Jornal Correio da Paraíba - Milenium - 13 de outubro de 2020
Milenium - Paraíba: Terça-feira, 13 de outubro de 2020 / F1
Bebidas doces na amamentação podem afetar desenvolvimento cognitivo do bebê
Pesquisadores acreditam que o leite materno pode ser muito mais influenciado pelo o que as mães bebem e comem do que se imagina
O consumo de bebidas açucaradas pode ser prejudicial não apenas na idade adulta, mas também para bebês que ainda mamam no peito. É o que aponta um estudo publicado no The American Journal of Clinical Nutrition na última terça-feira (6). Segundo a pesquisa, quando expostos ao leite de mães que consomem bebidas com açúcar, os pequenos ficam mais vulneráveis a desenvolver problemas cognitivos durante um período de até dois anos.
A pesquisa analisou 88 mães que relataram a quantidade de bebidas doces e sucos ingeridos durante o primeiro mês de amamentação. Seus filhos foram avaliados quando completaram 2 anos de idade. Aí veio a surpresa: os pequenos cujas mães relataram comer açúcar mostraram ter um pior desenvolvimento cognitivo.
Segundo os pesquisadores, o açúcar adicionado da dieta da mãe foi passado para o bebê por meio do leite materno e essa exposição acabou interferindo no desenvolvimento cerebral. “A amamentação pode ter muitos benefícios, mas estamos vendo que o leite materno é influenciado pelo que as mães comem e bebem muito mais do que imaginávamos”, diz, em nota, Michael I. Goran, diretor do Programa de Diabetes e Obesidade do Hospital Infantil de Los Angeles, nos Estados Unidos. Segundo ele, uma dieta com quantidades restritas do ingrediente doce pode fazer bem não apenas para as mamães, mas também para seus bebês, inclusive no futuro.
"Em última análise, queremos que os bebês recebam nutrição da melhor qualidade", pontua Paige K. Berger, primeira autora do estudo. "Nossas descobertas podem ser usadas para orientar recomendações nutricionais a mães durante a amamentação e garantir que os bebês recebam os nutrientes adequados para o desenvolvimento cognitivo.
F2
Primeiro caso de reinfecção pela Covid-19 nos EUA é confirmado por estudo
Este é o quinto caso confirmado de reinfecção em todo o mundo. Cientistas recomendam que, mesmo quem já tenha sido infectado, continue com as medidas protetivas
Um estudo realizado por pesquisadores do Laboratório de Saúde Pública do Estado de Nevada e da Universidade de Nevada, nos Estados Unidos, confirmou o primeiro caso de reinfecção pela Covid-19 no país. Esse é o quinto caso reconhecido em todo o mundo, o que indica que a exposição ao vírus pode não trazer imunidade total, ao contrário do que se pensa.
De acordo com a pesquisa, publicada nesta segunda-feira (12) no The Lancet Infectious Diseases, o paciente analisado testou positivo para duas infecções por diferentes variantes do Sars-CoV-2 em um espaço de tempo de 48 dias, confirmando que uma segunda pode ocorrer em períodos curtos. O homem, de 25 anos, não pertecence a nenhum grupo de risco ou apresentava problemas anteriores de saúde. Além disso, no período entre as infecções, ele chegou a testar negativo duas vezes para o coronavírus.
Segundo a pesquisa, a segunda infecção do paciente foi mais grave do que a primeira, e ele precisou ser internado e ter suporte de oxigênio. Por esse motivo, os autores afirmam que todos os indivíduos — previamente diagnosticados ou não — devem continuar tomando as precauções recomendadas, como evitar aglomerações, lavar as mãos com frequência e usar máscara em locais públicos.
"Ainda existem muitas incógnitas sobre as infecções pelo Covid-19 e a resposta do sistema imunológico, mas nossas descobertas indicam que uma infecção anterior pode não necessariamente proteger contra futuras", disse em nota Mark Pandori, principal autor do estudo. De acordo com ele, a análise traz novos questionamentos para a compreensão da imunidade ao coronavírus, especialmente enquanto não se tem uma vacina eficaz.
Outros casos
Pelo menos quatro outros casos de reinfecção já foram confirmados na Bélgica, Holanda, Hong Kong e Equador. No entanto, apenas o paciente equatoriano apresentou um quadro pior da doença na segunda infecção, como o americano.
“Precisamos de mais pesquisas para entender por quanto tempo a imunidade pode durar para pessoas expostas ao Sars-CoV-2 e por que algumas dessas segundas infecções, embora raras, são mais graves”, disse Pandori.
Sobre a pesquisa
Os autores reconhecem que não foi realizada a avaliação de uma resposta imune (por exemplo, de anticorpos neutralizantes), nem no primeiro, nem no segundo caso de infecção do paciente analisado.
No entanto, há a possibilidade do homem ter contraído um vírus mais forte na segunda infecção ou, então, que o Covid-19 estivesse em seu organismo e houvesse uma forma de desativação na sua identificação. Além disso, os estudiosos também explicam que há possibilidade de que muitas infecções possam ser assintomáticas e, portanto, provavelmente permanecerão não detectadas nos testes atuais.
Mecanismo celular pode explicar por que Covid-19 é diferente em cada pessoa
Em comentário à pesquisa, Akiko Iwasaki, professora da Universidade de Yale, EUA, que não esteve envolvida no estudo, diz: “à medida que mais casos de reinfecção surgem, a comunidade científica terá a oportunidade de entender melhor os correlatos de proteção e com que frequência as infecções naturais com Sars-CoV-2 induzem esse nível de imunidade. Esta informação é a chave para entender quais vacinas são capazes de cruzar esse limite para conferir imunidade individual e coletiva.”
F3
Robô em forma de lula promete aprofundar estudos no oceano
Por ter espaço para uma câmera e ser feito com materiais leves, ele pode captar a vida marinha sem causar danos aos peixes e corais
Uma equipe de engenheiros da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, construiu um robô em forma de lula que pode nadar sem amarras, impulsionando-se a partir de jatos de água. Como ele carrega sua própria fonte de energia e também tem espaço para uma câmera, é ideal para a exploração subaquática.
"Essencialmente, recriamos todos os recursos-chave que as lulas usam para nadar em alta velocidade", disse, em nota, Michael T. Tolley, um dos autores sênior do artigo, publicado na revista científica Bioinspiration and Biomimetics.
O robô é feito, principalmente, de materiais macios, como polímero acrílico, com algumas peças rígidas, impressas em 3D e cortadas a laser. A ideia do grupo é que ele fosse mais leve para não danificar os peixes e corais que vivem no fundo do mar. Outra forma de resolver esse problema foi usar a propulsão a jato, ou seja, a máquina leva um volume de água para o corpo enquanto armazena energia elástica em sua pele e costelas flexíveis. Em seguida, ela libera essa energia comprimindo seu corpo e gera um jato de água para se mover.
Os pesquisadores realizaram vários experimentos para encontrar o tamanho e a forma ideais para o bico que impulsionaria o robô. Isso, por sua vez, ajudou a aumentar sua eficiência e a capacidade de manobrar e nadar mais rápido — chegando entre 18 a 32 centímetros por segundo, mais rápido do que a maioria dos outros softwares robôs.
Os engenheiros testaram a criação no Aquário Birch da Universidade da Califórnia em San Diego. "Depois que pudemos otimizar o design do robô para que ele nadasse em um tanque no laboratório, foi especialmente emocionante ver que ele foi capaz de nadar com sucesso em um grande aquário entre corais e peixes, demonstrando sua viabilidade para aplicações do mundo real", disse Caleb Christianson, líder do estudo.
F4
Hubble registra imagem inédita de galáxia a 60 milhões de anos-luz: veja
Registro do sistema NGC 1365, situado na constelação de Fornax, mostra estrelas recém-nascidas em "berçário" no Universo próximo
O Telescópio Espacial Hubble da Nasa/ESA registrou esta belíssima imagem da galáxia NGC 1365, a 60 milhões de anos-luz da Terra, na constelação de Fornax (a Fornalha). A imagem foi feita pelos cientistas responsáveis pelo telescópio em parceria com uma equipe do observatório Alma, no Chile.
Como explicam os pesquisadores em comunicado, a galáxia é do tipo espiral barrada, que recebe esse nome por conta da separação entre seus "braços" que dá a impressão de que há uma barreira entre as partes do sistema. Na NGC 1365, os redemoinhos azuis e laranja mostram onde as estrelas acabaram de se formar e os locais empoeirados de futuros berçários estelares.
Enquanto isso, nas bordas externas da imagem, enormes regiões de formação de estrelas podem ser observadas. Já as regiões brilhantes em azul claro indicam a presença de centenas de estrelas "bebês" que se formaram a partir da coalescência de gás e poeira nos braços externos da galáxia.
Segundo os cientistas, a pesquisa ajudará a entender como a diversidade de ambientes galácticos observados no Universo próximo, incluindo NGC 1365 e outras galáxias parecidas com ela, influenciam a formação de estrelas e aglomerados. A expectativa é esclarecer muitas das ligações entre nuvens de gás frio, formação de estrelas e a forma geral e morfologia das galáxias.
70 anos da TV brasileira: 10 curiosidades que marcaram a história da telinha
Em 18 de setembro de 1950, acontecia a primeira transmissão televisiva da história do nosso país. Confira alguns fatos curiosos sobre sua história:
Há exatos 70 anos, em 18 de setembro de 1950, acontecia a primeira transmissão de televisão na história do Brasil. De novelas a jornais, de reality shows a programas de auditório, os mais diversos programas tomaram conta das telinhas desde então — e é exatamente isso que torna a história da TV brasileira tão rica. Conheça algumas dessas curiosidades:
Baiano é 1º brasileiro a vencer concurso internacional de foto da Sony
Baiano é 1º brasileiro a vencer concurso internacional de foto da Sony
1. A TV Tupi foi a primeira emissora de televisão da nação e foi inaugurada pelo jornalista e advogado paraibano Assis Chateaubriand, o Chatô. Em 18 de setembro de 1950, o canal exibiu o programa TV na Taba, cuja abertura contou com a ilustração de um indígena e com a fala "Boa noite. Está no ar a televisão do Brasil."
Assis Chateaubriand (Foto: Wikimedia Commons)
Assis Chateaubriand (Foto: Wikimedia Commons)
2. Entre dezembro de 1951 e fevereiro de 1952 foi exibida a primeira teledramaturgia brasileira, chamada de Sua vida me pertence. A novela era exibida duas vezes por semana, às 20h, por cerca de 20 minutos — e tudo rolava ao vivo! A narrativa era sobre um clássico triângulo amoroso, em que um homem se vê dividido por duas mulheres.
3. Foi no último episódio dessa novela que aconteceu o primeiro beijo da televisão brasileira, protagonizado pela dupla Vida Alves e Wálter Forster, que interpretavam Elizabeth e Alfredo. Anos depois, em 1963, Alves protagonizou também o primeiro beijo LGBTQ+ da TV do Brasil junto com sua colega de cena Georgia Gomide.
Cena de Sua Vida Me Pertence (Foto: Wikimedia Commons)
Alves e Forsters em cena de Sua vida me pertence (Foto: Wikimedia Commons)
4. Inspirada na sitcom norte-americana I love Lucy, de 1951, a primeira série a ser exibida nas telinhas brasileiras foi Alô, Doçura! (1953), dirigida por Cassiano Gabus Mendes e exibida na TV Tupi.
5. A TV Record foi fundada em 1953 por Paulo Machado de Carvalho e é a emissora brasileira mais antiga que ainda está no ar.
Silvio Santos, em seu programa (Foto: Wikimedia Commons)
Silvio Santos, em seu programa (Foto: Wikimedia Commons)
6. O Programa do Silvio Santos estreou em 1963 e é o mais antigo da televisão brasileira a ser transmitido ainda hoje. Em segundo lugar fica o Jornal Nacional (1969) e, em terceiro, o Fantástico (1973).
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7. Para transmitir a Copa do Mundo no México em 1970, as redes de televisão do país se uniram e, assim, realizaram as primeiras transmissões ao vivo do evento esportivo por aqui. À época, o costume era acompanhar os jogos pelo rádio ou assistir reprises na TV, então, mesmo a transmissão da época não sendo lá muito boa, milhares de brasileiros pararam para acompanhar as partidas.
8. Em 1972 aconteceu a primeira exibição televisiva a cores do país. A Festa da Uva foi transmitida direto de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul.
9. A cena em que Camila (Carolina Dieckmann) raspa os cabelos em frente às câmeras por conta de um câncer, em Laços de Família, causou grande impacto dentre os fãs da novela. O chamado "efeito Camila" levou 150 pessoas a se cadastrarem no banco de doadores de medula óssea do Instituto Nacional do Câncer (Inca) nas semanas seguintes à exibição do capítulo — em geral, apenas 10 cadastros eram feitos por mês.
Laços de família (Foto: Reprodução)
Laços de família (Foto: Reprodução)
10. Em 2013, a atriz Fernanda Montenegro ganhou um Emmy por sua interpretação na série Doce de mãe, exibida pela Rede Globo. Essa foi a primeira vez em que uma brasileira foi honrada com o prêmio internacional.
Fernanda Montenegro (Foto: Wikimedia Commons)
Fernanda Montenegro (Foto: Wikimedia Commons)
F5
Brasileiros observam células intactas em múmia egípcia de 2,5 mil anos
Iret-Neferet é uma das duas únicas múmias restantes no Brasil. Cientistas esperam que análise do DNA celular revele informações sobre parentesco e etnia do cadáver
Os brasileiros responsáveis por pesquisar a múmia egípcia Iret-Neferet conseguiram extrair células intactas na mandíbula do corpo, que tem 2,5 mil anos. O estudo, compartilhado no periódico Clinical Oral Implants Research, foi apresentado online neste sábado (10) no Congresso da Associação Europeia de Osteointegração (EAO).
Segundo os especialistas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Iret-Neferet é uma das duas únicas múmias egípcias restantes no Brasil e chegou por aqui na década de 1950 — mas só começou a ser estudada em 2017. Os resultados desses esforços foram compartilhados no início de 2019, quando a equipe pôde identificar e datar os restos mortais e, pouco depois, reconstruir o rosto de Iret-Neferet em 3D.
Para o novo estudo, os cientistas analisaram amostras de tecido presentes nos restos mortais, o que os permitiu observar células de tecidos conjuntivo e ósseo e até hemácias intactas. Para os pesquisadores, a descoberta foi surpreendente e prova a sofisticação do método utilizado no Antigo Egito para mumificar corpos.
"A técnica de mumificação dos tecidos e a manutenção da morfologia das células, intactas por quase 2,5 mil anos, nos permitirá realizar novos estudos, dessa vez com o DNA celular", afirmou Éder Hüttner, cirurgião bucamaxilofacial que liderou a pesquisa, em entrevista à GALILEU. "A partir do material genético poderemos obter mais informações sobre doenças e características de Iret-Neferet, como sua etnia."
Os estudiosos também querem tentar rastrear a ávore genealógica do cadáver e, para isso, contam com uma parceria com o Instituto Max Planck, na Alemanha. "Eles têm um banco de dados com o genoma de 90 outras múmias, material que utilizam para analisar as etnias e os parentescos dos corpos", explicou Hüttner.
Os cientistas também estão animados com a possibilidade de apresentar o estudo no Congresso da EAO, uma das organização mais relevantes na área. "Essa pesquisa representa muito para a egiptologia no Brasil, para sua tradição", disse Edison Hüttner, coordenador do Grupo de Estudo Identidade Afro-Egípcias da PUCRS e irmão de Éder, em entrevista à GALILEU. "Esse estudo ultrapassa outras pesquisas. [Ele nos permitirá] saber mais sobre o passado e, quem sabe, descobrir mais sobre quem somos."
F6
Boomers, millennials, zoomers: estamos vivendo um conflito de gerações?
O período de confinamento devido à pandemia parece ter acirrado ainda mais os ânimos entre pessoas nascidas em diferentes momentos dos séculos 20 e 21
Até pouco tempo atrás, os millennials, nascidos entre o fim das décadas de 1980 e 1990, eram alvos de críticas dos baby boomers, aqueles que chegaram ao mundo entre 1946 e 1964. Os mais velhos atribuíam aos mais novos adjetivos como “geração mimimi”, “síndrome de Peter Pan”, “mal-acostumados”, “narcisistas” e “preguiçosos”. Agora, a geração Z, que engloba quem nasceu após o ano 2000, entrou na roda para acirrar ainda mais essas discussões.
Os zoomers, como ficaram conhecidos, se voltaram contra os boomers por considerá-los incapazes de lidar com problemas contemporâneos, como a emergência climática e as desigualdades sociais. Usando o sarcasmo pelo qual são conhecidos, os membros da geração Z passaram a responder às críticas dos boomers nas redes sociais com um curto “ok, boomer”.
“Toda vez que nos chamam de sensíveis ou perguntam ‘como você espera conseguir um trabalho se seu cabelo é rosa?’, tenho vontade de responder ‘ok, boomer’”, diz a norte-americana Shannon O’Connor, de 20 anos, que fez sucesso ao criar uma linha de produtos estampados com o jargão — já são mais de 7 mil itens vendidos na internet. “É como se com isso eu dissesse ‘já tive empregos, estou na universidade, tiro notas boas, então vou continuar pintando o meu cabelo de cores malucas’”, explica O’Connor, em entrevista a GALILEU. Basicamente, trata-se de uma nova forma de responder “não pedi a sua opinião”.
A pandemia colocou ainda mais lenha nessa fogueira. Uma estimativa feita pelo grupo de banco de dados imobiliários Zillow aponta que, nos Estados Unidos, quase 3 milhões de pessoas, principalmente da geração Z, voltaram a viver com seus familiares por causa da crise do novo coronavírus. O resultado? Os millennials entraram na mira dos mais novos.
“Estou cansada dos boomers colocando a geração Z e os millennials no mesmo saco, porque eu pessoalmente não quero ser associada a pessoas que ainda acham que filmes do Harry Potter são um traço de personalidade [referência às casas designadas a cada estudante de Hogwarts]”, reclamou uma jovem no TikTok, em um vídeo que recebeu mais de 110 mil curtidas. Outra TikToker (sim, essa é a rede favorita dos Z), Alyah Ramirez, tem entretido seus quase 140 mil seguidores com sátiras de conversas entre as três gerações. Não demorou para que millennials reclamassem: “O que é isso? Eu estava esperando ser velho o suficiente para reclamar das novas gerações e, de repente, estamos sendo zoados de ambos os lados. Sinto-me enganado”, escreveu o millennial Paul Gillings no Twitter.
E a guerrinha entre as gerações passou a ganhar cada vez mais contornos, chegando ao ápice no dia 19 de junho, no evento de lançamento da campanha pela reeleição do presidente norte-americano, Donald Trump. Depois de uma semana de organização, liderada por usuários do TikTok e fãs de K-pop (gênero musical sul-coreano), adolescentes conseguiram sabotar o evento ao registrarem centenas de milhares de ingressos para inflar a expectativa de público. Um misto de pegadinha com protesto que serviu para mostrar que os zoomers não estão para brincadeira.
Encontro conflituoso
Embates entre gerações acompanham e fazem parte da evolução da humanidade, conforme explica o psicólogo José Carlos Ferrigno, autor dos livros Coeducação entre Gerações e Conflito e Cooperação entre Gerações, publicados pela Edições Sesc SP. “É natural haver um choque entre o antigo e o novo, a tradição e a inovação”, analisa Ferrigno.
Buraco na camada de ozônio na Antártida é um dos maiores dos últimos anos
Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), pico foi registrado no início de outubro e área cobria quase todo o continente gelado
Em 2020, o buraco na camada de ozônio acima da Antártida atingiu um de seus maiores tamanhos e profundidades de todos os tempos. O pico foi registrado logo no início de outubro e sua área foi estimada em 24 milhões de quilômetros quadrados sobre quase todo o continente.
Os dados são da Organização Meteorológica Mundial (OMM), que trabalha em parceria com a Nasa e outros institutos científicos pelo mundo, realizando medições climáticas e atmosféricas. Os cientistas explicam que variações no tamanho do buraco na camada de ozônio são comuns ao longo do ano, mas ressaltam que o fenômeno tem se agravado nos últimos tempos.
"O buraco de ozônio de 2020 se assemelha ao de 2018, que também era um buraco bastante grande", disse Vincent-Henri Peuch, diretor do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo, em declaração. "[O deste ano] está definitivamente no do 'pacote' dos últimos 15 anos ou mais."
O Protocolo de Montreal, proposto em 1987 e assinado pelo Brasil em 1990, proíbe as emissões de produtos químicos que destroem a camada de ozônio e, desde então, ela tem se recuperado lentamente. A última Avaliação Científica da Destruição do Ozônio do Programa Ambiental da OMM, publicada em 2018, concluiu que, em 40 anos, a camada de ozônio sobre a Antártida pode voltar a ser como era antes de 1980.
"Com a luz do Sol voltando ao Polo Sul nas últimas semanas, vimos a destruição contínua da camada de ozônio na área. Após o buraco incomumente pequeno e de curta duração em 2019, que foi causado por condições meteorológicas especiais, estamos registrando um grande novamente este ano", observou Peuch. "Isso confirma que precisamos continuar a aplicar o Protocolo de Montreal que proíbe as emissões de produtos químicos que destroem a camada de ozônio."
Em 2020, o fenômeno foi impulsionado por um vórtice polar forte, estável e frio, que manteve a temperatura da camada de ozônio sobre a Antártida consistentemente fria. A redução do ozônio está diretamente relacionada à temperatura na estratosfera, que é a camada da atmosfera entre cerca de 10 e 50 km de altitude. Isso ocorre porque as nuvens estratosféricas polares, que têm um papel importante na destruição química do ozônio, só se formam em temperaturas abaixo de -78 °C.
Essas nuvens estratosféricas polares contêm cristais de gelo que podem transformar compostos não reativos em reativos, que podem então destruir rapidamente o ozônio assim que a luz aparece para iniciar as reações químicas. Essa dependência das nuvens estratosféricas polares e da radiação solar é a principal razão pela qual o buraco na camada de ozônio só é visto entre o fim do inverno e o início da primavera.
Durante esse período, o buraco de ozônio na Antártida aumenta de tamanho, atingindo seu máximo entre meados de setembro e outubro. Quando as altas temperaturas na estratosfera começam a subir no final da primavera, entretanto, a redução de ozônio diminui, o vórtice polar enfraquece e se quebra, o que leva os níveis de ozônio a voltarem ao normal já em dezembro.
Formigas usam areia como ferramenta para impedir que se afoguem
Fenômeno nunca havia sido observado na espécie 'Solenopsis richteri', nativas da América do Sul. Para cientistas, comportamento prova resiliência desses pequenos animais
Formigas da espécie Solenopsis richteri, nativas da América do Sul, conseguem utilizar grãos de areia como ferramentas para evitar que se afoguem. Essa é a conclusão de um estudo liderado pela Universidade Agrícola de Huazhong, na China, compartilhado no Functional Ecology na quarta-feira (7).
O experimento funcionou da seguinte forma: as formigas foram colocadas em um espaço no qual estavam munidas com um pouco de areia e com pequenos recipientes contendo água com açúcar, o que as possibilitava flutuar e se alimentar na superfície. Depois, os especialistas reduziram a tensão superficial da mistura, o que as impossibilitava de flutuar sem se afogar — e foi aí que os insetos começaram a depositar grãos de areia no interior do recipiente para sugar a água (assista ao experimento).
"Descobrimos que as formigas usavam areia para construir uma estrutura que pudesse efetivamente tirar água com açúcar do recipiente para ser coletada", disse Aiming Zhou, líder do estudo, em comunicado. "Essa habilidade excepcional de fabricação de ferramentas não apenas reduziu o risco de afogamento das formigas, mas também proporcionou um espaço maior para elas coletarem água com açúcar."
Essa é a primeira vez que a Solenopsis richteri é observada construindo estruturas do tipo e, para os estudiosos, essa habilidade demonstra a resiliência desses pequenos animais. O achado também indica que as formigas podem reconhecer os riscos durante o processo de alimentação e, por isso, podem ajustar o uso de suas ferramentas em seu benefício.
"Sabíamos que algumas espécies de formigas são capazes de usar ferramentas, principalmente na coleta de alimentos líquidos. No entanto, ficamos surpresos com esse uso notável de ferramentas exibido", contou o coautor Jian Chen. "Nossas descobertas sugerem que esses e outros insetos sociais possam ter capacidades cognitivas consideráveis para estratégias únicas de forrageamento."
O uso de ferramentas é visto como um indicador de sofisticação cognitiva e foi observado principalmente em primatas e algumas espécies de pássaros. Em invertebrados, contudo, esse comportamento é menos analisado. "Nosso estudo é o primeiro a tocar nesse tópico interessante", observou Zhou. "Esperamos que nosso artigo motive outras pessoas a fazerem investigações relacionadas."
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