Língua Pátria - TV Câmara - Programa 218 - Concordância

“Concordância é o princípio sintático segundo o qual as palavras dependentes se harmonizam nas suas flexões, com as palavras de que dependem.” (CEGALLA, 2008, p. 438)



1. Concordância nominal
Concordância do adjetivo adjunto adnominal
O adjetivo concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere.

Exemplo:

O alto ipê cobre-se de flores amarelas.
O adjetivo que se refere a mais de um substantivo de gênero ou número diferentes, quando posposto, poderá concordar no masculino plural ou com o substantivo mais próximo.



Exemplos:

Os arreios e as bagagens espalhados pelo chão.
A Marinha e o Exército brasileiro estavam em alerta.
Anteposto aos substantivos, o adjetivo concorda, em geral, com o mais próximo.

Exemplo:

Escolhestes mau lugar e hora.
Os adjetivos regidos da preposição de, que se referem a pronomes neutros indefinidos (nada, muito, algo, tanto, que), normalmente ficam no masculino singular.

Exemplos:

Sua vida nada tem de misterioso.
Seus olhos têm algo de sedutor.
Concordância do adjetivo predicativo com o sujeito
O predicativo concorda em gênero e número com o sujeito simples.

Exemplo:

A ciência sem consciência é desastrosa.
Quando o sujeito é composto e constituído por substantivos do mesmo gênero, o predicativo deve concordar no plural e no gênero deles.

Exemplo:

O mar e o céu estavam serenos.
Sendo o sujeito composto e constituído por substantivos de gêneros diversos, o predicativo concordará no masculino plural.

Exemplo:

O vale e a montanha são frescos.
Em textos literários é comum a concordância com o substantivo mais próximo, o que só é possível quando o predicativo se antecipa ao sujeito.

Exemplo:

Onde andará metido Antônio e suas irmãs?
Se o sujeito for representado por um pronome de tratamento, a concordância se efetua com o sexo da pessoa a quem se refere.

Exemplo:

Vossa senhoria, ficará satisfeito, eu lhe garanto.
O predicativo aparece às vezes na forma do masculino singular nas locuções é bom, é necessário, é preciso, embora o sujeito seja substantivo feminino ou plural.

Exemplo:

Bebida alcoólica não é bom para o fígado.
Havendo a determinação do sujeito, ou sendo preciso realçar o predicativo, efetua-se a concordância normalmente.

Exemplos:

É necessária a sua presença aqui.
Seriam precisos outros três homens.
Concordância do predicativo com o objeto
O adjetivo concorda em gênero e numero com o objeto quando este é simples.

Exemplos:

Vi ancorados na baía os navios petrolíferos.
O tribunal qualificou de ilegais as nomeações do ex-prefeito.
Quando o objeto é composto e constituído por elementos do mesmo gênero, o adjetivo se flexiona no plural e no gênero dos elementos.

Exemplo:

A justiça declarou criminosos o empresário e seus auxiliares.
Sendo o objeto composto e formado de elementos de gêneros diversos, o adjetivo concordará no masculino plural.

Exemplo:

Tomei emprestados a régua e o compasso.
Se anteposto ao objeto, poderá o predicativo, neste caso, concordar com o núcleo mais próximo.

Exemplo:

É preciso que se mantenham limpas as ruas e os jardins.
Segue as mesmas regras o predicativo expresso pelos substantivos variáveis em gênero e número.

Exemplo:

Temiam que as tomassem por malfeitoras.
Concordância do particípio passivo
Na voz passiva, o particípio concorda em gênero e numero com o sujeito, como os adjetivos.

Exemplo:

Foi escolhida a rainha da festa.
Quando o núcleo do sujeito é, como no último exemplo, um coletivo numérico, pode-se, em geral, efetuar a concordância com o substantivo que o acompanha.

Exemplo:

Centenas de rapazes foram vistos pedalando das ruas.
Referindo-se dois ou mais substantivos de gêneros diferentes, o particípio concordará no masculino plural.

Exemplo:

Atingidos por mísseis, a corveta e o navio foram a pique.
Concordância do pronome com o nome
O pronome, quando se flexiona, concorda em gênero e numero com o substantivo a que se refere.

Exemplo:

O velho abriu as pálpebras e cerrou-as logo.
O pronome que se refere a dois ou mais substantivos de gêneros diferentes flexiona-se no masculino plural.

Exemplo:

Trazem presentes e flores e depositam-nos em torno dela.
Os pronomes um… outro, quando se referem a substantivos de gêneros diferentes, concordam no masculino.

Exemplos:

Marido e mulher viviam em boa harmonia e ajudavam-se um ao outro.
Nilo e Sônia casaram certo: u>um por amor, o outro, por interesse.
A locução um e outro, referida a indivíduos de sexos diferentes, permanece também no masculino.

Exemplo:

A mulher do colchoeiro escovou-lhe o chapéu; e quando ele saiu, um e outro agradeceram-lhe muito o acordo feito.
O substantivo que se segue às locuções um e outro e nem um nem outro fica no singular.

Exemplos:

Um e outro livro me agradaram.
Nem um nem outro livro me agradaram.
Outros casos de concordância nominal
Anexo, incluso, leso: como adjetivos, concordam com o substantivo em gênero e número.

Exemplos:

Anexa à presente, vai a relação das mercadorias.
Remeto-lhe, inclusa, uma fotocópia do recibo.
Os crimes de lesa-majestade eram punidos com a morte.
A olhos vistos: locução adverbial invariável. Significa visivelmente.

Exemplo:

Lúcia emagrecia a olhos vistos.
Só: como adjetivo, no sentido de sozinho, concorda em número com o substantivo. Como palavra denotativa de exclusão, quando equivalente a apenas, somente, é invariável.

Exemplos:

Elas só passeiam de carro.
Eles estavam a sós, na sala iluminada.
Possível: usado em expressões superlativas, esse adjetivo ora aparece invariável, ora flexionado.

Exemplos:

Essas frutas são as mais saborosas possível.
Ele escolhia as tarefas menos pensas possíveis.
Adjetivos adverbiados: certos adjetivos como sério, claro, caro, barato, alto, raro, quando usados com a função de advérbios terminados em –mente, ficam invariáveis.

Exemplos:

Vamos falar sério.
Penso que falei bem claro, disse a secretária.
Estas aves voam alto.
Esses produtos vão custar mais caro
Honestidade e sinceridade são valores cada vez mais raros.
Todo: no sentido de inteiramente, completamente, costuma-se flexionar, embora seja advérbio.

Exemplos:

As meninas iam todas de branco.
Fiquei com os cabelos todo sujos de terra.
Alerta: pela sua origem, é advérbio e, portanto, invariável.

Exemplos:

Estamos alerta.
Nossos chefes estão alerta.
Meio: usada como advérbio, no sentido de um pouco, esta palavra é invariável.

Exemplo:

A porta estava meio aberta.
Bastante: varia quando adjetivo, sinônimo de suficiente. Fica invariável quando advérbio, caso em que modifica um adjetivo.

Exemplos:

Não havia provas bastantes para condenar o réu.
As cordas eram bastante fortes para aguentar o peso.
Menos: é palavra invariável.

Exemplos:

Gaste menos água.
À noite, há menos pessoas na praça.
2. Concordância verbal
O sujeito simples
O verbo concorda em número e pessoa.

Exemplos:

As saúvas eram uma praga.
Acontecem tantas desgraças nesse planeta!
O sujeito composto e da 3a pessoa
O sujeito, sendo composto e anteposto ao verbo, leva geralmente este para o plural.

Exemplo:

A esposa e o amigo seguem sua marcha.
É lícito, mas não obrigatório, deixar o verbo no singular:

Quando os núcleos do sujeito são sinônimos. Exemplo: A decência e a honestidade ainda reinava.
Quando os núcleos do sujeito formam sequência gradativa. Exemplo: Uma ânsia, uma aflição, uma angústia repentina começou a me apertar a alma.
Sendo o sujeito composto e posposto ao verbo, esse poderá concordar no plural ou com o substantivo mais próximo.

Exemplo:

Não fossem o rádio de pilha e as revistas, que seria de Elisa?
O sujeito composto e de pessoas diferentes
Se o sujeito composto for de pessoas diversas, o verbo se flexiona no plural e na pessoa que tiver prevalência. [1a pessoa prevalece sobre a 2a e a 3a; a 2a prevalece sobre a 3a]

Exemplos:

Você e meu irmão não me compreendem.
Tu e ele partireis juntos.
Foi o que fizemos Julia e Eu.
Alguns casos especiais de concordância verbal
Núcleos do sujeito unidos por ou.

Se a conjunção ou indicar exclusão ou retificação, o verbo concordará com o núcleo do sujeito mais próximo.

Exemplo:

Paulo ou Antônio será o presidente.
O verbo irá para o plural se a ideia por ele expressa se referir ou puder ser atribuída a todos os núcleos do sujeito.

Exemplo:

Naquela crise, só Deus ou Nossa Senhora podiam acudir-lhe.
Núcleos do sujeito unidos pela preposição com
Usa-se mais frequentemente o verbo no plural quando se atribui a mesma importância, no processo verbal, aos elementos do sujeito unidos pela preposição com.

Exemplo:

Manuel com seu compadre construíram barracão.
Pode-se usar o verbo no singular quando se deseja dar relevância ao primeiro elemento do sujeito e também quando o verbo vier antes deste.

Exemplo:

O bispo, com dois sacerdotes, iniciou solenemente a missa.
Núcleos do sujeito unidos por nem
Quando o sujeito é formado por núcleos no singular unidos pela conjunção nem, usa-se, comumente, o verbo no plural.

Exemplo:

Nem a riqueza nem o poder o livraram de seus inimigos.
É preferível a concordância no singular quando o verbo precede o sujeito.

Exemplo:

Não o convidei eu nem minha esposa.
Quando há exclusão, isto é, quando o fato só pode ser atribuído a um dos elementos do sujeito.

Exemplo:

Nem Berlim nem Moscou sediará a próxima Copa.
Núcleos do sujeito correlacionados
O verbo vai para o plural quando os elementos do sujeito composto estão ligados por uma das expressões correlativas não só… mas também, não só como também, tanto… como.

Exemplo:

Não só a nação, mas também o príncipe estariam pobres.
Sujeitos resumidos por tudo, nada e inclusive
O verbo concorda, no singular, com o pronome resumidor.

Exemplo:

Jogos, espetáculos, viagens, diversões, nada pôde satisfazê-lo.
Núcleos do sujeito no infinitivo
O verbo concordará no plural se os infinitivos forem determinados pelo artigo ou exprimirem ideias opostas; caso contrario, tanto é lícito usar o verbo no singular como no plural.

Exemplos:

O comer e o beber são necessários.
Rir e chorar fazem parte da vida.
Sujeito coletivo
O verbo concorda no singular com o sujeito coletivo no singular.

Exemplos:

A multidão vociferava ameaças.
O exército dos aliados desembarcou no sul da Itália.
A maior parte de, grande número de
Permitem as duas concordâncias, dependendo da ênfase que se quer dar.

Exemplos:

A maior parte dos indígenas respeitava o pajé.
Grande parte dos atuais governantes são corruptos.
Um e outro, nem um nem outro
O sujeito sendo uma dessas expressões, o verbo concorda, de preferência, no plural.

Exemplos:

Uma e outra família tinham (ou tinha) parentes no Rio.
Nem uma nem outra foto prestavam (ou prestava).
Um ou outro
O verbo concorda no singular.

Exemplo:

Respondi-lhe que um ou outro colar lhe ficava bem.
Um dos que, uma das que
Quando, em orações adjetivas restritivas, o pronome que vem antecedido de um dos ou expressão análoga, o verbo da oração adjetiva flexiona-se no plural.

Exemplo:

O príncipe foi um dos que despertaram mais cedo.
Mais de um
O verbo concorda, em regra, no singular. O plural será de rigor se o verbo exprimir reciprocidade, ou se o numeral for superior a um.

Exemplos:

Mais de um excursionista já perdeu a vida nesta montanha.
Mais de um dos circunstantes se entreolharam com espanto.
Pronomes quem e que, como sujeitos
O verbo concorda, em regra, na 3a pessoa.

Exemplos:

Sou eu quem responde pelos meus atos.
Eu sou o que presenciou o fato.
A regra também permite algumas concordâncias de ênfase com o sujeito da ação principal.

Exemplo:

Sou eu quem prendo aos céus a terra.
Concordância com os pronomes de tratamento
Exige o verbo na 3a pessoa, embora se refiram à 2a pessoa do discurso.

Exemplo:

Vossa Excelência agiu com moderação.
Concordância com certos substantivos próprios no plural
Certos substantivos próprios de forma plural levam o verbo para o plural quando são usados com artigo; caso contrario, o verbo concorda no singular.

Exemplo:

Os Estados Unidos são o país mais rico do mundo.
Campinas orgulha-se de ter sido o berço de Carlos Gomes.
É preferível e comum deixar o verbo no singular quando esse se relaciona com titulo de obras.

Exemplo:

“Os Lusíadas” é um clássico da literatura.
Verbos impessoais
Os verbos haver, fazer (na indicação de tempo), passar de (na indicação de horas), chover e outros que exprimem fenômenos meteorológicos, quando usados como impessoais, ficam na 3a pessoa do singular.

Exemplos:

Não havia ali vizinhos naquele deserto.
Havia já dois anos que não nos víamos.
Conhecera-o assim, fazia quase vinte anos.
Quando saí de casa, passava das oito horas.
Chovera e nevara depois, durante muitos dias.
Haja vista
Pode ser construída de 3 modos.

Hajam vista os livros desse autor. (= tenham vista, vejam-se)
Haja vista os livros desse autor. (= por exemplo, veja)
Haja vista aos livros desse autor (= olhe-se para, atente-se para)
Concordância com numerais fracionários
A concordância efetua-se com o numerador. Também é aceita a concordância com o especificador.

Exemplos:

Dois terços da população vivem da agricultura.
Um quinto dos bens cabe/cabem ao menino.
Concordância com percentuais
O verbo deve concordar com os números expressos na porcentagem.

Exemplos:

Só 1% dos eleitores se absteve de votar.
Só 2% dos eleitores se abstiveram de votar.
Mais de, menos de
o verbo concorda com o substantivo que se segue a essas expressões.

Exemplos:

Mais de cem pessoas perderam suas casas na enchente.
Sobrou mais de uma cesta de pães.

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