Refeições sem distrações - Menos telas, mais saúde

 Crianças viciadas em televisão, tablet, rádio, videogame ou celular ligado durante a refeição são muito comuns. Já diziam nossos avôs: a hora da refeição é uma hora sagrada e precisa ser feita em um ambiente adequado e de forma prazerosa.


Acostume-a comer sem distrações. É muito fácil “viciar” a criança a só comer assistindo TV, brincando ou até passeando pela casa. Cuidado para não cometer esse erro, porque depois é difícil consertar. Procure estabelecer um lugar certo para a criança comer. Quando ela já estiver se sentando bem, pode começar a usar um cadeirão ou cadeira


Se a criança só come assistindo TV, por exemplo, ela só presta atenção no programa e não presta atenção no que está comendo. Desta forma a criança não distingue os sabores dos alimentos. Além disso, o cérebro não registra a forma correta o que a criança comeu, e ela pode comer muito mais porque não presta atenção ou menos.


É essencial que a criança saiba o que está comendo e fique atenta a mastigação. Quando se come com distrações, mastiga-se menos; com isso se produz menos saliva, o que acaba prejudicando mundo a formação do bolo alimentar (alimento depois de mastigado quando fica no estômago) e consequentemente a absorção de alguns nutrientes necessários para um bom desenvolvimento infantil.


Uma dica para resolver o problema é sempre servir a refeição na mesa. É muito importante que toda a família esteja presente à mesa, durante as refeições. Essa medida simples ajuda a fortalecer a relação entre pais e filhos, além de tornar o horário da alimentação mais divertido e prevenir lanches fora de hora. Uma recomendação valiosa é que os pais fiquem atentos a quatro aspectos da alimentação infantil: horários das refeições bem definidos, quantidade adequada de alimento para cada faixa etária, qualidade dos alimentos e mastigação correta.


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Os hábitos alimentares das famílias estão ficando cada vez piores e isso traz prejuízos aos filhos. Muitas crianças estão apresentando “doenças de adulto” por conta da alimentação inadequada, como o colesterol e diabetes. E não é que a televisão pode entrar como vilã da boa alimentação?


Criança que come e assiste televisão acaba não conseguindo mastigar direito e nem prestar atenção no que é transmitido na telinha.


O número é assustador, mais de 60% dos brasileiros, incluindo as crianças, estão acima do peso. Grande parte das crianças já apresenta sintoma de alguma doença consequente do aumento de peso ou do excesso de gordura ingerida e ainda tem maiores chances de se deparar com uma doença cardíaca na vida adulta.


Não é só o fato de não mastigarem corretamente que ocorre com o pequeno em frente à TV. Crianças que fazem as refeições diante da televisão não prestam atenção no que comem e nem ficam atentos quanto à satisfação, perdendo a noção da quantidade de alimento ingerido, podendo consumir muito mais calorias.


Muitas vezes o seu filho poderá fazer chantagem dizendo que só vai comer se estiver na frente da televisão. Se ceder uma vez, a criança irá querer sempre. Não fique aflita se ele não quiser comer, apenas diga que seu prato está na mesa e que poderá vir comer. Quando a fome bater, revide: seu filho irá certamente até a mesa. Uma forma ótima é programar o alarme no celular.


a refeição das crianças na frente da TV - Foto: mojzagrebinfo / pixabay.com


Cada um pro lado – É comum hoje em dia ver o pai vendo TV enquanto a mãe se alimenta na cozinha, tendo o filho jogando videogame no quarto. A presença de todos à mesa, sem TV, fortalece a relação entre os familiares e, indiretamente, evita que o filho fique “beliscando” enquanto assiste seu programa favorito.


O horário das refeições em casa, que antigamente era feito na mesa com todos reunidos, agora, é realizado em frente à TV ou até mesmo ao computador.


As refeições realizadas em família sem a intromissão da televisão fazem com que as crianças comam melhor e, portanto, sejam mais saudáveis, principalmente quando os pais têm hábitos saudáveis, com alimentação balanceada e abusando de saladas e legumes.


“A educação nutricional começa em casa”, ressalta a nutricionista Márcia Banin. Ela orienta que o hábito alimentar saudável, principalmente para as crianças baseia-se em quatro regras: horários definidos, quantidade adequada para cada faixa etária, qualidade dos alimentos e mastigação correta.


Olhinho na telinha - TV prende a atenção. Por isso, os pais devem ensinar o filho a mastigar os alimentos de maneira correta, mostrando que a hora da refeição é harmoniosa e tranquila. As crianças são muito atentas e imitam os pais. O bom exemplo é o primeiro passo.


A televisão é um ótimo entretenimento e muitas vezes fonte de aprendizado se tiver um limite. São os pais que devem colocá-los. O dia tem 24 horas que é tempo suficiente, se bem organizado, para brincar, assistir televisão, estudar e descansar.


Dicas


O costume de realizar as refeições diante da televisão pode levar as crianças “beliscarem” fora do horário enquanto assistem o desenho animado preferido. Normalmente esses “beliscos” são salgadinhos, chocolates ou bolachas, nada saudáveis.


As refeições em família sem a TV ligada são ótimas para fortalecer os vínculos afetivos entre pais e filhos. Proporcionar uma alimentação adequada aos filhos demanda tempo e dedicação, mas ver os pimpolhos saudáveis é uma recompensa e tanto.


As crianças são receptivas a atividades diferentes e, por isso, são mais fáceis de largar o hábito de assistir muita televisão.

Em 2016, a Sociedade Brasileira de Pediatria  (SBP) lançou seu primeiro manual de orientação sobre o uso de telas de smartphones, computadores e tablets por crianças e adolescentes. Neste mês, a entidade, que representa mais de 25 mil médicos do país, divulgou um novo documento, reforçando os efeitos negativos do excesso e com recomendações mais detalhadas às famílias. 


Para a SBP, trata-se de um tema urgente, uma vez que diversas pesquisas recentes apontam consequências importantes do exagero — de transtornos de saúde mental e comportamento à baixo desempenho escolar. Na primeira infância, as horas passadas em frente ao às telas podem gerar atrasos no desenvolvimento da linguagem. 


Aos adultos, muitas vezes eles mesmos usuários frequentes dos eletrônicos, falta a percepção deste risco e conhecimento específico sobre como usar a tecnologia de maneira equilibrada e segura. Neste contexto, as novas mídias ‘“preenchem vácuos” como ócio, tédio, necessidade de entretenimento ou mesmo falta de afeto e atenção de pais cada vez mais ocupados. 


O uso de telas na primeira infância

Os autores destacam a preocupação com o tempo que bebês ficam assistindo televisão ou vídeos no celular. No documento, escrevem que “crianças em idades cada vez mais precoce estão tendo acesso aos equipamentos eletrônicos, sempre com o objetivo de fazer com que a criança fique quietinha”. 


Tal comportamento é chamado de distração passiva, justamente o contrário do brincar ativamente ou interagir com o mundo ao redor, dois aspectos cruciais do desenvolvimento infantil. Nos primeiros mil dias de vida, o cérebro passa por um período único de maturação, e a falta de estímulos ‘reais’ pode fazer falta. 



A qualidade do sono, outro fator que influencia o crescimento nos primeiros anos de vida, também pode ser abalada com a luz azul emitida por esses aparelhos. Os longos períodos e o uso perto da hora de deitar parecem mais prejudiciais para os pequenos, mas, por via das dúvidas, a SBP recomenda que menores de 2 anos não sejam expostos às telas sem necessidade, em especial passivamente.  


Entre os dois e os cinco anos, os pais devem limitar o tempo de telas ao máximo de uma hora por dia, sempre acompanhado. A partir dos seis e até os dez, são até duas horas por dia, com supervisão. 


Como usar a tecnologia de maneira equilibrada

Além da questão da saúde em si e de limitar o tempo de uso, a SBP elaborou dicas que englobam segurança digital, convivência familiar e comportamento. Veja: 


Não permitir que crianças e adolescentes fiquem isolados nos quartos com TV, computador, tablet ou celular, mas estimular o uso em locais comuns da casa. 

Para todas as idades, não é recomendado usar telas durante as refeições, e elas devem ser desligadas entre uma e duas horas antes de dormir. 

Sempre que possível, oferecer alternativas de atividades no mundo offline, como exercícios ao ar livre, esportes e contato com a natureza. 

 Não postar fotos de menores de idade em redes sociais públicas. 

Criar regras para o uso dos equipamentos que incluam momentos de desconexão e convivência familiar. 

Usar filtros e senhas para restringir o conteúdo de acordo com a idade de cada membro da família. 

As escolas devem estimular a alfabetização digital das crianças e dos pais, ensinando sobre regras éticas, respeito e segurança. 

Jogos, programas de televisão, desenhos, filmes e músicas estão hoje ao alcance de um clique. A grande inserção de crianças e adolescentes no ambiente digital reforçou um debate que médicos de crianças e adolescentes têm tido há décadas ao redor do mundo: quais os impactos do uso excessivo de telas na infância e na adolescência?

Para aprofundar a pesquisa no tema e propor soluções saudáveis no contato com a tecnologia, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) desenvolveu o Grupo de Trabalho da Saúde Digital. Em 2019, o grupo, composto por 5 profissionais especializados em pediatria e hebiatria (medicina de adolescentes), publicou o manual de orientação para médicos e pais “Menos Telas, Mais Saúde” que reúne dados e reflexões sobre o impacto do uso de telas no desenvolvimento da criança e do adolescente.

O Grupo foi formalizado no final do último ano, mas surgiu como resultado de quase 20 anos de publicações e mapeamento de pesquisas sobre o assunto ao redor do mundo. “Quando as pesquisas sobre o tema já representavam um número expressivo, ao passo que o risco à saúde também aumentou com a difusão do uso das telas, vimos a necessidade, como profissionais da saúde, de formalizar um grupo de trabalho científico sobre saúde digital”, relembra a representante gaúcha no Grupo, Suzana Estefenon.

Embora a equipe seja composta apenas por profissionais da área, entidades como o CGI e representantes de Google e Facebook auxiliam no processo de trabalho do Grupo. Para Suzana, a preocupação das empresas com o impacto na saúde foi uma surpresa positiva: “acredito que é uma luta muito importante, uma vez que eles também estão vendo a necessidade do olhar científico de quem estuda o tema e vão somar nas atividades deste ano”.

As facilidades de uso e o grande acervo de informações disponíveis são alguns dos atrativos para os mais de 24 milhões de brasileiros entre 9 e 17 anos no País. A pesquisa “TIC Kids Online Brasil”, realizada pelo Comitê Gestor de Internet no Brasil (CGI), em 2018, apontou também para o aumento no número de indivíduos conectados dessa faixa etária: em 3 anos, a presença de crianças e adolescentes na internet subiu de 79% para 86%.

Além de dimensionar o impacto causado pelo uso frequente de celulares, televisores, computadores e tablets, o Grupo também relaciona essa prática com outras questões inerentes a formação pessoal. Em 2016, no Manual de Orientações para Pediatras, Pais e Educadores, publicado pela SBP, os especialistas exploraram a relação entre o ambiente digital e o contato direto com a natureza. Entre as características apresentadas no Manual, o estresse tóxico, a obesidade, sobrepeso, sedentarismo, alergias, distúrbios de sono e alimentação e falta de coordenação motora estão diretamente ligadas tanto ao uso excessivo de telas, quanto a distância de ambientes diversos, especialmente aqueles a céu aberto e compostos por elementos naturais, sejam eles construídos ou não. Todos materiais publicados pelo Grupo de Trabalho da Saúde Digital podem ser acessados no site da SBP, no link: www.sbp.com.br.

 

Excesso de conexão pode comprometer o desenvolvimento cerebral

A preocupação dos especialistas se concentra nos problemas causados pelo uso excessivo de telas em momentos de formação do indivíduo e que podem acarretar em problemas no desenvolvimento cerebral, no ritmo do sono e na formação das conexões dos neurônios, a qual desenvolve-se, idealmente, obedecendo a estímulos visuais, auditivos, de toque e de afeto, incorporando informações e vivências, além de estimular todas as regiões do cérebro. “Hoje, o contato com as telas é fornecido até aos bebês como um estímulo muito constante. Isso provoca um impulso reduzido nas mesmas regiões cerebrais, e não ao conjunto cerebral, de tal forma que o cérebro acaba não realizando todas as conexões ideais”, explica Suzana.

A pesquisa do CGI apontou que, em 2018, aproximadamente um quinto dos usuários de Internet entre 11 e 17 anos tentaram, mas não conseguiram, passar menos tempo na rede. Além disso, 23% declarou ter se sentido mal em algum momento por não poder estar na internet. Outro dado preocupante evidenciado na pesquisa, concentra-se em uma outra forte preocupação da equipe de pesquisa: o tempo compartilhado com a família e amigos.

No estudo, 22% dos usuários dessa faixa etária mencionaram que passaram menos tempo com a família, amigos, ou realizando lições escolares porque ficaram muito tempo na internet. Ao passo que 20% relataram deixar de comer ou dormir por causa da internet, 18% dos entrevistados afirmaram que se deram conta de estar navegando na rede sem realmente estarem interessados no que viam. “Parece apocalíptico, mas a gente não quer passar essa visão. Temos que entender que a relação com a tecnologia tem que haver uma disciplina, um limite de horas diárias para não comprometer o horário de outras atividades importantes”.

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