Reflexões sobre a Santa Missa (3)

 Prezados paroquianos e amigos de São Gabriel


        Saúde e Paz!


        Liturgia Eucarística (cont.)

Após a narrativa da Instituição (pão e vinho – corpo e sangue de Cristo), temos a:


Anamnese (ou seja, memorial)

O próprio Senhor Jesus ordenou: “Fazei isto em memória de mim”. E o apóstolo Paulo escreveu a esse respeito: “todas as vezes que vocês comem deste pão e bebem deste cálice, estão anunciando a morte do Senhor, até que ele venha” (1 Cor 11,26). É isso que o sacerdote proclama em nome de toda a assembleia que celebra.


Ainda que a narrativa da instituição tenha suas raízes históricas na última ceia, a elevação do pão consagrado, no rito romano, tem origem no século XIII, em Paris. A elevação do cálice com o vinho consagrado começou, por sua vez, no século XVI.


É bom lembrar que a piedade eucarística, nos séculos XII e XIII sublinhava mais o fato de “ver” a Eucaristia que o de participar dela, na Comunhão. E, como o sacerdote, nessa época, celebrava de costas para a comunidade, isso contribuiu para que o gesto de elevar o pão consagrado tivesse de fazer-se de forma a ser bem notado. Em algumas igrejas o povo gritava: “mais alto, mais”. Hoje, com o celebrante voltado para a assembleia, não se justifica que a elevação seja tão evidenciada.


O que significam as palavras de Jesus: “Façam isto em minha memória”?


Sabemos que é impossível um retorno físico ao Calvário, nem um retorno ao Sepulcro do Ressuscitado, no alvorecer daquele primeiro domingo… A celebração da Eucaristia é a nossa dominical e cotidiana ida ao Calvário e ao Túmulo vazio; uma ida não física, mas no memorial, ou seja, mediante a retomada ritual do sinal profético do pão e do cálice, mediante uma ação figurativa, sacramental e, portanto, absolutamente real.


Oblação

Só após a consagração aparece a palavra 'ofertamos'. Aqui está o verdadeiro ofertório da missa, quando a oração eucarística reza: “Celebrando, pois, a memória da morte e ressurreição do vosso Filho, nós vos oferecemos, ó Pai, o pão da vida e o cálice da salvação…” (Cf. Oração Eucarística II). Afirma a Instrução do Missal que a Igreja deseja, com a oferta da hóstia imaculada e do sangue, que todos os fieis participantes aprendam a oferecer não só ela, mas também a oferecer-se a si mesmos, a fim de que, um dia Deus seja tudo em todos.

Depois, novamente o Espírito Santo é invocado, desta vez sobre a assembleia, para que ela se transforme e vá se construindo da unidade.


Intercessões

Ainda em nome de toda a assembleia, o presidente (outros padres nas concelebrações) faz as intercessões : pela Igreja (Papa, Bispos, Presbíteros, Diáconos, todo o povo de Deus), pela comunidade que celebra a sua fé, pelo mundo todo e pelos fiéis defuntos. É o momento de recordar os mortos – aqueles que conhecemos, amamos, mas também  “aqueles que morreram na vossa amizade” ou “dos quais só vós conhecestes a fé”. Os cristãos que celebram a eucaristia não excluem ninguém. As intercessões geralmente terminam pedindo pela própria comunidade que está peregrinando neste mundo em direção da vida eterna.


Doxologia final

As bendições judaicas terminam com um grande louvor. Do grego, doxa significa glória ou honra, e logos, palavra. Ou seja, “palavra de glória”. Esse grande louvor, que exprime a glorificação do Senhor, conclui a oração eucarística: “Por Cristo, com Cristo e em Cristo…”, abraçando a Trindade. Merece ser cantado, sobretudo o “Amém” da assembleia. No canto esse amém pode ser repetido mais vezes. Este é o próprio Cristo que oferece e é oferecido, por isso deve ser rezado ou cantado apenas pelo sacerdote, apesar de em muitas paróquias ser cantado juntamente com a assembleia.


Hoje foi um pouco mais densa a nossa reflexão, mas vale à pena, pois foi o que Jesus pediu: “Façam isso em memória de mim”.


            Grande abraço e bênção.

Prezados paroquianos e amigos de São Gabriel


Saúde e Paz


Pai-nosso


Não poderia haver uma preparação mais privilegiada à comunhão que a oração do Pai-nosso. Dizia o Papa Gregório Magno que introduziu esta oração após a oração eucarística: “Se é desejável rezar mais uma oração sobre as oferendas consagradas, então recomenda-se evidentemente, antes de qualquer oração composta por pessoas, em primeiro lugar a oração do Senhor”. Isto porque, de verdade, ela é uma oração de comunhão.


O Pai-nosso nos educa a sermos uma família única, com um único Pai. Jesus ensinou só esta oração, por isso é chamada “a oração do Senhor”. São 7 pedidos  distribuídos em torno do “Pai-nosso” e do “pão nosso”.


Provavelmente foi o papa Gregório Magno que ampliou a última petição do Pai-nosso, num momento em que Roma estava sofrendo com as invasões bárbaras. Desde o séc. XI, a sua recitação se fazia em voz baixa. Foi o papa São Paulo VI, em 1964, que decretou que o que se acrescenta no final do Pai-nosso voltasse a ser rezado em voz alta.


O último pedido que fazemos no Pai-nosso é: “Livrai-nos de todos os males”. No rito, o que segue ao Pai-nosso é o desenvolvimento deste pedido: Livrai-nos de todos os males, ó Pai…” Por isso, ao final do Pai-nosso, não rezamos o Amém. É como se a oração, agora feita apenas pelo presidente, continuasse.


Sua conclusão é dita por todos: “Pois vosso é o reino, o poder e a glória para sempre”.


 


Saudação da Paz




Gesto muito antigo entre os cristãos. Em Romanos 16,16, por exemplo, lê-se: “Saudai-vos uns aos outros com o beijo santo”. Depois de rezar “Senhor Jesus Cristo, dissestes…”, o sacerdote convida a comunidade a se saudar fraternalmente com o abraço da paz.  Partilhamos a fraternidade em paz.


Esse é o segundo rito preparatório para à comunhão. Por meio desse rito, os fiéis imploram a paz e a unidade para a Igreja e toda a família humana, e exprimem mutuamente a caridade, antes de participar do mesmo pão (eucaristia). É uma excelente oportunidade de fazer as pazes com alguém. É bom lembrar que o abraço da paz não pode ser um momento dispersivo. Esse gesto não pode quebrar a continuidade da preparação da comunhão.


Fração do Pão


Terminado o abraço da paz, o presidente da celebração parte o pão, repetindo o que Jesus fez: “tomou o pão, deu graças e o partiu… Os primeiros cristãos chamavam a Eucaristia de Fração do Pão (Atos dos Apóstolos 2,42). Esse gesto nos compromete com a partilha. Partilhar o que somos e temos com quem nada possui é de certa forma um ato eucarístico.


Cordeiro de Deus


Em latim, “Agnus Dei”. É o canto que acompanha o rito da fração do pão. Foi introduzido na liturgia do séc. VII, pelo papa Sergio I (650-701) de origem siríaca.


Jesus Cristo é o cordeiro imolado, a vítima oferecida pelo perdão dos pecados.


Felizes os convidados


A frase: “Felizes os convidados deriva do livro do Ap 19,9: “Escreve: felizes os convidados para a ceia das núpcias do Cordeiro. “Já a resposta, “Senhor, eu não sou digno…”, por sua vez, provém de Mt 8,8: “Respondeu o centurião (soldado): “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa. Dizei uma só palavra e meu servo será curado”.


Antecedem essas palavras ao rito da comunhão. Para tanto é preciso ter humildade para receber a santa comunhão, não por nossos méritos, mas por predileção do Senhor.


 


Por hoje é só. Na próxima terminaremos com a comunhão e os ritos finais.

Comunhão


Jesus tomou o pão, deu graças, o partiu e distribuiu… Assim como na ultima ceia, em que os discípulos comeram do pão e beberam do cálice, em toda a celebração eucarística os fiéis batizados e iniciados nos santos mistérios aproximam-se da mesa para receberem o corpo de Cristo. É o ponto culminante da celebração da eucaristia. Estendemos a mão esquerda para receber o corpo de Cristo. Quem o distribui no-lo mostra e diz “O Corpo de Cristo”.  Com toda a convicção respondemos “Amém”, que quer dizer: Eu creio, é verdade… Com a mão direita pegamos o pão e o comungamos, voltando ao nosso lugar.  Para os que desejarem, também pode ser recebido na boca.


Ação de Graças




Após a distribuição da Eucaristia e terminado o canto de comunhão, fazemos a ação de graças. É o momento oportuno para agradecer em silêncio. Pode-se entoar um salmo, hino ou outro canto de louvor. É inadequado um canto de adoração para que não se confunda com uma adoração ao Santíssimo Sacramento.


Nunca compreenderemos plenamente o que Deus fez por nós e nunca conseguiremos agradecer de modo perfeito. Nesse momento não se deixe vencer pela pressa de sair da igreja. Agradeça do melhor modo possível.


Depois da Comunhão


O presidente de pé, convida à oração, dizendo “oremos”. É a terceira oração presidencial e se dirige a Deus em forma de pedido. Essa oração, geralmente, pede a Deus a graça de ser coerente com aquilo que celebramos. Viver no dia-a-dia a comunhão.


Ritos finais




A bênção final combina com o sinal da cruz dos Ritos Iniciais. No início marcamos o corpo com o sinal da cruz e com a presença da Trindade. Na bênção final, é a própria Trindade que nos acompanha pela vida. Em ocasiões especiais há formulários próprios de bênção (Advento, Natal, Quaresma, Páscoa, Pentecostes… festas de N, Senhora, dos Apóstolos e outros…). Antes da bênção, costuma-se divulgar os eventos religiosos do mês e algo de interesse à comunidade.


Despedida


O presidente da celebração (ou diácono) despede a assembleia em paz. Todos voltam para casa com mais alegria e esperança. Às vezes canta-se um hino, que serve para motivar a assembleia a evangelizar. O primeiro a se retirar será quem presidiu a celebração.

Pode ser substituído por um canto de Maria, do padroeiro, do Espírito Santo ou de família, ou de missas temáticas (formatura, 15 anos, batismo, casamento, ação de graças), hino da Campanha da Fraternidade, meses temáticos (vocações, Bíblia e missões)


Assim queridos paroquianos e amigos de São Gabriel, terminamos as nossas reflexões sobre a Santa Missa. Espero que tenham aproveitado para compreender ainda mais a riqueza do que é a Eucaristia. Conhecendo mais, amamos mais.


Muito grato pela atenção!


Côn. Sergio Conrado

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