Língua Pátria - TV Câmara - Programa 192 - Pleonasmo

Pelo fato da língua portuguesa funcionar como uma forma de expressão, é possível que apareçam algumas figuras estilísticas, que possibilitam ao falante montar diversas orações, com os mais diversos sentidos. Sendo considerada uma figura de sintaxe, que se baseia na repetição enfática de determinada ideia, que pode ser conhecida também como um vício de linguagem, tem-se o pleonasmo.

“É a repetição de um termo já expresso ou de uma ideia já sugerida para fins de clareza ou ênfase.” (BECHARA, 2004, p.476)

1. Casos comuns de pleonasmo
a) séries de pronomes possessivos (seu…dele, sua…dela) para fugir à ambiguidade:



Recentemente, ela morreu antes de se casar com seu marido.
José cumprimentou o vizinho dele antes de sair de casa.
b) o emprego de dois termos de significado negativo para afirmar:

Não indouto = douto
Não em razão = com razão
Nada anormal = muito normal
Sem desconhecer = Conhecendo
Indesculpável = culpável
c) repetição da conjunção integrante em algumas construções oracionais:

“(…) e disse que, se lhe não queríamos mais nada, que podíamos ir à nossa vida.”
d) em transposições de oração subordinada (muito comum na fala coloquial):

Quero saber como que você fez isso.
Ainda não marcamos quando que iremos nos casar.
e) nos objetos diretos pleonásticos:

Minha felicidade eu a conquistei.
A mim me pareceu certa a observação feita na aula.
f) nos pronomes esse e isso quando reforçam quem, aquele que e o que:

Quem insistia em ficar na rua, esse estava sujeito a ser assaltado.
O que tu fizestes, isso não me importa.
2. Pleonasmo literário
Também chamado de pleonasmo de reforço, estilístico ou semântico, trata-se de utilizar o pleonasmo para enfatizar algo no texto. Nesse caso, não é considerado vício de linguagem, mas sim uma figura de estilo.Exemplo:

“Iam vinte anos desde aquele dia
Quando com os olhos eu quis ver de perto
Quanto em visão com os da saudade via” (Alberto de Oliveira)
“Morrerás morte vil na mão de um forte” (Gonçalves Dias)
“Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal?” (Fernando Pessoa)
“O cadáver de um defunto morto que já faleceu” (Roberto Bolaños)
3. Pleonasmo vicioso
São repetições desnecessárias de palavras dentro de expressões. Dessa forma, não se pode considerar uma figura de linguagem, mas sim um vício. Exemplo:

subir para cima
descer para Baixo
hemorragia de sangue
entrar para dentro
sair para fora
panorama geral
regra geral
consenso geral
evidência concreta
protagonista principal
deferir favoravelmente
resultado do laudo (não confundir com resultado do exame)
autocontrolar-se
exultar de alegria
dupla de dois
adiar para depois
prefeitura municipal (não confundir com prefeitura universitária)
vereador da cidade
demente mental
medidas extremas de último caso
infarto, enfarte, enfarto ou infarte do coração
hepatite do fígado
infiltrar-se para dentro
decapitar a cabeça
surdo do ouvido
cego dos olhos
brisa matinal da manhã
estrelas do céu
países do mundo
acabamento final
monopólio exclusivo
nos dias 8, 9 e 10, inclusive
antídoto contra
juntamente com
em duas metades iguais
sintomas indicativos
há anos atrás
detalhes minuciosos
anexo junto à carta
experiência anterior
todos foram unânimes / unanimidade de todos
encarar de frente
retornar de novo / outra vez
expectativa futura
repetir outra vez / de novo
empréstimo temporário
surpresa inesperada
escolha opcional
retrospectiva passada
planejar antecipadamente - (planear em Português Europeu)
a última versão definitiva
possivelmente poderá ocorrer
comparecer pessoalmente
propriedade característica
demasiadamente excessivo
a seu critério pessoal
seguindo em frente
tornar a insistir
pessoa humana (não confundir com pessoa física ou pessoa jurídica. Este termo é sim um pleonasmo)
fato real - (facto, no sentido de evento, em Português Europeu, é um acontecimento real ou importante; nas variantes não brasileiras do Português fato é a indumentária correspondente a terno no Brasil e facto é sempre um argumento)
um mês de mensalidade
multidão de pessoas
consultoria especializada
modelo de referência
preconceito intolerante
déficit negativo
superávit positivo
erário público
número exato
assessor direto
outra alternativa
si mesmo / si próprio
tornar a repetir
totalmente lotado
goteira do teto
vou indo
pegasus alado
plano planejado
barulho sonoro
pleonasmo redundante
certeza absoluta
mar salgado (adjetivo como efeito de natureza, assim como rio doce, sol claro, céu azul)
elo de ligação
falso profeta
4. Pleonasmo nas músicas
“Vamos fugir para outro lugar” (Gilberto Gil)
“Eu vivo na espera de poder viver a vida com você” (Charlie Brown Jr.)
“O que é imortal não morre no final” (Sandy e Junior)
“Chuva de prata que cai sem parar” (Sandy e Junior)
O pleonasmo é nada mais do que uma ênfase a uma ideia que já foi expressa anteriormente. Diferentemente da redundância, quando usado em demasia, pode acarretar em sérios vícios linguísticos, podendo trazer prejuízos para a qualidade da formulação da oração.

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