Língua Pátria - TV Câmara - Programa 27 - Polifonia Textual

A polifonia textual, nos estudos do campo lingüístico, faz referência a uma característica textual bastante particular. Um texto será polifônico quando abranger diversas vozes compondo o contexto.



Formado pelos vocábulos “poli” (muitos) e “fonia” (som/voz), o termo, em suma, se refere a múltiplas vozes de um discurso. A polifonia, basicamente, será a identificação da presença de outras obras ou até referências dentro de uma outra obra.

Ou seja, como uma metaliguagem referenciada. A polifonia textual é muito aplicada em textos e áreas do âmbito musical, por exemplo.

A polifonia musical será referente à presença de duas ou mais diferentes vozes compondo a melodia. Ou ainda referente aos sons, quando instrumentos forem capaz de produzir sons variáveis de forma simultânea.



polifonia textual(Imagem: Reprodução)
Tipos de polifonia
Segundo a área de estudo, tipos diferentes de polifonia podem ser observados. Estes sendo, portanto:

Polifonia Discursiva
Polifonia Textual
Polifonia Discursiva
Polifonia Literária
Polifonia Musical
Polifonia segundo Bakhtin
Para Mikhail Bakhtin, linguista e filósofo russo, intertextualidade e polifonia estavam intimamente interligados. No estudo linguístico, a polifonia foi um conceito criado, inclusive, pelo russo.

Ele representa a pluralidade e a multiplicidade das voes contidas em discursos, textos e mensagens. Para Bakhtin, nada seria inédito, e sim tudo seria baseado em algo – ou seja, haveria outra voz por trás em referência daquilo.

Para chegar a esta conclusão, o filósofo fez uma análise de inúmeros escritores, sobretudo Dostoiévski. Os romances Crime e Castigo, O Idiota e Os Irmãos Karamazov foram alguns dos principais.

O detalhe foi a sua apresentação no apontamento de diferenças existentes entre monofonia e polifonia textual – esta agora inédita.

Monofonia e polifonia
Monofonia representa o texto que é dotado de apenas uma voz que elabora o discurso. A polifonia, por outro lado, apresenta inúmeras vozes entrecruzadas.

Seguindo este raciocínio, Bakhtin observava que as personagens dos romances analisados possuíam diferentes comportamentos, vozes e pontos de vista. Apesar disso, eram incentivados por um contexto semelhante.

Quando o texto se pauta na monofonia, a voz primária é predominante, sobrepondo-se às demais incluídas. Em romances polifônicos, os personagens possuem atuação livre, tendo uma autonomia muito maior.

Assim, é fundamental ressaltar que as vozes na polifonia jamais se anulam. Elas serão complementares para a formação total do discurso inserido no texto como um todo.

A polifonia forma uma teia de discursos, posturas, características verbais e opinativas. Para Bakhtin, essa forma de dialogismo representaria o princípio da linguagem, e, consequentemente, da formação de discursos polifônicos e também monofônicos.

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