Língua Pátria - TV Câmara - Programa 198 - Figuras de Sintaxe

Podemos tratar as figuras de construção ou de sintaxe como desvios nas construções de frases ou períodos, pois mudam sua concordância, sua ordem ou sua construção a fim de estabelecer um charme a mais em nossos textos.



“São denominadas de figuras de construção porque alteram de alguma forma a construção regular da frase, da oração, do período, do verso. Buscam, com essa alteração, conferir maior expressividade e maior elegância à construção textual.” (BEZERRA, 2010)

1. Elipse
Ocorre quando omitimos uma palavra ou até mesmo uma oração inteira de um texto, mas que podem ser facilmente recuperados por meio do contexto. Fora do contexto gramatical, a elipse é usada na geometria. A elipse pode ser:

Nominal: quando omitimos uma palavra.
Verbal: quando omitimos um verbo.
Frástica: quando omitimos uma frase.
2. Zeugma
Como se fosse uma elipse, uma palavra ou termo dito numa oração anterior é ocultado nas outras.



A uns foi permitido brincar, a outros, fazerem a leitura.
(“foi permitido” é suprimido na segunda oração)
3. Polissíndeto
Ocorre quando repetimos por querer conectivos.

“e planta, e colhe, e mata, e vive, e morre…” (Clarice Lispector)
4. Assíndeto
É o contrário do polissíndeto. Esconde os conectivos a fim de tornar a mensagem mais concisa.

“Todo coberto de medo, juro, minto, afirmo, assino” (Cecília Meireles)
5. Hipérbato
Em nossa língua, uma oração geralmente é formada na ordem sujeito + verbo + complemento + adjuntos. O hipérbato ocorre quando essa ordem é trocada para destacar e dar ênfase a algumas partes da oração.

Da minha vida cuido eu.
Cães, gordinhos, peludos, não canso de tê-los.
6. Anástrofe
Também é uma inversão, mas mais simples que o hipérbato, por geralmente inverter apenas o sujeito e o predicado, não quebra a ligação de uma palavra com a outra.

Tão leve estou.
Com papas e bolos se enganam os tolos. (dito popular)
7. Pleonasmo
Damos esse nome quando usamos a repetição de um termo para reforçar a mensagem que queremos passar.

“De jeito maneira, não quero dinheiro.” (Tim Maia)
“Todos nus, e da cor da treva escura.” (Camões)
Observação: quando o pleonasmo não tem o papel de enfatizar algo, é considerado um vício de linguagem, e não uma figura de linguagem.

8. Silepse
Às vezes expressamos a concordância (verbal ou nominal) não com o termo expresso numa frase, mas com a ideia contida nela – é esse tipo de concordância que chamamos silepse. Temos três tipos de silepse.

Silepse de gênero
Concorda com o gênero do termo a que o falante se refere e não com o termo em si.

Vi meu amor, tão linda entre as flores. (o adjetivo não concorda com “amor”, mas com a mulher amada)
Silepse de número
A concordância é feita com o número transmitido pela ideia, não com o número real expresso.

A maior parte dos bichos se perderam.
Silepse de pessoa
Não concorda com 1°, 2° ou 3° pessoa, mas com a pessoa que se tem em mente.

Dizem que os brasileiros somos simpáticos.
Os paranaenses geralmente não gostamos de temperaturas altas.
9. Anáfora
“A anáfora consiste na repetição de uma mesma palavra, de um mesmo vocábulo no início de cada oração, de cada período ou de cada verso de uma composição.” (BEZERRA, 2010)

“Olha a voz que me resta
Olha a veia que salta
Olha a gota que falta pro desfecho da festa” (Chico Buarque)
10. Anacoluto
“A anacolutia consiste em uma ou mais palavras do princípio de uma oração não se ligarem ao que vem depois, segundo as regras da sintaxe.” (BEZERRA apud DIAS, 2010)

Ou seja, uma expressão que deixa o termo inicial desligado do resto do período. A forma mais comum é quando um elemento parece que vai ser o sujeito da oração, mas na verdade não tem função sintática.

As pessoas de hoje, parece que não dá para confiar nelas.
A Maria, parece que as coisas não lhe correm bem.
11. Aliteração
Quando se repete, por querer, o mesmo som consonantal no início dos vocábulos, um logo após o outro, para dar ênfase ou imitar um som.

“Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente…” (Manuel Bandeira) – o poema imita o barulho do trem.
Observação: podemos encontrar em algumas gramáticas a aliteração classificada com figura sonora.

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