Português com Pestana (5)

 Salve, galera!


Independentemente da tal “licença poética”, observe os trechos abaixo como um exercício de


1) ♫ Eu nasci há dez mil anos atrás ♫ (Raul Seixas)

2) ♬ Beija eu, beija eu, beija eu, me beija ♬ (Marisa Monte)

3) ♪ Baixa essa guarda e encurta a distância que existe entre eu e você ♪ (Grupo Revelação)


E aí, percebeu alguma coisa? Saberia explicar os erros gramaticais? Vejamos!…


1) A forma verbal “há” indica tempo decorrido, logo é pleonasmo vicioso o uso de “atrás” para indicar a mesma ideia de tempo passado, é o mesmo que dizer '24 horas por dia', 'acabamento final', 'amanhecer o dia', 'assessor direto', 'autocontrolar-se', 'anexo junto à carta', 'adiar para depois', 'brisa matinal da manhã', 'cego dos olhos', 'certeza absoluta', 'comparecer pessoalmente', 'consenso geral', 'conclusão final', 'conviver junto', 'criar novos', 'consultoria especializada', 'duas metades iguais', 'despesas com gastos', 'demente mental', 'déficit negativo', 'demasiadamente excessivo', 'deferir favoravelmente', 'detalhes minuciosos', 'de sua livre escolha', 'dupla de dois', 'decapitar a cabeça', 'elo de ligação', 'encarar de frente', 'evidência concreta', 'estreia pela primeira vez', 'exultar de alegria', 'empréstimo temporário', 'erário público', 'experiência anterior', 'expectativa futura', 'escolha opcional', 'estrelas do céu', 'fato real', 'goteira no teto', 'gritar alto', 'fone de ouvido', 'hemorragia de sangue', 'hepatite do fígado', 'hábitat natural', 'infarto do coração', 'infiltrar-se para dentro', 'juntamente com', 'limite extremo', 'manter o mesmo', 'medidas extremas de último caso', 'modelo de referência', 'maluco da cabeça', 'monopólio exclusivo', 'multidão de pessoas', 'novo lançamento', 'número exato', 'pessoa humana', 'prefeitura municipal', 'protagonista principal', 'preconceito intolerante', 'propriedade característica', 'planejar antecipadamente', 'países do mundo', 'regra geral', 'repetir de novo', 'reapresentar novamente', 'recordar o passado', 'retrospectiva passada', 'resultado do laudo', 'retornar de novo', 'sorriso nos lábios', 'sua própria autobiografia', 'surpresa inesperada', 'superávit positivo', 'surdo do ouvido', 'todos foram unânimes', 'última versão definitiva', 'urgência urgentíssima', 'um mês de mensalidade', 'verdade verdadeira', 'vereador da cidade / da Câmara Municipal', 'viúva do falecido'. Ou se usa “há”, ou se usa “atrás”. É claro que a musicalidade se perderia com a correção gramatical, mas, obedecendo estritamente à norma culta, a frase deveria estar assim: ♫ Eu nasci há dez mil anos ♫ ou ♫ Eu nasci dez mil anos atrás ♫.

Pleonasmo vicioso - repetição desnecessária, não intencional e sem valor estilístico

2) Pronome pessoal do caso reto (“eu”) não pode ocupar posição de complemento nem de adjunto, logo deveria ser usado o pronome pessoal oblíquo átono (“me”). Além disso, como a vírgula antes de “me” não separa uma expressão intercalada anterior, o pronome deveria ficar depois do verbo (ênclise). É claro que a musicalidade se perderia um pouco com a correção gramatical, mas, obedecendo estritamente à norma culta, a frase deveria estar assim: ♬ Beija-me, beija-me, beija-me, beija-me ♬.


3) Depois de preposição, não se usa pronome pessoal do caso reto (“eu”), e sim pronome pessoal oblíquo tônico (“mim”). Além disso, em obediência à uniformidade de tratamento, como o locutor se refere ao interlocutor usando verbos na 2ª pessoa do singular, o pronome não pode ser “você”, e sim “ti”. É claro que a musicalidade se perderia com a correção gramatical, mas, obedecendo estritamente à norma culta, a frase deveria estar assim: ♪ Baixa essa guarda e encurta a distância que existe entre mim e ti ♪ ou ♪ Baixe essa guarda e encurte a distância que existe entre mim e você ♪.


Sim, a licença poética tem uma importância enorme na linguagem artística, sobretudo para manter a musicalidade/ritmo, porque em texto literário pode tudo, é Bombril, 1001 utilidades, mas na redação acaba essa farra do tanto faz, volta o depende. No entanto, fique ligado também na norma culta!

Salve, galera!

Em frases como “Quem lê, sabe mais”, “Quem espera, sempre alcança”, “Quem com ferro fere, com ferro será ferido”, “Quem gosta, gosta de…”, “Quem concorda, concorda com…”, é normal vermos a vírgula sendo usada separando o sujeito do predicado. Mas isso é certo?

Segundo todos os gramáticos e estudiosos que eu conheço, só dois (Luiz Antonio Sacconi e Claudio Moreno) dizem que a vírgula pode ser colocada entre o sujeito oracional iniciado por “Quem” e o seu predicado. Logo, as frases acima não podem ser consideradas categoricamente erradas, pois existe divergência entre estudiosos da língua. Eu mesmo, Pestana, ora uso a vírgula, ora não uso, nesse caso específico, pois assim faziam autores insuspeitos, como Machado de Assis. Aí você me pergunta: “Pestana, eu sou concurseiro; isso já caiu ou pode cair em prova de concurso? O que eu devo fazer na hora se cair algo do tipo?”. Já caiu numa prova da FCC, mas a vírgula foi considerada ERRADA! Pode cair de novo, em outra banca, e você tem de ficar atento, analisando todas as opções e marcando a melhor resposta. Se as bancas não trabalhassem em cima de polêmicas, eu não teria de falar delas, mas quem está na chuva…

Sugestão: leia o capítulo 27 da minha gramática. Nas páginas iniciais, em que eu falo de vírgula proibida, esclareço o assunto!

 

Bem-vindo à Língua Portuguesa!

Salve, galera!


Cuidado com os verbos SER e IR!


Esses dois verbos são idênticos na conjugação dos seguintes tempos: pretérito perfeito do indicativo (fui, foste, foi, fomos, fostes, foram), pretérito mais-que-perfeito do indicativo (fora, foras, fora, fôramos, fôreis, foram), pretérito imperfeito do subjuntivo (fosse, fosses, fosse, fôssemos, fôsseis, fossem) e futuro do subjuntivo (for, fores, for, formos, fordes, forem). Só conseguimos identificar um ou outro pelo contexto, isto é, interpretando.


Exemplos:


– Fui sargento durante cinco anos. (SER)

– Fui à praia pela manhã. (IR)

Salve, galera!


As provas de concursos públicos adoram trabalhar regência verbal e nominal com pronomes relativos.


Na fala do dia a dia e até em textos literários, raramente colocamos alguma preposição antes de pronome relativo. Exemplos:


– O jornal que ele gosta é O Globo.

– O time que ele torce é o Mengão.

– Quero um hambúrguer com tudo que tenho direito.


Tais frases apresentam desvios de regência muitas vezes não percebidos por nós na fala. Se fôssemos reescrever essas frases de acordo com a norma culta 'tia Norminha', como elas ficariam?


– O jornal de que ele gosta é O Globo. (gosta de)

– O time por que ele torce é o Mengão. (torce por)

– Quero um hambúrguer com tudo a que tenho direito. (direito a)


Parece bobeira, mas você sabe que não é! Por isso, olho vivo!


😉

Percebeu?

Salve, galera!


Sabe qual é a diferença entre texto dissertativo-argumentativo e dissertativo-expositivo?


O primeiro é a exposição de uma opinião visando a convencer o leitor (exemplo: “O aborto definitivamente fere o princípio moral da vida, por isso não devemos tomar partido a favor desse ato vil”). O segundo é uma explicação objetiva que não visa convencer o leitor de nada, pois a intenção é apenas expor um assunto (exemplo: “O aborto é a ação ou o resultado de provocar o fim de uma gravidez; milhares de jovens praticam tal ato todos os anos”).


Fui!


😉.

Salve, galera!

Veja as 10 frases abaixo (todas têm erro gramatical):

1- Eu te disse, mas você não me escutou.

2- Não se faz mais homens como antigamente!

3- Foi o barulho do carro que denunciou-me.

4- Carlos namorava com a Mariana naquela época.

5- A princesa deu a luz aos gêmeos.

6- Se eu soubesse, diria-lhe a verdade.

7- De segunda à sexta-feira acontecerá as palestras.

8- Isso aconteceu a duas décadas.

9- Quando você ver (ou vê) o resultado da prova, descobrirá que eu estava correto.

10- Perdi os meus documentos, mas ontem reavi-os (ou reavim-os) intactos.

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Agora veja as frases corrigidas:

1- Eu te disse, mas tu não me escutaste ou Eu lhe disse, mas você não me escutou.

2- Não se fazem mais homens como antigamente!

3- Foi o barulho do carro que me denunciou.

4- Carlos namorava a Mariana naquela época.

5- A princesa deu à luz os gêmeos.

6- Se eu soubesse, dir-lhe-ia (ou ia lhe dizer) a verdade.

7- De segunda a sexta-feira, acontecerão as palestras.

8- Isso aconteceu há duas décadas.

9- Quando você vir o resultado da prova, descobrirá que eu estava correto.

10- Perdi os meus documentos, mas ontem os reouve (ou os recuperei) intactos.

E aí, acertou todas? Espero que sim.

😉

Salve, galera!


Na frase “Muitos manifestantes viraram professores”, o verbo é transitivo direto?


Não. A depender do contexto, os verbos mudam de predicação. “Virar” só é verbo transitivo direto quando indica ação. Exemplo: “Muitos jogadores viraram a mesa”. Como “virar”, na frase acima, indica MUDANÇA DE ESTADO, é um verbo de ligação, equivalente a “Muitos manifestantes tornaram-se professores”. Por favor, estude bem este assunto no capítulo 19 do meu livro “A Gramática para Concursos Públicos”.


Vlw!

Salve, galera!


Meu objetivo é tão somente apresentar o que é gramaticalmente adequado, pois, se cair a forma “presidenta” numa prova de concurso público, os milhares que ainda acreditam que “a presidenta” está errado vão errar uma questão de bobeira…


O fato é que vários gramáticos (como Bechara e Cegalla) e dicionaristas consagrados (como Houaiss e Aulete) registram ambas as formas: A PRESIDENTE ou A PRESIDENTA. Para fechar o assunto, a própria Academia Brasileira de Letras registra em seu VOLP ambas as formas: A PRESIDENTE ou A PRESIDENTA. Logo, tanto faz! O que fazer com essas informações? Cagar para elas?


Se você está pensando “Ah, mas isso não cai em prova de concurso!”, veja uma questão:


CESGRANRIO – PROMINP – GRUPO A/NÍVEL BÁSICO 1 – 2010


– Observe as fichas a seguir. Cada uma contém palavras no masculino e no feminino. Em qual ficha a segunda palavra NÃO é o feminino da primeira?


(A) juiz – juíza

(B) irmão – irmã

(C) presidente – presidenta

(D) filho – filha

(E) linho – linha


Gabarito: E. Logo, na letra C, pode-se interpretar o feminino de presidente como presidenta! Imagine quantos marcaram a letra C…


😉

Salve, galera!


Segundo a vasta maioria dos gramáticos normativos, não pode haver um complemento para verbos com regências diferentes, diferentemente de verbos com regências iguais, que podem ter o mesmo complemento, como 'Quero e bebo uma cerveja' e 'Gosto e preciso de trabalho'. Exemplos:


– Eu entrei e saí de casa.

– Eu vi e gostei do filme.


Observe que “de casa” e “do filme” são, respectivamente, complementos dos verbos “sair” (quem sai… sai DE) e “gostar” (quem gosta… gosta DE). Quando há dois verbos (ou mais) e um só complemento para eles, há erro gramatical, sendo preciso reescrever a frase com um complemento para cada verbo – isso é o que ensina a esmagadora maioria dos gramáticos, e é assim que vem caindo em prova de concurso. Veja os exemplos acima corrigidos:


– Eu entrei em casa e saí dela.

– Eu vi o filme e gostei dele.


“Pest, isso cai em prova?” Adivinha?!


(FCC – TRT 16ª R) O segmento do verbete que apresenta descuido quanto à regência é:


(A) Adoção […] de políticas e práticas organizacionais socialmente responsáveis.

(B) Seu objetivo básico é atuar no meio ambiente […], inter-relacionando-se com o equilíbrio ecológico, com o desenvolvimento econômico e com o equilíbrio social.

(C) a organização que exerce sua responsabilidade social procura respeitar e cuidar da comunidade.

(D) a organização que exerce sua responsabilidade social procura […] conservar a vitalidade da terra e a biodiversidade.

(E) a organização que exerce sua responsabilidade social procura […] promover o desenvolvimento sustentável, o bem-estar e a qualidade de vida.


Gabarito: C. Deveria ser “… procura respeitar a comunidade e cuidar dela”.


Moleza, não?!

Salve, galera!


Para desenvolver uma oração reduzida, é preciso saber:


1) o que é uma oração reduzida

2) o que é uma oração desenvolvida

3) correlação verbal

4) transposição de voz verbal

5) concordância verbal

6) como se transforma a reduzida em desenvolvida.


Então, vamos por partes:


1) Uma oração reduzida é aquela que apresenta um verbo em sua forma nominal (infinitivo, gerúndio ou particípio) e vem iniciada ou não por preposição ou locução prepositiva. Enfim… veja dois exemplos de oração reduzida:


– Seria importante AJUDAR MAIS PESSOAS.

– Ela estuda muito PARA PASSAR NA PROVA.


2) Uma oração desenvolvida é aquela que apresenta um verbo em sua forma conjugada e vem iniciada normalmente por conjunção subordinativa, locução conjuntiva ou pronome relativo. Veja dois exemplos de oração desenvolvida:


– Seria importante QUE SE AJUDASSEM MAIS PESSOAS / QUE MAIS PESSOAS FOSSEM AJUDADAS.

– Ela estuda muito PARA QUE PASSE NA PROVA.


3) A correlação verbal trata da harmonia de sentido que existe entre o verbo da oração subordinada e o verbo da oração principal. Note que, na primeira frase acima, há uma correlação adequada entre “seria” (futuro do pretérito do indicativo) e “ajudassem / fossem” (pretérito imperfeito do subjuntivo); na segunda frase acima, também há adequada correlação entre “estuda” (presente do indicativo) e “passe” (presente do subjuntivo).


4) A transposição de voz verbal tem a ver com a passagem de voz ativa para passiva, por exemplo. Observe que a oração reduzida da primeira frase foi transformada em oração desenvolvida e que, nesse processo, houve uma passagem de voz ativa para passiva (Seria importante AJUDAR MAIS PESSOAS > Seria importante QUE SE AJUDASSEM MAIS PESSOAS [voz passiva sintética] > Seria importante QUE MAIS PESSOAS FOSSEM AJUDADAS [voz passiva analítica]). Nem sempre haverá transposição de voz verbal, OK?


5) A concordância verbal é importante nesse tipo de reescritura, pois a banca vai trabalhar em cima desse conceito na hora de apresentar opções de transformação de oração reduzida em desenvolvida. Portanto, cuidado, pois você precisará estar atento a isso no dia D (observe que o verbo “ajudar”, na voz passiva da oração desenvolvida, ficou no plural, concordando com o sujeito paciente “mais pessoas”; se ficasse no singular, estaria errada).


6) Afinal, como se transforma a reduzida em desenvolvida? Bem… é preciso levar em conta todos os aspectos acima. Mas basicamente é assim que se faz: é preciso transformar a preposição (se houver!) em uma conjunção de valor semântico equivalente e é preciso passar o verbo em sua forma nominal para uma forma conjugada (Ela estuda muito PARA PASSAR na prova > Ela estuda muito PARA QUE PASSE na prova).


Para ilustrar melhor, veja uma questão:


FGV – Prefeitura de Cuiabá/MT – Contador – 2015


“A Prefeitura de São Paulo vai criar um manual PARA ORIENTAR funcionários de empresas de limpeza urbana sobre como proceder ao se depararem com grafites e pichações em muros públicos.”


Assinale a opção que indica o segmento destacado transformado em uma oração desenvolvida.


(A) Para a orientação de funcionários.

(B) Para se orientarem funcionários.

(C) Para que se orientassem funcionários.

(D) Para que se orientem funcionários.

(E) Para que fossem orientados funcionários.


Gabarito: D. Na letra A, não há verbo, logo não há oração desenvolvida (o que ocorre nessa opção é a “nominalização”; outro processo de reescritura sobre o qual deixarei para falar outro dia). Na letra B, há uma preposição seguida de um verbo no infinitivo flexionado, logo não há oração desenvolvida. Na letra C, a oração desenvolvida tem uma locução conjuntiva (“para que”) de valor semântico equivalente à preposição (“para”) da oração reduzida, mas há um erro de correlação verbal entre “vai criar” (presente do indicativo com valor semântico de futuro) e “orientassem” (pretérito imperfeito do subjuntivo). Na letra D, que é o gabarito, a oração desenvolvida tem uma locução conjuntiva (“para que”) de valor semântico equivalente à preposição (“para”) da oração reduzida; além disso, a correlação verbal (“vai criar” [presente do indicativo com valor semântico de futuro] e “orientem” [presente do subjuntivo]) e a concordância na voz passiva sintética (para que orientem funcionários > para que funcionários sejam orientados) estão perfeitas. Na letra E, há o mesmo erro contido na letra C: correlação verbal inadequada.


Como se viu, são vários assuntos interligados numa mesma questão. Por isso, esse tipo de questão é difícil e, por isso, sugiro que os estude nos capítulos 12, 23, 24, 28 e 37 do meu livro “A Gramática para Concursos Públicos” e acompanhe minhas aulas no curso completo do meu site.


Sucesso!

Salve, galera!


Do ponto de vista semântico, o verbo HAVER não tem sentido de nada. Ele é uma espécie de camaleão, que só passa a ter sentido definido a depender do contexto.


Vejamos suas peculiaridades!


1) Com o sentido de comportar-se/proceder, é verbo intransitivo e pronominal.


– As minhas meninas sempre SE HOUVEM bem na casa das tias.


2) É pronominal e transitivo indireto com os sentidos de “avir-se, prestar contas, tratar”; exige a preposição “com”.


– Caso trame intrigas, certamente SE HAVERÁ comigo e com a justiça.


3) Com o sentido de obter/conseguir, é verbo transitivo direto e indireto.


– Os sem-terra HOUVERAM essas terras de quem?


4) Usa-se HÁ, e não A, para indicar tempo decorrido. Nesse caso, é um verbo transitivo direto.


– A cinco anos não viajo para os EUA. (errado)

– HÁ cinco anos não viajo para os EUA. (certo)


5) Com os sentidos de “possuir, considerar/julgar”, é transitivo direto e varia normalmente.


– Se HOUVESSE coragem, homem, não teria sido ridicularizado. (possuir)

– HAVIAM-no por sábio. (considerar/julgar)

– Os diretores HOUVERAM por bem antecipar o anúncio das novas diretrizes. (considerar)


Obs.: Nas duas últimas frases, o verbo haver é transobjetivo, ou seja, exige um objeto direto e um predicativo do objeto – normalmente iniciado pela preposição essencial “por” ou acidental “como”. Logo, “por sábio” e “por bem” são predicativos do objeto.


6) Quando tem sentido de “existir, ocorrer, fazer” (indicando tempo decorrido), é considerado impessoal, ou seja, um verbo que não tem sujeito, ficando por isso na 3ª pessoa do singular obrigatoriamente. Nesses casos, é transitivo direto. É muito importante esclarecer que, quando ele é verbo auxiliar de uma locução verbal, varia normalmente, mas, quando é verbo principal com sentido de “existir/ocorrer” ou “fazer” (indicando tempo decorrido), o auxiliar da locução verbal fica invariável, constituindo uma oração sem sujeito. ISSO CAI MUITO EM PROVA!!!


– A convicção de que não HAVIA riscos fez o homem pular de paraquedas. (existir)

– HOUVE inúmeros encontros hoje na convenção. (ocorrer)

– Ninguém aparecia na reunião HAVIA meses. (fazer)

– HÁ dias que não durmo bem. (fazer)

– HÃO de existir políticos honestos um dia. (Note que o verbo haver é auxiliar, e o principal é um verbo pessoal.)

– Há de HAVER soluções emergenciais! (Note que o verbo haver é auxiliar e principal na locução verbal, mas, como principal, é um verbo impessoal, pois tem sentido de existir, por isso o verbo auxiliar transmite a ele sua impessoalidade.)


Vamos fazer uma questão para fechar o caixão?


– (CESGRANRIO) De acordo com a norma-padrão, o verbo HAVER não pode assumir a forma de plural quando é usado como verbo impessoal. A forma verbal destacada NÃO é impessoal em:


a) Em muitos casos, não há alternativa senão defender uma visão conservadora da sociedade.

b) Embora muitas pessoas insistam em não aceitar a mudança, para mim não há verdade indiscutível.

c) Houve época em que os valores religiosos se impunham à quase totalidade das pessoas.

d) Não haverá convívio social equilibrado e produtivo sem princípios e valores estabelecidos.

e) Uma comunidade que não respeitasse certos princípios e normas haveria de fracassar.


Gabarito: E. Em todas as opções, o verbo “haver” tem sentido de existir, por isso é impessoal (nunca varia, por nunca ter sujeito!). No entanto, na letra E, tal verbo é auxiliar de uma locução verbal (“haveria de fracassar”). Quando ele é auxiliar, nunca é impessoal e pode variar normalmente de acordo com o seu sujeito.


Espero ter ajudado. 😉

 

No português antigo, o verbo HAVER tinha o sentido de possuir. O inglês ainda mantém esse uso no verbo TO HAVE. Em REAVER, o verbo conserva esse sentido, porque REAVER é haver de novo, possuir outra vez.

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