Língua Pátria - TV Câmara - Programa 97 - Formação das Palavras: Derivação Parassintética
Ao contrário do processo de composição, em que se associam dois radicais para a formação de uma nova palavra, no processo de derivação, a formação de novas palavras se dá pelo acréscimo de afixos (sufixos e/ou prefixos) a um radical.
O processo de derivação pode ser:
derivação prefixal ou prefixação: ocorre quando há o acréscimo como em: contra (prefixo) + por (radical) = contrapor
derivação sufixal ou sufixação : ocorre quando há o acréscimo de um sufixo ao radical como em: carro (radical) + oça (sufixo) = carroça
derivação imprópria: ocorre quando há mudanças na classe gramatical da palavra, sem que sua forma se altere. Exemplo: “o jantar está servido”. Jantar é verbo e torna-se substantivo sem alteração na sua forma.
derivação regressiva: ocorre quando há a redução de elementos (sufixos, desinências) da palavra primitiva como em: combater para combate, estudar para estudo.
E derivação parassintética:
Derivação parassintética ou parassíntese
Ocorre quando há um acréscimo de um prefixo e um sufixo, simultaneamente, a um radical, como em :
a (prefixo) + noite (radical) + ecer (sufixo) = anoitecer
en (prefixo) + raiva (radical ) + ecer (sufixo) = enraivecer
a (prefixo) + português (radical) + esar (sufixo) = aportuguesar
ex (prefixo)+ pátria (radical) + ar ( sufixo) = expatriar
Imagem: Reprodução
Nesses casos, a derivação não é feita por etapas: os afixos são acrescentados aos radicais de uma só vez. Na língua, não existem isoladamente as formas nas quais entre apenas o sufixo ou o prefixo em questão: enraiva ou raivecer, aportuguês ou portuguesar, expátria ou patriar, anoite ou noitecer. É a simultaneidade da afixação que constitui a parassíntese.
O mesmo ocorre em:
en (prefixo) + velho (radical) + ecer (sufixo) = envelhecer
en (prefixo) + louco (radical) + ecer (sufixo) = enlouquecer
en (prefixo) + rico (radical) + ecer (sufixo) = enriquecer
Só o acréscimo do prefixo ou do sufixo não forma uma palavra existente na língua, mas constitui uma forma inexistente: enlouco ou louquecer, envelho ou velhecer, enrico ou riquecer, nenhuma dessas formas têm significado.
Há vários exemplos na língua portuguesa em que tanto um prefixo quanto um sufixo podem ser acrescentados a um mesmo radical. A partir do radical feliz, por exemplo, podemos ter, por prefixação, infeliz, por sufixação, felizmente e por prefixação e sufixação, infelizmente.
Todas essas etapas dão origem a palavras da língua, diferentemente dos casos de parassíntese quando é necessário que tanto a prefixação e a sufixação ocorram ao mesmo tempo. Esses casos são de prefixação e sufixação.
O mesmo ocorre em desigualdade, no qual, se retirarmos o prefixo, sobra uma palavra existente: igualdade, e se retirarmos o sufixo, sobra uma palavra existente: desigual. Ambas (igualdade e desigual) existem no nosso léxico. O radical de desigualdade é igual.
Em desvalorização, valorização e valorizar têm vida própria, têm significado. O radical de valorização é valor.
Em configuração, configurar e figuração constituem formas existentes, e não inexistentes.
Em injustiça, injusto e justiça constituem formas existentes.
Exercício:
Em qual dos casos trata-se de uma derivação parassintética?
a) ingratidão - grato / ingrato / gratidão
b) desconhecimento - conhecer / desconhecer / conhecimento
c) involuntariamente - voluntário / involuntário / voluntariamente
d) desalmado
e) transmutação - mutar / transmutar / mutação
f) reprodução - produzir / produção / reproduzir
g) inquietude - quieto / inquieto / quietude
h) ultrapassagem - passar / passagem / ultrapassar
i) irreconhecível - conhecer / conhecível / reconhecível
j) irreproduzível - produzir / produzível / reproduzível
k) indisciplinado - disciplina / indisciplina / disciplinado
l) desonestidade - honesto / desonesto / honestidade
m) desconfortável - conforto / desconforto / confortável
n) desagradável - agradar / desagradar / agradável
o) desarticulação - articular / desarticular / articulação
p) desempregado - emprego / desemprego / empregado
q) incapacidade - capaz / incapaz / capacidade
r) ressurgimento - surgir / ressurgir / surgimento
s) descalçado - calçar / descalçar / calçado
Em todos os casos, há uma mobilidade, os afixos foram acoplados em sequência, exceto na letra D: não existem desalma nem almado, pois desalmado é formado diretamente de alma, pelo acréscimo concomitante dos afixos.
Neologismos recentes, desigrejado e desigrejar, são formados por derivação parassintética a partir de igreja, não existindo desigreja nem igrejado ou igrejar.
Em resumo, a derivação parassintética ocorre quando a palavra derivada resulta do acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo à palavra primitiva (radical).
Referências
Gramática: texto e construção de sentido – Maria Luiza M. Abaurre, Marcela Pontarra
Processo de formação dos vocábulos – Fátima Christina Calicchio
O processo de derivação pode ser:
derivação prefixal ou prefixação: ocorre quando há o acréscimo como em: contra (prefixo) + por (radical) = contrapor
derivação sufixal ou sufixação : ocorre quando há o acréscimo de um sufixo ao radical como em: carro (radical) + oça (sufixo) = carroça
derivação imprópria: ocorre quando há mudanças na classe gramatical da palavra, sem que sua forma se altere. Exemplo: “o jantar está servido”. Jantar é verbo e torna-se substantivo sem alteração na sua forma.
derivação regressiva: ocorre quando há a redução de elementos (sufixos, desinências) da palavra primitiva como em: combater para combate, estudar para estudo.
E derivação parassintética:
Derivação parassintética ou parassíntese
Ocorre quando há um acréscimo de um prefixo e um sufixo, simultaneamente, a um radical, como em :
a (prefixo) + noite (radical) + ecer (sufixo) = anoitecer
en (prefixo) + raiva (radical ) + ecer (sufixo) = enraivecer
a (prefixo) + português (radical) + esar (sufixo) = aportuguesar
ex (prefixo)+ pátria (radical) + ar ( sufixo) = expatriar
Imagem: Reprodução
Nesses casos, a derivação não é feita por etapas: os afixos são acrescentados aos radicais de uma só vez. Na língua, não existem isoladamente as formas nas quais entre apenas o sufixo ou o prefixo em questão: enraiva ou raivecer, aportuguês ou portuguesar, expátria ou patriar, anoite ou noitecer. É a simultaneidade da afixação que constitui a parassíntese.
O mesmo ocorre em:
en (prefixo) + velho (radical) + ecer (sufixo) = envelhecer
en (prefixo) + louco (radical) + ecer (sufixo) = enlouquecer
en (prefixo) + rico (radical) + ecer (sufixo) = enriquecer
Só o acréscimo do prefixo ou do sufixo não forma uma palavra existente na língua, mas constitui uma forma inexistente: enlouco ou louquecer, envelho ou velhecer, enrico ou riquecer, nenhuma dessas formas têm significado.
Há vários exemplos na língua portuguesa em que tanto um prefixo quanto um sufixo podem ser acrescentados a um mesmo radical. A partir do radical feliz, por exemplo, podemos ter, por prefixação, infeliz, por sufixação, felizmente e por prefixação e sufixação, infelizmente.
Todas essas etapas dão origem a palavras da língua, diferentemente dos casos de parassíntese quando é necessário que tanto a prefixação e a sufixação ocorram ao mesmo tempo. Esses casos são de prefixação e sufixação.
O mesmo ocorre em desigualdade, no qual, se retirarmos o prefixo, sobra uma palavra existente: igualdade, e se retirarmos o sufixo, sobra uma palavra existente: desigual. Ambas (igualdade e desigual) existem no nosso léxico. O radical de desigualdade é igual.
Em desvalorização, valorização e valorizar têm vida própria, têm significado. O radical de valorização é valor.
Em configuração, configurar e figuração constituem formas existentes, e não inexistentes.
Em injustiça, injusto e justiça constituem formas existentes.
Exercício:
Em qual dos casos trata-se de uma derivação parassintética?
a) ingratidão - grato / ingrato / gratidão
b) desconhecimento - conhecer / desconhecer / conhecimento
c) involuntariamente - voluntário / involuntário / voluntariamente
d) desalmado
e) transmutação - mutar / transmutar / mutação
f) reprodução - produzir / produção / reproduzir
g) inquietude - quieto / inquieto / quietude
h) ultrapassagem - passar / passagem / ultrapassar
i) irreconhecível - conhecer / conhecível / reconhecível
j) irreproduzível - produzir / produzível / reproduzível
k) indisciplinado - disciplina / indisciplina / disciplinado
l) desonestidade - honesto / desonesto / honestidade
m) desconfortável - conforto / desconforto / confortável
n) desagradável - agradar / desagradar / agradável
o) desarticulação - articular / desarticular / articulação
p) desempregado - emprego / desemprego / empregado
q) incapacidade - capaz / incapaz / capacidade
r) ressurgimento - surgir / ressurgir / surgimento
s) descalçado - calçar / descalçar / calçado
Em todos os casos, há uma mobilidade, os afixos foram acoplados em sequência, exceto na letra D: não existem desalma nem almado, pois desalmado é formado diretamente de alma, pelo acréscimo concomitante dos afixos.
Neologismos recentes, desigrejado e desigrejar, são formados por derivação parassintética a partir de igreja, não existindo desigreja nem igrejado ou igrejar.
Em resumo, a derivação parassintética ocorre quando a palavra derivada resulta do acréscimo simultâneo de prefixo e sufixo à palavra primitiva (radical).
Referências
Gramática: texto e construção de sentido – Maria Luiza M. Abaurre, Marcela Pontarra
Processo de formação dos vocábulos – Fátima Christina Calicchio
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