Jornal Correio da Paraíba - Professor João Trindade - 13 de outubro de 2020
Sujeito
Aquele, ou aquilo, a respeito do qual se transmite uma informação.
De acordo com o modo como aparece na frase, pode ser classificado como determinado ou indeterminado.
■ 4.2.1.1.1. Sujeito determinado
Ocorre quando se pode determinar o elemento ao qual o predicado se refere:
Os operários cruzaram os braços logo cedo.
Os operários = sujeito determinado, pois podemos identificar o termo ao qual se atribui o ato de cruzar os braços.
Passamos férias maravilhosas.
O sujeito (termo sobre o qual se projeta a ação de passar) está implícito na desinência verbal “Passamos”. Temos então sujeito determinado ou desinencial.
O sujeito determinado pode ser simples ou composto:
■ Sujeito simples — aquele que apresenta apenas um núcleo:
Muitos funcionários das repartições públicas de São Paulo estão afastados.
As minhas duas belas primas do interior chegaram.
Alguém comeu o meu pudim!
Quem chegou?
“Saí, afastando-me dos grupos e fingindo ler os epitáfios.” (Machado de Assis)
Vieste aqui para estudar.
Quando o núcleo está expresso na frase, chamamo-lo de sujeito simples claro. Quando o núcleo não está expresso na frase, mas se deduz do contexto, chamamo-lo de sujeito simples oculto, ou desinencial, ou subentendido, ou deverbal, ou implícito, ou elíptico.
Curiosidade: A Nomenclatura Gramatical Brasileira não reconhece nenhuma dessas denominações, mas elas existem.
■ Sujeito composto — aquele que apresenta dois ou mais núcleos:
Eu e ela chegamos a um acordo.
A presidenta e seus ministros participaram das comemorações do Dia da Independência.
■ 4.2.1.1.2. Sujeito indeterminado
Surge quando existe um elemento sobre o qual se declara algo, mas não se pode identificar tal elemento; é aquele que, embora existindo, não se quis ou não se pôde representar na oração.
Chegaram bem tarde hoje. — não se sabe “quem chegaram”.
Há duas maneiras de tornar o sujeito indeterminado:
a) com verbos na 3ª pessoa do plural, sem sujeito expresso (ou que não haja referência a nenhum ser anteriormente expresso):
Roubaram meu anel.
Destruíram dois orelhões em pleno centro da cidade.
Curiosidade: Quando o contexto permite definir o agente da ação, teremos um sujeito simples oculto:
Umas pessoas malvadas estiveram aqui e roubaram o meu anel.
Aqueles vândalos presos ontem destruíram dois orelhões em pleno centro da cidade.
b) com verbos na 3ª pessoa do singular, seguido da partícula SE — índice de indeterminação do sujeito:
Vive-se bem nesta cidade.
Fala-se em guerras.
Trata-se de questões tributárias.
Precisa-se de serventes de pedreiro.
■ 4.2.1.1.3. Sujeito oracional
Surge quando o sujeito de uma oração é toda uma outra oração.
É bom que todos compareçam.
1ª oração: É bom.
2ª oração (sujeito): que todos compareçam.
O que é bom? sujeito = que todos compareçam.
Curiosidade: Na análise sintática, esta oração que funciona como sujeito é classificada como oração subordinada substantiva subjetiva.
■ 4.2.1.2. Oração sem sujeito
Não há um elemento ao qual se atribui o predicado. Ocorre nos seguintes casos:
a) com os verbos que indicam fenômeno da natureza:
Choveu muito pouco no verão passado.
Trovejou durante horas seguidas.
Nas cidades do sul, neva no inverno.
Nota: Alguns gramáticos chamam a oração sem sujeito de sujeito zero ou sujeito inexistente, mas essa denominação nos parece incoerente, pois não se pode chamar de sujeito aquilo que não existe.
b) com o verbo haver indicando “existência” ou “acontecimento”:
Na festa havia muitas pessoas.
Há anos surgiu no teatro brasileiro uma nova estrela.
No carnaval, haverá bailes em todos os clubes.
Havia, naquela casa, muitos quartos vazios.
c) com os verbos ser e estar, indicando tempo:
Já são dez horas.
São 13 de julho.
Amanhã será dia 15.
Hoje está frio.
Como está tarde!
d) com o verbo fazer indicando tempo ou fenômeno da natureza:
Faz duas horas que ele saiu.
Fará, no próximo domingo, vinte anos que a conheci.
No verão, faz muito calor na serra gaúcha.
Fará dias frios no próximo mês.
e) com os verbos bastar e chegar seguidos da preposição de:
Chega de conversa mole.
Basta de reclamações.
Curiosidades:
1) Em todos os casos acima, os verbos não têm sujeito; são chamados, então, de verbos impessoais, independentemente de o restante da frase estar no singular ou no plural. Devem ficar sempre na 3ª pessoa do singular.
Exceção é o verbo ser, que merecerá tratamento especial na concordância verbal.
2) Os verbos que indicam fenômeno da natureza, empregados metaforicamente, admitem sujeito:
Sua negativa anuviou minha alegria.
Choveram bombas sobre a cidadezinha serrana.
■ 4.2.1.3. Predicado
É a informação que se transmite a respeito de algo ou alguém.
No processo da comunicação, as palavras que formam uma frase estão agrupadas em dois eixos: o sujeito e o predicado. Como vimos, pode haver frase sem sujeito. Nunca, porém, existirá uma frase sem predicado.
Antes de classificarmos os predicados, vamos primeiro definir os verbos, como eles aparecem na formação do predicado, e também os predicativos (do sujeito e do objeto).
■ 4.2.1.3.1. Verbo de ligação
É aquele que liga o sujeito ao seu predicativo (termo que expressa um estado ou qualidade). A função do verbo de ligação é apenas “ligar” o predicativo ao sujeito. Pode ser eliminado sem causar prejuízo ao sentido da frase. Os índios costumam ignorar os verbos de ligação e, nem por isso, deixam de se comunicar:
Os alunos estavam alegres.
Os alunos ficaram alegres.
Os alunos continuavam alegres.
Curiosidades:
1) Normalmente são verbos de ligação: ser, estar, ficar, continuar, parecer, permanecer e tornar-se.
2) Estes verbos são de ligação somente quando acompanhados de um predicativo do sujeito. Caso não haja um predicativo para o sujeito, eles serão chamados de intransitivos.
Os alunos estavam no pátio.
Note que agora não há mais predicativo do sujeito. Não há, então, verbo de ligação; estavam é verbo intransitivo, e no pátio é adjunto adverbial.
Vejamos outros exemplos:
Âni está aqui.
Atanagildetina ficou em casa.
Quero saber onde Childerico está.
■ 4.2.1.3.2. Verbo nocional
É aquele verbo que expressa ideia de ação. Nesse caso, o verbo não é apenas um elo, mas o termo que encerra o sentido da frase.
O verbo nocional subdivide-se em:
■ 4.2.1.3.2.1. Verbo intransitivo
É aquele que tem o sentido completo, isto é, não precisa de complementos.
Todos chegaram.
O assaltante baleado morreu.
O assaltante baleado morreu no hospital.
Os alunos estavam no pátio.
Alguns alunos escrevem bem.
■ 4.2.1.3.2.2. Verbo transitivo
É aquele que tem sentido incompleto, ou seja, o verbo precisa de complemento.
O verbo transitivo, por sua vez, subdivide-se em:
■ Verbo transitivo direto: exige um objeto direto (complemento sem preposição):
As chuvas transtornam as cidades grandes.
Todos os alunos fizeram as redações solicitadas.
Pegue-a, José.
Deixe-me!
■ Verbo transitivo indireto: exige um objeto indireto (complemento com preposição):
Todos nós precisamos de descanso.
Os alunos devem confiar em seus professores.
Simpatizamos com o novo diretor.
Obedeçam-me!
■ Verbo transitivo direto e indireto: exige dois objetos, um direto e outro indireto:
Ontem emprestei meu carro ao vizinho.
Confiei meu carro ao meu irmão.
Radegondes disse a verdade à sua mãe.
Entregou-me o caderno.
Avisei-o de que a prova fora adiada.
Curiosidades:
1) Ao classificarmos um verbo, temos de fazê-lo dentro do texto. É o contexto que vai indicar a sua classificação.
Ela já escreve bem. (verbo intransitivo)
Ela escreveu dois poemas. (verbo transitivo direto)
Ela me escreveu ontem. (verbo transitivo indireto)
Ela ainda não me escreveu uma linha sequer. (verbo transitivo direto e indireto)
Ela permanecia calada. (verbo de ligação)
Ela permanecia na sala. (verbo intransitivo)
2) Existem verbos intransitivos (não têm objeto) que aparecem sempre com adjunto adverbial:
Ninguém entrou no carro. (verbo intransitivo + adjunto adverbial de lugar “no carro”)
Cheguei tarde. (verbo intransitivo + adjunto adverbial de tempo “tarde”)
Irei ao cinema. (verbo intransitivo + adjunto adverbial de lugar “ao cinema”)
Voltaram para as suas casas. (verbo intransitivo + adjunto adverbial de lugar “para as suas casas”)
■ 4.2.1.3.3. Predicativos
São termos que expressam um estado ou qualidade.
■ 4.2.1.3.3.1. Predicativo do sujeito
Indica uma qualidade ou estado para o sujeito colocado dentro do predicado.
É obrigatório após um verbo de ligação e, eventualmente, pode aparecer após verbos intransitivos e transitivos. Aparece tanto no predicado nominal quanto no verbo-nominal:
a) com verbos de ligação:
Os alunos são estudiosos.
Teu pai virou poeta.
Os jogadores acabaram cansados.
b) com verbos intransitivos:
O trem chegou atrasado.
Os meninos chegaram famintos.
Todos saíram alegres do parque.
c) com verbos transitivos diretos:
Meu primo foi nomeado diretor.
O paciente recebeu tranquilo a notícia.
A mulher deixou o apartamento apressada.
d) com verbos transitivos indiretos:
Os torcedores assistiram nervosos à decisão.
Os delegados procederam cautelosos ao inquérito.
Todos respondiam estáticos ao general.
■ 4.2.1.3.3.2. Predicativo do objeto
Termo que expressa um estado ou uma qualidade do objeto atribuído a ele pelo sujeito. Aparece apenas no predicado verbo-nominal:
Eles nomearam meu primo diretor.
O povo elegeu-o senador.
Nós o chamamos sábio.
Nós lhe chamamos de sábio.
Curiosidade: Não podemos confundir o predicativo do objeto com um adjunto adnominal.
O predicativo do objeto é uma qualidade atribuída ao objeto pelo sujeito da frase, ou seja, para que haja predicativo do objeto é preciso que o sujeito “pense” algo a respeito do objeto. Caso contrário, teremos apenas um adjunto adnominal — que será visto mais adiante.
O menino achou a bicicleta bonita. — “bonita” é predicativo do objeto, pois tal qualidade foi atribuída ao objeto “a bicicleta” pelo sujeito “o menino”.
O menino ganhou uma bicicleta bonita. — “bonita” é adjunto adnominal, pois tal qualidade não apresenta relação alguma com o sujeito da frase.
O presente deixou a criança animada. — “animada” é predicativo do objeto, pois tal qualidade foi atribuída ao objeto “a criança” pelo sujeito “o presente”.
O pai segurou a criança animada. — “animada” é adjunto adnominal, pois tal qualidade não apresenta relação alguma com o sujeito da frase.
■ 4.2.1.3.4. Classificação do predicado
■ 4.2.1.3.4.1. Predicado nominal
Aquele que apresenta como núcleo o termo que indica o estado ou qualidade do sujeito (predicativo do sujeito). O verbo será sempre de ligação.
Estrutura do predicado nominal:
Sujeito + verbo de ligação + predicativo do sujeito:
Estes operários são trabalhadores.
Seu avô está bastante velho.
Os pães parecem estragados.
As crianças continuam adormecidas.
■ 4.2.1.3.4.2. Predicado verbal
Expressa a ideia de ação. Tem como núcleo um verbo nocional. Nesse caso, o verbo é importante; ele é que encerra o sentido da frase.
Estrutura do predicado verbal:
a) Sujeito + verbo intransitivo:
As aves voam no céu.
Chegamos cedo ao cinema.
Os bons tempos voltaram.
b) Sujeito + verbo transitivo direto + objeto direto:
Alguns animais comem plantas.
Todos os alunos fizeram a lição.
Compramos as passagens no cartão.
c) Sujeito + verbo transitivo indireto + objeto indireto:
As plantas precisam de sol.
Os professores simpatizaram com o novo aluno.
Todos confiam em mim.
d) Sujeito + verbo transitivo direto e indireto + objeto direto + objeto indireto:
O rapaz informou a hora ao transeunte.
Avisaram-me sobre o acidente.
Entregaram-no para a polícia.
e) Oração sem sujeito com verbo intransitivo ou transitivo:
Choveu muito ontem.
Nevou em várias cidades do sul.
Faz dias frios aqui.
Havia muitos carros lindos no Salão do Automóvel de 2011, em São Paulo.
Haverá comemorações pelo aniversário da cidade.
■ 4.2.1.3.4.3. Predicado verbo-nominal
É o predicado, composto de um verbo nocional, mais um predicativo (do sujeito ou do objeto). Terá dois núcleos: um será o verbo nocional e o outro será o predicativo.
Estrutura do predicado verbo-nominal:
a) Sujeito + verbo intransitivo + predicativo do sujeito:
Os alunos chegaram atrasados.
Todos saíram apressados.
b) Sujeito + verbo transitivo direto + objeto direto + predicativo do sujeito:
As meninas comeram o bolo alegres.
As mulheres deixaram o hospital felizes.
c) Sujeito + verbo transitivo indireto + objeto indireto + predicativo do sujeito:
As meninas se referiram ao pai felizes.
Os alunos obedeciam ao professor alegres.
d) Sujeito + verbo transitivo direto + objeto direto + predicativo do objeto:
O presente deixou as crianças felizes.
O professor tornou o exercício simples
Normalmente, o predicativo do objeto pode se referir ao objeto direto. Em textos literários, pode-se referir ao objeto indireto do verbo chamar, no sentido de nomear.
Comentários
Postar um comentário