e vinho ou oferecimento. Seu tema é o mistério que se celebra acontecendo na fraternidade da Igreja reunida em oração, no Tempo Pascal. “Bendito sejas, ó rei da glória!”, CD: Liturgia X, melodia da faixa 6.

 


Canto de comunhão. Cristo nossa Páscoa, a festa do pão novo. (1Coríntios 5,7-8). “Celebremos nossa Páscoa na pureza, na verdade: aleluia, aleluia”, CD: Liturgia X, melodia da faixa 7. Nas missas da noite, quando se lê o Evangelho de Lucas 24,13-35, discípulos de Emaús, canta-se como canto de comunhão: “Andavam pensando tão tristes”, CD Liturgia X, faixa 9.

 


O canto de comunhão deve retomar o sentido do Evangelho do domingo de Páscoa. Esta é a sua função ministerial. Na realidade, aquilo que se proclama no Evangelho nos é dado na Eucaristia, ou seja: é o Evangelho que nos dá o “tom” com o qual o Cristo se dirige a nós em cada celebração eucarística reforçando estes conteúdos bíblico-litúrgicos, garantindo ainda mais a unidade entre a mesa da Palavra e a mesa da Eucaristia. Isto significa que comungar o corpo e sangue de Cristo é compromisso com o Evangelho proclamado. Portanto, o mesmo Senhor que nos falou no Evangelho, nós o comungamos no pão e no vinho. É de se lamentar que muitas vezes são escolhidos cantos individualistas de acordo com a espiritualidade de certos movimentos, descaracterizando a missionariedade da liturgia. Toda liturgia é uma celebração da Igreja e não existem ritos para cada movimento e nem para cada pastoral. Cantos de adoração ao Santíssimo, cantos de cunho individualista ou cantos temáticos não expressam a densidade desse momento, sendo adequados para shows, reuniões, encontros, grupos de oração, palestras e retiros. Tipos de cantos que devem ser evitados numa celebração eclesial: “Eu amo você meu Jesus”; “Ti olhar, ti tocar”; “Fica comigo Jesus”, etc.

 


8- O ESPAÇO CELEBRATIVO

 


Preparar de forma festiva o ambiente, dando destaque ao Círio Pascal e à pia batismal, com flores e a cor branca ou amarelada nas vestes e toalhas. Ornamentar com flores, mas em exageros, para não transformar o espaço celebrativo numa floresta, para não roubar a cena do altar e do ambão.

 


A Tradição Romana usa a cor branca neste tempo. Talvez, de acordo com a nossa cultura, podemos caprichar, usando cores mais festivas de acordo com a cultura da comunidade. Sabemos da importância do branco. O dourado vai manifestar a realeza e a vitória do Ressuscitado.

 


É muito oportuno colocar, próximo ao Círio Pascal, as faixas jogadas ao chão e o véu dobrado.

 


O Tempo Pascal não é nada mais, nada menos do que a própria celebração da Páscoa prolongada durante sete semanas de júbilo e de alegria. É o tempo da alegria, que culmina na festa de Pentecostes. Tudo isso deve ficar evidente o espaço celebrativo.

A respeito do uso do data-show nas celebrações, a CNBB orienta que deve ser colocado somente os cantos, produções de imagens para a homilia e avisos. Não se deve colocar as leituras bíblicas e nem a Oração Eucarística para que não seja ofuscado as duas peças principais do espaço celebrativo que é o altar da ceia e a mesa da Palavra ou ambão. Se não for usado, o fundo deve ficar preto.

 


O simbolismo da cruz traz presente o anúncio da paixão e ressurreição do Senhor. A cruz processional, a mesma que será usada na procissão de abertura, esteja na entrada da Igreja, por onde todos passam. É uma forma de trazer presente o mistério que será celerado. Ela pode ficar aí até o início da celebração, ladeada de velas e flores, de forma que chame a atenção de todos os que vão chegando para a celebração.

 


9- AÇÃO RITUAL


 


A celebração da Páscoa continua por cinqüenta dias e o domingo assinala esse novo tempo inaugurado com a Ressurreição de Jesus. Transformados pela sua Ressurreição, devemos, também nós, viver na alegria dos ressuscitados e ajudar a transformar o mundo em um lugar de vida e de realização para todos e para a criação.


 


Ritos Iniciais


 


Na procissão de entrada entrar com as pessoas que foram batizadas ou pessoas que receberam um dos sacramentos na Vigília Pascal, ou crianças com vestes brancas, trazendo flores.

 


Dar particular destaque à acolhida do Círio Pascal. Por exemplo, após o canto de abertura, fazer um pequeno lucernário, solenizando o acendimento do Círio Pascal: uma pessoa acende o Círio e diz: “Bendita sejas, Deus da Vida, pela ressurreição de Jesus Cristo e por essa luz radiante!”. Ou outros refrões que revela o sentido pascal: “Salve, luz eterna és tu, Jesus!/ Teu clarão é a fé que nos conduz! (Hinário II, pág. 292). “Cristo-Luz, ó Luz bendita,/ Vinde nos iluminar!/ Luz do mundo, Luz da Vida,/ Ensinai-nos a amar! A seguir, incensa o Círio pascal e a comunidade reunida.

 


Se a comunidade tiver dificuldade para fazer este pequeno lucernário, a procissão de entrada pode ter à frente o Círio Pascal aceso. Neste caso, não se us a cruz processional, que permanece em seu lugar de costume.

 


Na acolhida, pode-se retomar o costume das Igrejas Orientais de saudarem-se com as seguintes palavras: “O Senhor ressuscitou, verdadeiramente ressuscitou!”, ou “Irmãos e irmãs, Jesus ressuscitou e está vivo em nosso meio.

 


Substituir o ato penitencial pelo rito de aspersão com a água (se possível perfumada) que foi abençoada na Vigília Pascal. Ajudar a comunidade a aprofundar sua consagração batismal. Não havendo água abençoada na Vigília Pascal, o ministro reza o oração de bênção conforme o Tempo Pascal que está no Missal Romano página 1002. No ato da aspersão, a assembléia canta: “Banhados em Cristo, somos u’a nova criatura./ As coisas antigas já se passaram,/ Somos nascidos de novo./ Aleluia, aleluia, aleluia!:/

 


A Oração do Dia nos traz a certeza que abertas as portas da eternidade pelo Filho, vivamos na luz da vida nova.

 


Rito da Palavra


 


Neste Domingo, dois elementos diferenciam a celebração dos demais domingos: o canto da seqüência pascal (ver CD Tríduo Pascal II) e a possibilidade de se proclamar dois evangelhos, um na celebração da manhã, e outro na celebração da tarde. Para os evangelhos vale a regra litúrgica de obedecer a verdade da hora. Assim, de manhã se proclama o Evangelho do encontro de Jesus com Maria Madalena que ao amanhecer foi ao sepulcro (João 20,1-9) e de noite se proclama o Evangelho do encontro de Jesus com os discípulos de Emaús, que encontram o Senhor no caminho, ao cair da tarde (Lucas 24,13-35).

 


Não omitir o canto da “Seqüência Pascal”, expressando o diálogo entre a comunidade e Maria Madalena. Pode-se também cantar a seqüência alternando com homens e mulheres fazendo o diálogo com Maria Madalena. Onde for possível encenar o canto fazendo esse diálogo.

 


Dar destaque à proclamação do Evangelho, que pode ser cantado. Onde for possível, usar aromas ou incenso, retomando o gesto afetuoso das mulheres que foram ao túmulo para ungir o corpo do Senhor.

 


Rito da Eucaristia


 


A Oração sobre as Oferendas, nos coloca diante do Sacramento no qual a Igreja se renova e se alimenta.

 


Seria oportuno o Prefácio I em que contemplamos a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. Onde for possível, cantar o Prefácio e, nas celebrações da Palavra, cantar a Louvação Pascal do Hinário II da CNBB, página 156.

 


A Oração Eucarística com prefácio próprio. Não é demais recordar que somente a oração 1,2, e 3 admitem outro prefácio. As demais não poderão ser rezadas nesse tempo.

 


De acordo com as orientações em vigor, a comunhão pode ser sob as duas espécies para toda a comunidade.

 


Ritos Finais


 


Na Oração após a Comunhão, suplicamos a Deus que guarde a Igreja e que passemos dos sacramentos pascais à Ressurreição.

 


As palavras do envio podem estar em consonância com o mistério celebrado: O Senhor ressuscitou verdadeiramente, aleluia, aleluia. Ide em paz e que o Senhor vos acompanhe.

 


Dar a bênção final própria para o Tempo Pascal, conforme o Missal Romano, página 523. No final o povo responde com os dois “Aleluias”, no envio dos fiéis.

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