Português com Pestana

 Salve!


Antes de a Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) ser adotada pelas gramáticas, havia certas classificações diferentes nas gramáticas produzidas até então. Uma delas era “verbo birrelativo”.


Você já ouviu falar em “verbo bitransitivo” (transitivo direto e indireto), certo?


Exemplo:


– Vendi meu carro ao João.

– Informei o cliente da despesa.

– Entreguei o dinheiro para Maria.


Pois é… Na lista de transitividade verbal, há verbo de ligação, intransitivo, transitivo direto, transitivo indireto, transitivo direto e indireto, etc.


– Afinal, Pestana, o que é um verbo BIRRELATIVO?


Pois bem… Antigamente, o verbo transitivo indireto (VTI), aquele que tem como complemento um objeto indireto (OI), era classificado como “verbo relativo”.


Assim, o verbo BIrrelativo é aquele que tem dois objetos indiretos.


Exemplos:


– Ela contribuiu com dinheiro para a instituição.

– O aluno queixou-se do professor ao diretor.


“Pestana, você viaja! Isso não cai em concurso, só em vestibular!”


Sério?! Então tá…


Consulplan – TJMG – Oficial de Apoio Judiciário – 2017


“[…] Mohamed Ahmed as VENDEU a outros combatentes, […]” (9º§) Assinale a alternativa que apresenta verbo que exige, no contexto, o mesmo tipo de complementos que o grifado acima:


a) Floriano desculpou-se do ocorrido a seu superior.

b) O estudo tão procurado, o pesquisador o encontrou.

c) Tendo em vista os últimos acontecimentos, o diretor enviou cartas aos pais e responsáveis.

d) Durante todo o evento não encontramos os responsáveis por tão desagradável inconveniente.


Gabarito: C. Mas observem a letra A (desculpou-se DO ocorrido A seu superior).


Pois é… As bancas estão cada vez mais exigentes.


Bons estudos e muito sucesso!


P.S.: Caso você queira saber mais sobre isso, estude Objeto Indireto no capítulo 20.

– Calma aí, Pest! Com esse título, eu deduzo que aquele papo de “uniformização” da ortografia da Língua Portuguesa não existe…


Mais ou menos… O Acordo Ortográfico não veio para pasteurizar a língua. Algumas diferenças ainda existem, sobretudo entre o PB e o PE.


Vejamos a lista (se alguém notar algum erro, aponte-mo, por favor):


1. A letra C e a letra P em encontros consonantais: em algumas palavras – sim, é sempre bom confrontar dicionários do PB (Houaiss, Aulete, Michaelis) com dicionários do PE (Porto, Priberam) –, a depender da pronúncia empregada, pode-se manter ou não o C ou o P (apresento as palavras a seguir na sequência PB, PE): aspecto e aspeto, cacto e cato, respectivamente e respetivamente, caracteres e carateres, dicção e dição; fato e facto, setor e sector; concepção e conceção, corrupto e corruto, recepção e receção, etc.


2. A letra B, a letra G e a letra M em encontros consonantais (BD/BT, GD, MN): em algumas palavras – sim, é sempre bom confrontar dicionários do PB (Houaiss, Aulete, Michaelis) com dicionários do PE (Porto, Priberam) –, a depender da pronúncia empregada, pode-se manter ou não o B, o G ou o M (apresento as palavras a seguir na sequência PB, PE): súdito e súbdito; sutil e subtil (e seus derivados); amídala e amígdala (e seus derivados); indenizar e indemnizar.


3. Em algumas (poucas) palavras oxítonas terminadas em -e/-o tônico, geralmente provenientes do francês ou japonês, estas vogais, por serem articuladas nas pronúncias cultas – ora como abertas, ora como fechadas –, admitem tanto o acento agudo como o acento circunflexo (eis alguns pares mais usuais do PE e PB, respectivamente): bebé e bebê, bidé e bidê, caraté e caratê, croché e crochê, guiché e guichê, matiné e matinê, nené e nenê, puré e purê, cocó e cocô, judo e judô, metro e metrô.


4. Muito poucas palavras com as vogais tônicas grafadas “e” e “o” em fim de sílaba, seguidas das consoantes nasais grafadas “m” e “n”, apresentam oscilação de timbre nas pronúncias cultas da língua e, por conseguinte, também de acento gráfico agudo ou circunflexo (veja alguns pares do PE e PB, respectivamente): sémen e sêmen, xénon e xênon; fêmur e fémur, vómer e vômer; fénix e fênix, ónix e ônix; pónei e pônei; pénis e pênis, ténis e tênis; bónus e bônus, ónus e ônus, tónus e tônus, Vénus e Vênus.


5. É facultativo assinalar com acento agudo as formas verbais de pretérito perfeito do indicativo, do tipo “amámos, louvámos”, para as distinguir das correspondentes formas do presente do indicativo (amamos, louvamos), já que o timbre da vogal tônica é aberto naquele caso em certas variantes do português. No PE, usa-se com acento. No PB, usa-se sem acento. Se um brasileiro escrever “amámos”, isso não se configurará erro ortográfico, mas gerará tamanha estranheza como se usasse a palavra “autoclismo” no lugar de “descarga” da “sanita” (vaso sanitário).


6. Facultativamente, usa-se “dêmos” (1ªp. pl. pres. subj.), para se distinguir da correspondente forma do pretérito perfeito do indicativo (“demos”); “fôrma” (substantivo), distinta de “forma” (substantivo; 3ª p. sing. pres. ind. ou 2ª p. sing. imp. do verbo formar). No PB só se usa sem acento. Mas vale a mesma observação final do número 5.


7. Levam acento agudo ou acento circunflexo as palavras proparoxítonas, reais ou aparentes, cujas vogais tônicas grafadas “e” ou “o” estão em fim de sílaba e são seguidas das consoantes nasais grafadas “m” ou “n”, conforme o seu timbre é, respectivamente, aberto ou fechado nas pronúncias cultas da língua (veja a sequência PE e PB): académico e acadêmico, anatómico e anatômico, cénico e cênico, cómodo e cômodo, fenómeno e fenômeno, género e gênero, topónimo e topônimo; Amazónia e Amazônia, António e Antônio, blasfémia e blasfêmia, fémea e fêmea, gémeo e gêmeo, génio e gênio,

ténue e tênue.


– Pestana, essas doidices já caíram em prova? Só vi cair no Enem!


Sim, veja:


FGV – SSP/AM – Técnico de Nível Superior – 2015


“Os bebés têm uma necessidade muito grande de interação.”


Sobre os acentos e sinais gráficos presentes nas palavras desse segmento do texto, a afirmação correta é:


a) o vocábulo “bebê” só pode ser grafado com circunflexo;

b) o vocábulo “têm” recebe acento circunflexo por ter som nasal;

c) o vocábulo “têm” mostra número plural por meio do acento circunflexo;

d) no vocábulo “interação”, o til mostra que a vogal a é oral;

e) no vocábulo “bebés”, o acento mostra que a vogal acentuada deve ser pronunciada fechada.


Gabarito: C. Observem as letras A e E.


Um abraço!

Salve, galera!


Uma partícula/expressão expletiva (ou de realce) tem o papel de realçar ou enfatizar um vocábulo ou um segmento da frase. Ela nunca exerce função sintática, tem uso apenas estilístico - ênfase, expressividade. Pode ser retirada da frase sem prejuízo sintático ou semântico.


Exemplos:


– O que QUE ela faz aqui? (O que ela faz aqui?)

– Nós NOS ríamos ERA de nervoso. (Nós ríamos de nervoso.)


Vale dizer que existe um número pequeno de casos. Conheça os principais:


1) Pronomes oblíquos átonos ME, TE, SE, NOS, VOS acompanhados de verbo intransitivo.


– Vou-ME embora amanhã!

– Ele SE deitou cedo, porque SE tremia de medo do escuro.

– Nós NOS sentamos por causa do cansaço.


2) Vocábulo QUE.


– Quase QUE ela desmaia.

– Como QUE vocês fazem isso comigo?! Por que QUE fizeram tamanha covardia?!

– Seguramente QUE passarei na prova!

– Com certeza QUE vou ser classificado em 2018!

– QUE os anjos te protejam, meu filho! (Neste caso, o QUE pode ser interpretado como conjunção integrante antecedida de verbo volitivo ou optativo implícito: “Desejo ou Espero que…”)

– Não sabemos quando QUE ela volta.

– Desde cedo QUE esperavam por nós.

– João estava com Sara, enquanto QUE eu chupava o dedo.

– Não sei quando QUE ela chegará.

– Há muito QUE espero vocês aqui.

– Afinal, qual QUE é a verdade?

– Eu QUE apanho, e ela QUE chora.

– Maria QUE se vire, porque não vou ajudá-la.

– Que chata QUE você é, hein!

– Se não aguenta a pressão, QUE fique em casa.


3) Vocábulos SÓ, LÁ, CÁ, NÃO.


– Vejam SÓ que palhaçada! (esse só não deve ser confundido com o adjetivo, que significa sozinho ou com a palavra denotativa de exclusão, que significa apenas ou somente)

– Olha LÁ o que você vai falar… (não confunda com o advérbio de lugar)

– Tenho CÁ minhas dúvidas. (idem)

– Imagine que inveja eu NÃO causaria se tivesse o dinheiro e a beleza da Angelina Jolie. (não confunda com o advérbio de negação)


4) Verbo SER.


– A criança fez FOI pirraça.

– Elas queriam ERA estar na rua.

– Paulo deseja É casar este ano.


5) Expressão É QUE, É ONDE, É QUANDO.


– O povo É QUE deve cobrar os políticos.

– É o povo QUE deve cobrar os políticos.

– SÃO as pessoas QUE devem cobrar os políticos.

– SERÁ QUE estou tão errado assim?! (Neste caso, pode-se interpretar SERÁ QUE como SERÁ VERDADE QUE ou SERÁ POSSÍVEL QUE [oração principal + conjunção integrante].)

– Na praia de Copacabana É ONDE há belas mulheres.

– Durante a chuva É QUANDO ocorrem mais acidentes de trânsito.


– Beleza, Pest! Mas como cai em concurso?


FEPESE – PC/SC – Escrivão de Polícia Civil – 2017


– Assinale a alternativa correta, quanto às classes morfológicas ou funções sintáticas da palavra “se” em destaque nas orações abaixo:


a) O menino feriu-SE com a faca. (pronome apassivador)

b) Vive-SE bem nesta cidade. (palavra expletiva ou de realce)

c) Manuel sempre SE pergunta isso. (objeto indireto)

d) Os professores cumprimentaram-SE alegremente. (objeto indireto)

e) Passaram-SE vários anos. (conjunção subordinada integrante)


Gabarito: C. (O “se” é expletivo na letra E.)


FUNCAB (atual IBADE) – CRC/RO – Contador – 2015


– O vocábulo QUE é uma partícula expletiva em:


a) “Não contou também que estranhou o andar do Pai”

b) “ia conversar com o passarinho que se punha tão manso”

c) “(que Deus o tenha!)”

d) “desprendeu-se uma pequenina pena amarelo-acinzentada que o vento delicadamente fez voar.”

e) “mas por que ele andava agora desse jeito?”


Gabarito: C.


COPEVE/UFAL – UFAL – Técnico em Assuntos Educacionais – 2014


Não se vá!

Eu já não posso suportar

Esta minha vida de amargura

Não se vá!

Estou partindo porque sei

Que você já não mais me ama…


Não se vá – Jane e Herondy.


– Na letra da música de Jane e Herondy, o “se” da frase “não se vá” funciona como


a) partícula expletiva.

b) pronome reflexivo.

c) parte integrante do verbo.

d) índice de indeterminação do sujeito.

e) conjunção subordinativa condicional.


Gabarito: A.


Cespe – PC/BA – Investigador – 2013


– Em “Com base nesses encontros é que podem ser planejadas e desenvolvidas ações que permitam o acesso”, a retirada da expressão de realce “é que” e a colocação de vírgula após o segmento “Com base nesses encontros” não acarretariam prejuízo gramatical ao período.


Gabarito: certo.


Espero ter ajudado! 😉


______________________


P.S.: Cuidado com a conjunção comparativa QUE. Antes dela, costuma aparecer um DO, que é expletivo: “Maria é mais inteligente DO QUE João” (Maria é mais inteligente QUE João).

Salve!


Se você é concurseiro, e ainda não sabe o que é SINTAGMA, então você precisa “acordar para a vida”!


Sabe por quê?


Simples! De 2015 a 2017, já caíram cerca de 60 questões sobre isso nas bancas INSTITUTO AOCP, FUMARC, QUADRIX, IBADE (ex-Funcab), CESPE, FUNIVERSA, FUNRIO, etc. Pode pesquisar em qualquer site questões de concursos.


Dito isto, anote aí no seu caderninho o que raios é SINTAGMA.


“Dentro da oração, é um conjunto de vocábulos (ou um vocábulo só) que mantêm relação direta com um núcleo, formando um grupo que constitui um termo sintático: sujeito, predicado, predicativo, objeto, complemento nominal, agente da passiva, adjunto adnominal, adjunto adverbial, aposto, vocativo.”


Existem cinco tipos de SINTAGMA, sendo o primeiro tipo o mais comum em concursos. Vejamos!


1) NOMINAL: o núcleo é sempre um termo de valor substantivo (substantivo, pronome, numeral, verbo substantivado…) e os termos ao redor do núcleo podem ser artigo, pronome, numeral, particípio, adjetivo, locuções ou orações subordinadas adjetivas; esse sintagma exerce função sintática de sujeito, predicativo, objeto (direto ou indireto), aposto e vocativo. Veja os exemplos:


– “CONJUNÇÃO” é o assunto mais importante de todos!

– “Os ALUNOS do Pestana” estão preparados para fazer “todas as PROVAS”.

– Português e Matemática são “as duas MATÉRIAS que mais me causam dificuldade”.


2) ADJETIVAL: o núcleo é sempre um adjetivo e os termos ao redor do núcleo podem ser um advérbio de intensidade ou um complemento nominal exigido pelo núcleo; muitas vezes esse tipo de sintagma vem dentro dum sintagma nominal e exerce função sintática de predicativo (do sujeito ou do objeto) ou adjunto adnominal. Veja o exemplo:


– Certos alunos “pouco INTELIGENTES” são “CAPAZES de surpreender-nos”.


3) VERBAL: o núcleo é sempre um verbo (ou locução verbal) e os termos ao redor (quando há) fazem parte do predicado; sempre constitui o predicado (verbal ou verbo-nominal). Veja os exemplos:


– “CHOVEU demais em SP”.

– João “ESTÁ meio chateado”.

– Os candidatos “HAVIAM ENTREGADO a prova ao fiscal”.


4) ADVERBIAL: o núcleo é sempre um advérbio, locução ou oração subordinada adverbial, que pode ser modificado por outro advérbio; exerce função sintática de adjunto adverbial. Veja o exemplo:


– “ONTEM”, ela chegou “muito CEDO”.


5) PREPOSICIONAL: o núcleo é sempre uma preposição ou uma locução prepositiva; introduz termos que exercem as seguintes funções sintáticas: predicativo, objeto indireto, complemento nominal, agente da passiva, adjunto adnominal, adjunto adverbial, aposto. Veja os exemplos:


– Gosto “DE pessoas inteligentes”.

– A casa foi incendiada “POR vândalos”.

– Recusaram “COM delicadeza” o convite.


É isso…


Você percebeu que um tipo de sintagma pode vir dentro de outro sintagma? Se não percebeu, leia novamente. 😉


P.S.: Há alguns autores que dizem não haver um “núcleo” no sintagma preposicional. No entanto, nunca vi cair esse tipo de sintagma em concursos públicos, mas os vestibulares cobram muito.

Salve!


Galera, o adjetivo é uma classe gramatical que só exerce duas funções sintáticas na frase:


1) adjunto adnominal

2) predicativo


Veja estas frases:


– O homem ansioso chegou.

– O homem chegou ansioso.


Nas duas frases, ansioso é um adjetivo. Na primeira, vem ao lado do nome, logo é um adjunto adnominal. Na segunda, não vem ao lado do nome, logo não pode ser adjunto adnominal, e sim predicativo.


Note que há uma mudança de sentido também: o adjunto adnominal normalmente indica uma característica inerente ao ser; já o predicativo indica uma característica transitória ou atribuída.


Por isso, aponte qual é o predicativo:


1- Adquiri um imóvel antigo.

2- Após a avaliação, considerei o imóvel antigo.


Gabarito!!!


1. Adjunto adnominal.


2. Predicativo.


Abs! 

Salve, galera!


A forma verbal VINDO vem do verbo VIR. Ela é usada tanto para o particípio como para o gerúndio desse verbo, diferentemente dos demais verbos, nos quais o gerúndio e o particípio são diferentes. Não existe a forma VIDO, que seria o particípio.


Veja: “Ela estava vindo para somar” (gerúndio – equivale a “Ela estava chegando para somar”); “Ela tem vindo muito aqui” (particípio – equivale a “Ela tem retornado muito aqui”).


Como INTERVIR é derivado do verbo VIR, consequentemente seu particípio e gerúndio também são iguais: INTERVINDO.


Para diferenciar o particípio do gerúndio, sugiro substituir por um verbo sinônimo de VIR: deslocar(-se), dirigir(-se), aparecer, voltar, retornar, chegar.


Agora aplique um desses verbos às frases. Se a forma resultar em gerúndio, já sabe que VINDO é gerúndio. Se a forma resultar em particípio, já​ sabe que VINDO é particípio.


Veja:


– O lixo estava vindo/dirigindo-se/voltando para o aterro sanitário.

– O lixo tem vindo/chegado/voltado todos os dias para o aterro.

– Vindo/Chegando/Deslocando-se até mim, ele receberá sua recompensa.


SUCESSO! 😉

Salve, galera!


ANEXO é um adjetivo e concorda com o substantivo em gênero e número.


Os exemplos a seguir servem para “apenso” (muito comum no direito) e “incluso” também, ok?


– Segue ANEXO o documento.

– Seguem ANEXOS os documentos.

– Segue ANEXA a nota fiscal.

– Seguem ANEXAS as notas fiscais.

– ANEXAS ao e-mail seguem as imagens.


O gramático Cegalla nos ensina uma valiosa lição: “Por ser adjetivo, não deve ser usado como particípio de anexar, no lugar de anexado, porque o verbo anexar não é um verbo abundante com duas formas de particípio, como aceitar (aceitado/aceitado), salvar (salvado/salvo), entregar (entregado/entregue), expulsar (expulsado/expulso), soltar (soltado/solto), prender (prendido/preso) etc., possui apenas o particípio regular. Diga-se, portanto: “O documento foi ANEXADO (e não anexo) ao processo”.


É igualmente correta, apesar de divergências entre alguns estudiosos, a expressão invariável EM ANEXO:


– Seguem EM ANEXO os arquivos.


Veja uma questão:


FUNRIO – IF/PA – Revisor de Texto – 2016


– O professor pediu aos alunos que lhe mandassem por e-mail pequenos resumos dos dois livros discutidos em aula, mas aproveitou para incluir uma questão gramatical: era obrigatório usar a palavra “anexo” na mensagem. Qual das alternativas abaixo mostra o trecho da mensagem que atendeu corretamente o pedido do professor e está de acordo com as normas da língua-padrão?


a) Professor, segue anexo os dois resumos pedidos.

b) Mando-lhe em anexo os dois resumos pedidos.

c) Anexos os resumos pedidos, encaminho-los a vós.

d) Enviam-se em dois anexos com o que foi pedido.

e) Vou estar enviando agora os dois resumos anexados.


Gabarito: B.


Fui!

Salve, galera!


E aí?


“SE” – PRONOME REFLEXIVO (PR) x PARTE INTEGRANTE DO VERBO (PIV)


Sim. Vamos morrer e ficar com dúvida entre um e outro. Sim. Português não é Matemática, é uma ciência humana, logo nem sempre é preciso haver uma verdade absoluta sobre certos fatos linguísticos. Sim, a verdade é relativa. O que as provas de concursos fazem é justamente o contrário: elas cobram, frequentemente, classificações gramaticais como verdades absolutas, como C/E. Mas nem tudo é preto ou branco. Se uma banca expõe algo cinza e pede que você aponte se é preto ou branco, a culpa não é sua nem minha, é dela. “Ah! Mas o que me importa é acertar a questão, Pestana!”. Sim. A minha intenção também é que você acerte a questão. Agora, se uma banca resolve dar um gabarito contestável/errado e não anula, a culpa não é nossa — nem minha nem sua.


Feitas as devidas considerações, vamos ao que interessa: como diferenciar pronome reflexivo (PR) de parte integrante do verbo (PIV)?


Venha comigo! 😉


PRONOME REFLEXIVO


O SE só pode ser considerado 100% reflexivo se a ação praticada pelo sujeito incidir sobre si mesmo. Além disso, o verbo tem que ser necessariamente TD ou TDI, pois o SE PR sempre vai exercer função sintática de OD ou, mais raramente, OI.


– João se feriu com a navalha. (Equivale a “João feriu João com a navalha”, que equivale a “João foi ferido por João com a navalha”. Ele feriu a si mesmo, sacou?)


– Maria se impôs uma severa dieta. (Equivale a “Maria impôs à Maria uma severa dieta”, que equivale a “Uma severa dieta foi imposta à Maria pela Maria”. Ela impôs uma dieta severa a si mesmo, sacou?)


Nesses casos, o SE é evidentemente PR. Os verbos nesses casos costumam ser chamados de “verbos pronominais reflexivos”. Fechado? Blz!


PARTE INTEGRANTE DO VERBO


O SE integrante do verbo (PIV) é um “falso reflexivo”, pois não indica reflexividade evidente, uma vez que não se pode imaginar que o sujeito do verbo acompanhado de PIV exerce uma ação voluntária e intencional sobre si mesmo. Além disso, o SE PIV não exerce função sintática de nada.


– João se queixou de nós. (Equivale a “João queixou João de nós” ou “João foi queixado de nós por João”??? Claro que não!!! Essas construções loucas não são Português.

O mesmo ocorre com verbos como arrepender-se e zangar-se, é impossível você zangar ou arrepender alguém, você se arrepende e se zanga.


Percebeu como é impossível interpretar o SE como reflexivo? Logo, o SE é PIV, pois ele serve de apêndice para a conjugação verbal (eu me queixo, tu te queixas, ele se queixa, nós nos queixamos…). Chamamos a esse tipo de verbo de “verbo essencialmente pronominal”. É importante dizer que esse tipo de verbo é normalmente intransitivo ou transitivo indireto (eventualmente de ligação, como tornar-se), mas nunca é transitivo direto ou transitivo direto e indireto. Saber esse detalhe é importante para diferenciar PIV de PR, hein!


O MOTIVO DA CONFUSÃO ENTRE “PR” E “PIV”


Na maioria das vezes, a dificuldade se dá porque o aluno tenta substituir o SE por A SI MESMO. Nessa troca, às vezes, dá-se a impressão que a permuta é perfeita. Mas não é. Por exemplo, quando se diz assim “Ele se levantou da cadeira”, muitos vão fazer assim: “Ele levantou a si mesmo da cadeira”. E vão achar que essa é uma frase legítima e que o SE é PR. No entanto, não é PR, e sim PIV.


Raciocine: quando se diz que alguém se levantou da cadeira, isso não quer dizer que ele pegou a si mesmo pelos braços (sei lá, rs) e se ergueu da cadeira. Não! “Levantar-se” é uma ação espontânea e individual. Logo, não há reflexividade, pois o indivíduo não está sofrendo a ação de ser levantado.


Sim. É uma sutileza, mas ela existe e é determinante para a classificação do SE como PR ou PIV. Em “levantar-se”, o SE é, portanto, PIV. Percebeu? (Não? Então leia de novo.)


Vou além… para ficar mais claro ainda: o que normalmente causa dificuldade são os verbos ACIDENTALMENTE pronominais, como é o caso de “levantar-se”, a saber: aqueles que NÃO SÃO, POR NATUREZA, acompanhados de SE PIV. Mas, quando mudam de transitividade — normalmente de VTD para VI/VTI —, passam a verbos acompanhados de SE PIV. (Essa questão da mudança de transitividade é o cerne da questão!) Veja:


– João esqueceu a carteira. (VTD)

– João esqueceu-se da carteira. (VTI; SE PIV)

– João casou ontem. (VI)

– João se casou com Maria. (VTI; SE PIV)

– João concentrou sua energia. (VTD)

– João se concentrou para lutar. (VI; SE PIV)


Para ver mais exemplos de verbos assim, consulte o capítulo 29 da minha gramática, em Regência Verbal, Pontos Importantíssimos.


VAMOS EXERCITAR!


A partir das explicações acima, aponte o SE corretamente, usando PR ou PIV.


1. João matou-se.

2. João suicidou-se.

3. João feriu-se nos espinhos.

4. João se afogou no lago.

5. João zangou-se com o irmão.

6. João se afastou do fogo.

7. João arremessou-se sobre o inimigo.

8. João se informou acerca de política.

9. João se deitou na cama.

10. João orgulha-se de ser judeu.

11. João se arrependeu do vacilo.

12. João atreveu-se a empreender.

13. João derreteu-se com a homenagem.

14. João se destacou na competição.

15. João se tornou médico.


Gabarito!!!


1. PR

2 a 15. PIV

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P.S.: Correndo por fora, ainda há o SE chamado de partícula expletiva, que pode gerar certa dúvida, mas ela é dissipada, pois existe um número finito de verbos acompanhados de SE expletivo, todos como intransitivos: ir, ficar, tremer, morrer, passar… Ah! Estudem firme o capítulo 31 dA Gramática!

Salve, galera!


Observe as frases abaixo:


– Ana está NO JARDIM.

– Carlos está À JANELA.

– Pedrinho está SOB A CAMA.


– Financeiramente, Joana está NA RUÍNA.

– O livro está À VENDA.

– A situação está SOB CONTROLE.


Percebeu alguma diferença?


Nas três primeiras frases, os termos destacados respondem à pergunta ONDE? (Onde Ana está? NO JARDIM). Logo, são adjuntos adverbiais de lugar. Consequentemente o verbo ESTAR não é de ligação, e sim intransitivo. O predicado é verbal. Em 'João fugiu da loja com medo', segundo Sacconi, o verbo fugir é transitivo indireto, apesar de comportar a pergunta com o advérbio onde, porque era intransitivo em latim, isto é, era seguido de ablativo, e não de dativo.


Nas outras três frases, os termos destacados não respondem à pergunta ONDE?. Tente! não vai conseguir. Sabe por quê? É simples: não indicam lugar, e sim uma condição, um atributo ou uma situação. Logo, são predicativos do sujeito, e o verbo ESTAR é de ligação. O predicado é nominal.


Portanto, analise bem antes de bater o martelo.


Agora, para fechar o caixão, diga aí qual frase apresenta predicado verbal (PV) e qual apresenta predicado nominal (PN):


1) Maria está na cama.

2) Maria está de cama.


.


.


.


Gabarito:


1) PV / 2) PN


Para dominar completamente o assunto, devore o capítulo 19.

Salve, galera!


Tais vocábulos são ora adjetivos, quando caracterizam substantivos; ora advérbios, quando caracterizam verbos.


Exemplos:


– Os combustíveis estão cada vez mais BARATOS, no entanto a comida está mais CARA. (adjetivo)

– Os produtos custam 30% mais CARO? (advérbio de preço)


Curiosidade: é inadequado dizer “preço barato, preço caro”, pois as coisas é que são caras ou baratas… caso você queira falar algo sobre os preços, diga somente “preço alto, baixo, módico, exorbitante, extorsivo, abusivo etc.”.

Salve, galera!


A expressão correta é com acento grave. Veja.


Significa, poeticamente falando, entregar alguém à luz (à vida). O verbo “dar” é transitivo direto e indireto. Por isso está errada a seguinte construção: “Ela deu a luz a um bebê​”. lindo”. O certo é “Ela deu à luz um bebê lindo”, em que “um bebê lindo” é o objeto direto e “à luz”, o indireto. É usado para seres humanos, evitando parir, que é ofensivo para pessoas, e recomendado apenas para animais. Além de ser usado no sentido de ter um filho, pode ser usado no sentido de publicar uma obra, editar, criar ou produzir.


Simples assim! 😉

Salve, galera!


Pergunta: O que os segmentos entre vírgulas, abaixo, têm em comum?


1) A mulher, nua e solitária, tirava fotos de si mesma.

2) A casa, às dez horas da manhã, estará fechada.

3) O restaurante, meu amigo, está dando lucro.

4) O carro, que estava na oficina, era novinho.

5) A vida, quando é bem vivida, só gera prazer.


Resposta: Nenhum deles é aposto!


1) Predicativo do sujeito, pois aposto nunca é formado por adjetivo, e sim por núcleo de valor substantivo; o predicativo do sujeito é que pode ser constituído por adjetivo.

2) Adjunto adverbial de tempo.

3) Vocativo.

4) Oração subordinada adjetiva explicativa (o aposto oracional é a oração subordinada substantiva apositiva, a adjetiva equivale a um adjunto adnominal oracional).

5) Oração subordinada adverbial temporal.


PORTANTO, VIU ALGO ENTRE VÍRGULAS? RESPIRE FUNDO E PENSE: É APOSTO MESMO???

Salve, galera!


“Os textos deverão ser entregues A CANETA (ou À CANETA)”??? (LEIA!)


O termo “à caneta” é um adjunto adverbial de instrumento/meio de núcleo feminino introduzida pela preposição “a”, assim como “à bala, à mão, à tinta, à faca, à vela, à lenha”…


Nesse caso, apesar de controvérsias entre alguns estudiosos, não são poucos os gramáticos que recomendam, visando à clareza, o acento grave. Logo, eles não desabonam o uso do acento em À CANETA.


Por força da tradição e por razões didáticas influenciadas pelo uso de grandes penas da literatura brasileira, muitos gramáticos estabeleceram que o mais sensato é marcar com acento grave locuções desse tipo.


Conheça alguns estudiosos consagrados que ensinam isso ou reconhecem, no mínimo, a correta dupla possibilidade (com ou sem acento grave):


1) Evanildo Bechara (confira: http://www.academia.org.br/artigos/barco-vela-ou-barco-vela; veja também sua recomendação explícita no capítulo de preposição de sua gramática, mais especificamente na parte de “Emprego do à acentuado”);

2) Maria Helena de Moura Neves (no verbete “a bala, à bala” do livro “Guia de uso do Português”);

3) Carlos Nogué (no capítulo de crase, em caso especial);

4) Celso Pedro Luft (no verbete “crase” do livro “ABC da Língua Culta”);

5) Ernani Garcia dos Santos e Alessandra Figueiredo dos Santos (no capítulo de crase do seu livro “A Língua Portuguesa sem mistério”);

6) José Marques da Cruz (no capítulo de crase do seu livro “Português Prático – Gramática”);

7) Eduardo Carlos Pereira (na parte de preposição do seu livro “Gramática Expositiva – Curso Superior”);

8) Rocha Lima (no capítulo de crase de sua gramática);

9) Luiz Antonio Sacconi (no capítulo de regência nominal/crase do livro “Nossa Gramática – Teoria e Prática”);

10) Amini Boainain Hauy (no capítulo de crase do livro “Gramática da Língua Portuguesa Padrão”);

11) Faraco & Moura (no capítulo de crase de sua gramática).


Se a referência a todos os gramáticos acima não é suficiente, confira estas duas questões de bancas que comprovam a visão deles:


BANCA FUNCAB – CODATA – ANALISTA DE INFORMÁTICA – 2013


– Nos adjuntos adverbiais de meio ou instrumento, até há bem pouco tempo só se admitia o acento indicativo de crase se houvesse ambiguidade na frase. Modernamente, porém, os gramáticos estão admitindo tal acento em qualquer circunstância, mesmo não ocorrendo ambiguidade. Dentre as alternativas abaixo, tendo sido usado ou não o acento grave, qual a frase que exemplifica essa afirmação?


a) “[…] este ano não vou à França […]”

b) “[…] pedia à minha heroica esposa que o levasse […]”

c) “[…] ter de fazer correções a caneta […]”

d) “[…]movido a querosene ou coisa semelhante.”

e) “[…] aconselho você a esperar mais um pouco.”


Gabarito: C. Vou-me ater apenas à letra C. Pode ser “à caneta” ou “a caneta”, isto é, ambas as construções são corretas.


Banca Acesso Público – Colégio Pedro II – Assistente em Administração – 2015


– O funcionário encarregado de fazer as placas encomendadas pelos clientes não sabia as regras de emprego do acento de crase e, por isso, só acertou o texto de uma das placas. Qual delas?


a) COSTURA-SE À MÃO.

b) LAVA À JATO.

c) COMIDA À QUILO.

d) CAMINHÕES À FRETE.

e) REFEIÇÕES À DOMICÍLIO.


Gabarito: A. Isso comprova a visão dos estudiosos supracitados.


Portanto, se alguma banca vier de gracinha, querendo doutrinar que a frase do título desta postagem só está correta sem acento, mande este texto para ela parar de fazer m&#%@! 😛


Bons estudos! 😉

Salve, galera!


Pelo visto, cada vez mais, as bancas vêm adotando a visão dos dicionários de regência verbal sobre a classificação da transitividade de um verbo.


Por exemplo, muito provavelmente você aprendeu na escola ou no cursinho que, nas frases abaixo, o verbo é intransitivo, seguido de ADJUNTO ADVERBIAL, certo?


– Cheguei AO SÍTIO.

– Retornei DA PRAIA.

– Moro EM MOSSORÓ.

– Sentou(-se) SOBRE A MESA.


Então… É como sempre digo… “Português não é Matemática”…


Entenda: para um grupo de gramáticos, os verbos acima são intransitivos, seguidos de adjunto adverbial; no entanto, em dicionários de regência verbal, como o do Celso Pedro Luft, os verbos são transitivos indiretos. Não é 1+1=2.


Por que há essa divergência?


Simples: esse imbróglio existe porque, em língua portuguesa, se pode dar mais de uma interpretação a certas estruturas linguísticas, porque Português não é uma ciência EXATA, e sim HUMANA.


Portanto, 1) pode-se interpretar que os verbos acima são intransitivos, uma vez que os termos que os seguem podem ser interpretados como adjuntos adverbiais e 2) pode-se interpretar que os verbos acima são transitivos indiretos por exigirem complementos preposicionados (objeto indireto), por mais que o complemento tenha um valor semântico circunstancial (à feição de um adjunto adverbial). Por fim, 3) alguns gramáticos, acertadamente, vão dizer que o verbo é VTI e esse tipo de complemento com valor adverbial deve ser classificado como “complemento circunstancial”, mas nunca vi essa análise cair em prova nenhuma, a não ser para especialização, mestrado ou doutorado para professor do estado, do município ou da escola federal ou curso de letras.


Eu, Pestana, gosto mais da última análise, a que não cai em prova. Mas, entre ficar com a primeira e ficar com a segunda, prefiro a segunda – e é assim que os dicionários de regência verbal ensinam.


Diante de uma questão assim, fique sempre de olho nas alternativas, tente ir por eliminação, pois nunca sabemos qual visão a banca pode adotar. De qualquer modo, conheço duas bancas que já trabalharam isso, ficando com a segunda visão: FCC e IDECAN. Até onde sei, nenhuma banca além das mencionadas já se aventurou nesse terreno pantanoso, tomando partido desta ou daquela visão.


Sim, todo dia é dia de aprendizado! É assim que acumulamos conhecimento. É assim que aumentamos nossas ferramentas para ter sucesso no dia da prova!


Bons estudos!

Salv, galera!


Quando dois ou mais adjetivos determinarem um substantivo, haverá duas possibilidades de concordância: o substantivo fica no plural e os adjetivos no singular ou tudo fica no singular, mas se põe um determinante (normalmente artigo, mas também pode ser um pronome ou numeral) antes do substantivo e antes do segundo adjetivo. Veja:


– As polícias civil e militar formaram uma parceria.

– A polícia civil e a militar formaram uma parceria.


Modernamente, entende-se que, na última frase, o último artigo pode ser retirado: “A polícia civil e militar formou uma parceria”. Quem defende isso é o gramático Evanildo Bechara. Sobre isso, diz ele: “O vocábulo determinado irá para o plural ou ficará no singular, sendo, neste último caso, facultativa a repetição do artigo, apesar de a não repetição ser ambígua: as literaturas brasileira e portuguesa, ou a literatura brasileira e portuguesa, ou a literatura brasileira e a portuguesa”.


Veja uma questão sobre este tópico:


Cespe/UnB – TJ/ES – ANALISTA JUDICIÁRIO (LETRAS) – 2011


– Com o emprego de “os contextos” (leva em conta os contextos histórico, político, econômico, cultural e social), no plural, generaliza-se o significado desse termo, que, em seguida, é especificado por meio do trecho “histórico, político, econômico, cultural e social”; estariam preservadas a coerência e a correção gramatical do texto caso se empregasse o referido termo no singular – o contexto.


( ) CERTO

( ) ERRADO


Gabarito: certo. Observe que a banca Cespe UnB ficou com a visão do Bechara, ou seja, considerou correta a seguinte construção: o contexto histórico, político, econômico, cultural e social.


Fique de olho! 

Salve, galera!


Um amigo me mandou esta frase perguntando qual é a função sintática de ASSIM.


Aprendemos em sala de aula que advérbio sempre exerce função de adjunto adverbial, certo? Então… isso é o que se ensina na página 1. Na página 2, vemos que não é bem assim que a banda toca.


Alguém poderia analisar a frase-título desta postagem assim: sujeito + verbo intransitivo + adjunto adverbial. Ou seja, como o “assim” é um advérbio e advérbio só pode (só e somente só, como a regra do raciocínio lógico, se e somente se) exercer função de adjunto adverbial, consequentemente o verbo SER não pode ser de ligação, tornando-se intransitivo no contexto frasal.


No entanto, esta análise está errada. Vou repetir: ERRADA!!! Mais uma vez: E-R-R-A-D-A!


Entendeu ou quer que eu repita? 😀 😛 Não tem outra, não tem o mundo da margarina!


Vamos aos fatos gramaticais…


1) Os dicionários de regência verbal só analisam o verbo SER como intransitivo quando ele tem sentido de existir ou ocorrer, o que não é o caso do verbo SER da frase “Os dias eram assim”. Quer um exemplo real de verbo SER intransitivo? Ei-lo: “Se não fosse Jesus, eu estaria morto” (Se Jesus não existisse na minha vida, eu estaria morto). Mais um exemplo? Ei-lo: “A aula será no dia 10?” (A aula ocorrerá no dia 10?).


2) Advérbio PODE exercer função de predicativo do sujeito, desde que indique um estado ou uma característica do sujeito ligado por verbo de ligação, que é exatamente o que ocorre em frases como “Ela estava bem” e “Os dias eram assim (o “assim” indica uma característica ou estado, equivalendo a qualquer adjetivo em substituição a ele, como em “Os dias eram assim [bons, ruins, confusos, incríveis, conturbados, lindos, etc.]”). Os gramáticos e linguistas consagrados que ensinam isso são estes: Evanildo Bechara, Celso Pedro Luft, Francisco Fernandes, Napoleão Mendes de Almeida, Claudio Cezar Henriques, Walmírio Macedo, Eduardo Carlos Pereira, Maria Helena de Moura Neves, José R. Macambira. Os demais gramáticos absolutamente nada falam sobre tal estrutura, mas também não desabonam a análise dos já mencionados.


Resumo da ópera?


Os dias: sujeito.

Eram: verbo de ligação.

Assim: predicativo do sujeito.


— Mas, Pestana, o que dizem as bancas de concursos?


Infelizmente, ainda não encontrei nenhuma questão de banca alguma sobre isso, mas, se você encontrar alguma, por favor, avise-me e pergunte lá no posto Ipiranga! Contra fatos não há argumentos, logo tanto faz como tanto fez.


Grande abraço! 


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