Reflexões sobre a Santa Missa

 Iniciamos hoje nossas reflexões sobre a Santa Missa.


Antes de tratarmos da origem do nome do sacramento, é necessário apresentar alguns pontos importantes que são a base das nossas reflexões. O sacramento de forma ampla é a Eucaristia e sua celebração a Santa Missa.


Eucaristia, fonte e cume da vida cristã. Os sacramentos do batismo e da crisma estão ordenados para levar o cristão a uma íntima união do cristão com Cristo e com a sua missão na Eucaristia. Ao estabelecer comunhão entre a pessoa do cristão e o seu Senhor morto e ressuscitado, coloca-o diretamente no seio da vida divina. A Eucaristia não é só participação na graça, mas na própria fonte da graça.


A Eucaristia e, consequentemente, a Santa Missa é um mistério fundamental do encontro entre a pessoa humana e Deus é tão rica de significação, que nunca poderemos compreendê-la plenamente, mas com a fé e a nossa razão, podemos nos aproximar e viver desse sublime mistério.


Por isso, as diferentes épocas foram sublinhando diversos aspectos. O Concílio Vaticano II tratou da Eucaristia no doc. chamado Constituição dogmática Lumen Gentium (n.11), e, sobretudo na constituição sobre a liturgia Sacrosanctum Concilum (n.47-58). São João Paulo II, no Doc. Redemptor Hominis de 1979, resume as dimensões e significados essenciais da Eucaristia com as três expressões seguintes: ela “é”, ao mesmo tempo, sacramento-sacrifício, sacramento-comunhão e sacramento-presença (n.20). Ou como diz, o Direito canônico (Cân.897) unindo os três aspectos com três palavras: na Eucaristia se contém (presença real), se oferece (sacrifício) e se recebe (comunhão) o próprio Cristo Senhor. A Eucaristia é presença viva e atuante do mistério de Cristo. É “memorial da morte e ressurreição do Senhor, em que se perpetua pelos séculos o sacrifício da cruz” (Cânon 897). Todo o mistério da salvação se faz presente e atuante nela. E é também por isso, que “os outros sacramentos e todas as obras de apostolado da Igreja se relacionam intimamente com a Eucaristia e a ela se ordenam “ (Cân.897).


Portanto, a Santa Missa é a celebração da Eucaristia que é o nome do segundo sacramento da iniciação cristã: recebe-se o batismo e com 9 ou 10 anos, depois de uma boa preparação, se faz a primeira comunhão, primeira recepção da Eucaristia. Voltaremos a tratar de outros aspectos da Eucaristia.


Gostaria de tratar agora sobre os outros nomes dados à Eucaristia.


Os primeiros cristãos denominavam a celebração da eucaristia com nome de “fração do pão” ou “Ceia do Senhor”. Junto a essas expressões, somaram-se outras como “Eucaristia”, palavra grega utilizada desde o séc.I, para indicar a expressão “fração do pão”. A palavra, contudo, que se tornou mais comum foi “missa”. Mas, a partir do Conc.Vat.II (1961-65) e da reforma litúrgica de São Paulo VI, em 1969, novamente o termo “Eucaristia” passou a ter importância.


A palavra “missa” é de origem latina, do verbo “mittere” que deu origem às palavras missão e demissão. Na linguagem litúrgica, primeiramente a expressão é utilizada para, indicar o final da celebração, quando, por ocasião da despedida, o sacerdote dizia em latim: “Ite, missa est”: Ide, todos estão despedidos. Esse gesto conclusivo praticado em todos os ritos com o uso de várias fórmulas (como “Vamos em paz, Caminhamos na paz de Cristo” etc) ganhou importância e passou a indicar a celebração por inteiro. Assim, a palavra “missa”, foi usada para designar a celebração eucarística desde o final do séc.IV (cf.R.Falsini, “Gesti e parole della messa: Per la comprensione del mistero celebrato, Milão, Ancora, 2013, p.15).

Iniciamos hoje, a reflexão sobre a estrutura básica da missa ou eucaristia: Ritos Iniciais (encontro entre irmãos), Liturgia da Palavra (a Palavra se faz vida), Liturgia Eucarística (a vida se transforma) e Ritos Finais (enviados em missão).


As duas liturgias são chamadas também de Mesa da Palavra e  Mesa da Eucaristia. São inseparáveis . Não se pode celebrar uma sem a outra. Exceção onde há carência de sacerdotes em que Ministros leigos da Palavra fazem somente a primeira parte. Quanto à comunhão fora da missa, a Igreja tem normas bem restritas a respeito e insiste para que normalmente se comungue na missa. Fora dela, apenas para os enfermos.


Ao tratarmos das partes da Missa, acredito que seria bom antes responder a algumas perguntas que estão na cabeça de muitos católicos.


Como nasceu a celebração da Missa?

Nasceu com o próprio Senhor Jesus. Durante a última ceia, na noite em que foi entregue, ele tomou o pão, deu graças, o partiu e o entregou a seus discípulos, dizendo: “Tomai e comei todos vós. Isto é o meu corpo, que será entregue por vós”. Terminada a ceia, tomou um cálice com vinho, deu graças e o passou aos discípulos, dizendo: “Tomai, todos e bebei. Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança que será derramado por vós e por todos , para a remissão dos pecados”. Essas palavras do Novo Testamento mostram a instituição da Eucaristia, como nasceu a Santa Missa.


Quais são as passagens do Novo Testamento que narram a instituição da Eucaristia?

O texto mais antigo é 1 Coríntios 11,23-25. Lucas 22, 19-20, Mateus 26,26-28 e Marcos 14,22-24 narram o mesmo acontecimento com algumas diferenças entre eles. O evangelho de João não traz texto semelhante da instituição, mas tem todo o capítulo, 6º, no qual não deixa dúvidas sobre o comer a carne e beber o sangue do Senhor (cf. João 6, 51-58). Além disso, como foi o último evangelho a ser escrito, anos 70 Dc, os cristãos já estavam acostumados a celebrar a santa missa e daí, João prefere mostrar as condições necessárias para bem comungar e as consequências positivas que devem se manifestar na vida do cristão.


 


1.Lição de casa

Seria muito oportuno e útil que cada leitor tomasse a sua Bíblia e lesse calmamente e meditasse cada uma das narrativas da Instituição da Eucaristia uma por dia. Você iria se sentir como se estivesse na missa na hora da consagração. Faça isso como oração, com piedade e concentração.


Os cristãos celebraram a Missa (Eucaristia) desde o início?

Sim, a missa sempre fez parte da vida cristã desde o começo, pois na última ceia Jesus mandou: “Fazei isto em memória de mim”. O livro Atos dos Apóstolos que narra o tempo depois da morte e ressurreição de Jesus e as atividades dos apóstolos (2,42), fala da Fração do Pão, celebrada desde o começo com os apóstolos. As Comunidades fundadas por Paulo celebravam a Ceia do Senhor, num clima de partilha também dos alimentos (1 Coríntios 11,17-34).


A missa é simples lembrança da paixão, morte e ressurreição do  Senhor  Jesus?

 




Não. Não dizemos que “recordar é viver”? Pois na Eucaristia revivemos a Páscoa do Senhor. Ele a instituiu na véspera de sua paixão. Para o povo da Bíblia, memória não é recordação de algo que ficou perdido no tempo. É celebrar aquele acontecimento, trazendo-o para o hoje, com a mesma força que teve no passado.


Meus amigos, por hoje basta! Semana que vem trataremos dos Ritos Iniciais. Que São Gabriel Arcanjo, nosso glorioso padroeiro, abençoe e proteja a todos. Até lá.


Côn. Sergio Conrado

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