Dicas do Prof. Pasquale (2)

Como ficam as palavras com o prefixo "re" pelo Novo Acordo Ortográfico?
De fato, a leitura rigorosa do texto do “Acordo” nos leva à conclusão de que palavras como “reeducar”, “reenviar”, “reescrever” etc. deveriam ser escritas com hífen. Foi assim que entenderam algumas editoras, que, no ano passado, lançaram dicionários em que se viam essas grafias. A própria ABL (Academia Brasileira de Letras) lançou um dicionário (“Dicionário Escolar da Língua Portuguesa”) em cuja primeira edição também se viam as grafias mencionadas. Depois disso, a ABL disse que essa opção resultou de precipitação, de mau entendimento do “espírito do acordo” etc. Na segunda edição do tal dicionário e no “Vocabulário Ortográfico” (lançado em março), a ABL eliminou o hífen de todas as palavras formadas com o prefixo “re”.
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O uso de pronomes em saudações finais
Quando o pronome “nos” é posposto a formas verbais da primeira pessoa do plural (nós), ocorre a supressão do “s” final da forma verbal: despedimo-nos, beijamo-nos, abraçamo-nos, vimo-nos, ofendemo-nos, amamo-nos
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Oh, dúvida cruel! Como se escreve: com "z" e "ç"
Os dicionários brasileiros, o “Dicionário Universal da Língua Portuguesa”, de Portugal, e o “Vocabulário Ortográfico” só registram as formas “encapuzado” e “encapuzar”. Há, no entanto, um dicionário português, o da Porto Editora, que registra as duas formas (com “z” e com “ç”). Parece mais sensato optar pela forma com “z”. No entanto, encarapuçar e encarapuçado se escrevem com ç.
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Que palavra é essa "refacção"?
De fato, nossos mais importantes dicionários ainda não registram a palavra “refacção”, embora haja seu registro (com o sentido de “ato de refazer”) em inúmeros textos técnicos que tratam do ensino e do aprendizado da escrita e da reescrita. Espera-se que as novas edições dos nossos dicionários tragam a palavra, já que sua alta incidência é motivo mais do que suficiente para seu registro. 
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"A fim" ou "Afim" ?
A frase correta é a segunda. A locução “a fim de” indica ideia de finalidade e equivale a “para” (“Para ganhar dinheiro, realiza consertos”). A palavra “afim” é adjetivo e significa “que apresenta afinidade, semelhança” (“Nossos interesses são afins”; “A visão de mundo dela é afim com a minha”).
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Uso do verbo de ligação
Os mais conhecidos são “ser”, “estar”, “permanecer”, “ficar”, “continuar”, “parecer” e “andar”. É importante lembrar que classificações como essa (verbo de ligação) não são fixas, mas contextuais. Os verbos da lista não são de ligação; podem ser de ligação, o que é bem diferente. Em “Ela anda triste” e “Ela anda todo dia, quer chova, quer faça sol”, por exemplo, o verbo “andar” tem valores bem diferentes. No primeiro exemplo, indica que o estado de tristeza é mais ou menos recente e um tanto constante; no segundo exemplo, indica ação, movimento (é sinônimo de “caminhar”). O primeiro verbo “andar” é de ligação (ou predicativo, como dizem alguns); o segundo é intransitivo. Existem outros verbos que, eventualmente, podem funcionar como verbos de ligação, como 'tornar-se', 'viver' e 'virar'.
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Quem é o sujeito?
O sujeito da primeira oração é mesmo “todos”; o sujeito da segunda oração é “a passagem do cometa”, cujo núcleo é “passagem”. Em “Todos se cumprimentavam”, indica-se ideia de reciprocidade (A cumprimenta B; A é cumprimentado por B), ou seja, o sujeito funciona como agente e paciente do mesmo processo.
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Verbo impessoal
A resposta é “c”. O verbo “haver” é impessoal (sem sujeito) quando empregado como sinônimo de “existir”, “ocorrer”, “realizar-se”, independentemente de o restante da frase estar no singular ou no plural, o verbo permanece no singular. É esse o caso da frase “c”, cuja correção é esta: “Nunca mais houve cometas iguais”. A frase “b” é correta porque o verbo principal da locução”deverá haver” é “haver”, empregado aí com o sentido de “existir”, que é verbo pessoal e concorda com seu sujeito. A impessoalidade de “haver” é transmitida para o auxiliar (“dever”), que fica no singular: “Não deve haver tumultos”.

Gerundismo
O problema não está na construção em si (vou estar + gerúndio), que é mais do que legítima em português, quando se indica simultaneidade entre dois fatos ou a execução de um processo que tenha alguma duração: “Nessa hora vou estar dormindo”; “Quando você estiver sendo operada, eu vou estar atravessando o Atlântico”. O problema está no uso indevido dessa construção. Em “O senhor vai ter que estar enviando um fax”, por exemplo, emprega-se (mal) a construção para indicar um fato que não é simultâneo a outro, muito menos indica processo de certa duração. Veja como a frase pode melhorar: “O senhor vai ter que enviar um fax”. Simples, não?

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"Muita vez" X "Muitas vezes"
As duas expressões são absolutamente equivalentes, embora na língua de hoje poucas vezes (ou nenhuma mesmo) se ouça “muita vez”, expressão comum nos clássicos brasileiros e portugueses.
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Uso de conectivos
Como o nome já diz, os conectivos conectam, ou seja, estabelecem nexo entre palavras e orações. São exemplos de conectivos palavras e expressões como “apesar de”, “quando”, “mas”, “depois de”, “portanto”, “embora”, “porque” etc. O uso adequado dos conectivos está diretamente ligado à percepção da relação que se estabelece entre as palavras e as orações. Uma passagem como “Embora tenha se esforçado, conseguiu o que queria”, por exemplo, carece de nexo, já que nela o conectivo “embora” une ideias que não são contraditórias. Normalmente, emprega-se “embora” para estabelecer nexo de concessão, ou seja, um fato contrário ao da oração principal, porém insuficiente para anulá-lo: “Embora estivesse com fome, não comi”.
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Acento agudo
O acento agudo é posto nas letras “a”, “e” e “o” para indicar que, além de tônicas (fortes), essa vogais são abertas (“máscara”, “pétala”, “ótimo”). Compare esses casos com os de “lâmpada”, “pêssego” e “ônibus”. Quando posto sobre as letras “i” e “u”, indicam apenas tonicidade (“faísca”, “juíza”, “saúde”, “último”.
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A escrita de...
A única grafia possível dessa palavra grega que nomeia um prisma é “paralelepípedo”, com acento no “i”. Embora seja muito comum nas aulas de matemática e geometria, não existe paralepípedo.
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Qual é a forma correta "senão" ou "se não"?
A palavra “senão” tem vários significados. Um deles é “do contrário”, “caso contrário”: “Estude, senão o futuro não será muito risonho”. Outro sentido é o de “salvo”, “exceto”, “a não ser”: “Quem senão a mãe pode falar bem dele?”. Também se usa “senão” como substantivo, com o sentido de “falha”, “defeito”, “mancha”: “O único senão deste livro és tu, leitor” (de Machado de Assis). Emprega-se “se não” em casos em que o “se” é uma conjunção (condicional ou integrante): “Se não chover, iremos à festa”; “Perguntei se não seria o caso de desistir".
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Sílaba
Fica mais do que correto. A separação silábica de “assinar” é “as-si-nar”. Por convenção, separa-se um s do outro em palavras como “assar”, “assinar”, “passar” etc. O mesmo se dá com o grupo “rr” de “correr”, “carro”, “ferro”, “marreco” etc.
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A regência de "certos" verbos
A frase não é essa; é esta: “Esqueceram-me as queijadas”. A construção é perfeita. Embora incomum no português brasileiro moderno, a construção ocorre nos clássicos portugueses e brasileiros (de que são exemplos Eça e Machado, respectivamente). Nesse caso, “esquecer” significa “cair no esquecimento” e tem por sujeito um fato ou uma coisa, e não uma pessoa. Na frase de Eça, o sujeito é “as queijadas”; a frase equivale a “As queijadas caíram no meu esquecimento”. Em Machado, encontra-se esta passagem: “Esqueceu-me apresentar-lhe minha mulher”. O sujeito de “esqueceu-me” é a oração “apresentar-lhe minha mulher” (o fato de apresentar-lhe minha mulher caiu no meu esquecimento).

Mudanças ortográficas
A mudança que ocorreu recentemente foi ortográfica: mudaram-se algumas normas relativas à grafia das palavras. As alterações dizem respeito essencialmente ao emprego de alguns acentos e do hífen. É bom deixar claro que língua é uma coisa; ortografia é outra. A reforma ortográfica não acarreta (nem poderia acarretar) nenhuma mudança na estrutura da língua, no vocabulário etc. Também não acarreta nenhuma mudança na pronúncia das palavras. O “u” de “linguiça”, por exemplo, perdeu o trema, mas não deixará de ser pronunciado. O acordo é ortográfico, ou seja, mudou a grafia, mas não a pronúncia.
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Emprego da crase na indicação de páginas
No primeiro caso, a forma correta é “leitura da pág. 10 à 14”, já que a palavra “página” está implícita em sua segunda ocorrência. O que temos é mais ou menos isto: “Leitura da página 10 à página 20”. Temos aí a fusão da preposição “a” (que fecha o nexo “de tal a tal”) com um segundo “a”, cujo referente é o substantivo feminino “página”. Quando se imagina uma palavra masculina no lugar de “página”, o que ocorre? Tomemos como exemplo a palavra “capítulo”: “Leitura do capítulo 10 ao (capítulo) 14”. Pronto! Acaba de ser comprovado o motivo do acento indicador de crase em “da página 10 à 14”.

No segundo caso, a história é outra. Nada de acento indicador de crase: a forma correta é “páginas 1 a 20”. O “a” em questão é apenas preposição. Novamente, o artifício da troca por um substantivo masculino resolve o impasse: “Capítulos 1 a 20".
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"A nivel de"
“A nível de” foi modismo durante um bom tempo. Salvo engano, a expressão (graças a Deus!!!) caiu em desgraça e já rareia. Também salvo engano, trata-se da tradução literal (ao pé da letra) da expressão inglesa “at level of”. Em português, a expressão “a nível de “ não significa nada e funciona apenas como um penduricalho tão inútil quanto água em pó nas frases em que aparece: “A nível de repertório, o disco é bom”; “A nível de feijão, a safra vai bem”; “A decisão deve ser tomada a nível de diretoria”. Essas três frases melhoram muito quando se elimina a inútil e rebarbativa expressão: “O repertório do disco é bom”; “A safra de feijão vai bem”;  “A decisão deve ser tomada pela diretoria”. 'Em nível de' e 'ao nível de' são expressões existentes. Esta é usada como referência geográfica, enquanto aquela é usada relativamente a estratos, postos ou hierarquia: em nível federal, em nível estadual, em nível municipal, ao nível do mar. Nada de 'a nível de proposta', 'a nível de relatório', 'a nível de gramática', 'a nível de sentimento', 'a nível de debate' ou 'a nível de espiritualidade'. Isso é igual a Papai Noel: não existe.

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"risco de vida" X "risco de morte"
De fato, de uns tempos para cá muitos jornalistas (sobretudo no rádio e na TV) deixaram de empregar a expressão “risco de vida”, que foi substituída por “risco de morte”. No entanto não há nenhum motivo para o banimento de “risco de vida” (“Ele ainda corre risco de vida”; “Ela não corre mais risco de vida”), construção tão legítima quanto “risco de morte” (“Ele ainda corre risco de morte”; “Ela não corre mais risco de morte”). As duas expressões são perfeitamente possíveis. Em “risco de vida” há mesmo a elipse (omissão de termo que se deduz). Quando se diz “Ele não corre risco de vida”, deixa-se elíptico o bloco “perder a”, isto é, “Ele não corre risco de vida” equivale a “Ele não corre risco de perder a vida”. Chance e oportunidade são aplicadas a situações positivas. Para situações negativas, recomenda-se usar risco, possibilidade ou probabilidade.
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Qual é o correto de "10 à 20/02" ou de "10 a 20/02"?
A resposta pode ser encontrada no início da própria expressão (“De 10...”). Se dizemos “De 10...” (e não “Da 10...”), fica claro que aí não há artigo combinado com a preposição “de”, o que é claro sinal de que também não há artigo no passo seguinte, que fecha o nexo com a preposição que inicia a expressão (de tal dia a tal dia).

Moral da história: se não há artigo antes de “10” (“De 10...”) também não há antes de “20” (“...a 20”), o que significa que não ocorre “a” + “a”, ou seja, não há fusão da preposição “a” com o artigo feminino “a”, portanto não se emprega o acento grave (acento indicador de crase) no “a” que vem antes de “20”. A forma correta é “De 10/02 a 20/02” (“De 15 a 20 de outubro”, “De 20 de janeiro a 15 de março” etc.).
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Diante do novo acordo ortográfico, como ficam os acentos em nome próprio?
O texto oficial do Acordo Ortográfico diz o seguinte: “Para ressalva de direitos, cada qual poderá manter a escrita que, por costume ou registro legal, adote na assinatura do seu nome. Com o mesmo fim, pode manter-se a grafia original de quaisquer firmas comerciais, nomes de sociedades, marcas e títulos inscritos em registro público”.

 Isso significa que pessoas cujo nome ou sobrenome tenham sido registrados com acento continuarão a assinar assim (“Andréia”, “Sabóia”, “Pompéia” etc.). Nomes e sobrenomes de pessoas mortas serão escritos de acordo com a ortografia vigente, o que também deve ocorrer com novos registros, exceto nos nomes e sobrenomes estrangeiros. Quando se trata de nomes de logradouros (praças, avenidas, ruas etc.), bairros e cidades, prevalece a grafia “nova”: Pompeia (cidade paulista e nome de bairro, rua e avenida em diversas cidades brasileiras), Quintino Bocaiuva (nome de rua), Eritreia (nome de país), Saboia (nome de região da França) etc. 
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Está correto utilizarmos a palavra "muito" na expressão: “É muito maior o número ..."
Não há problema algum no uso de “maior” em casos como esse. Convém lembrar que “maior” é a forma sintética de “mais grande”, portanto em “muito maior” há algo equivalente a “muito mais grande”. A construção “muito mais + adjetivo” é absolutamente comum em nossa língua (“muito mais alto”, “muito mais feroz”, “muito mais inteligente”, “muito mais saboroso”, “muito mais bonita” etc.).
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É correto o uso da expressão "através de" quando usada no sentido de "por meio de"?
Durante muito tempo, os dicionários se negaram terminantemente a registrar o que já era e continua sendo mais do que comum na língua: o uso da expressão “através de” com o sentido de “por intermédio de”, “por meio de”, “mediante”, o que se vê na frase em que se baseia esta consulta (“Ele alcançou o sucesso através de muito estudo”). É provável que a edição do “Aurélio” consultada por quem faz esta pergunta seja antiga, já que na primeira edição do “Novo Aurélio Século XXI” (de 1999) finalmente consta a expressão “através de” com o sentido de “por intermédio de”. O “Houaiss” (de 2001) também registra o fato.

Convém lembrar que o uso de “através de” para introduzir o agente da passiva (comum nas transmissões esportivas do rádio e da TV) é algo de gosto duvidoso. Em frases como “O Brasil ganhou da Alemanha com dois gols marcados através de Ronaldo”, deve-se substituir “através de” por “por” (“...dois gols marcados por Ronaldo”).

Qual é o complemento do verbo "entregar" ?
A sintaxe padrão impõe a construção “entrega(s) em domicílio”, por analogia com outras expressões de que faria parte a palavra “entrega” (“A entrega pode ser feita em qualquer lugar do país”; “Fazemos entregas em toda a região sudeste”) ou o próprio verbo “entregar” (“Podemos entregar em qualquer lugar do país”; “O senhor quer que entreguemos o livro em sua casa?”).
Não se pode negar, no entanto, que é muito comum a construção “entrega a domicílio”. Como diz a professora Maria Helena de Moura Neves em seu “Guia de Uso do Português”, o fato de a preposição “a” ser muito usada para indicar “movimento em direção a” pode ser a explicação para seu uso em construções como “Entrega a domicílio”, “Entregamos a domicílio”, em que existe “alguma sugestão de movimento”. De qualquer maneira, em se tratando de sintaxe formal, a construção comum é “entrega” (ou ‘entregar’) em domicílio”, porque uma coisa é entregue a alguém em algum lugar.

É só pensar em algum lugar que não seja o domicílio. Se fosse a casa, a entrega seria em casa. Se fosse o escritório, a entrega seria no escritório.

Pior ainda é escrever 'à domicílio', com acento indicador de crase. Domicílio é palavra masculina. Não existe crase antes de palavra masculina, a menos que esteja subentendida a palavra 'moda': redação à (moda de) Machado de Assis, José de Alencar, Fernando Pessoa, Dior etc. 

Se houvesse artigo, seria o artigo o, e a entrega seria ao domicílio.

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Quando usar "muita vez" e "muitas vezes"?
Não há diferença entre “muita vez” e “muitas vezes”, que equivalem a “freqüentemente”, “não raro”. Na linguagem de hoje, é muito mais comum o emprego de “muitas vezes”, mas nos textos literários (mesmo de autores do século XX, como José Lins do Rego, que faleceu em 1957) há registro de “muita vez”, como se vê neste exemplo do grande autor nordestino, citado no dicionário “Aurélio”: “O mar  batia no navio e muita vez caía água em cima deles” (da obra “Gregos e Troianos”).
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Devo usar “par de olhos” ou “par de olho”, “par de sapato” ou “pares de sapatos”?
Em casos como esses, a palavra “par” é substantivo e sempre vem acompanhada de uma locução formada por preposição + substantivo flexionado no plural: um par de pernas, um par de brincos, um par de ases, um par de coelhos, um par de sonhos, um par de olhos, um par de sapatos. É claro que, se houver mais de um par, será empregada a expressão “pares de”, com o especificador no plural (dois pares de sapatos, três pares de brincos, quatro pares de cadeiras etc.).


O mesmo raciocínio se aplica quando se emprega a palavra “dúzia”, que também é substantivo: uma dúzia de laranjas, uma dúzia de ovos, duas dúzias de limões, três dúzias de bananas.

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Quando utilizo as expressões "ao invés de" e "em vez de"?
No uso diário da língua, muitas pessoas igualaram as duas expressões, isto é, deram a elas sentido equivalente. Não é o que dizem os dicionários. Na língua culta, só se usa ao invés de para ligar expressões de sentido oposto: “Quando chegou a safra, ao invés de baixar, o preço subiu”; “Ao invés de muito triste, é um ser intensamente alegre” (Aurélio).

Nos exemplos vistos, ao invés de relaciona opostos (baixar/subir e triste/alegre).

A expressão em vez de significa em lugar de, em substituição a e pode ser usada para ligar termos que guardam oposição ou não: “Em vez destes livros, traga-me outros” (Aurélio); “Comprou um vestido de seda em vez daquele de algodão” (Houaiss); “Em vez da esperada tristeza, manifestava alegria”.

Nota-se, pois, que se pode usar em vez de no lugar de ao invés de (“Quando chegou ao corredor, em vez/ao invés de subir, desceu”). Resumo da ópera: a expressão em vez de pode relacionar termos opostos ou não, ou seja, tem um uso mais abrangente, é como Bombril, tem 1001 utilidades; a expressão ao invés de só relaciona termos de sentido oposto, ou seja, tem um uso muito restrito.

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Qual destas expressões devo utilizar: "ele tinha chego" ou "ele tinha chegado"?
O verbo chegar não apresenta particípio abundante. Chego é forma do presente do indicativo. A única forma de particípio de chegar é chegado, portanto a frase adequada ao padrão culto da língua é “Ele tinha chegado”.

No entanto convém tentar entender o que leva muitos falantes ao emprego da construção “Ele tinha chego” (e de outras semelhantes, como “Ele tinha trago”, “Ele tinha falo”, “Ele tinha compro”, cada vez mais comuns na linguagem de muitas pessoas). Como se sabe, alguns verbos têm duas formas de particípio, uma das quais muitas vezes é igual à primeira pessoa do singular do presente do indicativo (ocorre isso com expulsar, aceitar, pagar, salvar, ganhar, entre outros).

Pois bem. Se são legítimas frases como “Ele foi expulso”, “Ele foi salvo”, “Ele foi aceito”, em que a forma de particípio empregada (expulso, salvo, aceito) é igual à da primeira pessoa do singular do presente do indicativo, o que ocorre? Já sabe, não? A analogia faz o falante empregar formas do presente do indicativo, como chego, compro, falo como particípio. Agora que você já conhece o motivo pelo qual alguns falantes dizem “Tinha chego”, é hora de dizer com todas as letras: em se tratando de língua culta, nada de “Ele tinha chego”. A forma adequada é mesmo “Ele tinha chegado”.

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Já ouvi várias pessoas falando reaveu. Está correto? Não seria reouve?
O verbo reaver deriva de haver. Ao pé da letra, reaver é “haver (possuir) outra vez”. É interessante notar que o verbo haver perdeu o sentido de possuir, que já teve em português (“Eu hei um amigo” já foi frase corrente em nossa língua). Isso ocorreu também em espanhol, mas não ocorreu em francês (avoir), italiano (avere) e inglês (to have), em que o sentido de possuir continua vivo. Mais interessante ainda é notar que o verbo haver perdeu o sentido de possuir, mas em reaver (re- + haver) esse sentido permanece (“reaver” = “haver/possuir outra vez”).

O verbo reaver não apresenta conjugação completa, por isso é defectivo. Suas flexões seguem as de haver, mas só se registram as formas em que haver apresenta a letra v. O presente do indicativo de reaver, portanto, limita-se a “nós reavemos” e “vós reaveis”. O presente do subjuntivo é nulo, já que, nesse tempo, nenhuma forma de haver apresenta a letra v (“que eu haja, que tu hajas” etc.). O pretérito perfeito de haver é “eu houve, tu houveste, ele houve, nós houvemos...”, portanto o de reaver é “eu reouve, tu reouveste, ele reouve, nós reouvemos, vós reouvestes, eles reouveram”. Não existe a forma reaveu. O mesmo se aplica aos 3 tempos que derivam do pretérito perfeito (pretérito mais-que-perfeito, imperfeito do subjuntivo e futuro do subjuntivo), neste caso, basta eliminar as três últimas letras 'ste' para chegar à raiz 'reouve': eu houvera, se eu houvesse, quando eu houver: eu reouvera, se eu reouvesse, quando eu reouver. Se reaver fosse verbo regular, poderíamos dizer 'ele reaveu', 'eu reavi', 'eles reaveram'. Como é irregular, apresenta-se da forma que foi listado.

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Quando se usa "pago" e "pagado"?
As gramáticas tradicionais dizem que, quando um verbo tem dois particípios (salvado/salvo, aceitado/aceito, expulsado/expulso, entregado/entregue, soltado/solto, prendido/preso, elegido/eleito, imprimido/impresso, acendido/aceso, benzido/bento, findado/findo, isentado/isento, imergido/imerso, expressado/expresso, omitido/omisso, enxugado/enxuto, matado/morto, pagado/pago, ganhado/ganho, gastado/gasto, frigido/frito, pegado/pego), é recomendável adotar o seguinte princípio:

a) usa-se a forma breve, irregular (a que não termina em -ado ou -ido) com os auxiliares ser e estar:“O jogador foi expulso”; “A proposta foi aceita”; “A lavoura está salva”;

b) usa-se a forma regular (a que termina em -ado ou –ido) com os auxiliares ter e haver:“O árbitro já tinha expulsado dois jogadores”; “Ninguém tinha aceitado sua proposta”; “O menino foi condecorado por ter salvado o colega”.

No entanto, no uso efetivo da língua (formal ou informal), nota-se que muitas vezes o particípio breve é usado com os auxiliares ter e haver, o que já é registrado e abonado em várias gramáticas: “Foi condecorado por ter salvo o colega”.

Com os verbos pagar, ganhar e gastar, que envolvem dinheiro, que têm dois particípios (pagado/pago, ganhado/ganho e gastado/gasto), é mais do que consagrado o que se verifica no uso efetivo da língua (formal ou informal): com ser e estar, usa-se o particípio breve (“A conta foi paga”; “O dinheiro foi gasto”; “A batalha foi ganha”); com ter e haver, usam-se, indiferentemente, as duas formas de particípio (“Ele já tinha gastado/gasto todo o salário”; “Ela tinha pagado/pago em dia todas as contas”; “O time só tinha ganhado/ganho em casa”).

Quanto ao verbo pegar, tradicionalmente, a forma do particípio era pegado. Com o tempo, o uso consagrou o uso de pego com qualquer verbo auxiliar. Quanto à etimologia, esse particípio não possui lógica.

Forma tradicional: 
João tinha pegado mais de um ônibus. 
José foi pego de surpresa.
Forma evoluída: 
Luís tinha pego muitos peixes naquela pescaria. (tempo composto)
Antônio foi pego em flagrante pela polícia ontem. (locução verbal)

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Qual é a forma correta: "perca" ou "perda"?
Na língua culta, as duas formas existem, mas têm valores e aplicações diferentes. Perca é forma verbal (do presente do subjuntivo ou do modo imperativo do verbo perder): “Ela quer que eu perca a cabeça”; “Espero que você não perca a calma”; “Não perca a paciência com esse tipo de gente”; “Perca a piada, mas não perca o amigo”. Perca pode ser um peixe de água doce, mas neste caso é pronunciada com a vogal e aberta.

Perda é substantivo abstrato, formado por derivação regressiva a partir de perder. Trata-se do ato ou efeito de perder: “Com as chuvas, foram grandes as perdas dos agricultores”; “A morte dele representa uma perda irreparável para o país”.

Na língua oral, é comum o emprego de perca como substantivo (“Foram grandes as percas dos agricultores”). Alguns dicionários chegam a registrar essa forma, mas deixam claro que se trata de uso informal e literário, não recomendado quando se emprega o padrão culto da língua, como em documentos oficiais, livros didáticos, correspondências comerciais, artigos científicos, notícias e reportagens de jornal e redações de concursos, vestibulares e Enem.

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