Língua Pátria - TV Câmara - Programa 107 - Grau Superlativo
O grau superlativo está relacionado ao grau imposto pelo adjetivo. Este grau, por sua vez, refere-se a intensidade indicada à qualidade de um indivíduo específico. Existem dois graus do adjetivo a serem respeitados: o grau comparativo e o grau superlativo.
Na língua portuguesa, chama-se grau superlativo o recurso utilizado para exprimir a qualidade de um indivíduo ou de uma coisa. Assim, destacam-se todas as particularidades em relação às demais consideradas iguais.
Um exemplo bastante prático e efetivo para explicitação é de quando se vai a um restaurante. É possível dizer que a comida é definida como boa. Entretanto, quando aquela específica comida não é capaz de competir com outras, diz-se que é “a melhor comida de todas”.
Basicamente, o grau dos adjetivos definem-se nesta síntese através da atribuição de características às coisas/pessoas. Como já ressaltado, existem dois tipos, porém para melhor resumir, o grau superlativo será a “grande estrela” do artigo.
O elogio é um exemplo claro de adjetivação. Imagem: Reprodução
Adjetivos: grau superlativo e comparativo
Para fins de informação, o grau comparativo tem por função comparar características atribuídas a dois ou mais elementos. Ou ainda, tem por finalidade a comparação de duas ou mais características que definem um mesmo elemento.
O grau comparativo entre adjetivos apresenta três divisões, entre elas estão:
1) Comparativo de igualdade: os termos “como”, “quanto” e “quão” são introduzidos para expressar similaridade;
2) Comparativo de Superioridade Analítico: há superioridade entre um dos comparados. Chama-se analítico devido ao recurso do “mais… (do) que”;
3) Comparativo de Superioridade Sintético: estabelecimento de juízo de valor. Como, por exemplo:
bom/melhor
grande/maior
pequeno/menor
alto/superior
Grau superlativo
Já o grau superlativo, por sua vez, busca a atribuição de intensidade, numa forma mais relativa ou ainda absoluta. Dessa forma, ele abrange essa divisão em grupos; de um lado o relativo, do outro o absoluto.
Grau superlativo relativo
Nesta subdivisão do grau superlativo, há a acentuação realizada em nexo a todos os outros integrantes do discurso. Este, no que lhe concerne, é dividido em dois tipos, sempre expressos de forma analítica:
Superlativo relativo de inferioridade: estabelecimento de uma relação inferior. O “menos” em comparação aos demais integrantes de um mesmo grupo;
Superlativo relativo de superioridade: estabelecimento de uma relação superior. O “mais” em comparação aos demais integrantes de um mesmo grupo;
Grau superlativo absoluto
Nesta respectiva divisão há uma saliência de um modo exagerado de uma definida característica. Assim como o grau superlativo relativo, o absoluto também está dividido em dois tipos de estrutura:
Superlativo absoluto analítico: aqui, há o emprego de certos advérbios que denotam a ideia de acréscimo excessivo (hiperbólico). Como por exemplo: excessivamente, muito, excepcionalmente, bastante, extremamente e outros.
Superlativo absoluto sintético: neste há o uso de sufixos para retratar uma situação de realce a um adjetivo. Tais sufixos são o “-íssimo”, “-rimo”, “-imo”. Entretanto, esta divisão pode apresentar ainda duas pequenas subdivisões:
Erudito: formado pela combinação aos sufixos supracitados. Exemplo: magérrimo, paupérrimo, fidelíssimo;
Popular: formado apenas pela combinação do sufixo “-íssimo”. Exemplo: pobríssimo e caríssimo.
Grau Superlativo e a mudança com o tempo
Com o passar do tempo, o popular passou a coordenar as definições do superlativo. Palavras com antigas grafias, tais como “seriíssimo, necessariíssimo, precariíssimo, sumariíssimo” (com dupla flexão do /I/), atualmente sofreram a perda de uma das vogais. No presente, a palavra é escrita e pronunciada sem a adesão da vogal (seríssimo, necessaríssimo, precaríssimo, sumariíssimo).
Pasquale Cipro Neto e Ulisses Infante - Gramática da Língua Portuguesa:
I) "os adjetivos terminados em io não precedido de e formam o superlativo absoluto sintético em iíssimo" (ímpio - impiíssimo; macio - maciíssimo; frio – friíssimo; primário - primariíssimo);
II) os outros se formam com apenas um i (cheio – cheíssimo);
III) exceção: feio, que possui dois superlativos: feíssimo e feiíssimo.
Seríssimo ou seriíssimo?
As duas palavras existem e são formas corretas do grau superlativo absoluto sintético do adjetivo sério. Devem, contudo, se adequar ao tipo de discurso, ou seja, se formal ou se informal. A palavra seriíssimo é a forma mais gramaticalmente correta e a palavra seríssimo é a forma privilegiada pelos falantes da língua. Seríssimo e seriíssimo se referem a uma pessoa, a alguma coisa ou situação muito séria, extremamente séria.
No português, a principal regra de formação do grau superlativo absoluto sintético dos adjetivos é pela junção do sufixo –íssimo. Quando os adjetivos terminam em –io, ocorre uma duplicação da consoante i, formando o hiato i-í: se-ri-ís-si-mo.
Exemplos: sério/seriíssimo; necessário/necessariíssimo; precário/precariíssimo; sumário/sumariíssimo; ...
Contudo, parece haver na língua contemporânea uma maior aceitação da forma composta apenas por um i, como: seríssimo, necessaríssimo, precaríssimo, sumaríssimo,..., sendo anulado o desagradável hiato i-í.
A palavra seriíssimo, sendo a forma mais correta de flexão do adjetivo, deverá ser usada numa linguagem formal. A palavra seríssimo, sendo uma evolução da palavra pelo uso dos falantes, poderá ser usada numa linguagem informal.
Exemplos:
A sinopse do comediante era seríssima.
A sinopse do comediante era seriíssima.
O problema da firma é seríssimo.
O problema da firma é seriíssimo.
Atenção!
A palavra seríssimo não se encontra registrada no VOLP, nos dicionários Aurélio, Aulete e Michaelis e na Moderna Gramática Portuguesa: Evanildo Bechara, Novíssima Gramática da Língua Portuguesa: Domingos Paschoal Cegalla e Nossa Gramática Completa: Luiz Antônio Sacconi. Contudo, aparece em vários compêndios gramaticais e dicionários conceituados, como Dicionário Eletrônico Houaiss e Nova Gramática do Português Contemporâneo: Celso Cunha e Lindley Cintra.
Na língua portuguesa, chama-se grau superlativo o recurso utilizado para exprimir a qualidade de um indivíduo ou de uma coisa. Assim, destacam-se todas as particularidades em relação às demais consideradas iguais.
Um exemplo bastante prático e efetivo para explicitação é de quando se vai a um restaurante. É possível dizer que a comida é definida como boa. Entretanto, quando aquela específica comida não é capaz de competir com outras, diz-se que é “a melhor comida de todas”.
Basicamente, o grau dos adjetivos definem-se nesta síntese através da atribuição de características às coisas/pessoas. Como já ressaltado, existem dois tipos, porém para melhor resumir, o grau superlativo será a “grande estrela” do artigo.
O elogio é um exemplo claro de adjetivação. Imagem: Reprodução
Adjetivos: grau superlativo e comparativo
Para fins de informação, o grau comparativo tem por função comparar características atribuídas a dois ou mais elementos. Ou ainda, tem por finalidade a comparação de duas ou mais características que definem um mesmo elemento.
O grau comparativo entre adjetivos apresenta três divisões, entre elas estão:
1) Comparativo de igualdade: os termos “como”, “quanto” e “quão” são introduzidos para expressar similaridade;
2) Comparativo de Superioridade Analítico: há superioridade entre um dos comparados. Chama-se analítico devido ao recurso do “mais… (do) que”;
3) Comparativo de Superioridade Sintético: estabelecimento de juízo de valor. Como, por exemplo:
bom/melhor
grande/maior
pequeno/menor
alto/superior
Grau superlativo
Já o grau superlativo, por sua vez, busca a atribuição de intensidade, numa forma mais relativa ou ainda absoluta. Dessa forma, ele abrange essa divisão em grupos; de um lado o relativo, do outro o absoluto.
Grau superlativo relativo
Nesta subdivisão do grau superlativo, há a acentuação realizada em nexo a todos os outros integrantes do discurso. Este, no que lhe concerne, é dividido em dois tipos, sempre expressos de forma analítica:
Superlativo relativo de inferioridade: estabelecimento de uma relação inferior. O “menos” em comparação aos demais integrantes de um mesmo grupo;
Superlativo relativo de superioridade: estabelecimento de uma relação superior. O “mais” em comparação aos demais integrantes de um mesmo grupo;
Grau superlativo absoluto
Nesta respectiva divisão há uma saliência de um modo exagerado de uma definida característica. Assim como o grau superlativo relativo, o absoluto também está dividido em dois tipos de estrutura:
Superlativo absoluto analítico: aqui, há o emprego de certos advérbios que denotam a ideia de acréscimo excessivo (hiperbólico). Como por exemplo: excessivamente, muito, excepcionalmente, bastante, extremamente e outros.
Superlativo absoluto sintético: neste há o uso de sufixos para retratar uma situação de realce a um adjetivo. Tais sufixos são o “-íssimo”, “-rimo”, “-imo”. Entretanto, esta divisão pode apresentar ainda duas pequenas subdivisões:
Erudito: formado pela combinação aos sufixos supracitados. Exemplo: magérrimo, paupérrimo, fidelíssimo;
Popular: formado apenas pela combinação do sufixo “-íssimo”. Exemplo: pobríssimo e caríssimo.
Grau Superlativo e a mudança com o tempo
Com o passar do tempo, o popular passou a coordenar as definições do superlativo. Palavras com antigas grafias, tais como “seriíssimo, necessariíssimo, precariíssimo, sumariíssimo” (com dupla flexão do /I/), atualmente sofreram a perda de uma das vogais. No presente, a palavra é escrita e pronunciada sem a adesão da vogal (seríssimo, necessaríssimo, precaríssimo, sumariíssimo).
Pasquale Cipro Neto e Ulisses Infante - Gramática da Língua Portuguesa:
I) "os adjetivos terminados em io não precedido de e formam o superlativo absoluto sintético em iíssimo" (ímpio - impiíssimo; macio - maciíssimo; frio – friíssimo; primário - primariíssimo);
II) os outros se formam com apenas um i (cheio – cheíssimo);
III) exceção: feio, que possui dois superlativos: feíssimo e feiíssimo.
Seríssimo ou seriíssimo?
As duas palavras existem e são formas corretas do grau superlativo absoluto sintético do adjetivo sério. Devem, contudo, se adequar ao tipo de discurso, ou seja, se formal ou se informal. A palavra seriíssimo é a forma mais gramaticalmente correta e a palavra seríssimo é a forma privilegiada pelos falantes da língua. Seríssimo e seriíssimo se referem a uma pessoa, a alguma coisa ou situação muito séria, extremamente séria.
No português, a principal regra de formação do grau superlativo absoluto sintético dos adjetivos é pela junção do sufixo –íssimo. Quando os adjetivos terminam em –io, ocorre uma duplicação da consoante i, formando o hiato i-í: se-ri-ís-si-mo.
Exemplos: sério/seriíssimo; necessário/necessariíssimo; precário/precariíssimo; sumário/sumariíssimo; ...
Contudo, parece haver na língua contemporânea uma maior aceitação da forma composta apenas por um i, como: seríssimo, necessaríssimo, precaríssimo, sumaríssimo,..., sendo anulado o desagradável hiato i-í.
A palavra seriíssimo, sendo a forma mais correta de flexão do adjetivo, deverá ser usada numa linguagem formal. A palavra seríssimo, sendo uma evolução da palavra pelo uso dos falantes, poderá ser usada numa linguagem informal.
Exemplos:
A sinopse do comediante era seríssima.
A sinopse do comediante era seriíssima.
O problema da firma é seríssimo.
O problema da firma é seriíssimo.
Atenção!
A palavra seríssimo não se encontra registrada no VOLP, nos dicionários Aurélio, Aulete e Michaelis e na Moderna Gramática Portuguesa: Evanildo Bechara, Novíssima Gramática da Língua Portuguesa: Domingos Paschoal Cegalla e Nossa Gramática Completa: Luiz Antônio Sacconi. Contudo, aparece em vários compêndios gramaticais e dicionários conceituados, como Dicionário Eletrônico Houaiss e Nova Gramática do Português Contemporâneo: Celso Cunha e Lindley Cintra.
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