Salve, galera!
1) Sabe por que uma oração subordinada substantiva é chamada de SUBSTANTIVA? Simples… porque ela ocupa a posição de um termo de valor substantivo (sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo do sujeito, aposto, agente da passiva e vocativo, segundo Ulisses Infante 'oração adjetiva livre com função vocativa' ou 'oração substantiva vocativa'). Veja:
– É certo QUE ELA VAI RETORNAR.
– É certo O RETORNO DELA.
Note que a oração QUE ELA VAI RETORNAR pode ser substituída por um termo de núcleo substantivo: o RETORNO dela.
Sobre a função sintática dessa oração subordinada substantiva, basta analisar a frase como qualquer outra:
– Maria comeu o bolo. (Quem comeu o bolo? Maria. Portanto, “Maria” é o sujeito.)
– É certo que ela vai retornar. (O que é certo? Que ela vai retornar. Portanto, “que ela vai retornar” é o sujeito.)
2) Sabe por que uma oração subordinada adjetiva é chamada de ADJETIVA? Simples… porque ela ocupa a posição de um termo de valor adjetivo. Veja:
– O rapaz QUE É INTELIGENTE chegou.
– O rapaz INTELIGENTE chegou.
Note que a oração QUE É INTELIGENTE pode ser substituída por um termo de valor adjetivo: INTELIGENTE.
Sobre a função sintática dessa oração subordinada, saiba que sempre exerce função sintática de adjunto adnominal.
3) Sabe por que uma oração subordinada adverbial é chamada de ADVERBIAL? Simples… porque ela ocupa a posição de um termo de valor adverbial. Veja:
– DEPOIS QUE ELA ENTROU, todos se calaram.
– APÓS SUA ENTRADA, todos se calaram.
Note que a oração DEPOIS QUE ELA ENTROU pode ser substituída por um termo de valor adverbial: APÓS SUA ENTRADA (locução adverbial de tempo).
Sobre a função sintática dessa oração subordinada, saiba que sempre exerce função sintática de adjunto adverbial.
Agora que você aprendeu (creio eu), vá fazer questões. Treine!
Simples assim. 😉 As adverbiais exercem a função de adjunto adverbial, as adjetivas, de adjunto adnominal e as substantivas, as demais funções.
P.S.: Para dominar completamente o assunto, coma com farinha o capítulo 23 da minha gramática!!!!!!!
SUJEITO ORACIONAL – O que são? Onde vivem? O que comem? Onde nascem? Como se reproduzem? Hoje, no Globo Repórter! Ou, no Câmera Record.
Existem 3 tipos de sujeito oracional. Em geral, você pode substituí-los por ISSO ou ESSE.
1) Iniciado pelas conjunções integrantes “que” ou “se”. Esse sujeito oracional também é chamado de oração subordinada substantiva subjetiva.
– Seria bom SE VOCÊ ESTUDASSE. (ISSO seria bom.)
– Vê-se QUE TODOS ESTUDAM. (ISSO se vê.)
2) Constituído de verbo(s) no infinitivo. Esse sujeito oracional também é chamado de oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo.
– PRATICAR EXERCÍCIOS E SE ALIMENTAR BEM torna seu corpo são. (ISSO torna seu
corpo são.)
3) Iniciado pelos advérbios interrogativos “onde”, “como”, “quando”, “por que” ou pelos pronomes interrogativos “que”, “quem”, “qual”, “quanto”. Esse sujeito oracional também é chamado de oração subordinada substantiva subjetiva justaposta.
– Está decidido ONDE VAMOS ESTUDAR. (ISSO está decidido.)
– Não me importa COMO IREMOS ESTUDAR. (ISSO não me importa.)
– Não se sabe QUANDO VAMOS ESTUDAR. (ISSO não se sabe.)
– Agora ficou claro POR QUE ELES ESTUDARAM TANTO. (ISSO agora ficou claro.)
– Verificou-se QUE HORAS ELES IRIAM ESTUDAR. (ISSO se verificou.)
– QUEM ESTUDA sempre se dá bem. (ESSES se dão bem.)
– Está certo QUAL HORÁRIO ESTUDAREMOS? (ISSO está certo?)
– Não se sabe QUANTO SE ESTUDARÁ. (ISSO não se sabe.)
Para fechar com chave de ouro, saiba que o sujeito oracional equivale ao masculino singular, de forma que, independentemente de quantas orações componham o sujeito oracional, o verbo desse sujeito fica no singular. Exemplos: “Abrir a economia e inserir as companhias no comércio exterior SÃO CRUCIAIS para ampliar a produtividade e a renda interna” (errado) / “Abrir a economia e inserir as companhias no comércio exterior É CRUCIAL para ampliar a produtividade e a renda interna” (certo). Note que o adjetivo acompanha a concordância. Não importa se há um termo no feminino ou no plural ou se a oração é reduzida.
Ah! Só vai haver plural quando os núcleos do sujeito do infinitivo vierem determinados ou forem antônimos: “O errar e o assumir dependem do caráter” / “Dormir e acordar constituem características humanas”.
Veja uma questão sobre este tópico:
– (FCC) As normas de concordância verbal encontram-se plenamente observadas em:
a) A utilidade dos dicionários, mormente quando se trata de palavras polissêmicas, manifestam-se nas argumentações ideológicas.
b) Não se notam, entre os preconceituosos, qualquer disposição para discutir o sentido de um juízo e as consequências de sua difusão.
c) Não convém aos injustiçados reclamar por igualdade de tratamento quando esta pode levá-los a permanecer na situação de desigualdade.
d) Como discernimento e preconceito são duas acepções de discriminação, hão que se esclarecer o sentido pretendido.
e) Uma das maneiras mais odiosas de refutar os argumentos de alguém surgem na utilização de preconceitos jácristalizados.
Gabarito: C. Antes de tudo, saiba que a FCC se amarra em deslocar o sujeito e trabalhar com sujeito oracional, portanto coloque a frase na ordem direta. “Não convém aos injustiçados reclamar por igualdade de tratamento quando esta pode levá-los a permanecer na situação de desigualdade” vira, na ordem direta, isto: “Reclamar por igualdade de tratamento… não convém aos injustiçados”. Facilitou a visão, não é? Percebe que o sujeito da forma verbal “convém” é uma oração reduzida de infinitivo (“Reclamar por igualdade de tratamento”)? Quando o sujeito está em forma de oração, o verbo sempre fica no singular. Ok?
Espero ter ajudado! 🙂
Salve, galera!
Se alguma questão exigir de você a identificação de uma voz verbal (em concurso público), você precisará saber três coisas:
1) existe voz ativa, passiva e reflexiva;
2) cada voz verbal tem uma “marca”, porque voz ativa, passiva e reflexiva são formas verbais, enquanto atividade, passividade e reflexividade são ideias;
3) a marca da voz passiva (analítica) é a locução verbal formada por ser + particípio, e a marca da voz passiva (sintética) é o VTD(I) + se apassivador; a marca da voz reflexiva é o VTD(I) + se reflexivo; a marca da voz ativa é o resto.
Exemplos:
> Voz ativa: João saiu de casa.
> Voz passiva analítica: João foi demitido pelo patrão.
> Voz passiva sintética: Demitiu-se João.
> Voz reflexiva: João se castigou pelo vacilo.
Sendo assim, só para treinar, qual é a voz verbal dos verbos destacados na frase abaixo?
“Elas SERIAM elegantes se TIVESSEM TIDO aulas com o Pedro, que sempre GOSTOU de temas relativos à moda e à etiqueta”.
Gabarito: como não há “marcas” de outras vozes, a voz só pode ser ativa.
João só pensa em si. - há reflexividade, mas não há voz reflexiva
João sofreu um acidente. - há passividade, mas não há voz passiva
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P.S.: Todos sabem que não sou afeito a reducionismos; mas, em concursos públicos, este vale a pena, porque ajuda em 99,9% dos casos!
Salve, galera!
Em construções assim, com verbo “ser” explícito ou implícito, o adjetivo/particípio só irá variar em gênero se o substantivo a que se refere estiver determinado na frase, normalmente por um artigo ou pronome de sentido determinador. Exemplo:
– É necessária a manutenção.
– É boa aquela / esta / minha / sua / nossa cerveja.
Se o substantivo estiver com sentido indeterminado, normalmente pela ausência de um determinante (artigo ou pronome, por exemplo), o adjetivo/particípio não irá variar. Exemplo:
– É necessário manutenção.
– É bom cerveja.
Por isso, as frases “Proibida a entrada” e “Proibido entrada” são corretas, pois equivalem, respectivamente, a “É proibida a entrada” e “É proibido entrada”. Portanto, “Proibida entrada” é construção incorreta, assim como “Proibido a entrada”.
Isso já caiu em prova, inclusive!
CESGRANRIO – MEC – PROFESSOR DE MATEMÁTICA – 2009
[Havia um texto (HQ) da personagem Graúna, do Henfil, e nele havia uma placa escrita assim: “Proibida entrada de estranhos!”. A questão trabalhou em cima disso.]
– Considere as afirmações abaixo a respeito da inscrição na placa “Proibida entrada de estranhos!” quanto à concordância nominal inadequada da frase.
I – O substantivo não vem acompanhado de artigo, logo a concordância adequada seria “proibido entrada”.
II – A palavra “proibida”, no feminino, exige que o substantivo com o qual concorda venha acompanhado de artigo, levando à forma “proibida a entrada”.
III – A palavra “proibida” é verbo e não concorda com o substantivo “entrada”, então a concordância adequada seria “proibido entrada”.
É correto APENAS o que se afirma em
a) I.
b) II.
c) III.
d) I e II. (Gabarito!)
e) I e III.
Só mais um detalhe: “Entrada proibida” é construção correta, pois equivale a “A entrada é proibida”, diferentemente de “Proibido entrada”, que equivale, como já vimos, a “É proibido entrada”.
Fui!
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P.S.: Decidi escrever este texto, pois, revisando minha gramática para a 3ª edição, encontrei um erro de revisão (ato falho que passou pela 1ª e pela 2ª edição, infelizmente) no capítulo de concordância nominal, em que eu afirmo que a construção “Proibida entrada” está correta, mas não está, conforme você pôde aprender com a leitura da explicação acima. Não querendo justificar-me, mas já o fazendo, herrar é umano… 😛
Salve, galera!
Infelizmente, ainda há muitos mitos gramaticais espalhados pela internet e pelas salas de aula. Por isso, vamos desfazê-los de uma vez por todas?
MITO 1: “Não há crase antes de pronome indefinido”.
Veja os exemplos abaixo:
– Ele não se referiu a esta doença, e sim à outra.
– Ele não se referiu a estas doenças, e sim às demais.
Os vocábulos “outra” e “demais” são pronomes indefinidos. A crase ocorre porque alguns pronomes indefinidos, como os do exemplo, admitem artigo definido antes. Logo, referir-se A + A outra = À outra; referir-se A + AS demais = ÀS demais.
MITO 2: “Não se usa preposição com mais de uma sílaba ou locução prepositiva antes de pronome relativo QUEM”.
Veja os exemplos abaixo:
– A mulher sobre quem falei era linda.
– O inimigo contra quem lutei era forte.
Absolutamente nenhum gramático desabona essas construções. Nenhum! Logo, elas estão corretas. No lugar do “quem” também seria possível usar “o qual” (e variações): sobre quem > sobre a qual; contra quem > contra o qual.
MITO 3: “Só se usa POR QUÊ em fim de frase”.
Veja os exemplos abaixo:
– Sem saber como nem por quê, ela ficou confusa.
– Ainda não entendo por quê, mas vou entender.
Ambas as frases estão corretas, pois se usa POR QUÊ, equivalendo a “por qual razão”, quando há uma pausa evidente após ele (não necessariamente no fim da frase), marcada na escrita por algum sinal de pontuação, como vírgula, ponto e vírgula, ponto de interrogação, ponto de exclamação, reticências etc.
Anote no caderninho… e seja feliz!
Salve, galera!
Existem cerca de 400.000 palavras na língua portuguesa. É impossível memorizar todas, porque nós não somos computadores. Devido a características em comum, elas são separadas em classes (daí surgem as “classes gramaticais”).
No entanto, pense numa palavra normalmente encaixada na classe dos pronomes. Pensou? Então… esta mesma palavra pode, contextualmente, se tornar advérbio ou substantivo. Isso acontece frequentemente com a maioria das palavras da língua portuguesa, isto é, a depender do contexto, uma mesma palavra pode ter sua classe gramatical alterada. Portanto… CUIDADO!
Veja um exemplo com o vocábulo MAIS:
Substantivo: O mais é um vocábulo interessante.
Pronome Indefinido: Hoje eu ganhei mais presentes.
Advérbio de intensidade: Fale mais. / Sou mais inteligente que ele. / Espero que cheguem mais cedo.
Advérbio de tempo: Eu não volto mais aqui. (Sempre usado depois duma negação.)
Conjunção aditiva (linguagem matemática ou regionalismo): Seis mais três são nove. / João mais Maria foram ao bosque.
Safo?!
Bons estudos! 😉
P.S.: Estude o capítulo 31 da minha gramática. Vai valer muuuuito a pena!
Salve, galera!
Em provas mais complicadas, algumas bancas gostam de trabalhar PARALELISMO SINTÁTICO. Você ainda não sabe o que é isso? Então, aprenda!
Para haver paralelismo adequado, precisa haver simetria de construção, o que significa que
1) um termo deve se coordenar a outro termo, e não a uma oração;
2) uma oração desenvolvida deve se coordenar a outra oração desenvolvida, e não a um termo ou a uma oração reduzida;
3) uma oração reduzida deve se coordenar a outra oração reduzida, e não a um termo ou a uma oração desenvolvida; e
4) as estruturas de correlação (você as conhece?) devem ser respeitadas.
Percebeu que, para manjar bem de paralelismo sintático, é preciso saber o que é COORDENAÇÃO, o que é um TERMO sintático, o que é uma ORAÇÃO DESENVOLVIDA, o que é uma ORAÇÃO REDUZIDA e o que são ESTRUTURAS DE CORRELAÇÃO?
Se você não domina o assunto e vai encarar concursos difíceis, sugiro que estude o capítulo 22 da minha gramática. Papo reto!
Independentemente disso, veja as frases abaixo (todas estão com paralelismo errado) e veja a reescritura correta delas.
1. Mande-me tudo que conseguir sobre as manobras de minha tia e se meu tio encontrou os documentos que procurava.
> Mande-me tudo que conseguir SOBRE AS MANOBRAS DE MINHA TIA e SOBRE A PROVÁVEL DESCOBERTA DOS DOCUMENTOS PROCURADOS PELO MEU TIO.
2. Os candidatos aprovados no exame médico e que estejam de posse da documentação poderão apresentar-se à comissão.
> Os candidatos APROVADOS NO EXAME MÉDICO E DE POSSE da documentação poderão apresentar-se à comissão.
3. Como tudo estava acertado entre os sócios e que haviam fechado um ótimo negócio, a amizade deles perdurou.
> COMO TUDO ESTAVA ACERTADO ENTRE OS SÓCIOS E COMO HAVIAM FECHADO UM ÓTIMO NEGÓCIO, a amizade deles perdurou.
4. Lívia é uma jovem de boa aparência e que trabalha, inclusive, como modelo.
> Lívia é uma jovem de boa aparência QUE TRABALHA, INCLUSIVE, COMO MODELO.
5. Não fui trabalhar em virtude de estar chovendo e porque estava gripado.
> Não fui trabalhar em virtude de estar chovendo e ESTAR GRIPADO.
6. Falta-lhe o essencial – a emoção, que é própria do homem, o olhar atento do professor, ver o professor gesticular, falar, a interrupção do aluno…
> Falta-lhe o essencial – a emoção, que é própria do homem, o olhar atento do professor, a visão/percepção da gesticulação do professor, da sua fala, a interrupção do aluno…
7. A espera pela valorização dos lotes e ansiar a venda deles torna tudo difícil.
> A ESPERA PELA VALORIZAÇÃO DOS LOTES E O ANSEIO PELA VENDA DELES tornam tudo difícil.
8. Pelo aviso anterior, foi recomendado economizar dinheiro e que se elaborassem projetos mais sólidos.
> Pelo aviso anterior, foi recomendado ECONOMIZAR DINHEIRO E ELABORAR PROJETOS MAIS SÓLIDOS.
9. Neste momento, não se devem adotar medidas precipitadas e que comprometam o andamento de todo o programa.
> Neste momento, não se devem adotar medidas PRECIPITADAS E COMPROMETEDORAS DO ANDAMENTO DE TODO O PROGRAMA.
10. Na última correspondência, ele mostrava determinação e conhecer o assunto.
> Na última correspondência, ele mostrava DETERMINAÇÃO E CONHECIMENTO DO ASSUNTO.
11. Nosso destino depende em parte do determinismo e em parte obedecendo à nossa vontade.
> Nosso destino depende EM PARTE DO DETERMINISMO E EM PARTE DA OBEDIÊNCIA À NOSSA VONTADE.
12. Ele gosta de conversar e principalmente de anedotas.
> Ele gosta DE CONVERSAR E DE CONTAR/OUVIR ANEDOTAS.
13. É necessário chegares a tempo e que tragas ainda a encomenda.
> É necessário CHEGARES A TEMPO E TRAZERES AINDA A ENCOMENDA.
14. Fiquei decepcionado com a nota da prova e quando o professor me disse que eu não sei nada.
> Fiquei decepcionado QUANDO RECEBI A NOTA DA PROVA E QUANDO O PROFESSOR ME DISSE QUE EU NÃO SEI NADA.
15. Informou-me sobre as atividades do curso e se a data das provas já estava marcada.
> Informou-me SOBRE AS ATIVIDADES DO CURSO E SOBRE A PROVÁVEL DATA DAS PROVAS.
16. Todos buscam a espiritualidade, isto é, visando seguir um preceito religioso.
> Todos buscam A ESPIRITUALIDADE, ISTO É, UM PRECEITO RELIGIOSO.
17. Passei alguns dias junto à minha família e revendo velhos amigos de infância.
> PASSEI ALGUNS DIAS JUNTO À MINHA FAMÍLIA E REVI VELHOS AMIGOS DE INFÂNCIA.
18. Sofre o povo humilhado pela imprensa e que é ignorado por ela.
> Sofre o povo HUMILHADO PELA IMPRENSA E IGNORADO POR ELA.
19. O homem que me ajudou e com muito incentivo era meu pai.
> O homem QUE ME AJUDOU E QUE ME INCENTIVOU MUITO era meu pai.
20. Corri de manhã e quando já era tarde.
> Corri DE MANHÃ E DE TARDE.
Às vezes existe mais de uma possibilidade de correção visando ao paralelismo adequado. Portanto, se a sua é diferente da minha, não há problema nisso, desde que a sua forma de reescrita esteja com paralelismo adequado. 😉
Salve, galera!
O concurseiro que ainda pensa que Português é Matemática (ou seja, uma espécie de ciência exata) ainda vai sofrer muito em certos concursos.
– Por quê, Pest?
Vamos lá…
Veja a frase abaixo:
> Eu tenho certeza que passarei na prova.
Ela está certa ou errada?
A maioria dirá que está faltando a preposição exigida pelo substantivo “certeza”, de modo que a frase devesse ser escrita assim:
> Eu tenho certeza DE que passarei na prova.
No entanto, vários gramáticos de respeito, como Bechara, Cegalla, Azeredo, Luft, Sacconi, Henriques, Macedo, etc., dizem que a preposição pode ficar elíptica antes da conjunção integrante. Algumas bancas, como a FCC, a Esaf e o Cespe já trabalharam essa visão gramatical não ortodoxa (digamos assim…).
Portanto, Português não é Matemática, não é preto ou branco, pode ser cinza… Às vezes há duas visões sobre a mesma construção linguística, e ambas são corretas e não excludentes. Se a maioria das bancas considera que a ausência da preposição nesses casos é um erro, OK, vamos seguir o que elas pensam e acertar a questão na prova, mas não pense que a verdade delas é a única verdade sobre esse ponto linguístico. Você quer acertar a questão, e ponto final, certo? OK, eu concordo e incentivo, mas nunca se esqueça de ter uma carta na manga, pois nunca sabemos quando uma banca pode “aprontar” em cima dessas polêmicas gramaticais.
Fica a dica! 😉
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P.S.: A esquizofrênica banca Cespe já trabalhou esse assunto de duas maneiras: ora considerando a preposição como obrigatória, ora como facultativa. Sim, é caso de internação gramatical.
Salve, galera!
Era uma vez… um conceito chamado SUBSTANTIVAÇÃO…
Ele tem a ver com a alteração de classificação morfológica duma palavra, que vira substantivo.
Vamos entender a historinha: você abre uma gramática qualquer no capítulo de advérbio; nele você encontra a informação de que o NÃO é um advérbio de negação; mais à frente, em análise sintática, você descobre que os advérbios sempre exercem função de adjunto adverbial; logo, você chega à conclusão lógica de que “se o NÃO é um advérbio, e todo advérbio exerce função sintática de adjunto adverbial, logo o NÃO sempre será um advérbio, com função de adjunto adverbial”.
Certo?
Hmmmm…
Não. Errado.
A palavra SEMPRE em Português é complicada… Vocês, que estudam muito, sabem que não é bem assim que a banda toca, sabem que Português não é Matemática.
Por isso, voltando ao início do texto… Você sabe o que é SUBSTANTIVAÇÃO?
É simples: tem a ver com a alteração de classificação morfológica duma palavra, que vira substantivo.
Vamos pegar o mesmo exemplo do NÃO?
Veja três frases:
1- Os políticos NÃO querem nos ajudar.
2- O seu NÃO eu já tenho.
3- Se você disser NÃO a ele, vai se queimar.
Na 1ª, o vocábulo NÃO é um legítimo advérbio, pois se relaciona com o verbo, indicando uma circunstância de negação.
Na 2ª, temos um processo de substantivação, pois o vocábulo NÃO, que é normalmente um advérbio (em condições normais de temperatura e pressão), vem determinado por um artigo e por um pronome, o que o torna um substantivo.
Na 3ª, também temos um processo de substantivação, pois o vocábulo NÃO, que é normalmente um advérbio (em condições normais de temperatura e pressão), ocupa a posição de e exerce a função de um objeto direto, o que o torna um substantivo. É como se a frase estivesse escrita assim: “Se você disser um NÃO a ele…”. Percebeu que é possível pôr um artigo antes do NÃO para perceber, de fato, que ele virou um substantivo, contextualmente?
Resumo da ópera: SUBSTANTIVAÇÃO é o processo pelo qual uma palavra vira um substantivo. Pode se dar por uso de determinantes, como vimos na 2ª frase. Também se dá quando uma palavra, que não é por natureza um substantivo, é usada na posição de substantivo, com função sintática própria de substantivo, como vimos na 3ª frase.
Portanto, cuidado!
Fazer análise morfossintática de uma palavra é determinar sua classe gramatical e sua função sintática. E isso (quase, mas nem) SEMPRE dependerá do contexto.
Fim!
Salve, galera!
Imagine a seguinte manchete de jornal ou revista: “MORADORES ESTÃO SUJEITOS A DOENÇA PERIGOSA”.
Percebe que não há crase? Muita gente pensa assim: “Ah, mas está errada a manchete, deveria ser À DOENÇA!”.
Muita calma nessa hora! A ausência do artigo definido visa tornar genérico o sentido do substantivo. Tudo depende da intencionalidade discursiva, ou seja, da intenção comunicativa. A ideia é indeterminar que doença perigosa é essa de que a matéria completa vai tratar de revelar.
Pense: se se deseja indeterminar, indefinir, generalizar, omite-se o artigo definido, não havendo crase (o A é só uma preposição exigida pelo adjetivo “sujeitos”). Se se deseja especificar, definir, determinar, usa-se o artigo definido (havendo artigo, há crase: sujeitos A + A doença perigosa = à doença perigosa). No primeiro caso, é alguma doença perigosa; no segundo caso, é uma doença perigosa já conhecida dos envolvidos no processo comunicativo. Em um, o sentido é vago, genérico, em outro, o sentido é específico, objetivo, preciso, exato, científico.
Veja: “Ele se refere a criança, e não a adulto” não é a mesma coisa que “Ele se refere à criança, e não ao adulto”. Concorda?
Como se viu, não há crase na primeira frase, pois não há artigo definido; já na segunda, há crase, pois há artigo definido.
Sacou? 😉
Enfim… as manchetes de jornais omitem intencionalmente o artigo definido para gerar uma curiosidade no leitor, levando-o a ler a matéria completa, na qual tudo será esclarecido.
É isso.
Felicidades!
Salve, galera!
Faça a questão e leia os comentários com atenção.
> Qual é a única reescritura impossível no que tange à topologia pronominal?
(A) Ele ajeitou-se, concentrou-se e despediu-se. / Ele se ajeitou, se concentrou e se despediu.
(B) Como não o achei, pedi-lhe que me procurasse. / Como não o achei, pedi-lhe me procurasse.
(C) Mesmo quem, diante de situações precárias, encontra-se calmo, padece. / Mesmo quem, diante de situações precárias, se encontra calmo, padece.
(D) Sabemos que a mentira a consome. / Sabemos que a mentira consome-a.
(E) Chamei os alunos que não se falavam. / Chamei os alunos que se não falavam.
Comentários:
Antes de mais nada, topologia pronominal, sínclise pronominal e colocação pronominal são a mesma coisa.
(A) Quando há uma sequência de orações coordenadas, ambas as colocações pronominais são corretas.
(B) Observe que há a elipse da conjunção “que”; independentemente disso, não dispensa a próclise, que continua sendo obrigatória. Só o 'comédia' do José Maria da Costa diz o contrário (para variar).
(C) Depois de vírgula, quando há distanciamento do termo atrativo e o termo ao qual ele se refere, a colocação pronominal é facultativa.
(D) Apesar do comédia do José Maria da Costa abonar as duas construções, Evanildo Bechara é contra a ênclise, pois, para ele, usa-se a próclise em orações subordinadas substantivas, adjetivas e adverbiais desenvolvidas, mesmo que haja um termo intercalado entre o verbo e a palavra atrativa. Enfim, a próclise é obrigatória. Importante: é assim que cai em prova de concurso.
(E) Quando há dupla atração, costuma-se colocar o pronome também entre as palavras atrativas. Isso se chama apossínclise. É uma construção rara, mas correta e encontrada na linguagem jurídica, bíblica e científica e em textos literários clássicos. Por conferir um tom cerimonioso ao discurso, essa construção deve ser evitada em textos argumentativos.
Gabarito: D.
Para saber tudo e mais um pouco sobre colocação pronominal, recomendo aos tarados pela gramática o estudo do assunto no capítulo 11 da minha gramática.
Vá fundo!
Salve, galera!
Há 7 pontos importantes sobre este pronome oblíquo átono.
1) Em geral, pode ser substituído por “a ele(a/s), para ele(a/s), nele(a/s), dele (a/s)” ou por qualquer pronome de tratamento após a preposição (a você, ao senhor, a Vossa Excelência, a Sua Santidade, etc.).
– Agradecemos-lhes a ajuda sincera. (Agradecemos a eles…)
– A mãe lhe comprou uma boneca? (… comprou uma boneca para você?)
– Deus criou o homem e infundiu-lhe um espírito imortal. (… infundiu no homem…)
– As boas ideias lhe fugiam ultimamente. (… fugiam dele…)
– Você é uma boa pessoa, mas não lhe dou mais atenção. (… não dou a você…)
Veja uma questão:
(CESPE/UnB – TELEBRAS)
– No fragmento I “Marconi escreveu ao governo italiano, mas um funcionário descartou a ideia, dizendo que era melhor apresentá-la em um manicômio”, estaria mantida a correção gramatical do texto caso fosse inserido, logo após a forma verbal “dizendo”, o pronome lhe – dizendo-lhe -, elemento que exerceria a função de complemento indireto do verbo, retomando, por coesão, “Marconi”
( ) CERTO ( ) ERRADO
Gabarito: certo. O verbo “dizer” é transitivo direto e indireto. Com a colocação do “lhe” (objeto indireto) junto à forma verbal “dizendo”, fica claro quem é o referente a quem o funcionário disse que era melhor apresentar a ideia em um manicômio, a saber: Marconi. Logo, a afirmação da banca está perfeita!
2) Em geral, exerce função de objeto indireto, mas também pode exercer função de adjunto adnominal (quando tiver valor possessivo), complemento nominal (quando é complemento de um nome) ou sujeito (junto com um dos verbos causativos (mandar, deixar, fazer) ou sensitivos (ver, ouvir, sentir) seguido de infinitivo com objeto direto). Exemplos:
– Não lhe informou a verdade? (Objeto indireto: informou a verdade a ele.)
– “Cristo, eu decidi que vou seguir-lhe os passos.” (Adjunto adnominal: vou seguir os seus passos.)
– O filho sempre lhes foi submisso. (Complemento nominal: foi submisso a eles.)
– Deixou-lhe trazer a família. (Sujeito do infinitivo: equivale a “deixou que ele trouxesse a família”.)
Nesse último caso, quando o verbo no infinitivo não vier seguido de complemento direto (objeto direto), deve-se usar o pronome “o” (e flexões) nessa construção.
Veja duas questões:
(FAB – EEAR)
– Assinale a alternativa cujo termo destacado classifica-se como complemento nominal.
a) Arrancaram-lhe as roupas. (= Arrancaram as suas roupas / adjunto adnominal)
b) Ela nunca lhe desobedece. (= Ela nunca desobedece a ele / objeto indireto)
c) A sentença foi-lhe favorável. (= A sentença foi favorável a ele / complemento nominal)
d) Júlio devolveu-lhe o livro emprestado. (= Júlio devolveu a ele o livro emprestado/ objeto indireto)
Gabarito: C. (A) “Arrancaram as suas roupas” / adjunto adnominal. (B) “Ela nunca desobedece a ele” / objeto indireto. (C) “A sentença foi favorável a ele” / complemento nominal. (D) “Júlio devolveu a ele o livro emprestado” / objeto indireto.
(CETRO – ANVISA)
– Levando em consideração o texto como um todo e as orientações da prescrição gramatical no que se refere a textos escritos na modalidade padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa correta referente a trechos do quarto parágrafo.
a) No trecho: “Cortou as relações antigas, familiares, algumas tão íntimas que dificilmente se poderiam dissolver”, a substituição da expressão destacada por “poderia ser dissolvida” é correta gramaticalmente, mas implica prejuízo semântico.
b) Nos trechos: “algumas tão íntimas que dificilmente se poderiam dissolver”, “despedir-se sem pesar” e “uma por uma se foram indo as pobres criaturas modestas”, as três ocorrências da palavra destacada têm o mesmo valor semântico.
c) No período: “mas a arte de receber sem calor, ouvir sem interesse e despedir-se sem pesar, não era das suas menores prendas” é permitida a repetição da preposição “de” antes das duas últimas formas de infinitivo e recomendável a flexão no plural da forma verbal destacada.
d) Infere-se que uma das maiores prendas de Sofia era fazer perceber aos amigos menos abastados que eles não tinham a vocação que ela trazia desde a infância: a sutileza de comunicar-lhes, efusivamente, que não poderiam mais estender a amizade.
e) Os termos destacados nos trechos: “Sofia é que, em verdade, corrigia tudo”, “Necessidade e vocação fizeram-lhe adquirir, aos poucos, o que não trouxera” e “uma por uma se foram indo as pobres criaturas modestas” cumprem a mesma função sintática.
Gabarito: E. Vou me ater apenas à letra E. Todos os termos exercem função de sujeito.
3) Apesar de ser complemento de verbo transitivo indireto (normalmente), não pode ser usado como complemento de certos verbos, como: “aderir, aludir, anuir, aceder, aspirar (desejar), aspirar (ver), escarnecer, proceder (realizar), presidir, recorrer, referir-se, visar (ter em vista)”. Logo, está equivocada a frase “A autoridade policial procedeu à tomada de algumas providências” se o termo destacado for substituído por “lhe”. Nesses casos, se for preciso substituir o termo destacado por um pronome, use um pronome oblíquo tônico: “A autoridade policial procedeu a ela”.
Veja uma questão:
(CESGRANRIO – PETROBRAS)
– A frase em que o complemento verbal destacado NÃO admite a sua substituição pelo pronome pessoal oblíquo átono “lhe” é:
a) Após o acordo, o diretor pagou “aos funcionários” o salário.
b) Ele continuava desolado, pois não assistiu “ao debate”.
c) Alguém informará o valor “ao vencedor do prêmio”.
d) Entregou o parecer “ao gerente” para que fosse reavaliado.
e) Contaria a verdade “ao rapaz”, se pudesse.
Gabarito: B. Como “lhe” não pode ser complemento de “assistir” (= ver), deveria ser “Ele continuava desolado, pois não assistiu a ele”.
4) É erro grosseiro, segundo a tradição gramatical, o uso de “lhe” como complemento de verbo transitivo direto, ou seja, exercendo função de objeto direto. Por isso, a frase “Deus lhe abençoe” está errada gramaticalmente e deve ser reescrita da seguinte maneira: “Deus o abençoe” ou “Deus te abençoe”. Afinal, o verbo “abençoar” é transitivo direto. O lhe só pode ser usado se o pronome tiver valor possessivo no contexto: 'Espero que Deus lhe abençoe a família (= sua família)'.
Veja uma questão:
(IDECAN – BANESTES)
– A respeito da oração: “Mas essas medidas vão distanciá-los do objetivo inicial”, analise as afirmativas
I. “-los” pode ser substituído por “-lhes” preservando-se a correção da norma culta.
II.“-los” atua como elemento de coesão textual retomando referente anterior.
III. O termo “mas” pode ser substituído por “porém” sem prejuízo de sentido.
Está(ão) correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)
a) I, II
b) II, III
c) I, III
d) I
e) I, II, III
Gabarito: B. Vou me ater apenas à afirmação I. Não se pode usar “lhes” no lugar de “los”, porque “lhes” não pode exercer a mesma função que exerce “los”, a saber: objeto direto.
5) Alguns gramáticos modernos, como Pasquale Cipro Neto e Ulisses Infante, dizem que o lhe só substitui pessoa. Veja, porém, que isso não é verdade, pois o gramático Rocha Lima, Bechara e a Academia Brasileira de Letras pensam diferente (e, para sacramentar, as questões da FCC corroboram o que dizem tais fontes).
ABL RESPONDE
Pergunta: Consultei uma gramática tradicional que afirma que o pronome oblíquo átono “lhe” só substitui pessoas, e não animais nem seres personificados ou instituições. Mas, em “Paguei-lhe (ao banco) a dívida” e “Dei-lhe (no cachorro) um trato”, o lhe está usado erradamente? Não entendo! Por favor, ajudem! Grato!
Resposta: “O objeto indireto é o complemento que representa a pessoa ou coisa a que se destina a ação, ou em cujo proveito ou prejuízo ela se realiza.” Ex.: Aos meus escritos, não lhes dava importância nenhuma. Lhes é objeto indireto em relação a escritos, portanto, coisa. “Fiquei só com oito ou dez cartas para reler algum dia e dar-lhes o mesmo fim.” (Machado de Assis, Memorial de Aires).
Veja uma questão:
(FCC – TRT 2ª R)
– Muita gente não enfrenta uma argumentação, prefere substituir uma argumentação pela alegação do gosto, atribuindo ao gosto o valor de um princípio inteiramente defensável, em vez de tomar o gosto como uma instância caprichosa.
Evitam-se as viciosas repetições da frase acima substituindo-se os elementos sublinhados por, respectivamente,
a) substituir a ela – atribuindo a ele – lhe tomar
b) substituir-lhe – atribuindo-lhe – tomar-lhe
c) substituir-lhe – atribuindo-o – tomá-lo
d) substituí-la – atribuindo-lhe – tomá-lo
e) substituí-la – lhe atribuindo – tomar-lhe
Gabarito: D. Vou me ater apenas à segunda parte. Antes de mais nada, note que “gosto” é coisa e não pessoa. Pode-se usar tranquilamente o “lhe” (objeto indireto) no lugar de “ao gosto” (objeto indireto).
6) Em linguagem literária ou (quase) arcaica, o “lhe” pode ser encontrado numa contração com os pronomes “o, a, os, as”, gerando “lho, lha, lhos, lhas”, que seria a contração do objeto direto com o objeto indireto em forma de pronome oblíquo. Exemplo: “Gostou dos vinhos e pediu ao garçom que lhos reservasse” (“Gostou dos vinhos e pediu ao garçom que reservasse os vinhos para ele”).
7) Diferentemente do pronome nos, o “s” final dos verbos não é suprimido quando seguidos de “lhe”, portanto está errada a frase “Perdoamo-lhe(s)”, devendo ser “Perdoamos-lhe(s)”.
SUCESSO!
Salve, galera!
O que vem a ser o truncamento sintático? Relax, que é algo muito simples.
Ao ler uma frase, em tese, você espera que ela tenha sentido completo, afinal de contas, quem escreve quer ser entendido por quem lê. Ok?
Normalmente a frase é composta de sujeito, de verbo e de complemento (se o verbo o exigir). Até aí, tranquilo?
Pois bem… E quando você lê uma frase e a considera “estranha”, como se estivesse faltando alguma parte, como se algo fosse retirado dela, como se ela estivesse cortada, partida, truncada? Já aconteceu isso alguma vez? Se sim, você esteve diante de uma falha estrutural na frase, um truncamento sintático.
Normalmente ocorre truncamento sintático entre orações principais e orações subordinadas, em que o verbo de uma das orações simplesmente não aparece. Logo, partindo do princípio de que toda oração tem verbo, o que podemos dizer de uma oração que não tem verbo? Simples… e tem nome: truncamento sintático.
Veja esta frase: “Outro aspecto significativo foi a autorização para o aumento das dívidas de vários estados (oração principal), cujas condições financeiras e administrativas. (oração subordinada adjetiva explicativa sem verbo)”
Perceba que falta um pedaço na oração subordinada adjetiva, certo? Por isso, podemos dizer que houve truncamento sintático.
Agora veja a frase inteirinha, completaça, sem truncamento: “Outro aspecto significativo foi a autorização para o aumento das dívidas de vários estados, cujas condições financeiras e administrativas são adequadas para acelerar suas próprias obras de infraestrutura“.
Agora, veja uma questão com as alternativas comentadas.
– Assinale a opção que não apresenta falha estrutural.
(A) Eis o resultado da especialização da economia, cuja forte geração de emprego, em troca de menor competitividade.
Onde está o verbo da oração subordinada adjetiva iniciada pelo “cujo”?
(B) Com uma taxa insignificante de investimento, no qual a proporção foi elevada, por um valor altamente irrisório.
Cadê a oração principal da subordinada adjetiva iniciada por “no qual”?
(C) A moeda brasileira, que há muito vem assumindo uma postura forte não só no mercado nacional, mas também internacional.
Xessus! Onde foi parar o verbo da oração principal da subordinada adjetiva iniciada pelo “que”?
(D) Aquelas velhas explicações, uma vez que forem repassadas prontamente pelo administrador, ainda que não agradem a todos.
O sujeito “Aquelas velhas explicações” está órfão, sem verbo. Simplesmente não há oração principal das subordinadas adverbiais iniciadas por “uma vez que” e “ainda que”.
(E) Os próprios banqueiros perdem benesses e têm de arregaçar as mangas para voltar a antigas tarefas, dando passos retrógrados.
Frase linda. Cada verbo tem seu sujeito. Não há truncamento sintático, pois não está faltando nada à frase.
Quem disse que gramática tem de ser difícil? Só é preciso paciência. Paciência para aprender muita coisa aos pouquinhos… Estou aqui para ajudar a tirar as pedras do caminho.
Safo?! 😉
P.S.: As bancas FCC e ESAF adoram trabalhar isso em questões de correção de frases. Cuidado!
Salve, galera!
Veja estas frases:
– Extremamente estudiosa, aquela aluna conseguiu se classificar no tão sonhado concurso!
– Aquela aluna, extremamente estudiosa, conseguiu se classificar no tão sonhado concurso!
– Aquela aluna extremamente estudiosa conseguiu se classificar no tão sonhado concurso!
– Dentre outros alunos estudiosos, os professores sempre consideraram aquela aluna extremamente estudiosa.
– Dentre outros alunos estudiosos, os professores selecionaram aquela aluna extremamente estudiosa.
Antes de mais nada, saiba que normalmente o adjunto adnominal e os predicativos (do sujeito ou do objeto) se confundem quando o núcleo deles é um adjetivo, como é o caso dos exemplos acima.
Para não mais confundir mais ADN com PS ou PO, saiba que o ADN não pode ser separado por vírgula do termo a que se refere e indica uma característica inerente ao ser. Por isso, podemos afirmar que as frases 1, 2 e 4 não apresentam ADNs. Os únicos ADNs estão nestas frases:
– Aquela aluna extremamente estudiosa conseguiu se classificar no tão sonhado concurso!
– Dentre outros alunos estudiosos, os professores selecionaram aquela aluna extremamente estudiosa.
Não se trata de qualquer aluna, mas da aluna extremamente estudiosa, ou seja, ser extremamente estudiosa é uma característica inerente à aluna. Observe algo interessante também, que pouco se ensina: quem conseguiu se classificar no tão sonhado concurso: “aquela aluna” ou “aquela aluna extremamente estudiosa”? É óbvio que a resposta é “aquela aluna extremamente estudiosa”. Percebe que “extremamente estudiosa” está tão junto do núcleo, mas tão grudado nele, que faz parte do sintagma nominal (grupo de palavras que se relacionam com um núcleo nominal) “aquela aluna extremamente estudiosa”? O mesmo se dá na frase: “– Dentre outros alunos estudiosos, os professores selecionaram aquela aluna extremamente estudiosa“.
Portanto, o adjunto adnominal 1) não é separado por vírgula do núcleo, a menos que haja uma enumeração de adjuntos adnominais; 2) é uma característica inerente ao ser; e 3) faz parte de um sintagma nominal.
As outras frases com vírgulas (1 e 2) denunciam que “extremamente estudiosa” é um predicativo do sujeito, pois caracteriza o sujeito, indicando um estado/atributo momentâneo do ser, e não inerente. Note também que, por causa das vírgulas, “extremamente estudiosa” fica fora do sintagma nominal “aquela aluna”, logo não pode ser um adjunto, e sim um predicativo legítimo.
Sobre a penúltima frase (Dentre outros alunos estudiosos, os professores sempre consideraram aquela aluna extremamente estudiosa), observe que “extremamente estudiosa” é uma característica não inerente, mas uma característica atribuída à aluna! Um bizu é colocar o termo “como” antes do “extremamente estudiosa” para ver se é realmente um predicativo do objeto: “Dentre outros alunos estudiosos, os professores sempre consideraram aquela aluna como extremamente estudiosa. Outro bizu, para não ter dúvida entre ADN e PO, é transformar a frase para a voz passiva analítica; se “extremamente estudiosa” ficar distante do núcleo, isso indicará que não faz parte do sintagma nominal, logo será um PO: “Dentre outros alunos estudiosos, aquela aluna sempre foi considerada pelos professores extremamente estudiosa“. Voilà!!!
Portanto, o predicativo 1) pode ser separado por vírgula do núcleo; 2) é uma característica momentânea ou atribuída ao ser; e 3) é termo relacionado a um sintagma nominal.
Brasil!!!!!!!!!! Fui!!!!!!!!!!
Salve, galera!
Você sabia que existem duplas de termos sintáticos que geram dificuldade na identificação? A princípio, pode até parecer bobo, mas veja só alguns exemplos:
1) A bebê, quase morta, salvou o guarda-vidas de um afogamento.
Qual termo é sujeito e qual termo é objeto direto?
2) De boas explicações, todo aluno tem necessidade.
O termo em itálico é objeto indireto ou complemento nominal?
3) O sítio em Pernambuco finalmente está do jeito que ele quer.
O termo em itálico é adjunto adnominal ou adjunto adverbial?
4) Os jovens estão com muita fome.
O termo em itálico é adjunto adverbial de modo ou predicativo do sujeito?
5) A população do Rio de Janeiro é muito calorosa assim como a cidade do Rio de Janeiro.
Os termos em itálico são apostos ou adjuntos adnominais?
GABARITO!!!
1) O sujeito é “o guarda-vidas” e o objeto direto é “a bebê”. Cuidado com a posição dos termos sintáticos dentro da frase!
2) Observe que o substantivo “necessidade” exige um complemento iniciado pela preposição “de”, logo o termo em itálico é um complemento nominal, porque complementa um nome.
3) Apesar de indicar lugar, não é um adjunto adverbial de lugar. A razão é simples: o termo em itálico não se liga a um verbo, adjetivo, advérbio ou oração, mas a um substantivo (“sítio”). Se se liga a um substantivo, não pode ser adjunto adverbial, e sim adjunto adnominal.
4) O verbo “estar” indica estado, porque “com muita fome” indica o estado do sujeito “os jovens” (os jovens com muita fome, os jovens esfomeados). Portanto, o termo “com muita fome” é um predicativo do sujeito, e não um adjunto adverbial de modo. Adjunto adverbial se relaciona a verbo, e predicativo do sujeito a um substantivo ou pronome.
5) O primeiro termo em itálico é um adjunto adnominal, pois estabelece uma relação de posse com “população” (população do Rio de Janeiro > população que pertence ao Rio de Janeiro). O segundo termo em itálico é um aposto especificativo, pois “do Rio de Janeiro” especifica qual é a “cidade”.
Você sabe que análise sintática é brabo, por isso estude os capítulos 17 a 21. Depois que estiver seguro, pule para os capítulos 22 a 26. É tenso, mas vale cada acerto nas questões de concursos.
Sucesso sempre!
Salve, galera!
Afinal, há ou não crase nessa expressão?
A maioria dos gramáticos condena o uso de “à distância” com explicações pífias, passíveis de sérias refutações. A maioria diz, arbitrariamente, que tal expressão só pode vir com acento indicativo de crase se estiver especificada: “Observei tudo à distância de 100 metros”. Segundo a maioria, está errado “ensino à distância”, pois “a distância” não está especificada, logo deveria ser “ensino a distância” (sem acento).
Entretanto, nem todos os gramáticos concordam com isso. Celso Cunha, Bechara, Gama Kury e Hildebrando André, por exemplo, concordam que está certo “ensino À distância”, sem especificação. Os dicionaristas Aulete, Houaiss e Aurélio defendem a crase facultativa em “à distancia”. Percebe, então, que o buraco é mais embaixo? Enfim… será que é mesmo um ERRO gramatical, se não é realmente consensual?
Bem… por força da tradição… há muitos mais do lado dos que defendem o erro em “ensino À distância”. Fato. E assim cai em provas de língua portuguesa pelo Brasil. Fato. Ou seja, EM CONCURSOS, só há crase em “a distância” se a expressão vier especificada. MEGA FATO! Não é erro usar crase se a expressão não vier especificada.
É isso. 😉
Salve, galera!
Primeiramente quero agradecer aos milhares de alunos que vêm adquirindo “A Gramática”. A ressonância tem sido superpositiva em todas as mídias relativas a concursos!
Enfim… Você sabe contar quantas orações existem em um trecho? Por exemplo, quantas orações há no trecho abaixo:
Eu caio no swing é pra me consolar, mas será ela, depois de tantos anos na boemia carioca, que irá tirar-me da “bagunça”.
Você, macaco(a) velho(a), já sabe que, para encontrar o número exato de orações, é preciso contar o número de verbos. E, assim, você fez, certo? Certamente você pensou assim: caio… é… consolar… será… irá tirar (locução verbal).
– Pest, são 5 orações!!!
– Acertou… NA TRAVE!!!!!!!!!!!
Na verdade, foi mais do que na trave, seu chute foi parar na arquibancada!!!
Observe que existem dois verbos expletivos, ou seja, verbos que podem ser eliminados da frase sem prejuízo para a estrutura sintática e para o sentido da frase. Trata-se do verbo “ser” e da expressão expletiva formada por “ser + que”. Veja o mesmo trecho sem o verbo expletivo e sem a expressão expletiva:
Eu caio no swing pra me consolar, mas ela, depois de tantos anos na boemia carioca, irá tirar-me da “bagunça”.
Portanto, conte de novo quantas orações há no trecho… Resposta?… Três orações!!!
Cuidado com os verbos expletivos, pois eles não são contados como orações!!!
Grande abraço!
Salve, galera!
Certamente você não será o primeiro nem o único a ficar com dúvidas no uso de algumas expressões. Por isso, vou ajudá-lo a ficar mais tranquilo a partir de agora. Entenda quando usar POR QUE, PORQUE, POR QUÊ, PORQUÊ e SE NÃO, SENÃO.
POR QUE
Quando equivale a “por qual razão/motivo”, “por qual” ou “pelo(a/s) qual(is)”.
– Por que o livro fez sucesso?
– Não sei por que o livro fez sucesso.
– Eu sei por que motivo o livro fez sucesso.
– A razão por que o livro fez sucesso é óbvia.
PORQUE
Quando tem sentido explicativo/causal (equivalente a “pois”) ou quando tem sentido de finalidade (equivalente a “para que” – literário ou quase arcaico, devendo ser evitado em redações, documentos oficiais e artigos científicos, mas não é um erro gramatical).
– Eu comprei o livro só porque me indicaram.
– Eu comprei o livro porque eu passe na prova.
POR QUÊ
Quando vem imediatamente sucedido de pausa, normalmente marcada por sinal de pontuação.
– Agora entendo por quê; você comprou o livro por estar na promoção.
Obs.: Quando há uma intercalação marcada por vírgula, não se usa “por quê”, e sim “por que” ou “porque”, a depender do sentido pretendido: “Não sei por que, apesar de tudo, ela foi embora”; “Não me dedicava muito porque, apesar de tudo, duvidava da minha capacidade”.
PORQUÊ
Quando é um substantivo (normalmente vem acompanhado de determinante - artigo, numeral, pronome ou adjetivo - e equivale a “motivo”).
– Finalmente compreendo o seu porquê de ter comprado o livro assim que foi lançado.
SE NÃO
Quando equivale a “caso não” ou “quando não”
– Se não pagarem, serão expulsos.
– A grande maioria, se não a totalidade dos acidentes de trânsito, ocorre por bebedeira.
SENÃO
Quando equivale a “a não ser, mas sim, caso contrário” ou é sinônimo de “defeito”.
– O Sol não é nada senão mais um astro.
– Isso não compete ao estado, senão ao governo federal.
– Leve agasalhos, senão sentirá frio. (Pode-se usar “se não” neste caso, quando o verbo está subentendido, quando há pausa enfática, pois equivale a Leve agasalhos; se não levar, sentirá frio.)
– Não havia um senão em seu texto.
Agora seja uma pessoa mais feliz quando escrever! 🙂
Grande abraço!
Salve, galera!
Um aluno me perguntou se as palavras “transoceânicas” e “reabastecimento” são formadas por derivação “prefixal e sufixal” ou por derivação “parassintética”. Dei a ele a resposta tradicional, a saber:
“Veja: trans + oceano + icas = transoceânicas (partindo da palavra primitiva, derivação prefixal e sufixal), re + abastecer + mento = reabastecimento (partindo da palavra primitiva, derivação prefixal e sufixal).”
Por que eu disse “partindo da palavra primitiva”? Porque a maioria dos gramáticos analisam assim: se a palavra primitiva estiver acompanhada de prefixo e sufixo, e um deles puder ser retirado, sobrando uma palavra existente na língua, haverá derivação prefixal e sufixal (“transoceano” não existe, mas “oceânicas” existe, logo, como a palavra “transoceânicas” tem prefixo e sufixo em sua constituição, ela sofreu derivação “prefixal e sufixal”).
O mesmo não ocorre com as que sofreram derivação parassintética, como “conterrâneo” (con + terra + âneo; não existe “conterra” nem “terrâneo”). Nesse caso, dizemos que o prefixo e o sufixo não podem ser retirados, pois entraram juntos, simultaneamente, para formar tal palavra.
Segundo o inoxidável e polêmico Bechara (e algumas bancas, como a FGV), pode-se analisar a palavra a partir do último processo formador. “Como assim, Pest?!” Simples!
A palavra “transoceânicas” é derivada de “oceânicas”, que é derivada de “oceano” (oceano > oceânicas > transoceânicas). Logo, o último elemento que entrou na formação da palavra “transoceânicas” foi o PREFIXO “trans”, de modo que podemos dizer que tal palavra foi formada pelo processo de derivação PREFIXAL. Sacou?
A palavra “reabastecimento” é derivada de “reabastecer”, derivada de “abastecer” (abastecer > reabastecer > reabastecimento). Se reabastecimento é o ato/resultado de reabastecer, logo reabastecimento deriva de reabastecer. Percebe a lógica? Logo, o último elemento que formou a palavra “reabastecimento” foi o SUFIXO “mento”, de modo que podemos dizer que tal palavra foi formada pelo processo de derivação SUFIXAL. Sacou?
Trocando em miúdos¹: para o Bechara não existe derivação “prefixal e sufixal” em palavras que têm prefixo e sufixo; ou a derivação é prefixal, ou a derivação é sufixal, ou a derivação é parassintética.
Trocando em miúdos²: existem maneiras diferentes de analisar o processo de formação de uma mesma palavra.
Outros exemplos de palavras formadas por derivação parassintética - entardecer, entristecer, amanhecer, anoitecer, enlouquecer, desalmado, enraivecer, aportuguesar, expatriar
Outros exemplos de palavras formadas por derivação prefixal e sufixal - infelizmente, desigualdade, injustiça, desvalorização, desnivelar, inutilizar, descortesia, desrespeitoso, desempregado
Português não é Matemática!
😀
P.S.: A maioria das bancas trabalham com a análise do processo de formação a partir das palavras primitivas!!! Caso queira saber mais, muito mais, sobre processos de formação de palavras, recomendo que leia o capítulo 6 de “A Gramática para Concursos Públicos”.
Salve, galera!
Afinal, é PARA MIM FAZER ou PARA EU FAZER ???????
Ambas as construções estão corretas na língua portuguesa!!!
“Que isso, Pestana, como assim??? Você não é índio!”
A grande questão é saber que o vocábulo “mim”, se vier antes do verbo no infinitivo, não exerce função de sujeito e que o vocábulo “eu”, se vier antes do verbo no infinitivo, exerce função de sujeito.
Para saber se PARA MIM FAZER está certo, basta apagar o PARA MIM da frase. Se ela continuar correta e fizer sentido, o PARA MIM pode ficar antes do verbo, pois, nesse caso, o MIM não exerce função de sujeito. Exemplo:
– É muito fácil para mim fazer dez flexões de braço. (certo)
– É muito fácil fazer dez flexões de braço. (certo)
Para saber se PARA EU FAZER está certo, tente apagar o PARA EU da frase. Se ela se tornar errada, o PARA EU deve ficar antes do verbo, pois, nesse caso, o EU exerce função de sujeito. Exemplo:
– Vendi meu videogame para eu fazer uma graninha. (certo)
– Vendi meu videogame fazer uma graninha. (errado)
Em “É muito difícil para mim fazer uma faculdade”, o MIM é núcleo do complemento nominal PARA MIM.
Segundo o maior nome da regência brasileira (ladeado por Francisco Fernandes), o gramático Celso P. Luft, o adjetivo DIFÍCIL exige um complemento iniciado pela preposição PARA. Para reforçar o time, Luiz A. Sacconi diz: “A frase ‘Foi difícil para mim chegar até aqui’ é correta: para mim é complemento do adjetivo difícil. A literatura já registra tais construções“.
“Ah, mas não poderia ter uma vírgula separando o ‘para mim’; tipo: É muito difícil, para mim, fazer uma faculdade?!”
Segundo todos os gramáticos que conheço, não se separa por vírgula um complemento nominal do nome a que ele se liga, logo não pode haver uma vírgula antes do PARA MIM. Colocá-la depois do PARA MIM também seria um erro, pois estaria erradamente separando o sujeito (fazer uma faculdade) do predicado (é muito difícil). Na ordem direta, a frase fica assim: “Fazer uma faculdade é muito difícil para mim”.
Portanto, não cabe a vírgula em hipótese alguma na frase, nem antes, nem depois do PARA MIM. A frase está certíssima.
Em um nível avançado, podemos chamar esse para mim de objeto indireto de opinião ou dativo de opinião.
Grande abraço!
Salve, galera!
Observe só:
1- Um homem, ao vir sua mulher sendo atacada, ficará parado?
2- Um homem, ao ver sua mulher sendo atacada, ficará parado?
3- Um homem, se vir sua mulher sendo atacada, ficará parado?
4- Um homem, se ver sua mulher sendo atacada, ficará parado?
Afinal, que frase(s) está(ão) correta(s)??? Saberia explicar por quê?
Antes de mais nada, não confunda a forma verbal “vir” (futuro do subjuntivo do verbo “ver”) com o verbo “vir” no infinitivo. Outra coisa: conheça bem como se conjugam os verbos “ver” e “vir”. Isto posto, vamos ao que interessa!
Após preposição, usa-se o verbo “ver” no infinitivo, logo o certo é “… ao ver…”. Por isso, a frase 1 está errada e a frase 2 está certa.
Após conjunção, usa-se o verbo “ver” em uma forma conjugada (no caso da 3ª frase, a 3ª pessoa do singular do futuro do subjuntivo). Saiba que, no futuro do subjuntivo, o verbo “ver” terá a seguinte conjugação: vir, vires, vir, vir, virmos, virdes, virem. É meio bizarro, mas a frase 3, portanto, está correta; a 4, não.
Simples assim!
Salve, galera!
Dominar conjunções é o mesmo que ter uma carta na manga, é um trunfo.
Você sabia que é possível resolver uma série de questões de assuntos gramaticais diferentes só pelo fato de conhecer conjunções?
Se nunca parou para pensar nisso, saiba que dominar conjunções é O “bizu-mor”!!! Por isso eu sou tarado por elas!
Imagine resolver facilmente questões dos mais diversos assuntos, como:
1- semântica (sinonímia, por exemplo)
2- coesão e coerência
3- orações coordenadas
4- orações subordinadas
5- pontuação (principalmente vírgula)
6- colocação pronominal
7- classificação dos clássicos vocábulos “que” (principalmente conjunção integrante e pronome relativo), “se” (principalmente pronome apassivador, índice de indeterminação do sujeito e conjunção condicional) e “como” (principalmente conjunção causal, comparativa e conformativa)
8- interpretação
9- reescritura de frases
É isso mesmo! É possível resolver questões desses assuntos todos só por dominar conjunção! Lindo isso, não?
Por exemplo, veja a questão abaixo:
I- O único conectivo que pode substituir, sem alteração do sentido original, o destacado na frase “Estudo português, TODAVIA o faço com muito esforço” é:
(A) CONQUANTO
(B) JÁ QUE
(C) PORQUANTO
(D) EMBORA
(E) CONTUDO
Se você soubesse que TODAVIA e CONTUDO (conjunções adversativas) são SINÔNIMOS, ou seja, palavras diferentes na forma, mas semanticamente semelhantes, não teria a mínima dúvida, marcaria de cara a letra E! As demais conjunções são classificadas assim: (A) concessiva; (B) causal; (C) explicativa ou causal; (D) concessiva.
Na boa, aqui vai um conselho: estude com farinha e whey protein o capítulo 15 de “A Gramática para Concursos Públicos”!
Grande abraço! 😉
Salve, galera!
Em inúmeras frases, simplesmente não há como distinguir CAUSA de EXPLICAÇÃO, pois ambas as ideias são contíguas. Em outras palavras: às vezes uma conjunção tida como causal (PORQUE, por exemplo) pode ser considerada explicativa no mesmo contexto. Exemplo:
– Larguei o trabalho, PORQUE o estresse estava me consumindo.
A segunda oração é a causa ou a explicação? A verdade é que toda causa é uma explicação, mas nem toda explicação é uma causa, da mesma forma que o homem pode nascer, crescer, se reproduzir, envelhecer e morrer sem saber essa diferença. Como podemos dizer que o conteúdo semântico da segunda oração é a causa, também é uma explicação. Logo, como “bater o martelo” e dizer com todas as palavras a classificação exata da conjunção PORQUE? Não há como fazer tal coisa!
Veja uma prova disso agora:
UERJ – VESTIBULAR (2ª FASE [DISCURSIVA]) – 2009
Questão 02
Eles não podem ser pensados independentemente uns dos outros, “porque todos são portadores da mesma humanidade”. (l. 14-15)
Identifique a relação de sentido que a oração destacada estabelece com a parte do período que a antecede. Reescreva todo o período, substituindo o conectivo e mantendo essa mesma relação de sentido.
Gabarito Oficial da UERJ
Uma das relações e uma das respectivas reescrituras:
> Causa
– Eles não podem ser pensados independentemente uns dos outros visto que todos são portadores da mesma humanidade. (causa objetiva)
– Eles não podem ser pensados independentemente um dos outros já que todos são portadores da mesma humanidade.
– Como todos são portadores da mesma humanidade, eles não podem ser pensados independentemente uns dos outros.
> Explicação
– Eles não podem ser pensados independentemente um dos outros, pois todos são portadores da mesma humanidade. (consequência e causa subjetiva)
“É isso aí mesmo, Pestana, a banca deu dois gabaritos para a mesma questão, causa ou explicação?!” Sim. Nunca vi posição de banca nenhuma tão honesta quanto a da UERJ! Detalhe: na terceira edição da minha gramática, no capítulo 23, na parte de orações subordinadas adverbiais, eu ponho outra referência de algo semelhante que ocorreu no Cespe. Confira lá!
A grande verdade (reitero!) é que não há solução final para CAUSA X EXPLICAÇÃO. Os gramáticos só são taxativos em alguns casos, como:
– Estude, PORQUE seu futuro estará garantido! (depois de oração imperativa, EXPLICAÇÃO)
– Deus te abençoe, meu filho, PORQUE tua generosidade não tem limite. (depois de oração optativa, EXPLICAÇÃO)
Faça o seu dever de casa e estude orações subordinadas adverbiais no capítulo 23 dA Gramática para Concursos Públicos.
Salve, galera!
Apesar de serem muito diferentes, muita gente confunde QUE (pronome relativo) com QUE (conjunção integrante). Por isso faço este artigo para ajudá-lo a diferenciar tais palavras. Enquanto o pronome relativo retoma um antecedente, a conjunção integrante apenas liga as orações.
Vale dizer que tais vocábulos são os que mais caem em concursos públicos quando a banca pede a diferença entre os QUÊS.
Enfim… vamos ao que interessa! Vou apresentar um “bizu” para cada QUE. Tais “bizus” resolverão 99% dos casos, ok?! 🙂
Pronome relativo
Recomendo este “bizu”: substitua-o por o qual, a qual, os quais, as quais. Se for possível usar um desses pronomes relativos substituindo um termo antecedente (não respire!), será um pronome relativo!
– Este é o motivo por que continuaram a insistir em ajudá-lo. (= Este é o motivo pelo qual…)
– As atitudes polidas de que lhe falei eram aceitáveis naquela sociedade. (= As atitudes polidas das quais…)
Obs.: Há um caso que, talvez, possa dificultar sua visão: pronome relativo antecedido de pronome demonstrativo “o” (= isso, aquilo) ou “os, a, as”: Um recente desastre nos EUA ceifou muitas vidas, o que muito me chocou / O que mais aprecio nesta vida é o olhar inocente de uma criança / Mesmo a contragosto, teve de se encontrar com as que iriam ajudá-lo. Cuidado com esses casos!
Conjunção integrante
“Bizu”: substitua toda a oração iniciada pela conjunção que por ISSO ou ESSE. Se for possível, é uma conjunção integrante mesmo!
– Ela disse que tudo vai dar certo. (= Ela disse ISSO.)
– Preciso de que falem a verdade. (= Preciso DISSO.)
– O remédio era que ficássemos em casa. (= O remédio era ESSE.)
Bem… espero ter ajudado! Mas, para fechar com chave de ouro, veja uma questão:
(Cesgranrio – Banco do Brasil) – O conector “que” classifica-se diferentemente do que se destaca em “coisas que você deve fazer” em:
a) “Eu, que não apostei na Mega-Sena”
b) “coisas que a gente precisa porque precisa fazer”
c) “lugares que você deve conhecer”
d) “os cem pratos que você deve provar”
e) “terem a certeza absoluta de que você vai morrer”
Comentário: (A) o qual; (B) as quais; (C) os quais; (D) os quais; (E) “terem a certeza absoluta DISSO”. Gabarito: E.
Grande abraço!!!
Salve, galera!
Depois de pesquisar mais de 25 autores de gramática diferentes, visando encontrar suas lições a respeito de vírgula separando adjunto adverbial, eis o resultado colhido dos livros deles (Cláudio Moreno, José Maria da Costa, Amini Boainain Hauy, Ulisses Infante, Luiz Antonio Sacconi, William Cereja, Gladstone Chaves de Melo, Napoleão Mendes de Almeida, Rodrigo Bezerra, Evanildo Bechara, Maria Helena de Moura Neves, Carlos Nogué, Silveira Bueno, Rocha Lima, Eduardo Carlos Pereira, Celso Cunha, Ernani Garcia, Said Ali, José Carlos de Azeredo, Celso P. Luft, Hildebrando André, Ernani Terra, José de Nicola, Marcelo Rosenthal, Domingos P. Cegalla, Faraco & Moura).
O que pude constatar é que cada um fala uma coisa, não há consenso nem padrão. É um pandemônio!
Mas, aos que me seguem (normalmente concurseiros), aqui segue a conclusão “normativa” a que eu cheguei depois de imergir no caos:
1) se o adjunto adverbial de grande extensão (em tese, a partir de três vocábulos) iniciar frase ou estiver no meio dela, o uso da(s) vírgula(s) será obrigatório: “Apesar daquelas investidas, não obteve muito sucesso”, “Não obteve, apesar daquelas investidas, muito sucesso”;
2) se o adjunto adverbial de curta extensão (em tese, até dois vocábulos) iniciar frase ou estiver no meio dela, o uso da(s) vírgula(s) será facultativo: “Nesta tarde(,) não obteve muito sucesso”, “Não obteve(,) nesta tarde(,) muito sucesso”.
É claro que as lições acima são engessadas e não levam em conta o ritmo frasal, a intencionalidade discursiva, a clareza, etc., que podem fazer a vírgula ser necessária ou desnecessária por razões (extra)estilísticas.
Digo mais: segundo várias questões de bancas diversas, as lições acima vão ajudá-lo a acertar 99% das questões de todas as bancas.
Última coisa: consulte o capítulo 27 da minha gramática; veja a lição número 8 de vírgula no período simples (pesquise as referências).
Sucesso! 😉
Salve, galera!
E aí? Qual é a resposta? Como Português não é Matemática, depende…
Antes de mais nada, o adjetivo “sujeito” exige a preposição “a”. Para haver crase, é preciso haver a presença de duas vogais idênticas: A + A = À. Logo, havendo “a” (artigo) antes do substantivo “multa”, a crase ocorrerá!
Então, vamos entender…
Caso se deseje transmitir a ideia de “multa” em sentido genérico, não determinada (você estará sujeito a multa = você estará sujeito a ser multado), não haverá artigo definido antes do substantivo “multa”, só a preposição “a”, logo não haverá crase.
Agora, se você quiser transmitir a ideia de que é uma multa determinada, tomada como conhecida por todos os envolvidos no processo comunicativo, haverá artigo definido antes de “multa”, resultando na crase (você estará sujeito a + a multa = à multa).
Assim, ambas as construções são corretas, cada uma com seu propósito comunicativo!
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