Reflexões sobre a Santa Missa (2)

 Prezados paroquianos e amigos de S. Gabriel


Saúde e Paz!


Continuação Liturgia da Palavra…


Evangelho


O evangelho é a leitura mais importante da sagrada liturgia e sempre foi o último a ser proclamado. É sempre retirado dos livros de Mateus, Marcos, Lucas e João, e nunca pode ser omitido ou substituído por qualquer outro texto, inclusive bíblico.


Por isso, a ele se dá tanto destaque: desde um livro próprio – o livro dos Evangelhos – até o beijo que é dado ao final da proclamação. A leitura é sempre feita pelo presidente da celebração (bispo, padre ou diácono).


Uma breve reflexão sobre a persignação, ou seja, os três sinais da cruz.  Ao se introduzir a proclamação do evangelho com esse gesto sugere-se que é o mistério da cruz o princípio interpretativo fundamental e unitário de todo o Evangelho




– O primeiro sinal da cruz é realizado na testa, lugar do corpo que evoca a inteligência humana. Sob o sinal da cruz, a inteligência humana se abre à sabedoria divina.


– O segundo sinal da cruz toca os lábios. Como a brasa ardente que purificou os lábios do profeta Isaías (cf.Is 6,6-9), assim o sinal da cruz purifica nossos lábios, a fim de que deles apenas palavras de vida sejam proclamadas.


– O terceiro sinal da cruz é feito no peito, parte do corpo que evoca o coração. Assim, aqueles que se dispõem a ouvir o Evangelho podem ter o seu coração se assemelhando ao coração de Cristo.


No final da leitura é dito: “Palavra da Salvação”, beija-se a Bíblia e a Assembleia responde com muito ânimo e alegria “Glória a Vós, Senhor”, para que todos reconheçam que Cristo está realmente presente.


Quem pode proclamar o Evangelho na missa?

Quem preside (um celebrante ou diácono) proclama o evangelho do dia. Às vezes é cantado, para sublinhar o caráter de festa. Quando se usa incenso, antes de ser proclamado, incensa-se o evangelho. Nos domingos do Tempo Comum, de modo geral, lemos um evangelho a cada ano. Mateus (Ano A), Marcos (Ano B) e Lucas (Ano C). 


Nos dias da semana, no intervalo de um ano, lemos praticamente todos os evangelhos. Vemos, portanto, que a proclamação do evangelho é o ponto alto da Liturgia da Palavra. Terminada a proclamação, o evangelho é reverenciado com o beijo de quem o proclamou.


Homilia (não se diz mais sermão)


 O que significa?

Significa uma conversa familiar, que procura, a partir da Palavra proclamada, sua atualização ao contato da comunidade. Bem diferente de um sermão ou momento de críticas à assembleia ou cair em cima dela com normas morais. A homilia provém da liturgia sinagogal. Também lá, após a proclamação das Escrituras, esta era atualizada. Sendo assim, é um dos documentos mais antigos da Liturgia da Palavra. Não se confunde com sermão, pregação, encontro catequético ou estudo bíblico.

Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, argumentar, corrigir e educar conforme sua justiça.


Porque a Homilia é importante e não pode ser deixada de lado ou feita de qualquer jeito?

Por que é através dela que os fiéis podem compreender intensamente o significado da Palavra proclamada e atualizá-la em suas vidas. Daí a homilia ter por finalidade explicar, explicitar, interpretar, aprofundar e decifrar a mensagem proclamada. Pela homilia o Senhor continua falando à assembleia. É uma preparação para a santa comunhão e um convite a assumir as exigências da vida cristã.


Profissão de fé – Credo


A homilia abriu os nossos olhos e aqueceu o nosso coração. Por isso, de pé, a assembleia professa a fé, rezando o creio. Há duas fórmulas: o Símbolo dos Apóstolos (o mais curto) e o Símbolo Niceno – constantinopolitano (mais longo), resultado de muita reflexão e escrito como síntese da fé cristã, rezado especialmente nos domingos quando se fala de Jesus como Messias, o Filho de Deus. Chama-se assim por ter surgido após os concílios de Niceia e Constantinopla.


No credo (do latim “credere”, dar crédito, confiar totalmente em alguém) encontramos o resumo de nossa doutrina, a síntese das nossas verdades de fé. É rezado o creio em todos os domingos e solenidades.


Preces da Assembleia ou oração universal


Nesses pedidos, a Assembleia se abre para o mundo, isto é, coloca diante de Deus não só os seus pedidos pessoais, mas trazem para dentro da Assembleia o mundo todo, a Igreja, todos os necessitados. A partir do séc. IX, as preces dos fiéis começaram a desaparecer da Liturgia da Palavra. Com o Concílio Vat. II (1962-1965), após muitos debates dos liturgistas, os Padres conciliares decidiram restaurá-las. Com essas preces, a Liturgia da Palavra recebe o seu fechamento.

O sacerdote introduz e encerra a oração universal, o comentarista faz as preces, e os fiéis respondem com uma resposta que varia de acordo com o domingo. 


Hoje foi um pouco denso, mas terminamos a Primeira Grande parte da Missa. Semana que vem iniciaremos a Liturgia Eucarística.


Grande bênção e até lá.



Côn. Sergio Conrado   

Prezados paroquianos e amigos de São Gabriel

Saúde e Paz!


Liturgia Eucarística

Com as preces, tem-se o encerramento da primeira parte da missa, a Liturgia da Palavra.


Essa tem como seu centro o ambão da Palavra. A partir da apresentação dos dons (pão e vinho), tem início a segunda parte do rito eucarístico: a liturgia Eucarística, toda ela realizada em torno do altar.


Os evangelhos que narram a última ceia (cf. Mt 26, 20-30; Mc 14, 17-26; Lc 22, 14-39) mostram que Jesus tomou o pão e o cálice com vinho e deu aos seus discípulos. Em outras palavras:


Tomar o pão e o cálice = preparação das oferendas ou dos dons;

Dar graças = Oração eucarística ou anáfora;

Partir o pão = Fração do pão eucarístico e Cordeiro de Deus;

Dar aos discípulos = Rito de Comunhão

    A liturgia eucarística acompanha, portanto, as ações de Jesus na última ceia, e a maioria das orações eucarísticas, desde os primeiros tempos do cristianismo.


Preparação dos dons ou oferendas: pão e vinho

No início, até o séc. IX, as oferendas – pão e vinho – eram trazidos pelos fiéis. Uma pequena parte era separada para o altar e o restante distribuído entre os pobres. Já existia uma oração sobre as oferendas. Não era pão ázimo. Foi introduzido no séc. XI. E a partir daí, passou-se a confeccionar um pão maior para o celebrante (hóstia) e pães menores para os fiéis (partículas).


A partir do final do séc. XI, o pão e o vinho passam a ser oferecidos pelos clérigos, e aos demais fiéis foi incentivada a contribuição econômica (a doação de dinheiro para as necessidades da comunidade que perdura até hoje; o dízimo surgiu em 1969). Essa contribuição é antiquíssima (cf. 1 Cor 16).


 


A água misturada ao vinho é um costume muito antigo que ganhou um sentido simbólico: a água misturada ao vinho representa uma incorporação à natureza divina de Cristo, representada pelo vinho; O canto que acompanha o rito das oferendas, dele já se tem notícia no séc. V. O texto do canto não precisa falar de pão e vinho, pode falar do tema da liturgia ou do oferecimento da própria vida a Cristo.


O nome correto deste momento é preparação das oferendas, e não ofertório, como se dizia antigamente.


 


Lavar as mãos – Após a apresentação das oferendas, o celebrante principal lava as mãos. Esse costume vem desde o tempo em que os fiéis traziam as ofertas da terra: frutos, legumes e outros. Após receber isso tudo, o sacerdote lavava as mãos. Perdura até hoje, mas com um sentido de purificação, pois o sacerdote pede que Deus perdoe os seus pecados. 

Antes da oração 'Orai, irmãos e irmãs', principalmente em solenidades, são incensadas as oferendas, a cruz, o altar, o sacerdote (e os concelebrantes, se estiverem presentes) e o povo.


 


Orai irmão e irmãs


Após a apresentação dos dons, o sacerdote pede aos fiéis participantes, que rezem: “Orai irmãos e irmãs…  A resposta dos fiéis indica que o povo reconhece-se presente e participante no sacrifício: “Receba o Senhor por tuas mãos este sacrifício, para a Glória do seu nome, para nosso bem e de toda a Santa Igreja”.


 


Oração sobre as oferendas


É a segunda oração presidencial da missa (a primeira é a coleta no final dos Ritos de Entrada).


Em nome da assembleia que celebra, o presidente pede a Deus que aceite as ofertas do povo. A comunidade consente com o “Amém”. Como o sacerdote já fez o convite no 'Orai, irmãos e irmãs', não se diz Oremos.


Essa oração até o séc. VIII foi chamada de “secreta” porque era feita em voz baixa. Com essa oração, conclui-se o rito da apresentação das oferendas e dá-se início à Oração Eucarística.


Oração Eucarística


É o momento sublime de toda a celebração; a assembleia esta em pé (e se ajoelha na consagração), participando com respeito nas aclamações da comunidade (que podem ser cantadas). No Brasil, temos 14 textos diferentes de Orações Eucarísticas, disponíveis para a escolha das comunidades. 

A Oração Eucarística I se usa para grandes solenidades.

A II é mais usada nos dias de semana.

A III e a IV são usadas especialmente aos domingos.

A oração V surgiu para o Congresso Eucarístico de Manaus.

As orações VI são para diversas circunstâncias.

As orações VII e VIII são para tempos de reconciliação.

As orações IX, X e XI são próprias para a missa das crianças.


Diálogo inicial e Prefácio


      O Prefácio é uma ação de Graças ao Pai por Jesus Cristo, e inicia-se com um diálogo entre o celebrante e a assembléia. Há muitos prefácios: para os tempos litúrgicos, solenidades, festas entre outros. Quando o Prefácio é chamado de “próprio”, significa que forma um todo, com aquilo que celebramos. No tempo comum, há prefácios à escolha.

O prefácio é um hino de “abertura” que nos introduz no Mistério Eucarístico. Por isso, o celebrante convida a assembleia para elevar os corações a Deus, dizendo Corações ao alto!


Santo


É um hino que proclama a santidade de Deus e dá graças ao Senhor.  A repetição, 3 vezes Santo, significa o máximo de santidade: Santíssimo. Sua letra é fixa, pode ser adaptada, mas não pode ser substituída por outro canto com letra diferente. 


Epiclese e narrativa da Instituição (Consagração)


      O celebrante estende as mãos sobre o pão e vinho e pede ao Pai que o santifique, enviando sobre eles o Espírito Santo. 

Por ordem de Cristo e recordando o que o próprio Jesus fez na Ceia e pronuncia estas palavras: “Tomai e comei...”  O Celebrante faz uma genuflexão para adorar Jesus presente sobre o altar. Em seguida recorda que Jesus tomou o cálice em suas mãos, deu graças novamente, e o deu a seus discípulos dizendo: “Tomai e bebei... Fazei isto” aqui se cumpre à vontade expressa de Jesus, que mandou celebrar a Ceia. 



Queridos amigos, por hoje é só

Grande bênção e até a próxima!

Côn. Sergio Conrado 

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