Reflexões sobre a Santa Missa (1)

 Queridos paroquianos e amigos de São Gabriel




Hoje vamos iniciar nossa reflexão, sobre os ritos iniciais da Santa Missa (Eucaristia).


Através dos ritos iniciais, os fiéis batizados em Cristo, todos eles celebrantes, percebem-se unidos a Cristo, congregados por Deus Pai para formarem uma única assembleia celebrante, a primeira realidade litúrgica da celebração na qual, desde o primeiro momento, Cristo faz-se presente. A primeira e mais importante notícia que o Novo Testamento e os escritos dos primeiros séculos afirmam, quando falam da Eucaristia, da Santa Missa, é a reunião da comunidade: fazer com que os fiéis reunidos em assembleia tomem consciência de constituírem uma comunidade que está para celebrar, na presença do Senhor, a Santa Missa.


1. Canto de Entrada

O canto de entrada, além de acolher o presidente da celebração e os ministros, quer criar um clima de festa, de alegria, de família, de fraternidade, de comunhão com Deus e as pessoas. Canta-se de pé. Nas festas, costuma-se fazer a procissão de entrada, com a cruz, o evangeliário (bíblia), incenso, etc. O canto de entrada como os demais cantos deve estar sintonizado com o tema do dia: no Tempo Pascal fala da ressurreição, no Advento fala da expectativa da vinda do Salvador, no Tempo do Natal fala da encarnação e do nascimento de Cristo, na Quaresma fala sobre penitência e mudança da vida, no Tempo Comum fala de vários temas. Varia conforme a Missa.


2. A saudação do altar – o beijo do altar

Notícias do séc. IV testemunham que o beijo do altar já fazia parte da liturgia da Igreja. O altar é o móvel mais importante da Igreja, é o símbolo de Cristo: ele é ao mesmo tempo o altar, a vítima e o sacerdote. Nas missas de festa e solenidades, usa-se o incenso, na procissão de entrada, e para incensar a cruz e o altar, na procissão e proclamação do Evangelho, à elevação da hóstia e do cálice depois da consagração e depois que o pão e o vinho foram colocados sobre o altar, para incensar as oferendas, a cruz, o altar, o sacerdote, o povo e os concelebrantes (se estiverem presentes).


3. Sinal da Cruz

As palavras “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” provêm de Mateus 28, 19. A partir de Santo Agostinho (354, 430) e de São Jerônimo (347-420) sabe-se que os cristãos sempre fizeram o sinal da cruz sobre a fronte, os lábios e sobre o peito. Mas o sinal da cruz como fazemos hoje foi introduzido na liturgia somente no séc. XVI com o Missal de S. Pio V.


 


4. Saudação

O presidente da celebração saúda a assembleia. A saudação normalmente é tirada das cartas do Novo Testamento. A assembleia louva a Deus por tê-la reunido no amor de Cristo.


5. Ato Penitencial

O documento chamado Didaqué, escrito do século I, atesta que o ato penitencial, enquanto verdadeira e própria liturgia do perdão, no início da celebração eucarística, pertence ao rito da missa desde as suas origens. A posição é em pé, com uma leve inclinação da cabeça e quando é o “Confesso a Deus todo poderoso”, nas palavras “minha culpa”, cedo já se menciona o gesto de bater no peito.

É uma forma de se reconhecer como pecador e necessitado da misericórdia de Deus: seja em forma de ato de contrição (Confesso a Deus todo-poderoso), em forma de diálogo por versículos bíblicos (Tende compaixão de nós, Senhor) ou em forma de ladainha (Senhor, que vieste salvar). O Missal propõe invocações alternativas para os diversos tempos litúrgicos. Após estas, segue a absolvição sacerdotal. O 'Senhor, tende piedade' não pertence ao ato penitencial, é um canto que clama a piedade de Deus. 


Não se trata de um ato relacionado ao equivalente ao sacramento da confissão, mas de começar a celebração com atitudes básicas cristãs: o pedido de perdão e purificação. Predispõe o fiel a procurar o sacramento da confissão. Principalmente no tempo Pascal, em lugar do ato, pode-se fazer a bênção e a aspersão da água benta, em recordação ao santo batismo. É parte fixa da Missa, por isso sua letra não pode ser alterada. Pode ser adaptado, mas não pode ser substituído por outro canto com letra diferente.


6. Glória a Deus nas alturas (Gloria in Excelsis)

Hino muito antigo da Igreja, um canto de agradecimento e de festa, cantado na missa a partir do séc II. Trata-se de uma oração cantada, que mistura louvor com súplica, na qual a assembleia, congregada no Espírito Santo, glorifica e suplica a Deus Pai e ao Cordeiro. É cantado em solenidades, festas e domingos fora do Advento e da Quaresma. Não se canta nos dias de semana, porque este cabe ao dia por excelência do encontro com os cristãos - o domingo. É parte fixa da Missa, por isso sua letra não pode ser alterada. Pode ser adaptado, mas nunca substituído por outro canto com letra diferente. Também é evitado nas missas de sétimo dia, trigésimo dia, um ano de falecimento, missas de corpo presente e Dia de Finados.


7. Oração coleta

É um dos elementos mais antigos dos ritos iniciais. Trata-se da primeira oração que o presidente da celebração faz ao Senhor, com os braços abertos. Depois de dizer “oremos”, o celebrante faz uma pausa para que cada pessoa coloque diante de Deus as próprias motivações e intenções. O “Amém” da assembleia significa que ela está de acordo. Nada tem a ver com a coleta que se faz na preparação das oferendas.

Aqui terminam os Ritos Iniciais. E se inicia a Liturgia da Palavra que veremos no próximo encontro.


Grande bênção a todos e até lá…


Côn. Sergio Conrado

Prezados paroquianos e amigos de S. Gabriel


Saúde e Paz!




Após termos visto os Ritos Iniciais, hoje vamos meditar sobre a 1ª grande parte da Missa que é a Mesa da Palavra (Liturgia da Palavra) que se inicia com a primeira leitura e termina com as preces dos fiéis.


Como nasceu a Liturgia da Palavra?

O evangelista São Lucas narra que, como em todos os sábados, Jesus foi à sinagoga (casa de oração dos judeus) de Nazaré, levantou-se para fazer a leitura, que de acordo com o lecionário judaico para aquele dia, seria o profeta Isaías. Abriu o rolo(livro) e leu o primeiro versículo do Cap. 61 de Isaías (Cf. Lc 4,14-18). Aquilo que aconteceu na liturgia sinagogal de Nazaré é a instituição da liturgia cristã da Palavra, assim como, de igual modo, na última ceia, Jesus instituiu a celebração eucarística cristã. Assim, a leitura cristã das Escrituras e a Eucaristia foram por Ele instituídas de modo semelhante. Jesus tomou o rolo, tomou o pão e tomou o cálice com vinho, isto é, instituiu as duas mesas  da celebração eucarística: a mesa da Palavra e a Mesa da Eucaristia.


Podemos dizer então que a liturgia católica assumiu como base a liturgia judaica?

Sem dúvida, Jesus como legítimo judeu e criador do cristianismo aproveitou o que era da tradição judaica na sinagoga e a aplicou na liturgia cristã: a primeira leitura.


Primeira leitura

Como dissemos, a liturgia católica assumiu da liturgia judaica a proclamação de um trecho de um dos livros do Antigo Testamento na primeira leitura para iluminar os textos do N.T. Mas, durante o Tempo Pascal, a primeira leitura é tirada no N.T., sobretudo dos Atos dos Apóstolos.


Anteriormente, a leitura dos textos era contínua. Com a introdução das primeiras festas mais solenes do calendário litúrgico, a leitura contínua começou a ser interrompida, até que, com a reforma litúrgica, ocorrida no Concílio Vaticano II (1962-1965), foi estabelecido a disposição das leituras como as encontramos hoje. É interessante notar, a Igreja introduziu uma espécie de moldura para cada uma das leituras antes da sua proclamação. Para as leituras do AT.: “leitura do livro”…, “sequência do livro…início do livro”. Para as leituras do NT: “Irmãos”, “Caríssimos”, “Naquele tempo”, “Naqueles dias” entre outras; e uma aclamação ao final: “Palavra do Senhor…Graças a Deus


O ofício de proclamar as leituras não é do presidente da celebração, mas sim dos ministros da Palavra e outros. Daí a necessidade de o leitor se preparar bem, pois ele empresta sua voz ao Senhor, para proclamar a sua Palavra. Não se pode ler de qualquer jeito.


Salmo responsorial

 O costume judaico do canto do salmo também é assumido pelos cristãos. Trata-se de um momento muito importante para responder à primeira leitura através do canto meditativo. O salmo é parte integrante da liturgia da Palavra, é retirado do livro dos Salmos, pode ser adaptado, mas nunca substituído por um canto de meditação. Não pode ser omitido.


Segunda leitura

Influência da liturgia da sinagoga. Sempre extraída do NT, geralmente das cartas de são Paulo, dos apóstolos (Tiago, Pedro e João) ou do Apocalipse, no Tempo Pascal. Também recebeu uma moldura e, ao final, uma aclamação: “Palavra do Senhor… Graças a Deus”. Além da resposta significar um louvor a Deus pela sua Palavra, é também uma confirmação nossa de que acreditamos no que Deus nos fala.


6 – Aclamação antes da proclamação do Evangelho


Por esta aclamação, a assembleia dos fiéis, de pé, acolhe o Senhor, que fala pelo Evangelho. A partir do séc. IV, o Aleluia ganhou importância como um canto de aclamação e no séc. VI um sentido pascal. Como hoje, desde muito cedo, em tempos penitenciais, o canto do aleluia era substituído por outros refrões, sintonizados  com a espiritualidade do tempo litúrgico. Varia conforme a Missa, e embora seja variável, sua letra não deve ser alterada. Pode ser adaptada, mas não pode ser substituída por outro canto com letra diferente.

Deve obrigatoriamente conter a palavra 'Aleluia', que significa alegria, exceto na Quaresma, quando esse Aleluia é proibido e substituído por um versículo proposto no Lecionário, em virtude do forte tempo de reflexão


Por hoje, caros amigos, é só. Na próxima vez, vamos concluir a Liturgia da Palavra com o Evangelho, a Homilia, o Creio e as Preces dos Fiéis.

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