Língua Pátria - TV Câmara - Programa 43 - Derivação Imprópria ou Conversão

A derivação imprópria faz parte de todo o processo para se formar uma palavra/sentença. Do ponto de vista de formação das palavras, as palavras da língua portuguesa podem ser consideradas primitivas e derivadas:



Palavras primitivas: são aquelas que não foram formadas a partir de outras já existentes na língua. Exemplos: flor, pedra, fogo, casa.
Palavras derivadas são aquelas que se formam a partir de outras palavras já existentes na língua. Exemplos: florescer, empedrar, fogaréu, caseiro.
Derivação
No processo de derivação a formação de novas palavras se dá pelo acréscimo de afixos (sufixos e/ou prefixos) a um radical, pela redução da palavra primitiva ou pela mudança da classe gramatical e do sentido, sem alterações da forma.

Desse modo, a derivação pode ser prefixal ou prefixação, sufixal ou sufixação, parassintética ou circunfixação, regressiva ou regressão e imprópria ou conversão.

Derivação imprópria
Uma forma particular de derivação acontece quando uma palavra muda de classe gramatical sem que sua forma original seja alterada.



Esse processo é denominado derivação imprópria e na Teoria Morfológica contemporânea, costuma-se chamá-lo de conversão categorial.

Segundo José Carlos de Azeredo “nesse tipo de derivação não há qualquer alteração formal aparente, daí chamar-se imprópria”, “termo que, por si só, implica já um juízo de valor sobre a natureza do processo em análise”.

Assim, na derivação imprópria, verbos passam a ser substantivos, adjetivos passam a ser substantivos, substantivos passam a ser adjetivos, adjetivos passam a ser advérbios, pronomes, numerais, preposições, conjunções, interjeições, advérbios e palavras denotativas passam a ser substantivos, entre outros.

Desse modo, transformar palavras de outras classes gramaticais em substantivo é um exemplo de derivação imprópria.

Essa transformação é muitas vezes feita pela anteposição de um artigo, numeral, pronome - possessivo, demonstrativo, indefinido ou interrogativo, adjetivo ou locução adjetiva ao termo que será substantivado.

O importante, porém, é reconhecer a função que a palavra exerce no contexto em que ocorre. No diálogo da tira abaixo, o advérbio não foi substantivado na fala do segundo quadrinho, o que fica evidente pela flexão de número que recebe (“Também recebo ‘nãos’ das garotas”). Observe:

derivação imprópriaImagem: Reprodução
Veja também outros casos de mudança de classe de palavras que exemplificam o processo de derivação imprópria:

substantivos próprios → substantivos comuns: quixote, damasco, acácio (indivíduo tolo, como o Conselheiro Acácio, personagem de Eça de Queirós, conhecido pelo tom convencional e vazio de sentido de suas observações).
substantivos comuns → substantivos próprios: Coelho, Oliveira, Madeira, Carneiro, Leão (sobrenomes).
substantivos → adjetivos: monstro (“Fiquei parada horas em um engarrafamento monstro”); burro (“esta é uma solução burra para o problema”).
substantivos, adjetivos e verbos → interjeições: Silêncio! Viva! Bravo! Salve!
verbos e advérbios → conjunções: quer…quer, já…já.
particípios (presente e passado) → preposições: mediante, salvo.
particípios passados → substantivos e adjetivos: resoluto, conteúdo, partido.

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