Língua Pátria - TV Câmara - Programa 75 - Palavras Cognatas
As palavras cognatas derivam de uma mesma raiz ou de uma mesma origem etimológica, sendo similares na forma e no conteúdo.
A origem do termo “palavras cognatas”
“Cognata” é um vocábulo derivado do latim cognatus, substantivo que denomina as palavras que “nasceram juntas” e, por isso, apresentam similaridades.
Portanto, é como se as palavras cognatas fossem palavras irmãs, derivadas de uma mesma raiz ou provenientes de uma mesma origem etimológica
Etimologia é a parte da Gramática que trata da origem e da formação das palavras.
Veja alguns exemplos de palavras cognatas:
a) lei, legal, ilegal, legalizar, legislar, legislação, legislativo;
b) cor, decorar, decoração, colorir, corar, corante, incolor, tricolor;
c) coração, decorar (=saber de cor), cordial, concordar, discordar, condecorar;
d) roda, rodeio, rótula, rotina, rotativa, rotatória;
e) mês, mensal, bimensal (=duas vezes no mês), menstruação, bimestral (=de dois em dois meses);
f) rei, Regina (=rainha), reger, regência, regente, regencial;
g) cabeça, decapitar, capuz, capitão, capital;
h) Natal, natalino, natalício, natalidade, natimorto...
Em alguns casos, a raiz pode apresentar-se alterada. À raiz da palavra latina anima (espírito), por exemplo, prendem-se os seguintes cognatos:
Alma, animal, animar, animador, desanimar, animação, almejar, ânimo, desalmado, equânime, exânime, unânime, magnânimo etc.
Às vezes, torna-se difícil discernir a raiz primitiva, em virtude das alterações sofridas. Por exemplo, os cognatos do verbo latino facio (fazer):
FACção, FACcioso, FACínora, FAÇanha, FÁCil, FACilitar, FATor, FATurar, FATo, inFECção, diFÍCil, beneFÍCio, artíFICe, conFECção, eFETuar, FEITo, etc.
Di + fácil = difícil - a vogal a variou para i em função do prefixo 'di', o que se chama de apofonia
Os falsos cognatos
Diferentemente do que acontece com os cognatos verdadeiros, os falsos cognatos apresentam apenas similaridade formal, ou seja, quando observamos sua estrutura morfológica, é possível notar aspectos semelhantes.
Um exemplo são as palavras fome e famigerado. À primeira vista, elas se parecem, porém os significados são diferentes: famigerado significa alguém de muita fama e, sobretudo, de má fama.
É importante lembrarmos que nas palavras cognatas não há apenas uma semelhança morfológica, há também a presença de radicais de significação comum, ou seja, são parecidas na forma e também no conteúdo.
Outro exemplo dessas semelhanças, que podem levar ao erro, seriam as palavras feracidade e feroz.
Porém, feracidade significa fértil, prolífico, enquanto que feroz é sinônimo de bravo, temível.
Falsos cognatos em outros idiomas
Os falsos cognatos também ocorrem quando estudamos outros idiomas e é comum que nos induzam ao erro. Por exemplo, a palavra “costume”, em português significa hábito, em inglês, fantasia. O mesmo ocorre com o termo “devolve” que em português está relacionado o verbo devolver e em inglês ao verbo desenvolver.
Veja mais na tabela abaixo:
palavras cognatasImagem: Reprodução
Os falsos cognatos também ocorrem em outros idiomas como espanhol, italiano e alemão.
Prova ou evidência?
dúvida do leitor
O leitor Ives Braghittoni, advogado, professor e escritor, envia-nos a seguinte mensagem:
"Prezados redatores migalheiros, hoje a chibata do Diretor merece cantar. Na migalha abaixo há um grave erro de português:
'Contratos irregulares na Infraero. O TCU descobriu evidências de irregularidades em contratos de publicidade...' (Migalhas 1.286 - 3/11/05 ).
Prova e evidência não são sinônimos, ao contrário do que muita gente pensa. Por conta de traduções mal feitas do inglês, é comum ouvir-se 'não há evidências de que ele seja culpado...', 'as evidências mostram que...' Típico caso de inglês mal traduzido, que gera expressões totalmente erradas. A tradução de 'evidence' não é 'evidência', mas sim prova. 'Evidência', em português vernacular, significa aquilo que é claro, inequívoco, muito visível, incontestável. Prova, muito diferentemente, é um meio de demonstrar que um fato é verdadeiro. Ou seja, se existem muitas provas de um fato, pode-se dizer que esse fato é 'evidente' (muito claro, muito visível). Mas, em português, não se pode nunca dizer que há 'evidências' de um fato. São costumeiras, em seriados policiais, e infelizmente na imprensa também, construções como 'foram encontradas evidências', 'não há evidências de que ele seja culpado' etc. Em português, essas construções são mais do que erradas, são verdadeiros absurdos. O correto é: 'foram encontradas provas', 'não há provas de que ele seja culpado'. Na migalha acima, o certo seria 'o TCU descobriu provas de irregularidades...' Ou, se provas ainda não forem, 'o TCU descobriu indícios de irregularidades...' Saudações."
Evidência = com acento: substantivo
Evidencia = sem acento: flexão do verbo evidenciar na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo ou 2ª pessoa do singular do imperativo afirmativo
envie sua dúvida
1) Voltando ao velho manual de Filosofia que me acompanhou durante o curso clássico (para os mais novos, antigo colegial, ou segundo grau, com destinação específica de preparo para a área das ciências humanas), relembro, por um lado, que, para a Lógica Formal, evidente é o que está claro para todos e é por todos aceito sem necessidade de demonstração ou comprovação.
2) Por outro lado, consultando um livro de processo civil, observo que prova é "o meio e modo de que usam os litigantes para convencer o juiz da verdade da afirmação de um fato, bem como o meio e modo de que se serve o juiz para formar sua convicção sobre os fatos que constituem a base empírica da realidade".1 Em síntese feliz de Mittermayer, prova é a soma dos meios produtores de certeza.
3) Só desse confronto de conceitos, já se conclui que não se pode ter algo que precisa de prova, ou mesmo a prova em si, como uma evidência. No máximo, o que se pode ter nos autos de um processo é a evidência como o resultado de uma apreciação conjunta e conjugada da prova.
4) Desse modo, vê-se com facilidade que é equivocado o emprego de evidência para significar prova, como se dá nos seguintes exemplos:
a) "A polícia colheu, no local, evidências de que o marido é o assassino";
b) "As evidências produzidas pela acusação simplesmente fulminaram os argumentos da defesa".
5) Tais exemplos, como é de fácil percepção, devem ser assim corrigidos:
a) "A polícia colheu, no local, provas de que o marido é o assassino";
b) "As provas produzidas pela acusação simplesmente fulminaram os argumentos da defesa".
6) No caso anterior, se o que a polícia colheu no local foram vestígios que constituem princípio de prova e podem conduzir ao conhecimento de elementos significativos do fato delituoso, então o que se tem é um indício, uma prova indiciária. Jamais, porém, uma evidência.
7) A origem do equívoco é facilmente identificável: vem da errônea tradução das legendas dos filmes policiais, pois, em inglês, evidence significa prova, o que não se dá em português.
8) Segue esse erro na esteira de muitos outros vocábulos traduzidos equivocadamente pela aparência (tecnicamente denominados falsos cognatos, ou seja, aparentam pertencer a um mesmo radical, mas não pertencem em realidade): actually quer dizer na verdade, e não atualmente, que é nowadays; audience tem o sentido de plateia, e não de audiência (judicial), que é court appearance; compromise significa entrar em acordo, e não compromisso, que é appointment ou date; eventually é finalmente, e não eventualmente, que é occasionally; injury quer dizer ferimento, e não injúria, que é insult ou offense; intoxication tem o sentido de embriaguez, e não de intoxicação, que é poisoning; lecture significa palestra, e não leitura, que é reading; motel é hotel de beira de estrada, e não o nosso motel, que é love motel; parents são pais, e não parentes, que são relatives, nem pronome relativo, que é relative pronoun; policy significa as diretrizes políticas de um governo, e não polícia, que é police; preservative é conservante, e não preservativo, que é condom; pretend quer dizer fingir, e não pretender, que é to intend ou to plan.
Prejudice tem o sentido de preconceito, e não prejudicar, que é damage; college é faculdade, e não colégio, que é school; library significa biblioteca, e não livraria, que é bookstore; intend é pretender, e não entender, que é understand; lunch é almoço, e não lanche, que é snack; devolve é transferir, e não devolver, que é give ou take back; mayor é prefeito, e não maior, que é bigger; anthem é hino, e não antena, que é antenna ou aerial, ou satellite dish, no caso da antena parabólica; costume é fantasia, traje, e não costume ou hábito, que é custom, e na informática, custom significa personalizado; exit significa saída, e não hesitar, que é hesitate, nem excitar, que é excite, nem êxito, que é success, fabric é tecido, e não fábrica, que é factory; novel tem o sentido de romance, e não de novela, que é soap opera, que também significa telenovela; application é inscrição, e não aplicação; attend é participar ou assistir, e não atender, que é answer, listen ou accord; pasta é massa (alimento), e não pasta, que é folder; sensible é sensato, e não sensível, que é sensitive; realize é perceber, e não realizar, que é accomplish, do, achieve, execute, effect, fulfill ou come true, para um sonho ou milagre; shoot é fotografar ou filmar, e não chutar, que é kick; baton é cassetete, e não batom, que é lipstick; enroll é matricular-se ou inscrever-se, e não enrolar, que é curl, roll, wrap ou twist; push é empurrar, e não puxar, que é pull; convict é condenado, e não convicto, que é convinced; tax é imposto, e não táxi, que é taxi; coroner é médico legista, e não coronel, que é colonel; patron é advogado, cidadão, protetor, padroeiro ou patrono, e não patrão, que é employer ou boss; foosball é futebol de mesa ou totó, e não futebol, que é soccer ou football; genial é agradável, suave, simpático, amável ou jovial, e não genial, que é excellent, great, terrific ou formidable; valorous é corajoso, e não valorizado, que é valued
Adept tem o sentido de especialista, e não adepto, que é supporter; agenda significa pauta para discussões, e não agenda, que é appointment book; appreciation é gratidão, e não apreciação, que é judgment; argument é discussão, e não argumento, que é reasoning; assist é ajudar, e não assistir, que é watch; avocado é abacate, e não advogado, que é laywer; apparel é vestuário, e não aparelho, que é device, machine ou braces, para o aparelho ortodôntico; apologize é desculpar-se, e não apologizar, que é make defense; balcony é sacada, e não balcão, que é counter; beef é carne bovina, e não bife, que é steak; cafeteria é refeitório, e não cafeteria, que é snack bar, também significa lanchonete; brand é marca, e não brando, que é soft; cigar é charuto, e não cigarro, que é cigarette; confident é confiante, e não confidente, que é confidant; contest é concurso ou competição, e não contexto, que é context; conceal é dissimular ou ocultar, e não conselho, que é advice; construe é explicar ou interpelar, e não construir, que é build; curse é xingamento, e não curso, que é course; dairy é laticínios, e não diário, que é daily; data é dados, e não data, que é date, que também significa encontro
Deception é engano ou ilusão, e não decepção, que é disappointment; dent é amasso, e não dente, que é tooth; dependable é confiável, e não dependente, que é dependent ou subordinate; discrete é distinto, e não discreto, que é discreet; discussion é debate, e não discussão, que é argument; disgusting é repulsivo, nojento, e não desgostoso, que é displeased; divert é desviar, e não divertir, que é entertain; diversion é desvio, e não diversão, que é fun ou amusement; doze é cochilar, e não dose, que é dose nem twelve, que é doze, número; disgrace é desonra ou vergonha, e não desgraça, que é misfortune ou disaster; design é projeto ou estilo, e não designar, que é appoint ou draw; educated é instruído, e não educado, que é polite; emission é descarga, e não emissão, que é issue; exciting é empolgante, e não excitante, que é thrilling; effective é eficaz, e não efetivo, que é efficient; elaborate é aperfeiçoar, e não elaborar, que é develop ou prepare; estate é patrimônio, e não estado, que é state; exigency é urgência, e não exigência, que é demand; expert é especialista, e não esperto, que é smart; flagrant é escandaloso, e não flagrante, que é at the very moment; file é arquivo, e não fila, que é queue; figure é número, e não figura, que é picture; gentility é nobreza, e não gentileza, que é kindness; gracious é bondoso, e não gracioso, que é grateful; gratuity é gratificação ou gorjeta, e não gratuito, que é free; gripe é reclamação, e não flu ou influenza, que é gripe; hostage é refém, e não hóspede, que é guest; idiom é expressão idiomática, e não idioma, que é language
Ingenuity é habilidade, e não ingenuidade, que é naivety; ingenious é hábil, e não ingênuo, que é naive; inhabitable é habitável, e não inabitável, que é uninhabitable; journal é periódico, e não jornal, que é newspaper; legend é lenda, e não legenda, que é subtitle ou caption; location é localização, e não locação, que é rental; luxury é luxo, e não luxúria, que é lust; magazine é revista, e não magazine, que é store ou shop; medicine é remédio ou medicamento, e não medicina, que é medicine; miserable é triste ou indisposto, e não avarento, que é mean; moisture é umidade, e não mistura, que é mixture; motto é lema, e não moto, que é motorcycle; notice é comunicação ou aviso, e não notícia, que é news; office é escritório ou consultório, e não ofício, que é occupation ou trade; oration é discurso formal, e não oração, que é prayer, no sentido de reza, nem clause, que é oração no sentido gramatical; physician é médico, e não físico, que é physicist; proper é adequado ou apropriado, e não próprio, que é own; recipient é recebedor, e não recipiente, que é container; reclaim é recuperar, e não reclamar, que é complain; requirement é requisito, e não requerimento, que é petition; respite é folga, e não respeito, que é respect; refrigerant é substância refrigerante, e não refrigerante, que é soda
Record é gravação, e não recordar, que é recall ou remember; resume é reiniciar, résumé é currículo, e não resumir, que é summarize, nem resumo, que é summary; rim é borda, e não rim, que é kidney; robbery é assalto, e não roubo nem furto, que é theft; retired é aposentado, e não retirado, que é removed; scenario é sinopse de filme ou peça teatral, e não cenário, que é setting; service é atendimento, e não serviço, que é job; supper é ceia ou jantar; e não supermercado ou mercado, que é supermarket ou market; syllabus é conteúdo programático, e não sílaba, que é syllable; stranger é desconhecido, e não estrangeiro, que é foreign; stupid é ignorante, e não estúpido, que é rude; sympathy é compaixão ou solidariedade, e não simpatia, que é affection, liking ou affinity; sympathize é mostrar-se compreensivo, e não simpatizar, que é feel an affection to; tent é barraca ou tenda, e não tentar, que é try; toss é arremessar, e não tosse, que é cough; trainer é preparador físico, e não treinador, que é coach; turn é vez, volta ou curva, e não turno, que é shift ou round; tutor é professor particular, e não tutor, que é guardian ou curator; traduce é difamar ou caluniar, e não traduzir, que é translate; terrific é fantástico ou excelente, e não terrível, que é terrible ou awful; vegetables é verduras ou legumes, e não vegetais, que é plants; venture é risco ou aventura, e não ventura, que é happiness ou good luck, vicious é impuro, defeituoso, feroz ou perverso, e não viciado, que é addicted; vine é videira, e não vinho, que é wine; voluble é falante, e não volúvel, que é inconstant
A origem do termo “palavras cognatas”
“Cognata” é um vocábulo derivado do latim cognatus, substantivo que denomina as palavras que “nasceram juntas” e, por isso, apresentam similaridades.
Portanto, é como se as palavras cognatas fossem palavras irmãs, derivadas de uma mesma raiz ou provenientes de uma mesma origem etimológica
Etimologia é a parte da Gramática que trata da origem e da formação das palavras.
Veja alguns exemplos de palavras cognatas:
a) lei, legal, ilegal, legalizar, legislar, legislação, legislativo;
b) cor, decorar, decoração, colorir, corar, corante, incolor, tricolor;
c) coração, decorar (=saber de cor), cordial, concordar, discordar, condecorar;
d) roda, rodeio, rótula, rotina, rotativa, rotatória;
e) mês, mensal, bimensal (=duas vezes no mês), menstruação, bimestral (=de dois em dois meses);
f) rei, Regina (=rainha), reger, regência, regente, regencial;
g) cabeça, decapitar, capuz, capitão, capital;
h) Natal, natalino, natalício, natalidade, natimorto...
Em alguns casos, a raiz pode apresentar-se alterada. À raiz da palavra latina anima (espírito), por exemplo, prendem-se os seguintes cognatos:
Alma, animal, animar, animador, desanimar, animação, almejar, ânimo, desalmado, equânime, exânime, unânime, magnânimo etc.
Às vezes, torna-se difícil discernir a raiz primitiva, em virtude das alterações sofridas. Por exemplo, os cognatos do verbo latino facio (fazer):
FACção, FACcioso, FACínora, FAÇanha, FÁCil, FACilitar, FATor, FATurar, FATo, inFECção, diFÍCil, beneFÍCio, artíFICe, conFECção, eFETuar, FEITo, etc.
Di + fácil = difícil - a vogal a variou para i em função do prefixo 'di', o que se chama de apofonia
Os falsos cognatos
Diferentemente do que acontece com os cognatos verdadeiros, os falsos cognatos apresentam apenas similaridade formal, ou seja, quando observamos sua estrutura morfológica, é possível notar aspectos semelhantes.
Um exemplo são as palavras fome e famigerado. À primeira vista, elas se parecem, porém os significados são diferentes: famigerado significa alguém de muita fama e, sobretudo, de má fama.
É importante lembrarmos que nas palavras cognatas não há apenas uma semelhança morfológica, há também a presença de radicais de significação comum, ou seja, são parecidas na forma e também no conteúdo.
Outro exemplo dessas semelhanças, que podem levar ao erro, seriam as palavras feracidade e feroz.
Porém, feracidade significa fértil, prolífico, enquanto que feroz é sinônimo de bravo, temível.
Falsos cognatos em outros idiomas
Os falsos cognatos também ocorrem quando estudamos outros idiomas e é comum que nos induzam ao erro. Por exemplo, a palavra “costume”, em português significa hábito, em inglês, fantasia. O mesmo ocorre com o termo “devolve” que em português está relacionado o verbo devolver e em inglês ao verbo desenvolver.
Veja mais na tabela abaixo:
palavras cognatasImagem: Reprodução
Os falsos cognatos também ocorrem em outros idiomas como espanhol, italiano e alemão.
Prova ou evidência?
dúvida do leitor
O leitor Ives Braghittoni, advogado, professor e escritor, envia-nos a seguinte mensagem:
"Prezados redatores migalheiros, hoje a chibata do Diretor merece cantar. Na migalha abaixo há um grave erro de português:
'Contratos irregulares na Infraero. O TCU descobriu evidências de irregularidades em contratos de publicidade...' (Migalhas 1.286 - 3/11/05 ).
Prova e evidência não são sinônimos, ao contrário do que muita gente pensa. Por conta de traduções mal feitas do inglês, é comum ouvir-se 'não há evidências de que ele seja culpado...', 'as evidências mostram que...' Típico caso de inglês mal traduzido, que gera expressões totalmente erradas. A tradução de 'evidence' não é 'evidência', mas sim prova. 'Evidência', em português vernacular, significa aquilo que é claro, inequívoco, muito visível, incontestável. Prova, muito diferentemente, é um meio de demonstrar que um fato é verdadeiro. Ou seja, se existem muitas provas de um fato, pode-se dizer que esse fato é 'evidente' (muito claro, muito visível). Mas, em português, não se pode nunca dizer que há 'evidências' de um fato. São costumeiras, em seriados policiais, e infelizmente na imprensa também, construções como 'foram encontradas evidências', 'não há evidências de que ele seja culpado' etc. Em português, essas construções são mais do que erradas, são verdadeiros absurdos. O correto é: 'foram encontradas provas', 'não há provas de que ele seja culpado'. Na migalha acima, o certo seria 'o TCU descobriu provas de irregularidades...' Ou, se provas ainda não forem, 'o TCU descobriu indícios de irregularidades...' Saudações."
Evidência = com acento: substantivo
Evidencia = sem acento: flexão do verbo evidenciar na 3ª pessoa do singular do presente do indicativo ou 2ª pessoa do singular do imperativo afirmativo
envie sua dúvida
1) Voltando ao velho manual de Filosofia que me acompanhou durante o curso clássico (para os mais novos, antigo colegial, ou segundo grau, com destinação específica de preparo para a área das ciências humanas), relembro, por um lado, que, para a Lógica Formal, evidente é o que está claro para todos e é por todos aceito sem necessidade de demonstração ou comprovação.
2) Por outro lado, consultando um livro de processo civil, observo que prova é "o meio e modo de que usam os litigantes para convencer o juiz da verdade da afirmação de um fato, bem como o meio e modo de que se serve o juiz para formar sua convicção sobre os fatos que constituem a base empírica da realidade".1 Em síntese feliz de Mittermayer, prova é a soma dos meios produtores de certeza.
3) Só desse confronto de conceitos, já se conclui que não se pode ter algo que precisa de prova, ou mesmo a prova em si, como uma evidência. No máximo, o que se pode ter nos autos de um processo é a evidência como o resultado de uma apreciação conjunta e conjugada da prova.
4) Desse modo, vê-se com facilidade que é equivocado o emprego de evidência para significar prova, como se dá nos seguintes exemplos:
a) "A polícia colheu, no local, evidências de que o marido é o assassino";
b) "As evidências produzidas pela acusação simplesmente fulminaram os argumentos da defesa".
5) Tais exemplos, como é de fácil percepção, devem ser assim corrigidos:
a) "A polícia colheu, no local, provas de que o marido é o assassino";
b) "As provas produzidas pela acusação simplesmente fulminaram os argumentos da defesa".
6) No caso anterior, se o que a polícia colheu no local foram vestígios que constituem princípio de prova e podem conduzir ao conhecimento de elementos significativos do fato delituoso, então o que se tem é um indício, uma prova indiciária. Jamais, porém, uma evidência.
7) A origem do equívoco é facilmente identificável: vem da errônea tradução das legendas dos filmes policiais, pois, em inglês, evidence significa prova, o que não se dá em português.
8) Segue esse erro na esteira de muitos outros vocábulos traduzidos equivocadamente pela aparência (tecnicamente denominados falsos cognatos, ou seja, aparentam pertencer a um mesmo radical, mas não pertencem em realidade): actually quer dizer na verdade, e não atualmente, que é nowadays; audience tem o sentido de plateia, e não de audiência (judicial), que é court appearance; compromise significa entrar em acordo, e não compromisso, que é appointment ou date; eventually é finalmente, e não eventualmente, que é occasionally; injury quer dizer ferimento, e não injúria, que é insult ou offense; intoxication tem o sentido de embriaguez, e não de intoxicação, que é poisoning; lecture significa palestra, e não leitura, que é reading; motel é hotel de beira de estrada, e não o nosso motel, que é love motel; parents são pais, e não parentes, que são relatives, nem pronome relativo, que é relative pronoun; policy significa as diretrizes políticas de um governo, e não polícia, que é police; preservative é conservante, e não preservativo, que é condom; pretend quer dizer fingir, e não pretender, que é to intend ou to plan.
Prejudice tem o sentido de preconceito, e não prejudicar, que é damage; college é faculdade, e não colégio, que é school; library significa biblioteca, e não livraria, que é bookstore; intend é pretender, e não entender, que é understand; lunch é almoço, e não lanche, que é snack; devolve é transferir, e não devolver, que é give ou take back; mayor é prefeito, e não maior, que é bigger; anthem é hino, e não antena, que é antenna ou aerial, ou satellite dish, no caso da antena parabólica; costume é fantasia, traje, e não costume ou hábito, que é custom, e na informática, custom significa personalizado; exit significa saída, e não hesitar, que é hesitate, nem excitar, que é excite, nem êxito, que é success, fabric é tecido, e não fábrica, que é factory; novel tem o sentido de romance, e não de novela, que é soap opera, que também significa telenovela; application é inscrição, e não aplicação; attend é participar ou assistir, e não atender, que é answer, listen ou accord; pasta é massa (alimento), e não pasta, que é folder; sensible é sensato, e não sensível, que é sensitive; realize é perceber, e não realizar, que é accomplish, do, achieve, execute, effect, fulfill ou come true, para um sonho ou milagre; shoot é fotografar ou filmar, e não chutar, que é kick; baton é cassetete, e não batom, que é lipstick; enroll é matricular-se ou inscrever-se, e não enrolar, que é curl, roll, wrap ou twist; push é empurrar, e não puxar, que é pull; convict é condenado, e não convicto, que é convinced; tax é imposto, e não táxi, que é taxi; coroner é médico legista, e não coronel, que é colonel; patron é advogado, cidadão, protetor, padroeiro ou patrono, e não patrão, que é employer ou boss; foosball é futebol de mesa ou totó, e não futebol, que é soccer ou football; genial é agradável, suave, simpático, amável ou jovial, e não genial, que é excellent, great, terrific ou formidable; valorous é corajoso, e não valorizado, que é valued
Adept tem o sentido de especialista, e não adepto, que é supporter; agenda significa pauta para discussões, e não agenda, que é appointment book; appreciation é gratidão, e não apreciação, que é judgment; argument é discussão, e não argumento, que é reasoning; assist é ajudar, e não assistir, que é watch; avocado é abacate, e não advogado, que é laywer; apparel é vestuário, e não aparelho, que é device, machine ou braces, para o aparelho ortodôntico; apologize é desculpar-se, e não apologizar, que é make defense; balcony é sacada, e não balcão, que é counter; beef é carne bovina, e não bife, que é steak; cafeteria é refeitório, e não cafeteria, que é snack bar, também significa lanchonete; brand é marca, e não brando, que é soft; cigar é charuto, e não cigarro, que é cigarette; confident é confiante, e não confidente, que é confidant; contest é concurso ou competição, e não contexto, que é context; conceal é dissimular ou ocultar, e não conselho, que é advice; construe é explicar ou interpelar, e não construir, que é build; curse é xingamento, e não curso, que é course; dairy é laticínios, e não diário, que é daily; data é dados, e não data, que é date, que também significa encontro
Deception é engano ou ilusão, e não decepção, que é disappointment; dent é amasso, e não dente, que é tooth; dependable é confiável, e não dependente, que é dependent ou subordinate; discrete é distinto, e não discreto, que é discreet; discussion é debate, e não discussão, que é argument; disgusting é repulsivo, nojento, e não desgostoso, que é displeased; divert é desviar, e não divertir, que é entertain; diversion é desvio, e não diversão, que é fun ou amusement; doze é cochilar, e não dose, que é dose nem twelve, que é doze, número; disgrace é desonra ou vergonha, e não desgraça, que é misfortune ou disaster; design é projeto ou estilo, e não designar, que é appoint ou draw; educated é instruído, e não educado, que é polite; emission é descarga, e não emissão, que é issue; exciting é empolgante, e não excitante, que é thrilling; effective é eficaz, e não efetivo, que é efficient; elaborate é aperfeiçoar, e não elaborar, que é develop ou prepare; estate é patrimônio, e não estado, que é state; exigency é urgência, e não exigência, que é demand; expert é especialista, e não esperto, que é smart; flagrant é escandaloso, e não flagrante, que é at the very moment; file é arquivo, e não fila, que é queue; figure é número, e não figura, que é picture; gentility é nobreza, e não gentileza, que é kindness; gracious é bondoso, e não gracioso, que é grateful; gratuity é gratificação ou gorjeta, e não gratuito, que é free; gripe é reclamação, e não flu ou influenza, que é gripe; hostage é refém, e não hóspede, que é guest; idiom é expressão idiomática, e não idioma, que é language
Ingenuity é habilidade, e não ingenuidade, que é naivety; ingenious é hábil, e não ingênuo, que é naive; inhabitable é habitável, e não inabitável, que é uninhabitable; journal é periódico, e não jornal, que é newspaper; legend é lenda, e não legenda, que é subtitle ou caption; location é localização, e não locação, que é rental; luxury é luxo, e não luxúria, que é lust; magazine é revista, e não magazine, que é store ou shop; medicine é remédio ou medicamento, e não medicina, que é medicine; miserable é triste ou indisposto, e não avarento, que é mean; moisture é umidade, e não mistura, que é mixture; motto é lema, e não moto, que é motorcycle; notice é comunicação ou aviso, e não notícia, que é news; office é escritório ou consultório, e não ofício, que é occupation ou trade; oration é discurso formal, e não oração, que é prayer, no sentido de reza, nem clause, que é oração no sentido gramatical; physician é médico, e não físico, que é physicist; proper é adequado ou apropriado, e não próprio, que é own; recipient é recebedor, e não recipiente, que é container; reclaim é recuperar, e não reclamar, que é complain; requirement é requisito, e não requerimento, que é petition; respite é folga, e não respeito, que é respect; refrigerant é substância refrigerante, e não refrigerante, que é soda
Record é gravação, e não recordar, que é recall ou remember; resume é reiniciar, résumé é currículo, e não resumir, que é summarize, nem resumo, que é summary; rim é borda, e não rim, que é kidney; robbery é assalto, e não roubo nem furto, que é theft; retired é aposentado, e não retirado, que é removed; scenario é sinopse de filme ou peça teatral, e não cenário, que é setting; service é atendimento, e não serviço, que é job; supper é ceia ou jantar; e não supermercado ou mercado, que é supermarket ou market; syllabus é conteúdo programático, e não sílaba, que é syllable; stranger é desconhecido, e não estrangeiro, que é foreign; stupid é ignorante, e não estúpido, que é rude; sympathy é compaixão ou solidariedade, e não simpatia, que é affection, liking ou affinity; sympathize é mostrar-se compreensivo, e não simpatizar, que é feel an affection to; tent é barraca ou tenda, e não tentar, que é try; toss é arremessar, e não tosse, que é cough; trainer é preparador físico, e não treinador, que é coach; turn é vez, volta ou curva, e não turno, que é shift ou round; tutor é professor particular, e não tutor, que é guardian ou curator; traduce é difamar ou caluniar, e não traduzir, que é translate; terrific é fantástico ou excelente, e não terrível, que é terrible ou awful; vegetables é verduras ou legumes, e não vegetais, que é plants; venture é risco ou aventura, e não ventura, que é happiness ou good luck, vicious é impuro, defeituoso, feroz ou perverso, e não viciado, que é addicted; vine é videira, e não vinho, que é wine; voluble é falante, e não volúvel, que é inconstant
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