Jornal Correio da Paraíba - Religião - 7 de janeiro de 2021

 Religião - Paraíba: Quinta-feira, 7 de janeiro de 2021 / N1

Arqueólogos acreditam ter encontrado o local da execução de João Batista

O local também pode ter sido a pista onde Salomé protagonizou sua dança infame

Uma equipe de arqueólogos que trabalhou no local de Machaerus (ou Maquero), a fortaleza de Herodes Anitpas localizada na Jordânia moderna, acredita ter descoberto a pista onde Salomé executou sua dança infame. Se correto, o lugar também seria o local onde João Batista foi condenado à morte.

A morte de João Batista está relatada em Mateus 14 e em Marcos 6. Ambas as narrativas bíblicas explicam que o rei Herodes Antipas se casaria com Herodíades, mas os dois já haviam sido casados ​​ com outras pessoas. João Batista caiu no desgosto do rei depois que criticou publicamente suas núpcias, condenando a união pecaminosa.

Herodes Antipas, então, relutou em executar João Batista por medo de uma revolta daqueles que viam João como um profeta. E o Evangelho continua a história:

“Na festa de aniversário de nascimento de Herodes, a filha de Herodíades dançou no meio dos convidados e agradou a Herodes. Por isso, ele prometeu com juramento dar-lhe tudo o que lhe pedisse. Por instigação de sua mãe, ela respondeu: ‘Dá-me aqui, neste prato, a cabeça de João Batista'” (Mateus 14, 6-8). 
A pista de dança de Salomé
De acordo com o site LiveScience, o diretor de escavação Győző Vörös sugeriu que o pavilhão em Maquero é provavelmente o local onde Salomé dançou. Além disso, ele lembrou que a pista de dança, inicialmente descoberta em 1980, possui um pequeno nicho lateral.

Vörös está, de fato, confiante de que este nicho teria acomodado um trono, o que ele acredita solidifica sua teoria. Herodes estaria no assento que simbolizava sua autoridade enquanto observava a dança.

O anúncio causou reações diversas de especialistas. Alguns concordaram que este é provavelmente o local da execução e da dança. Outros, no entanto, sugerem que o nicho poderia ter outros propósitos, já que poderia não ser grande o suficiente para um trono.

N2

Menino sobrevive após crucifixo parar bala perdida em seu peito

O projétil perfurou o crucifixo de metal, que amenizou o impacto e evitou que a bala entrasse no corpo do garoto

Um crucifixo de metal parou uma bala perdida que atingiria o peito de um menino de 9 anos. Foi na província de Tucumán, na Argentina.

Segundo a imprensa local, o garoto chamado Tiziano deu entrada no hospital com ferimento superficial no tórax “causado por uma arma de fogo”. O incidente aconteceu na noite do dia 31 de dezembro de 2020, pouco antes da virada do ano.

O menino passou por exames e, em seguida, recebeu alta. Foi, então, para a casa comemorar o que todos já estão chamando de milagre de ano novo.

A polícia argentina investiga de onde teria partido o disparo.

O crucifixo e o milagre
A família do menino confirmou a um canal de TV argentino que o crucifixo que Tiziano usava no pescoço, de fato, evitou que a bala perdida entrasse em seu corpo. Além disso, a família enviou à equipe de reportagem a foto do crucifixo de metal, bem como a bala.

Pela publicação do jornalista José Romero Silva, é possível ter a dimensão da força do impacto que a bala provocou. O projétil fez um furo no objeto de metal e detonou a imagem de Jesus.


Foi, portanto, um milagre de ano novo para toda a família, que em 2021 vai ter motivos de sobra para comemorar a vida e renovar a fé.

N3

Os presentes dos Reis Magos a Jesus: o que significam ouro, incenso e mirra

Os presentes dos Reis Magos a Jesus representam que Jesus é Rei, Deus e Homem: este é o significado de ouro, incenso e mirra

Os presentes dos Reis Magos a Jesus: o que significam ouro, incenso e mirra? Quem oferece uma breve explicação é o pe. Gabriel Vila Verde, que compartilhou o seguinte em sua rede social:

Os presentes dos Reis Magos a Jesus possuem um forte significado.

O OURO simboliza a realeza de Cristo. Não uma realeza terrena, localizada, mas universal. Simboliza também a providência divina, pois, na fuga para o Egito, aquele ouro deve ter sido de suma importância para a subsistência da Sagrada Família.

O INCENSO representa a Sua divindade. Somente aos deuses se queimava incenso. Cristo é o verdadeiro Deus a quem adoramos.

A MIRRA, provavelmente resinada, simboliza a humanidade de Cristo, que, ao ser crucificado, teve Seu corpo embalsamado com mirra e aloés, por José de Arimateia.

JESUS é Rei, Deus e Homem!
Sobre a Epifania
A popular festa dos Reis Magos é também celebrada como a Epifania do Senhor. Nessa solenidade, a Igreja recorda a visita dos três reis sábios do Oriente a Jesus. Guiados pela luz divina representada por uma estrela, os três sábios foram até Belém para entregar presentes ao Menino Deus que nascia feito homem. E é justamente porque Jesus se revela aos povos como Deus encarnado que esta festa é chamada de Epifania, termo grego que quer dizer “manifestação”.

N4

Quando devemos desmontar o presépio?

É correto desmontar o presépio da sua casa e a árvore de Natal no Dia de Reis?

Todo início de ano surge uma dúvida entre muitos católicos: quando devo desmontar o presépio que exibi na minha casa ou empresa?

O site do Movimento Apostólico Schoenstatt tenta esclarecer a questão. De antemão, a Ir. M. Nilza P. da Silva esclarece: a Igreja não estabelece uma data fixa e específica para desmontarmos o presépio e a árvore de Natal.

No entanto, a religiosa reconhece que muitos católicos desmontam o presépio de suas casas logo após a Festa dos Reis, já que nesta data se completa a oitava natalina. Diz a Irmã:

“O nascimento de Jesus é tão importante que a Igreja Católica festeja durante 8 dias. Inclusive há os que só colocam as imagens dos reis no presépio nesse dia. A data da festa é 6 de janeiro, mas, no Brasil a liturgia se adapta ao calendário civil – para que todos possam participar das celebrações – e a festa dos reis é celebrada no segundo domingo depois do Natal.”
Entretanto, aqui cabe um esclarecimento: o Tempo Litúrgico de Natal só termina mesmo no domingo seguinte à Epifania. Nesta data, a Igreja celebra o Batismo do Nosso Senhor. Portanto, também é correto deixar a árvore de Natal e o presépio montados até esse dia. A irmã Nilza explica:

“No dia seguinte [ao Batismo do Senhor], já começa o tempo comum na liturgia, quando as leituras e as orações tiram o foco no nascimento e passam a descrever o início das pregações de Jesus e de sua vida pública. O presépio da Praça de São Pedro, no Vaticano, por exemplo, só é retirado após a festa do Batismo do Senhor.”
Oração para a hora de desmontar o presépio
Independentemente da data em que você vai desmontar o presépio e árvore de Natal, é sempre bom rezar à Sagrada Família na hora de realizar essa tarefa. Peça, então, que as graças do Natal se estendam por todo o ano.

Reze com fé:

Maria, “No pobre e pequeno estábulo de Belém, para nós, dás à luz o Senhor do mundo.Assim como o apresentas aos pastores e magos e te inclinas diante dele, adorando e servindo, também nós, com amor, queremos ser seus instrumentos e levá-lo profundamente aos corações.” Pe. Kentenich (RC343).

Sagrada Família, ao retirar vossas imagens e guardá-las, peço que as graças que trouxestes para o meu lar permaneçam no coração de cada um que vos contemplaram e produzam frutos no decorrer de cada dia do novo ano.Minha família siga o vosso exemplo e, na força do Espírito Santo, glorifiquemos ao Pai. Amém.

N5

O que foi realmente a "Estrela de Belém"?

O fenômeno celestial que guiou os Magos até Jesus é considerado extremamente raro e carregado de simbologia. Será que ele pode se repetir este ano?

O objeto luminoso no céu que guiou os Magos a Jesus e ficou conhecido como “Estrela de Belém” foi um acontecimento extremamente raro e cheio de símbolos.

Da mesma forma, o alinhamento de Saturno e Júpiter em 21 de dezembro de 2020 está sendo anunciada como uma “Estrela de Natal”. Como os dois planetas deverão ficar a apenas 0,1 grau de distância, eles aparecerão aos terráqueos como uma grande estrela brilhante, lembrando a Estrela de Belém que anunciou o nascimento de Jesus.

Estrela de Belem e astronomia
Grant Mathews, professor de astrofísica teórica e cosmologia e diretor do Centro de Astrofísica da Universidade de Notre Dame, normalmente desenvolve pesquisas nas áreas de origem e evolução da matéria no universo.

Mas, por diversão, ele tem refletido sobre o que era tão significativo nos céus por volta do ano 6 a.C. e que seria imortalizado no Evangelho.

De fato, Mathews diz que os magos eram sacerdotes zoroastrianos da Babilônia, e que eles entendiam que a constelação de Áries se referia à terra da Judeia. Diz ele:

“Há evidências nos escritos do famoso astrônomo Cláudio Ptolomeu e também na cunhagem de moedas romanas na época de que Áries era a constelação que se pensava estar associada à região da Judeia. Isso foi particularmente significativo porque Áries era também a constelação que continha o Equinócio Vernal  naquela época e um evento que ocorreu em Áries implicaria, portanto, a redenção e uma nova vida associada com a chegada da primavera.”
Portanto, um grande alinhamento planetário naquela parte específica do céu – onde Áries estava – chamaria a atenção deles.

“Curiosamente, eles tinham sua própria crença na vinda de um messias, mas suas crenças refletiam um senso de determinismo, que em sua visão estava conectado com os movimentos do Sol, da Lua e dos planetas no céu. Em seu sistema de crenças, cada constelação do Zodíaco foi atribuída a uma região geográfica diferente de influência. A localização do Sol, da Lua ou dos planetas em uma constelação indica o caráter de uma pessoa nascida naquele dia. Especialmente se eles nasceram na localização geográfica associada a essa constelação. ”
Alinhamento planetário
Em uma entrevista de 2016, Mathews observou que Michael Molnar, no livro The Star of Bethlehem (“A Estrela de Belém”, apresentou a hipótese de que o Sol, a Lua, Júpiter e Saturno apareceram em Áries, “com Vênus na constelação de Peixes ao lado, junto com Mercúrio e Marte do outro lado, na próxima constelação de Touro.”

Além disso, o que também é significativo é que Júpiter estava em posição regressiva, o que significa que da perspectiva da Terra, o planeta estava seguindo um curso contrário aos outros planetas, mas que então inverteu o curso, depois de parecer ter parado.

O Evangelho de Mateus observa: “A estrela veio descansar no lugar onde a criança estava”. Mathews explica que ela estaria “voltando ao repouso”em Áries – a constelação associada à Judeia, onde estava o Menino Jesus. O pesquisador, então, afirma:

“Neste caso, a estrela que descansou seria o planeta Júpiter (o símbolo de uma régua) que literalmente parou seu movimento retrógrado e ‘parou’ no céu durante seu movimento entre as estrelas. Os outros planetas e a presença do Sol e da Lua teriam fortalecido isso e teriam grande importância para os Magos. É por isso que eles teriam chegado ao tribunal de Herodes para perguntar: ‘onde está o governante recém-nascido da Judeia?'”
No sistema de crenças dos Magos, este foi um acontecimento muito incomum e especial. Naquela época, Áries era o local do “Equinócio Vernal”. O Sol localizado ali era um símbolo de primavera e redenção. A ocorrência da Lua e de Júpiter ali ao mesmo tempo era o símbolo de um destino especial do novo governante. Saturno era o símbolo da vida.

Acontecimento único
De fato, Mathews calculou que tal alinhamento não ocorreria novamente por mais de 16.000 anos, e mesmo assim não estaria na constelação do equinócio vernal. “Foi um acontecimento verdadeiramente único”, afirmou.

Ademais, outro fato intriga Mathews: foram os sacerdotes zoroastrianos os protagonistas da história.

“Esta era uma religião muito antiga que tinha sua própria crença em uma ‘trindade’ e um messias vindouro. Zoroastro significa literalmente ‘luz brilhante’. Eles acreditavam que as estrelas, planetas, Sol e Lua eram símbolos do divino. O olíbano para eles era um símbolo de ‘luz eterna’ usado em suas cerimônias”, afirmou.

Estrela de Belém: presente dos céus
Mathews ainda acrescentou:

“A coisa mais surpreendente para mim sobre essa história é que Deus teria programado Sua chegada para coincidir com o sistema de crenças de um grupo de astrólogos não hebreus. De fato, a astrologia era proibida no sistema de crenças judaico. Isso explica por que ninguém na corte de Herodes sabia da existência da ‘estrela no oriente’, de que falavam os Magos. O que Deus pretendia dizer com isso?”
Mathews acredita, portanto, que a resposta pode ser dupla.

“Uma é que isso simboliza o presente da redenção a todos os povos trazidos pelo Menino Jesus. A outra é algo como uma mensagem pessoal para a humanidade. Como alguém que estuda os céus, posso sentir empatia pelos Magos, pois mesmo na ciência moderna, como foi o caso daqueles astrônomos antigos, exploramos os céus em busca de evidências da criação e do criador. E então, como hoje, Deus é um galardoador daqueles que o buscam de todo o coração. Acredito que os Magos buscaram com todos os seus recursos e sendo a prova do criador de todas as coisas nos céus. E que Deus escolheu recompensar isso.”

N6

A profecia de São Malaquias sobre os papas é verdadeira?

O santo bispo medieval irlandês escreveu a lista profética? Será que estamos mesmo diante do fim da Igreja?
1. São Malaquias existiu realmente e é reconhecido como santo pela Igreja Católica
Diante do risco de classificar todo episódio histórico pouco claro como legendário, a primeira coisa a ser afirmada é que São Malaquias de Armagh, bispo irlandês, é um personagem histórico. O resumo que o Martirologio Romano (catálogo dos santos reconhecidos pela Igreja Católica) faz no dia da sua memória litúrgica, dia 2 de novembro, é o seguinte: “No mosteiro de Clairvaux, na Borgonha, está a sepultura de São Malaquias, bispo de Down e Connor, na Irlanda, que restaurou lá a vida da Igreja; quando se dirigia a Roma, estando neste mosteiro, e em presença do abade São Bernardo, entregou seu espírito ao Senhor (1148)”.

Em um momento difícil para a Igreja na Irlanda, depois de alguns anos de violentas incursões dos bárbaros e de um grande descuido da fé e dos bons costumes, o jovem Malaquias foi ordenado sacerdote, após ter vivido com um eremita. Destacou-se por seu espírito de pobreza e pelo seu zelo evangélico, tornando-se uma referência na vida monástica da sua época; aos 30 anos, foi nomeado bispo de Down e Connor.

Mais tarde, teve de encarregar-se da sede metropolitana de Armagh, enfrentando muitas dificuldades; e quando conseguiu instaurar a paz, voltou à sua antiga diocese. Em uma viagem a Roma, ao passar por Claraval, conheceu São Bernardo e este acabou virando amigo e admirador seu, chegando a escrever sua biografia. Em outra das suas viagens, acabou falecendo, em 1148, precisamente em Claraval, nos braços do iniciador do Cister, que o honrou como santo. Foi canonizado em 1199.

2. São Malaquias foi considerado um santo, visionário e responsável por muitos milagres. Entre suas profecias, foi-lhe atribuída uma lista dos papas desde a sua época até o fim do mundo
Em sua hagiografia, aparecem vários milagres e predições, entre as quais destacam-se a da sua própria morte e algumas sobre a Igreja da sua época, bem como sobre a sua pátria. No entanto, seu nome é vinculado atualmente a uma profecia sobre o papado, que se torna atual em momentos como este, quando se dá a sucessão na sede episcopal de Roma. Trata-se de uma lista de 112 papas, compreendendo o período que vai de Celestino II (que inaugurou seu pontificado em 1130) até o fim do mundo. O mais interessante e enigmático deste vaticínio é que cada papa aparece com um breve lema em latim, o que supostamente reflete sua personalidade ou as circunstâncias históricas do seu ministério.

Assim, se levarmos em consideração os lemas que corresponderiam aos últimos papas, encontraremos “Pastor angelicus” para Pio XII, “Pastor et nauta” para João XXIII, “Flos florum” para Paulo VI, “De medietate lunae” para João Paulo I, “De labore solis” para João Paulo II e, finalmente, “Gloria olivae” para Bento XVI. O último pontífice, número 112, tem como lema “Petrus romanus”, e o texto da profecia é mais explícito que no resto do catálogo: “Na perseguição final da Santa Igreja Romana, reinará Pedro o Romano, quem alimentará seu rebanho em meio a muitas tribulações. Depois disso, a cidade das sete colinas será destruída e o temido juiz julgará seu povo. O fim”. Certamente inquietante.

3. A primeira atribuição da lista de papas a São Malaquias data de finais do século XVI, quase 450 anos depois da sua morte – e tudo indica que ela é falsa
Aqui encontramos algo semelhante ao que acontece com a célebre oração “Fazei de mim um instrumento da vossa paz”, atribuída a São Francisco de Assis – ainda que o texto tenha sido conhecido apenas no século XIX. A primeira aparição da lista de papas, supostamente escrita por São Malaquias, data do ano 1595, quase 450 anos depois da morte do prelado irlandês. Não existe nenhum texto anterior nem, certamente, um manuscrito original ou algo do gênero. Um historiador beneditino, Arnold de Wyon, foi quem publicou o texto profético em 1595, chamando-o de “Uma certa profecia” e atribuindo-o a São Malaquias.

Existem várias razões de peso, além do que já foi dito, para rejeitar a autoria. Por exemplo, o principal biógrafo do arcebispo, São Bernardo de Claraval, conta, em sua obra, os milagres e predições, mas nem sequer menciona a lista de papas. Nenhum autor anterior a 1595 o faz. Não temos dados para rastrear sua origem e, portanto, não sabemos se o monge Arnold achou o texto e o aceitou de forma acrítica ou se foi ele mesmo quem o escreveu. Estamos falando do que, na literatura, se chama “pseudoepigrafia”, isto é, a atribuição de um texto a um autor para que ganhe em autoridade e credibilidade, mas sendo falsa a autoria.

Estudo
Um elemento interno muito interessante na hora de julgar um texto é, além disso, o acerto ou não das predições. O apologista católico Jimmy Akin, de Catholic Answers, fez um estudo exaustivo dos nomes que aparecem na lista de papas e garante, com os dados em mãos, que os anteriores a 1590 alcançam um índice de acerto de 95%, enquanto os posteriores a esta data só são satisfatórios em 8% dos casos. A composição sobre esta data é, portanto, algo mais que provável. Inclusive se apontou que os acertos e erros nos lemas latinos coincidem em grande medida com uma obra escrita no século XVI pelo agostiniano Onofrio Panvinio, “Epitome Romanorum pontificium”.

4. A Igreja nunca aceitou esta profecia, e muitos autores a rejeitaram de forma taxativa
O primeiro aspecto a ser esclarecido, mais uma vez, é que a Igreja considera que as chamadas “revelações privadas” não completam a revelação divina, que foi feita definitivamente em Cristo. Tais revelações ajudam a viver um momento histórico determinado (cf. CIC 67). Ainda que algumas contem com o reconhecimento oficial da Igreja, não têm uma autoridade que exija a fé dos cristãos. Como escreveu em 2000 o então cardeal Ratzinger, quando foi divulgado o terceiro segredo de Fátima, a revelação privada “é uma ajuda que se oferece, mas não é obrigatório fazer uso dela”.

Dito isso, é preciso afirmar que a Igreja Católica nunca aceitou a lista de papas atribuída falsamente a São Malaquias. Desde o seu aparecimento, foram muitos os autores que a rejeitaram como apócrifa. O insigne escritor espanhol Benito Jerónimo Feijoo, beneditino como Wyon, escreveu, em seu “Teatro crítico universal” (1726-1739), no tocante a astrólogos e adivinhos, que seu vaticínio “é aplicável a mil acontecimentos diferentes, usando nisso a mesma arte que os oráculos praticavam em suas respostas e o mesmo recurso utilizado pelo francês Nostradamus em suas predições, bem como quem fabricou as supostas profecias de São Malaquias”. Historiadores como Papebroeck, Ménestrier, Harnock, Thurston e Vacandard criticaram severamente a profecia.

5. O que pensar, então, da profecia falsamente atribuída a São Malaquias?
Alguns podem pensar que há algo de verdadeiro, mas tudo o que parece acerto pode ser considerado apenas como coincidência. Além disso, é preciso levar em consideração que, como no caso de Nostradamus e de tantos outros visionários, emprega-se uma linguagem sibilante ou oracular, suficientemente vaga para que seu acerto se possa demonstrar a posteriori. Basta com ser um pouco hábil, misturando catástrofes e aspectos positivos, para escrever algo que possa ser aplicado a fatos futuros sem muita dificuldade.

Para entender isso, vale a pena lembrar de um exemplo bem conhecido da mitologia clássica: quando Creso, rei de Lídia, no século VI a.C., se preparava para a batalha contra Ciro, rei da Pérsia, consultou o célebre oráculo de Delfos, e recebeu como resposta que, se iniciasse o combate, um império seria destruído. Animado pelo que considerava ser um augúrio de vitória, lançou-se à batalha com outras potências aliadas e acabou derrotado, cumprindo-se assim o vaticínio, mas não como ele havia imaginado, pois foi seu império que desapareceu.

Uma pessoa de fé não pode viver à mercê destes anúncios – nada infalíveis, aliás – que pretendem conhecer o futuro de antemão. Fazer isso seria deixar de lado a confiança na providência de Deus e a responsabilidade humana na construção da história. Só Deus sabe o dia e a hora do final, e por isso a vida na terra está marcada pela virtude da esperança.

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