Língua Pátria - TV Câmara - Programa 96 - Sinais de Pontuação

Os sinais de pontuação podem ser divididos em dois grupos, de acordo com a função que exercem na escrita:



1) Sinais de pontuação que indicam pausas correspondentes ao término de unidades de forma e de sentido: o ponto, a vírgula e o ponto-e-vírgula.

2) Sinais de pontuação que delimitam, na escrita, unidades que, na fala, costumam vir associadas a entoações específicas: os dois-pontos, o ponto de interrogação, o ponto de exclamação, as reticências, as aspas, os parênteses, o travessão.

O ponto
O ponto é utilizado para sinalizar o término de orações declarativas. O chamado ponto simples delimita orações declarativas que, por expressarem ideias relacionadas, sucedem-se no interior do mesmo parágrafo.



Quando se quer passar de um grupo de ideias a outro grupo de ideias, deve-se usar o chamado ponto-parágrafo, e retomar a escrita na linha abaixo, deixando-se um espaço no início da linha. O ponto utilizado para marcar o final do texto escrito recebe denominação de ponto-final.

O ponto de interrogação
O ponto de interrogação é utilizado ao final dos enunciados interrogativos.

O ponto de exclamação
O ponto de exclamação é utilizado ao final dos enunciados exclamativos, denotativos de espanto, admiração, surpresa, apelo, ênfase.
Na tira abaixo, o ponto de exclamação foi utilizado para marcar a maneira enfática de Manolito manisfestar sua decisão de não ir à escola.

Imagem: Reprodução
Da mesma maneira que o ponto o ponto de interrogação e o ponto de exclamação podem ocorrer delimitando enunciados no interior de parágrafos, no final de parágrafos ou no final de textos.

A vírgula
De todos os sinais de pontuação, a vírgula é aquele que desempenha o maior número de funções:

A vírgula no interior de orações:
1) Separa constituintes sintáticos idênticos em uma enumeração. Observe a tira:

Imagem: Reprodução
Nos quadrinhos iniciais da tira, vemos várias personagens escrevendo cartas com suas listas de Natal. Todos os elementos dessas listas aparecem separados por vírgulas, porque constituem sequências enumerativas formadas por objetos diretos do verbo querer.

Quando os constituintes sintáticos idênticos são relacionados pelas conjunções coordenativas e, nem e ou e essas conjunções se repetem, também usa-se a vírgula. Veja.

Nem os meus amigos, nem os meus colegas de turma sabem que estou planejando viajar no final do ano.
Ou você, ou seus pais devem comparecer à escola amanhã.

2) Indica a elipse de uma palavra (geralmente um verbo). Observe:

Maria deu a todos os seus irmãos um presente de Natal; ao namorado, apenas um beijo.

3) Isola o vocativo. Observe a tira.

Imagem: Reprodução
Na tira, os vocativos doutor e Hagar aparecem isolados do restante da oração por meio de vírgulas.

4)Isola o aposto. Veja o exemplo.

Vitória, capital do Espírito Santo, é uma ilha que tem belas praias.

5)Indica que um adjunto adverbial foi utilizado fora da sua posição habitual. Observe, no texto , a posição que aparecem os adjuntos adverbiais de lugar.

“No Oriente, as mulheres se curvam na presença dos homens. No Ocidente, é o inverso”

Quando o adjunto adverbial é apenas um advérbio

6) Indica que complementos nominais ou verbais foram deslocados para o início da oração. Veja os exemplos.

De sua terra natal, ele sente saudades.
Uma dor pavorosa, o jogador sentiu quando quebrou a perna.

7) Indica conjunções intercaladas.

A ferida já foi tratada. É preciso, porém, cuidar para que não infeccione.

8) Isola nomes de lugares, quando se transcrevem datas ou nos endereços, isola a rua do numeral.

Nova York, 11 de setembro de 2001.
Rua Demétrio Ribeiro, 614

9) Marca a intercalação de expressões explicativas ou retificadoras como em suma, aliás, além disso, a saber, assim, com efeito, na verdade, digo, então, isto é, ou seja, por assim dizer, por exemplo, ou melhor, ou antes.

O presidente afirmou, aliás, que não haverá aumento de imposto durante seu governo.

10) Isola o objeto pleonástico direto ou indireto, ou ruptura/irregularidade sintática (anacoluto).

Este exercício, eu o fiz novamente.
Ao réu, o juiz lhe perdoou.
Dietas, como ter força de vontade para as fazer?
Mariana, a leitura mantinha-a acordada durante a noite.

Atenção: não se admite, no interior de orações, o uso de vírgula para separar o sujeito do predicado verbal, o verbo do seu objeto direto ou indireto, o núcleo do substantivo de um adjunto adnominal ou de um complemento nominal e a locução verbal da voz passiva de um agente da passiva.

A vírgula entre orações

1) Separa a oração subordinada adverbial que ocorre antes da oração principal ou intercalada. Caso a subordinada adverbial venha depois da principal, a vírgula será facultativa.

Logo que soube do nascimento do filho, correu para a maternidade.
Ela, logo que soube do nascimento do filho, correu para a maternidade.
Correu para a maternidade, logo que soube do nascimento do filho.
Correu para a maternidade logo que soube do nascimento do filho.

A exceção são a adverbial consecutiva e as comparativas iniciadas por quanto ou do que.

2) Separa a oração subordinada adjetiva explicativa da oração principal.

As frutas, que estavam maduras, caíram no chão.

Se a oração for restritiva, a vírgula só aparecerá quando a oração for de muito longa extensão ou quando o verbo da oração principal estiver contíguo, ou seja, lado a lado.

3) Separa orações coordenadas assindéticas

Cheguei, peguei o livro, voltei correndo para o colégio.

4) Separa orações coordenadas sindéticas.

Há aqueles que se esforçam muito, porém nunca são premiados.

Atenção: não se a vírgula para separar orações coordenadas sindéticas ligadas pela conjunção e, exceto quando os sujeitos forem diferentes ou quando o e aparecer repetido.

Eles sairão de férias, e eu tomarei conta da casa.
Trabalhava, e estudava, e tomava conta dos irmãos menores.

Não se admite a vírgula para separar a oração subordinada substantiva da oração principal, exceto a substantiva apositiva, que pode vir separada por vírgula ou dois-pontos.

Helena desejava uma coisa, que fosse feliz com sua família.
Pedi um favor a meus amigos, que esperassem por mim.

5) Delimita orações intercaladas.

E o ladrão, perguntei eu, foi condenado ou não?

O ponto-e-vírgula
1) Separa partes de períodos que já apresentam divisões assinalados por vírgulas. Veja o exemplo.

[…] As paredes de Aqua Virgo são notavelmente regulares, apesar de terem sido cortadas em rocha sólida. Lembram os blocos retilíneos da Cloaca Máxima, mas esses dois espaços não poderiam ser mais diferentes. Um traz água pura, fonte da vida; o outro leva embora dejetos pútridos. Se a chave para o sucesso da Roma Antiga foi a água, esses dois sistemas foram as vias de um fluxo imprescindível.

BENNET, Paul. No porão de Roma. National Geographic Brasil . São Paulo. Abril. Jul.2006. p. 72 (Fragmento).

2) Separa os itens de enunciados enumerativos. Veja:

Em matéria de literatura, o Brasil é um país curioso. Parece ter mais autores que leitores, considerando o número de originais que, a cada mês, são remetidos a editores e concursos literários. Essa criatividade é um bom sinal, porém prejudicada pela inflação que obriga os editores a embutirem, no preço de capa, os dois ou três meses de retorno do dinheiro pago pelos livreiros. Assim, os livros ficam proibitivos; a população, mais ignorante; os editores, cautelosos na seleção do que publicar; e os autores, sem incentivo para produzir.

FREI BETTO. O brasileiro lê? O Dia. Rio de Janeiro, 23 mar. 2001.

3) Separa orações coordenadas extensas. Observe o exemplo:

[…] Mas a curiosidade por Roma é eterna; por isso a vanguarda da arqueologia mudou: os arqueólogos, junto com espeleólogos que eles contratam, estão explorando os espaços antigos por baixo, deixando intacta a superfície.

BENNET, Paul. No porão de Roma. National Geographic Brasil . São Paulo. Abril. Jul.2006. p. 66 (Fragmento).

Os dois-pontos
1) São usados antes de uma citação ou fala de alguém. Veja:

Aos 13, Ritinha esteve em vias de namorar com Pablo, um ruivinho por quem ela morria de paixão. Uma vez, na praia, de mãos dadas, Pablo disse:
— Não entendo por que dizem que é esquisita. Te acho maneira.
Num arroubo romântico, Ritinha respondeu como uma heroína de romance do século XIX:
— Suas palavras são como mel para uma abelha. Você é o sol que me ilumina, minha estrela-guia, meu norte, meu sul, meu leste, meu oeste.
Evidentemente, o namoro desandou a partir daquele momento.

Carneiro, João Emanuel. “Ritinha”. Em: Disse não disse. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 2004. p. 88-89. (Fragmento).

2) São usados para indicar o início de uma enumeração. Observe o texto.

Imagem: Reprodução
“Sempre que um ecossistema é destruído, todos saem perdendo: tartarugas, golfinhos, peixes e você.”

3) São usados para introduzir um esclarecimento ou explicação a respeito de algo previamente mencionado.

As aspas
1) Costumam ser utilizadas para indicar uma citação. Veja o exemplo.

Em seu livro sobre o emprego da vírgula , Celso Luft afirma que “pontuar bem é ter visão clara da estrutura do pensamento e da frase. Pontuar bem é governar as rédeas da frase. Pontuar bem é ter ordem, no pensar e na expressão.”

2) Indicam também palavras ou expressões que são, de alguma forma, estranhas à língua: palavras estrangeiras, palavras inventadas (neologismos), gírias:

Tem gente que passa horas e horas “surfando” na internet.

3) Indicam ironia:

Hoje o Ricardo, aquele “gênio” da computação, conseguiu desformatar o HD do computador da empresa ao abrir uma mensagem com vírus.

As reticências
1) São empregadas, nos textos escritos, para indicar hesitação, interrupção, ou a suspensão de um pensamento ou ideia que fica a cargo do leitor completar. Observe a fala de Hagar, nos dois primeiros quadrinhos da tira.

Imagem: Reprodução
A hesitação de Hagar que parece não se lembrar do que vai fazer, é indicada, na tira, pelo uso das reticências: “Adeus, Helga! Vou…Vou…”

2)Indicam que determinado trecho de um texto citado foi suprimido por ser irrelevante para os objetivos de quem o está citando. Nesse caso, as reticências devem vir entre colchete […].

Os parênteses
Utilizam-se os parênteses para intercalar, em algum momento do texto, observações, explicações ou comentários acessórios. Veja o exemplo:

[…] Eu sou do tempo do mimeógrafo. Para quem não sabe, é uma máquina em que você coloca álcool e dá manivela para imprimir o que está na folha matriz. Por sua vez, essa matriz precisa ser datilografada (ver “datilografia” no dicionário) na tal máquina de escrever, sem a fita ( o que faz com que você só descubra os depois do trabalho feito), com o papel carbono invertido…Enfim, procure na internet que deve haver algum site de antiguidades que fale sobre mimeógrafo, papel carbono, essas coisas.

RAMIL, Kledir. Tipo assim; crônicas. Porto Alegre: RBS Publicações, 2003 p. 18 (Fragmento).

Observe que o conteúdo dos parênteses pode geralmente ser suprimido ser prejuízo da ideia geral do texto, já que constitui informação acessória.

O travessão
1) Indica o discurso direto. Observe.

Clic
Cidadão se descuidou e roubaram seu celular. Como era um executivo e não sabia mais viver sem celular, ficou furioso. Deu parte do roubo, depois teve uma ideia. Ligou para o número do telefone. Atendeu uma mulher.
— Aloa.
— Quem fala?
— Com quem quer falar?
— O dono desse telefone.
— Ele não pode atender.
— Quer chamá-lo, por favor?
— Ele está no banheiro. Eu posso anotar o recado?
— Bate na porta e chama esse vagabundo! Agora! […]

VERISSÍMO, Luís Fernando, Clic. As mentiras que os homens contam. Rio de Janeiro. Objetiva. 2000. p. 47 (Fragmento).

2) Para isolar palavras ou enunciados intercalados em outros enunciados nesse caso, usa-se o travessão duplo, a não ser que o enunciado intercalado finalize o primeiro. Veja o exemplo:

[…] Aos meus olhinhos infantis, o mundo se dividia entre as forças bandidas exaltadas pelo fígado do bacalhau — só a ingenuidade das mães para acreditar em fígado num animal que sequer cabeça tinha — e, do outro lado do ringue, capitaneando as noites de lua romântica que um dia iluminariam de felicidade minha existência, lá estava o casal dançarino do rótulo do Sonho de Valsa. Uma vida é feita de gente, livro, músicas, cenas — e produtos do armazém da esquina, O casal elegante e apaixonado, o violino, o sax e o bongô desenhados ao redor deles, aquilo era mais que um papal defendendo o bombom das formigas. Era um projeto de vida.

SANTOS, Joaquim Ferreira dos. Na pista dos sonho. O que mulheres procuram na bolsa. Rio de Janeiro. Record, 2003. p.60. (Fragmento)

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