Português com Pestana (3)
Salve, galera!
Para indicar que uma coisa não tem relação com outra, usa-se NADA A VER. Exemplo:
– Isso não tem NADA A VER com o que ela falou.
Porém, muita gente escreve NADA HAVER nesse mesmo contexto, pensando que uma coisa não coexiste com outra, o que torna a frase errada. Por isso, você deve abolir da sua escrita a expressão bisonha NADA HAVER (no lugar de NADA A VER), beleza? NADA A HAVER existe, mas significa nada a receber.
Simples assim! 😉
Salve, galera!
Que frase abaixo dá margem à ambiguidade? Quais frases estão gramaticalmente corretas?
1. Agite, bem antes de usar.
2. Agite bem, antes de usar.
3. Agite bem antes de usar.
GABARITO!
Todas estão gramaticalmente corretas porque não há erro de pontuação, e só a última dá margem à ambiguidade, pois, sem vírgula alguma na frase, pode-se interpretar que é para agitar muito tempo antes de usar (frase 1) ou para agitar com intensidade antes de usar (frase 2).
Sacou?
Salve, galera!
Observe estas três frases:
1. Assim que ele rever a matéria, entenderá melhor.
2. Não amar-se é um tiro no pé.
3. A palestra à que assistimos motivou todos os presentes.
Imagine se elas caem na sua prova… Você perceberia os erros delas?
Bem… vejamos:
1. ERRADO. Assim que ele REVIR a matéria, entenderá melhor.
Rever é derivado de ver, que, no futuro do subjuntivo, tem uma conjugação peculiar, conforme vista acima.
2. CERTO. Não (SE) amar-SE é um tiro no pé.
Mesmo que haja uma palavra atrativa antes do verbo no infinitivo não flexionado, a colocação pronominal é facultativa nesse caso.
3. ERRADO. A palestra A que assistimos motivou todos os presentes.
Não há crase antes do pronome relativo, pois só há um A (preposição exigida pelo verbo assistir) antes do relativo. Só haveria crase se o pronome relativo fosse A QUAL, pois aí haveria A + A QUAL = À QUAL: A palestra à qual assistimos…
Bons estudos! 😉
Salve, galera!
Na frase “A Gramática – livro escrito pelo professor Fernando Pestana –, os materiais em PDF e as videoaulas me ajudarão muito para o dia da prova” ou na frase “A Gramática (livro escrito pelo professor Fernando Pestana), os materiais em PDF e as videoaulas me ajudarão muito para o dia da prova”, a vírgula após o segundo travessão ou o segundo parêntese é OBRIGATÓRIA.
Para termos certeza disso, basta seguir um “bizu” simples: ignore tudo que está entre travessões ou parênteses. Veja como vai ficar: “A Gramática, os materiais em PDF e as videoaulas me ajudarão muito para o dia da prova”.
Percebeu que a vírgula separa termos coordenados? Portanto, ela é OBRIGATÓRIA, por mais que haja uma expressão intercalada antes, entre travessões ou parênteses.
Consulte as provas abaixo que PROVAM a lição correta acima; procure as questões que trataram do assunto:
CESPE/UnB – MEC – NÍVEL SUPERIOR (POSTO 9) – 2015
CESPE/UnB – STJ – ANALISTA JUDICIÁRIO – 2012
CESPE/UnB – MPOG – ANALISTA DE INFRAESTRUTURA – 2012
CESPE/UnB – FUB – CARGOS DE NÍVEL MÉDIO – 2011
CESPE/UnB – PETROBRAS – ADVOGADO – 2007
Ficou claro isso?! Não vacile no dia da prova, hein!
Bons estudos!
P.S.: CESPE – TELEBRAS – ASSISTENTE TÉCNICO (CARGO 13) – 2015 – QUESTÃO 17 (A BANCA FEZ M&$#@! ABSURDO!!! CONSULTE!!!)
Salve, galera!
A questão da crase facultativa antes de pronome possessivo adjetivo é a seguinte: o artigo definido é facultativo antes de pronome possessivo adjetivo - aquele que acompanha um substantivo (no singular ou no plural). Se houver artigo, haverá crase; se não houver artigo, não haverá crase.
– Entreguei flores À (a+a) MINHA aluna. (preposição+artigo)
– Entreguei flores A MINHA aluna. (só preposição)
> Entreguei flores ÀS (a+as) MINHAS alunas. (preposição+artigo)
> Entreguei flores A MINHAS alunas. (só preposição)
Se for um pronome possessivo substantivo (aquele que substitui um substantivo), a crase será obrigatória, pois o artigo é obrigatório antes desse tipo de pronome quando há elipse do substantivo:
– Entreguei flores a minha aluna, não À SUA.
– Entreguei flores a minhas alunas, não ÀS SUAS.
Bons estudos! 😉
Salve, galera!
(Antes de mais nada, saiba que isso vem caindo em algumas provas de concursos públicos. Portanto, leia com atenção!)
Sugiro que você leia as sábias palavras de Platão e Fiorin: “Com muita frequência um texto retoma passagens de outro. Quando um texto de caráter científico cita outros textos, isto é feito de maneira explícita. O texto citado vem entre aspas e em nota indica-se o autor e o livro donde se extraiu a citação. Num texto literário, a citação de outros textos é implícita, ou seja, um poeta ou romancista não indica o autor e a obra donde retira as passagens citadas, pois pressupõe que o leitor compartilhe com ele um mesmo conjunto de informações a respeito de obras que compõem um determinado universo cultural. Os dados a respeito dos textos literários, mitológicos, históricos são necessários, muitas vezes, para a compreensão global de um texto”.
Em suma, a intertextualidade trata da relação de identidade e semelhança entre dois textos, em que um cita o outro com referência implícita ou explícita. Um texto B faz menção, de algum modo, a um texto A.
Vou apresentar a você três frases famosas, atribuídas a Jesus Cristo, a Karl Marx e a Carlos Drummond de Andrade:
1) Quem nunca cometeu pecado atire a primeira pedra.
2) A religião é o ópio do povo.
3) E agora, José?!
Se modificarmos essas frases, visando a algum propósito comunicativo, praticaremos a tal INTERTEXTUALIDADE. Por exemplo:
1) Quem nunca fez um “gato” em casa atire a primeira pedra.
2) A apatia é o ópio do nosso povo.
3) E agora, Lula?!
Percebeu que essas três últimas frases fazem alusão às três primeiras frases? Isso é INTERTEXTUALIDADE.
Aprendeu ou quer que eu desenhe? (Brincadeirinha…)
Salve, galera!
Desde 2013, a banca FGV começou a inovar em suas provas, trabalhando mais semântica e interpretação que regras gramaticais. Dentre essas novidades, surgiu uma parada chamada “adjetivo de relação” (tal assunto pode ser encontrado em duas gramáticas consagradas: na do Celso Cunha & Lindley Cintra e na do José C. Azeredo). Ainda não sabe o que é isso? Cuidado, pois pode cair na sua próxima prova, uma vez que virou modinha a banca trabalhar isso.
Leia a questão abaixo despretensiosamente:
FGV – SMF (PREF. NITERÓI/RJ) – CONTADOR – 2015
– Há uma série de adjetivos em língua portuguesa, chamados adjetivos de relação, que se caracterizam, entre outras marcas, por não poderem receber variação de grau. O adjetivo abaixo que está nesse caso é:
(A) economia mundial;
(B) longo ciclo;
(C) expansão acelerada;
(D) nova paisagem;
(E) baixas taxas.
E aí, entendeu alguma coisa? Não?! Calma…
Por definição, um adjetivo de relação é aquele que a) tem valor semântico objetivo, ou seja, não expressa subjetividade ou ponto de vista; b) é derivado por sufixação de um substantivo; c) vem colocado após o substantivo; d) não varia em grau superlativo, ou seja, não pode ser intensificado. Para a FGV, o que mais costuma pesar em questões assim é a sua capacidade de interpretar se um adjetivo tem valor semântico objetivo (adjetivo de relação/classificador) ou subjetivo (adjetivo qualificador/modalizador).
Exemplos:
– vinho do Chile: vinho chileno
– energia do núcleo: energia nuclear
– roteiro de Carnaval: roteiro carnavalesco
Note que não se pode (em condições normais de temperatura e pressão, ou seja, em linguagem denotativa) a menos que você queira inventar novas regras para a gramática, variá-lo em grau: “vinho muito chileno”(?), “energia muito nuclear”(?), “roteiro muito carnavalesco”(?).
Voltemos à questão da banca! O gabarito é a letra A, pois o adjetivo “mundial” preenche todos os requisitos dum adjetivo de relação, a saber: tem valor semântico objetivo (mundial = relativo ao mundo), não varia em grau (não cabe “muito mundial”) e é derivado por sufixação de um substantivo (mundo + al = mundial). Note que os demais adjetivos das demais opções são adjetivos qualificadores, pois não preenchem os requisitos para isso.
Pronto! Agora você sabe o que é um adjetivo de relação e não vai mais errar questões disso na FGV.
Salve, galera!
A depender do contexto, as conjunções abaixo podem ter mais de um sentido, como se vê ao lado de cada uma. É com elas que devemos tomar cuidado, pois todas as demais (cerca de 100) têm o mesmo sentido sempre, o que significa que você precisa decorá-las. Divirta-se! 😉
E: adição, adversidade, conclusão/consequência, finalidade
MAS: adição, adversidade
COMO: adição, causa, conformidade, comparação
QUANTO: adição, comparação
OU: inclusão/adição, exclusão, retificação
POIS: causa, explicação, conclusão
PORQUE: causa, explicação, finalidade
QUE: adição, adversidade, alternância, explicação, causa, consequência, comparação, concessão, finalidade, tempo, condição, conformidade, modo
PORQUANTO: causa, explicação
UMA VEZ QUE: causa, condição
DADO QUE: causa, concessão
SE: condição, causa, concessão, tempo, comparação
DESDE QUE: tempo, condição, causa
SEM QUE: concessão, condição, modo, consequência
AO PASSO QUE: proporção/simultaneidade, oposição
ENQUANTO: proporção/simultaneidade, tempo, oposição
QUANDO: tempo, condição, oposição/concessão
P.S.: Devore o capítulo 15 da minha gramática, porque conjunção é um assunto MUITO importante! Caso eu tenha “papado mosca” na lista, avise-me no comentário.
Salve, galera!
Sabemos que a classe gramatical “advérbio” é invariável, o que significa que não muda de forma em sua relação com outras palavras dentro da frase. Por exemplo, na frase “Ela está menas chateada hoje”, o vocábulo “menas” é um advérbio, pois se relaciona com o adjetivo “chateada” (sabemos isso porque a única classe gramatical que modifica um adjetivo é o advérbio). Pois bem… a frase anterior está errada (afinal, advérbio é uma classe gramatical invariável, isto é, não varia em gênero nem em número, pessoa, tempo, modo, voz e aspecto, só flexiona em grau por meio de derivação). Como a frase deveria ter sido redigida, então? Simples: “Ela está menos chateada hoje”.
Até agora, tudo bem? Beleza… Então continue a leitura…
Segundo todos os gramáticos consagrados que consultei (Bechara, Luft, Cegalla, Napoleão M. de Almeida, etc.), quando TODO funciona contextualmente como advérbio, ele pode variar. Eu falei PODE, e não DEVE. Mas por que pode variar? Simples: na língua culta, TODO funciona normalmente como pronome indefinido e, como sabemos, pronomes podem variar (todo, toda, todos, todas). Por influência desse traço de variação pronominal, quando esse vocábulo é usado contextualmente como advérbio, PODE sofrer variação. Exemplificando, temos:
– A menina estava todo desconfiada.
– A menina estava toda desconfiada.
Em ambas as construções acima, o vocábulo “todo(a)” é um advérbio de intensidade, pois modifica o adjetivo “desconfiada”. Por ter base pronominal, pode ou não sofrer variação em gênero e número. De certo modo, portanto, podemos dizer que esse é um dos megarraros casos em que uma palavra que funciona como advérbio varia, na língua culta.
– Ok, Pestana, mas isso já caiu em alguma prova de concurso? Se sim, como eu deveria agir: encarando como advérbio invariável ou variável?
Veja as duas questões abaixo e tire suas conclusões:
CRS – PM/MG – Soldado – 2013
– Assinale a alternativa CORRETA quanto às regras de concordância:
a) Manoel e Jordana comprometeram-se cedo: um por dinheiro, a outra, por amor.
b) Suas pernas estavam todo enlameadas.
c) Estas são fatalidades que não adiantam ocultar.
d) Bem haja os colaboradores dessa festa!
Gabarito: B.
Comentário: A) Quando se usam pronomes indefinidos “um” e “outro” de forma distributiva, eles não variam, mesmo se referindo a substantivos de gêneros diferentes, logo a frase deveria ficar assim: “Manoel e Jordana comprometeram-se cedo: um por dinheiro, o outro, por amor”. B) Observe que a banca escolheu a visão ortodoxa (digamos assim…) do advérbio “todo”, invariável. C) O sujeito do verbo adiantar é oracional (“Ocultar as fatalidades não adianta”), logo deveria ficar no singular. D) O verbo haver varia normalmente na expressão de agradecimento “bem haja”, logo deveria ser “Bem hajam os colaboradores…”.
Agora, prepare-se! Atenção!
FUNCAB – MPE/RO – Técnico de Contabilidade – 2012
– A alternativa que transcreve uma frase do texto em que foi feita uma construção INADEQUADA, quanto à concordância, é:
a) “(…) Eu sei que era você; devagarzinho, sem a gente sentir… Agora está aí, né?… Tá vendo o resultado?”
b) “(…) – Uai, essa que você pegou estava vivinha na hora que eu cheguei, e você ainda esqueceu o tanque cheio d’água(…)”
c) “(…) Eu soquei a ponta da faca naquelas coisas que faz o peixe nadar, sabe? Pois acredita que ela ainda ficou mexendo?(…)”
d) “(…) Aí eu peguei o cabo da faca e esmaguei a cabeça dele, e foi aí que ele morreu.(…)”
e) “(…) Quando eu cheguei, ela estava toda folgada, nadando. Você não está acreditando? Juro. Ela estava toda folgada, nadando.(…)”
Gabarito: C.
Comentário: O erro da letra C é porque o verbo fazer deveria estar no plural: “Eu soquei a ponta da faca naquelas coisas que fazem o peixe nadar…”. Observe a letra E: a banca considerou correta a variação do vocábulo “todo” funcionando como advérbio modificador de adjetivo (“toda folgada”).
Na época, muitos entraram com recurso, por não saber que TODO, quando advérbio, pode variar. Enfim, a letra E foi considerada certa pela banca, e eu concordo com isso. É coerente.
Espero que eu tenha ajudado mais um pouco em sua constante construção de conhecimento gramatical! Cada dia se aprende mais, por isso sua hora vai chegar! 😉
Salve, galera!
Vamos entender de vez as classificações de NÃO OBSTANTE.
1) Locução prepositiva concessiva: seguida de verbo no infinitivo ou iniciando adjunto adverbial; equivale a “apesar de”.
– Não obstante estar cansado, foi trabalhar.
– Não obstante o cansaço, foi trabalhar.
2) Locução conjuntiva subordinativa concessiva: seguida de verbo no modo subjuntivo; equivale a “embora”.
– Não obstante estivesse cansado, foi trabalhar.
3) Locução conjuntiva coordenativa adversativa: seguida de verbo no modo indicativo; equivale a “porém”.
– Estava cansado, não obstante foi trabalhar.
Muito encontrada em textos jurídicos, inobstante tem o mesmo significado de não obstante.
Anote no seu coração e seja feliz!
Salve, galera!
Veja abaixo as opiniões dos gramáticos e como cai em prova de concurso a CONCORDÂNCIA VERBAL COM NUMERAL PERCENTUAL E COM NUMERAL FRACIONÁRIO SEGUIDOS DE ESPECIFICADOR.
1) Para Sacconi, o verbo concorda com o numerador da fração ou com o número inteiro da porcentagem não antecedidos de determinante (artigo, p.ex.); além disso, também pode concordar com o especificador desses numerais. Exemplo:
– Só 2/3 do povo votou/votaram.
– Só 0,3% das mulheres votaram/votou.
2) Para José C. Azeredo, o verbo concorda com o numerador da fração ou com o número inteiro da porcentagem não antecedidos de determinante (artigo, p.ex.); além disso, também pode concordar com o especificador desses numerais. Exemplo:
– Só 2/3 do povo votou/votaram.
– Só 0,3% das mulheres votaram/votou.
3) Para Cegalla, o verbo deve concordar com o numerador da fração ou com o número inteiro da porcentagem, ou seja, por via de regra, o verbo nunca concorda com o núcleo do especificador. Exemplo:
– Só 2/3 do povo votaram.
– Só 0,3% das mulheres votou.
4) Para Manoel P. Ribeiro, o verbo concorda com o número inteiro da porcentagem não antecedido de determinante (artigo, p.ex.); além disso, também pode concordar com o especificador desse numeral; no caso de concordância com numeral fracionário, o verbo só concorda com o numeral e não com seu especificador. Exemplo:
– Só 2/3 do povo votaram.
– Só 0,3% das mulheres votaram/votou.
5) Para Amini B. Hauy, o verbo sempre concorda com o especificador da porcentagem; no caso de numeral fracionário, o verbo sempre concorda com o numeral, nunca com o especificador. Exemplo:
– Só 2/3 do povo votaram.
– Só 0,3% das mulheres votaram.
6) Para Ulisses Infante, o verbo concorda com o número inteiro da porcentagem; além disso, também pode concordar com o especificador desse numeral; ele não fala de concordância com numeral fracionário. Exemplo:
– Só 0,3% das mulheres votaram/votou.
7) Para Bechara, o verbo concorda com o número inteiro da porcentagem não antecedido de determinante (artigo, p.ex.); além disso, também pode concordar com o especificador desse numeral; ele não fala de concordância com numeral fracionário. Exemplo:
– Só 0,3% das mulheres votaram/votou.
8) Para Napoleão M. de Almeida, o verbo concorda com o especificador, e não com o numeral percentual (desde que não antecedido de determinante [artigo, p.ex.]); ele nada fala sobre concordância com numeral fracionário. Exemplo:
– Só 0,3% das mulheres votaram.
Obs.: Nos demais gramáticos consagrados, não encontrei esses casos de concordância, por isso eles não figuram nesta pesquisa.
– OK, Pestana, já entendi que estamos diante de mais uma divergência gramatical. Mas, afinal de contas, como cai em prova de concurso?
Veja duas questões sobre isso a fim de saber como as bancas se posicionam:
FEPESE – MPE/SC – PROCURADOR DO ESTADO – 2014
– Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras (V) e as falsas (F), considerando as regras de concordância verbal da língua portuguesa.
( ) Em “Um terço dos candidatos não [fazer] a redação.”, a concordância verbal é opcional (fizeram/fez).
( ) Em “Não [poder] haver contratações durante o período eleitoral.”, o verbo deve ficar no plural (podem).
( ) Em “Aproximadamente 40% dos jogadores [morar] no interior do estado.”, o verbo pode ficar no plural ou no singular (moram/mora).
( ) Em “Nem um nem outro [comparecer] à entrevista.”, o verbo deve ficar no singular (compareceu).
( ) Em “Cada um dos candidatos [precisar] preencher seu formulário de inscrição.”, o verbo pode ficar no plural ou no singular (precisam/ precisa)
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
(A) V – V – V – F – F
(B) V – F – V – F – V
(C) V – F – F – V – F (Gabarito!)
(D) F – V – F – V – F
(E) F – F – F – V – V
FGV – AL/BA – AUDITOR – 2014
“Entre 80% e 90% da nossa energia vêm de fontes renováveis”.
Nessa frase a concordância verbal é feita no plural, por fazer concordar o verbo (vêm) com o número da porcentagem.
Assinale a opção que indica a frase em que a concordância está incorreta.
(A) 1% dos brasileiros não acredita no governo.
(B) 5% da população tem medo do apagão.
(C) 12% dos cariocas apreciam futebol.
(D) 1,7% do povo aceitam a Copa do Mundo no Brasil. (Gabarito!)
(E) 32% do consumo se dirige a supérfluos.
Pelo que se viu, as bancas trabalham em cima da dupla concordância, seja com o numeral percentual ou fracionário, seja com o especificador deles.
Sugiro que consulte as páginas 288 e 289 do meu livro “As Dúvidas de Português mais Comuns em Concursos” para saber mais a respeito disso. 😉
Respire fundo e bola pra frente!
Salve, galera!
Hoje, num grupo de estudos, postaram uma questão sobre isso, cujo gabarito foi o seguinte: “estar” é um verbo intransitivo e “bem” é um adjunto adverbial de modo. Como não concordei com essa análise, fui fazer o dever de casa: PESQUISAR.
1) O que dizem os gramáticos consagrados?
> Segundo todos os livros que consultei, os únicos que exibem frases semelhantes a “Ela estava bem/mal” apresentam “estar” como verbo de ligação e “bem” como um advérbio que exerce função de predicativo do sujeito. Sim, um advérbio PODE exercer função de predicativo do sujeito! Os gramáticos e linguistas consagrados que ensinam isso são estes: Evanildo Bechara, Celso Pedro Luft, Francisco Fernandes, Napoleão Mendes de Almeida, Claudio Cezar Henriques, Eduardo Carlos Pereira, Maria Helena de Moura Neves, José R. Macambira. Os demais gramáticos absolutamente nada falam sobre tal estrutura, mas também não desabonam a análise dos já mencionados.
2) O que dizem as bancas de concursos?
> Infelizmente, ainda não encontrei nenhuma questão de banca alguma sobre isso, mas, se você encontrar alguma, por favor, avise-me!
3) Qual é a chance de isso cair em um concurso, e a banca analisar o verbo “estar” como intransitivo e o advérbio “bem” como adjunto adverbial de modo?
> Não tenho a mínima ideia.
– Pestana, nunca sei quando usar ESTÁ e ESTAR, DÁ ou DAR, e por aí vai… Pode me ajudar?
– Posso! A diferença básica é que as formas infinitivas ESTAR e DAR são usadas em 3 situações: depois de preposição (Para estar feliz, é preciso saúde), em locução verbal (Vou dar um presente a ela) e em oração reduzida de infinitivo (Estar triste é um estado de espírito). Nas demais situações, use ESTÁ e DÁ, que são formas verbais de 3ª pessoa do singular do presente do indicativo (É fato que ela dá dinheiro aos pobres e está satisfeita com isso).
Quando alguma pessoa usar ESTÁ no lugar de ESTAR, DÁ no lugar de DAR e exemplos semelhantes, por favor, apresente a ela a explicação acima… educadamente!
Salve, galera!
Muita gente escreve esta expressão da segunda maneira (com acento), mas nada justifica a crase, pois “valer” é um verbo transitivo direto e “a pena” é um objeto direto, em que o “a” não é uma preposição, é só um artigo definido concordando em gênero e número com o substantivo feminino singular “pena”. A expressão “valer a pena” significa “valer o sacrifício”. Logo, a única forma adequada é sem acento: “Sei que vale a pena estudar mais” (Sei que estudar mais vale a pena, vale o sacrifício). Lembre do Vale a Pena Ver de Novo.
Molezinha! 🙂
TV LIGADA… ZAPEANDO… MINHA ESPOSA NO SOFÁ… E…
Uma das personagens de uma das mais novas novelas da Globo diz assim: “Fulana é LADRONA”.
Será que ela garoteou?! Afinal, qual é o feminino de “ladrão”?
Segundo as gramáticas normativas e o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), existem duas formas igualmente corretas: ladra (oficial) e ladrona (popular)… SIM, “LADRONA” está OK!!! Dizer 'ela não passa de uma ladrona' é correto.
O mais engraçado é que “ladrona” aparece muito na fala de pessoas não escolarizadas, o que torna aparentemente errado o uso da palavra, mas… bem-vindo à língua portuguesa!
Salve, galera!
Afinal, essas expressões levam acento grave?
Resposta seca: NÃO!
Resposta bonitinha: NÃO HÁ ACENTO NESSAS EXPRESSÕES, PORQUE…
– Usa-se acento quando está subentendida a expressão “à moda/maneira de”, como em “Comi um bacalhau à Gomes de Sá” ou “Ele se veste à Gianni Versace”. Em outras palavras, dá para comer um bacalhau da maneira como Gomes de Sá comia/fazia o bacalhau e também dá para se vestir da maneira como se vestia Gianni Versace, MAS NÃO DÁ PARA comer/fazer um frango da maneira como o passarinho come o frango; AFINAAAAAALLLLL, passarinho não come frango. O mesmo vale para “Comi um bife a cavalo” (bife feito da seguinte MANEIRA: bife frito com ovo frito em cima, “montado no cavalo”!). Como cavalo não come nem faz bife com ovo em cima, não faz sentido entender que a expressão “à moda/maneira de” está subentendida antes da palavra “cavalo”, logo não há crase, pois não se come bife à moda de cavalo, assim como não se come frango à moda de passarinho. Pelo que você percebeu, o segredo está no entendimento do que significa a expressão “à moda/maneira de”. Entenda de uma vez por todas: se fosse possível subentender a expressão “à moda de” em “frango a passarinho” ou em “bife a cavalo”, isso significaria que o passarinho faz ou come o frango de uma determinada maneira, como se estivesse lançando uma maneira, uma moda de fazer ou comer o frango, mas essa ideia é absurda! O mesmo raciocínio vale para “bife a cavalo”, beleza? Ah! Para fechar: não existem as ridículas expressões “frango à passarinhA” ou “bife à cavalA”.
– “Pestana, isso aí cai em prova?” Sim, cai! Veja:
MSCONCURSOS – IF/ES – TÉCNICO EM AGROPECUÁRIA – 2010
04. Em qual alternativa está INCORRETO o uso da crase?
a) Assistimos à novela das nove habitualmente.
b) Iremos à Cuba de Fidel castro.
c) Comi bife à cavalo no almoço de domingo e frango à passarinho no jantar de segunda-feira. (GABARITO OFICIAL!)
d) Sairei à tarde.
e) Sou fabricante de relógios à Santos Dumont.
– Em abril de 2014, alguns alunos entraram em contato comigo dizendo que alguns professores e alguns “sites” ensinam que não está errado escrever “frango à passarinho”. Sim, muitos ainda ensinam o errado. Eu sei, é uma pena, mas… Enfim… POR ISSO, com o objetivo de acabar de vez com essa dúvida cruel que não deixa as pessoas mais dormirem em paz, eu fiz uma pergunta à Academia Brasileira de Letras! Leia e tire suas conclusões:
ABL RESPONDE
Pergunta: Bom domingo! Na internet, vários sites dizem que há crase em FRANGO À PASSARINHO. Vários outros dizem que não há crase. Afinal, batam o martelo. O acento é ou não obrigatório? Gratoooo!!!!
Resposta: Prezado consulente, não há crase em ‘frango a passarinho’. A crase só existe quando, ao falarmos de um prato, estiver subentendida a expressão (à moda). Exemplo: frango à milanesa (frango à moda milanesa), ou seja, à moda da cozinha de Milão (Itália). Nesse caso, temos elipse. Observe que ‘a passarinho’ quer dizer ‘cortado como se fosse um passarinho’. Nesse caso, como não temos elipse, não há crase, apenas a preposição.
UFA! Agora vamos conseguir dormir tranquilamente, por mais que as empresas alimentícias continuem colocando acento nas embalagens de “frango à passarinho”…
alve, galera!
Essa expressão do título existe? Tem pai, tem mãe, tem irmãos, tem primos?
Afinal, de acordo com a norma-padrão, qual expressão está adequada: APESAR QUE, APESAR DE OU APESAR DE QUE?
APESAR QUE é um conectivo inadequado ao registro culto da língua. É usado no registro popular de certas camadas sociais, por associação com antes que e depois que. A literatura já registra esse uso: “Apesar que não ganhou, ficou feliz”.
APESAR DE é uma locução prepositiva com valor concessivo e completamente adequada ao registro culto da língua. Sempre introduz um adjunto adverbial de concessão ou uma oração subordinada adverbial concessiva reduzida de infinitivo: “Apesar da derrota, ficou feliz”; “Apesar de perder, ficou feliz”.
APESAR DE QUE é uma locução conjuntiva com valor concessivo e completamente adequada ao registro culto da língua. Inicia oração subordinada adverbial concessiva desenvolvida: “Apesar de que não tenha ganhado, ficou feliz”.
Agora, é só ficar ligado no dia a dia, apesar de que nas provas também é importante! 🙂
Salve, galera!
Acho que a maioria das pessoas sabem que a grafia correta é FÓRMULA e RÁPIDA, pois são palavras proparoxítonas, logo vêm acentuadas obrigatoriamente.
No entanto, muitas pessoas vêm escrevendo tais palavras (ainda com o acento) mesmo depois de elas apresentarem um sufixo:
FÓRMULA + ZINHA = FÓRMULAZINHA
RÁPIDA + MENTE = RÁPIDAMENTE
Para você não garotear mais, aprenda de uma vez por todas: quando uma palavra vem seguida de sufixo, a sílaba tônica dela passa a ser a primeira sílaba do sufixo, ou seja, as proparoxítonas FÓRmula e RÁpida viram paroxítonas quando seguidas de sufixo (formulaZInha, rapidaMENte). Nesse caso, não cabe mais a manutenção do acento gráfico na palavra. Na verdade, qualquer palavra originalmente acentuada (só, inútil, país) que vier seguida de sufixo não terá mais acento gráfico (somente, inutilmente, paisinho: não confundir com paizinho). Safo?!
Bons estudos! 🙂
Salve, galera!
Dizem que a crase não serve de nada!
Mas pense nas duas expressões do título. Percebeu que cada uma tem um sentido?
Pois é… o uso do acento grave é importante para delimitar sentidos. Afinal, lavar a mão = higienizar a mão; lavar à mão = usar a mão para lavar algo.
Existem várias expressões cujo acento grave ajuda a diferenciar sentidos, como “cheirar a gasolina X cheirar à gasolina”, “pagar a prestação X pagar à prestação”, “comer a francesa (canibalismo gramatical) X comer à francesa”, etc.
Vlw!
Salve, galera!
Existem cerca de 400.000 palavras na língua portuguesa. É possível saber todas? Creio que não, pois são muitas. E saber a escrita correta delas, é possível saber? Creio que não, pois nem todas as regras ortográficas dão conta das palavras existentes.
Existem dois critérios básicos para saber como uma palavra é escrita: pelas regrinhas e pela etimologia (ou seja, como a palavra era escrita em sua origem).
Por exemplo, sabemos que “aridez” é escrita com Z, pois EZ é um sufixo formador de substantivo abstrato que se junta a um adjetivo (veja: árido + EZ = aridez). Sacou? No entanto, qual regra de ortografia dá conta da palavra “casa”, ou seja, porque “casa” se escreve com S, não com Z? Nesse caso, só sabendo que etimologicamente a palavra já era escrita com S.
Aí, você me pergunta: “Pestana, então, mesmo que eu decore todas as regras ortográficas, ainda haverá palavras que me gerarão dúvida na escrita?”.
Sim, por isso existem os dicionários, que atualmente já apresentam a etimologia. Recomendo o Aulete e o Michaelis (os melhores da internet… de graça!).
P.S.: Na boa, se soubéssemos tudo, a vida não teria tanta graça, pois o prazer da vida está no movimento, na busca.
Há alguns meses, recebi um e-mail de uma aluna desesperada, que estava estudando há um bom tempo e sempre batia na trave. Falei a ela que, quando a gente quer realmente algo, a gente precisa fazer por merecer. Seco assim.
Na época, depois de ter enviado a resposta, fiquei meio bolado comigo mesmo, pois, além de a resposta ter sido curta, foi (a princípio) grossa. Detalhe: ela não me respondeu o e-mail. Uma semana se passou e eu ainda estava com aquilo na cabeça: “Caramba, fiz besteira, não era para ter dado aquela resposta, daquele jeito…”. Mas eu empurrei com a barriga, simplesmente deixei para lá, à moda “Frozen”.
Hoje (seis meses depois, praticamente), ela me mandou um e-mail dizendo que aquelas palavras foram o trampolim para passar num concurso. Foi um misto de felicidade e alívio, dentro de mim. Dei meus parabéns com palavras bonitas dessa vez, rsrs.
Às vezes a gente fala algumas coisas que podem soar mal aos nossos próprios ouvidos, mas aprendi uma lição: NÃO É O QUE SE DIZ, É COMO SE OUVE!
Salve, galera!
Existem cerca de 120 conjunções. Das cerca de 120, apenas 20 podem ter seu sentido ou sua classificação alterados pelo contexto. Logo, cerca de 100 conjunções são sempre classificadas da mesma maneira. Sempre!
Agora… não sou teimosamente contra quem diz que “se devem entender e classificar as conjunções PELO SENTIDO CONTEXTUAL”, a não ser quando dizem que não se deve decorá-las, que isso é perda de tempo… aí eu fico P$%# demais!
Saiba que a esmagadora maioria das questões sobre conjunção exige objetividade e decoreba, por isso eu ainda sou da velha escola que diz: DECORE AS CONJUNÇÕES antes de partir para a análise contextual!!!
Um velho sábio já dizia que o caminho do meio é o melhor caminho, no entanto na época dele não havia concurso público, por isso vou provar por que decorar as conjunções é importante para resolver rapidamente a maioria das questões de concursos. Acompanhe!
>>> Qual é a classificação das expressões destacadas?
1) Choveu muito ontem, E alagou a cidade.
( ) conjunção conclusiva
( ) conjunção aditiva
2) Vale a pena estudar, NÃO OBSTANTE há contratempos.
( ) conjunção adversativa
( ) conjunção concessiva
3) Ela não fez boa redação, POR CONSEGUINTE foi desclassificada.
( ) conjunção conclusiva
( ) conjunção consecutiva
>>> A conjunção destacada não pode ser substituída por qual sem que haja alteração de sentido ou incorreção gramatical?
1) Ela devia estar com frio, PORQUANTO tremia.
( ) POR ISSO
( ) UMA VEZ QUE
2) Precisamos ajudá-lo, DADO QUE está pobre.
( ) POSTO QUE
( ) POR
3) EMBORA ela faça tudo por você, desconfie.
( ) AINDA QUANDO
( ) CONQUANTO
>>> O termo destacado foi coerentemente selecionado para compor que frase?
( ) Queria se estabilizar, DE SORTE QUE foi incentivado a investir.
( ) CONSOANTE se disse, ela não te merece.
GABARITO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Aos que têm preguiça de decorar as conjunções ou acham desnecessário decorá-las por pensarem que só a análise semântica contextual dará conta da classificação da conjunção, quero dizer que as principais conjunções que podem ter mais de um sentido, a ponto de terem dupla classificação, são estas: MAS (aditiva ou adversativa), NÃO OBSTANTE (adversativa ou concessiva), POIS (causal, explicativa ou conclusiva), PORQUE (causal, explicativa, final), PORQUANTO (causal ou explicativa), DADO QUE (concessiva, condicional ou causal), UMA VEZ QUE (causal ou condicional), SEM QUE (concessiva, condicional ou consecutiva), DESDE QUE (temporal ou condicional), COMO (aditiva, causal, comparativa ou conformativa), SE (condicional, causal ou concessiva), QUE (aditiva, adversativa, alternativa, explicativa, integrante, causal, consecutiva, comparativa, concessiva, final, temporal). Por isso, decore-as! 😀
Ah! Você sabia que, etimologicamente, decorar significa “guardar no coração”? Poético e bonitinho, né?! 🙂
Sobre as questões que eu propus para provar a importância de decorar as conjunções, acompanhe os comentários, com atenção!
>>> Qual é a classificação das expressões destacadas?
1) Choveu muito ontem, E alagou a cidade.
( ) conjunção conclusiva
( x ) conjunção aditiva
Comentário: Se você não tivesse decorado as conjunções, erraria esta questão, pois o E tem valor semântico conclusivo, mas é uma conjunção aditiva, a qual, contextualmente, tem valor semântico de conclusão. Em outras palavras, embora estabeleça uma relação semântica de conclusão, o E é classificado como conjunção aditiva. Sim, decorar é importante!
2) Vale a pena estudar, NÃO OBSTANTE há contratempos.
( x ) conjunção adversativa
( ) conjunção concessiva
Comentário: A locução conjuntiva NÃO OBSTANTE pode ser adversativa (quando vem seguida de verbo no modo indicativo) ou concessiva (quando vem seguida de verbo no modo subjuntivo). Logo, seria preciso decorar (guardar no coração) essa informação para acertar esta questão, porque tanto a adversidade quanto a concessão trabalham com a noção de oposição de ideias. Sim, decorar é importante!
3) Ela não fez boa redação, POR CONSEGUINTE foi desclassificada.
( x ) conjunção conclusiva
( ) conjunção consecutiva
Comentário: Tanto as conjunções conclusivas quanto as consecutivas estabelecem uma relação de fato/causa-conclusão/consequência, logo é muito fácil confundir as conjunções conclusivas com as consecutivas, exceto por um detalhe: se você as decorar, saberá, por exemplo, que POR CONSEGUINTE nunca é uma conjunção consecutiva, como tal/tão/tanto/tamanho... que, e sim CONCLUSIVA, porque, neste, caso, não há subordinação sintática, apenas semântica! Sim, decorar é importante!
>>> A conjunção destacada não pode ser substituída por qual sem que haja alteração de sentido ou incorreção gramatical?
1) Ela devia estar com frio, PORQUANTO tremia.
( x ) POR ISSO
( x ) UMA VEZ QUE
Comentário: PORQUANTO é uma conjunção coordenativa explicativa, e não conclusiva como UMA VEZ QUE (que tem valor semântico causal ou condicional). Note que “tremer” é a possível consequência de “ela dever estar com frio”, e não a causa. Usar POR ISSO no lugar de PORQUANTO é inapropriado, pois POR ISSO é um conectivo conclusivo, e não explicativo como PORQUANTO. Sim, decorar é importante!
2) Precisamos ajudá-lo, DADO QUE está pobre.
( x ) POSTO QUE
( x ) POR
Comentário: DADO QUE indica causa, mas, segundo a norma culta, POSTO QUE indica concessão, por isso não são intercambiáveis. Além disso, o uso da preposição POR no contexto geraria incorreção gramatical, pois, após preposição, usa-se verbo no infinitivo: “Precisamos ajudá-lo, por ESTAR pobre”. Sim, decorar é importante!
3) EMBORA ela faça tudo por você, desconfie.
( ) AINDA QUANDO
( ) CONQUANTO
Comentário: EMBORA é uma conjunção concessiva, por isso pode ser substituída por AINDA QUANDO (que é o mesmo que AINDA QUE) e CONQUANTO, pois os três conectivos são concessivos e, portanto, intercambiáveis. Por isso não marquei nenhum dos parênteses. Sim, decorar é importante!
>>> O termo destacado foi coerentemente selecionado para compor que frase?
( x ) Queria se estabilizar, DE SORTE QUE foi incentivado a investir.
( x ) CONSOANTE se disse, ela não te merece.
Comentário: Pelo contexto de ambas as frases, não há erro no uso de ambos os conectivos. DE SORTE QUE é uma locução conjuntiva consecutiva, ou seja, exprime consequência. CONSOANTE é uma conjunção conformativa, equivalente a “conforme”. Sim, decorar é importante!
Se você é concurseiro e ainda acha que não precisa decorar as conjunções, só tenho uma coisa a dizer a você: DECORE AS CONJUNÇÕES! 🙂
Muita gente não põe a vírgula entre uma conjunção e outra, como nos casos abaixo:
– Acho que se ela voltar, eu ficarei mais feliz.
– Gosto muito dela, mas enquanto não me pagar o que deve, não falarei com ela.
O certo é pôr a vírgula entre uma conjunção e outra, ok? Veja:
– Acho que, se ela voltar, eu ficarei mais feliz.
– Gosto muito dela, mas, enquanto não me pagar o que deve, não falarei com ela.
A vírgula entre as conjunções não é usada para separar uma da outra, e sim para marcar a intercalação da oração adverbial: “… que, se ela voltar,…” e “… mas, enquanto não me pagar o que deve,…”.
Fique atento a isso!
Salve, galera!
É uma conjunção subordinativa condicional equivalente a “se”. Segundo a esmagadora maioria dos gramáticos, só vem seguida de verbo no presente do subjuntivo ou no pretérito imperfeito do subjuntivo. Exemplos:
– Caso depositem confiança em você, não deixe de falar de mim.
– Eu só lhe perdoaria, caso ela viesse pedir desculpas sinceras.
Para o gramático Domingos Paschoal Cegalla, não há problema algum em usar tal conjunção seguida de um verbo no futuro do subjuntivo, no lugar do presente ou do imperfeito do subjuntivo:
“Quem tocar qualquer cadáver humano fica contaminado por sete dias. Deverá purificar-se com esta água no terceiro e no sétimo dia, e ficará puro. Caso não se purificar (purifique) no terceiro e no sétimo dia, não ficará puro.” (Números 19:11, 12)
No entanto, não é assim que analisam as bancas. Veja uma questão sobre isso:
Cespe/UnB – CORREIOS – ANALISTA (LETRAS) – 2011
(…) Se nos apressarmos a dizer que o sujeito da memória é o eu, na primeira pessoa do singular, a noção de memória coletiva poderá apenas desempenhar o papel analógico, ou até mesmo de corpo estranho na fenomenologia da memória. (…)
Se a conjunção “Se” fosse substituída por “Caso”, deveria ser alterado o tempo e mantido o modo verbal empregado na oração condicional.
( ) CERTO ( ) ERRADO
Gabarito: certo. A banca Cespe/UnB fica com a visão tradicional, a saber: “Caso” não pode substituir “Se” seguido de verbo no futuro do subjuntivo. A forma verbal “apressarmos” deveria estar assim: “apressemos” ou “apressássemos”. Logo depois, a banca considerou errado, e aceitou a construção.
> Nunca se usa a conjunção condicional “caso” acompanhada da conjunção condicional “se”, formando “se caso” ou “caso se”. Não confunda com a construção correta formada por “caso” (conjunção) + “se” (pronome) ou “se” (conjunção) + “acaso” (advérbio): “Caso se lembre de mim, dê um sinal”, “Se acaso me quiseres, estarei aqui”.
NUMA CIDADE MUITO LONGE, MUITO LONGE DAQUI…
Era uma vez um professor de português muito tarado… por sexo e por português.
Um belo dia, ele resolveu juntar sexo e português em sua aula de gramática.
Para ensinar oração subordinada adverbial consecutiva, ele deu a seguinte aula:
– Aí, galera tarada por português! O bagulho é o seguinte… respondam aí a pergunta que eu vou fazer, já é? O que vem primeiro: o tesão ou a consequência?
Uma aluna safadjenha respondeu (enquanto mascava chiclete):
– Ah, prof… essa é fácil: o TESÃO!
– Iiiiiiiisssssssoooo… muito bem! Gravem esta frase até o fim desta aula: primeiro vem o tesão, depois vem a consequência!
Então acompanhem o raciocínio destas quatro frases aqui, no quadro:
– Ele é TÃO inteligente que passou na prova.
– Fez TANTA besteira que foi castigado.
– TAMANHA foi sua coragem que pulou no mar.
– TAL foi a implicância que tomou bronca.
Depois de geral da sala rir, o professor perguntou:
– Galera, na primeira frase, por que ele passou na prova? Quero ver todo mundo responder alto, hein!!!!!!
Todos responderam:
– PORQUE ELE É MUITO INTELIGENTE!!!!!!!
– Iiiiiiiisssssssoooo… muito bem! Próxima frase: por que ele foi castigado?
– PORQUE ELE FEZ MUITA BESTEIRA!!!!!!
– Iiiiiiiisssssssoooo… muito bem! Terceira frase, galera: por que ele pulou no mar?
– PORQUE ELE ERA MUITO CORAJOSO!!!!!!!!
– Iiiiiiiisssssssoooo… muito bem! Última frase, galera… essa é para cair o prédio: POR QUE ELE LEVOU BRONCA?
– PORQUE ELE TEVE MUITA IMPLICÂNCIA!!!!!!!!!!
– BOA, GALERA!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Depois de gargalhadas e zoações, o professor acalmou os ânimos da turma e disse:
– Viu como vocês sabem português?! Anotem agora: o Tesão vem sempre antes da consequência. Alguém aí pegou o bizu do que é o Tesão?
Um aluno malandramente nerd disse:
– Mole, professor! Toda vez que vier antes do QUE as palavras TÃO, TANTO, TAMANHO, TAL, o QUE iniciará uma consequência!!! A parada é divertida, o empreendimento é sinistro!
Depois de gritinhos de zoação por parte dos meninos e suspiros por parte das meninas, o professor disse:
– Exatamente, moleque! Perfeito! Pô, diz aí, você está tendo aula de português com quem?
– Ué, mestre, contigo, pô!
– Eu sei (gargalhou o professor), por isso você está sinixxxtro assim!
Resumindo, então, galera: toda vez que vier antes do QUE as palavras TÃO, TANTO, TAMANHO, TAL, o QUE iniciará uma consequência, logo a oração é subordinada adverbial consecutiva, beleza?
O sinal tocou, o professor ficou feliz e a turma saiu da sala sabendo o que era uma oração subordinada adverbial consecutiva (ela sempre vem depois do Tesão – Tão, Tanto, Tamanho, Tal – e sempre vem introduzida pela conjunção “que”).
Salve, galera!
Um verbo chamado de “verbo irregular” é aquele que apresenta, em geral, alterações no radical. Em 99% das vezes, você detecta se um verbo é irregular logo na 1ª pessoa do presente do indicativo. Exemplos:
PEDir (eu peço)
MEDir (eu meço)
CABer (eu caibo)
VALer (eu valho, ou então, eu me valorizo)
FAZer (eu faço)
Note que ninguém fala eu pido, eu mido, eu cabo, eu valo, eu fazo… Safo?!
Pronto! Hoje você aprendeu como identificar os verbos irregulares!
😉
P.S.: Caso queira saber mais (muito mais!) sobre verbo, consulte o capítulo 12 da minha gramática. Ah! Isso cai em prova de concurso, ok? Até a próxima!
Salve, galera!
Infelizmente teremos de conviver com mitos gramaticais ensinados em sala de aula, mas aos poucos vamos acabando com eles.
1- O verbo “ser” é SEMPRE um verbo de ligação.
Mito! Pode ser intransitivo. Exemplo: “Se não FOSSE ele, eu não seria ninguém”. (Equivale a “Se ele não existisse…”.)
2- O predicativo do sujeito SEMPRE vem ligado por um verbo de ligação.
Mito! Pode haver predicativo do sujeito com verbo de ação na frase. Exemplo: “Os amigos chegaram FELIZES ao evento”. (Note que o verbo “chegar” é intransitivo.)
3- Todos os verbos impessoais SEMPRE ficam na 3ª pessoa do singular, obrigatoriamente.
Mito! O verbo “ser”, mesmo sendo impessoal, quando indica hora, data, aspecto natural ou distância, varia normalmente. Exemplo: “Já SÃO dez horas da noite”.
Cuidado com os SEMPRES em Português, porque a língua é muito dinâmica.
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