Língua Pátria - TV Câmara - Programa 14 - Figuras de Construção: Zeugma

A zeugma é uma figura de linguagem que combina outras duas categorias: a figura de sintaxe ou ainda a de construção. Isso se deve ao fato de a zeugma interferir diretamente na construção sintática das orações.



Seu uso é fundamental para a construção de um texto coeso e coerente. Desse modo, ela altera a construção sintática com o intuito de proporcionar uma melhor comunicação entre locutor e interlocutor.

O uso da zeugma se dá com o objetivo de omitir termos que sejam demasiadamente repetitivos na oração. Considerados desnecessários, os termos sofrem alteração, mexendo diretamente na construção sintática do período.

Assim, verbo e/ou substantivo sofrem alterações, a fim de evitar que a repetição seja demasiada e torne a leitura cansativa. A zeugma, portanto, evita uma comunicação arrastada.



Por isso seu principal objetivo é tornar a comunicação fluída, bem como a legibilidade de um texto mais condizente. Ao ser feito uso da zeugma, a vírgula torna-se imprescindível para uma boa comunicação; pausada e eficiente.

A zeugma é um recurso estilístico, sendo muito utilizada em diálogos do cotidiano, textos em prosa formal e adotada em poesias.

zeugma(Imagem: Reprodução)
Diferenças entre zeugma e elipse
Apesar das inúmeras confusões entre as duas figuras de linguagem, elas apresentam significativas diferenças. Para os especialistas, a zeugma, na realidade, é um tipo de elipse.

Afinal, assim como a elipse, ela se caracteriza por omitir termos da oração, a fim de proporcionar maior fluidez na comunicação. Entretanto, o ponto de diferença está no fato de que a elipse são termos utilizados no discurso que não foram mencionados anteriormente, mas de fácil identificação pelo receptor, ou seja, foram mencionados no primeiro momento e a vírgula tomou seu lugar.

Algumas bancas grandes, como Cespe-UnB e Enap (antiga Esaf), não reconhecem essa distinção, empregando essa regra simplesmente como elipse. Outras provas identificaram vírgula como zeugma e não reconheceram, justificando como elipse. Outras, como FCC, FGV, Cesgranrio, Funrio, NCE-UFRJ, Vunesp, Consulplan, Ibade, Selecon, Objetiva, Itame, Crescer - Consultoria, e universidades federais, estaduais e municipais, incluindo concursos de nível de pequeno porte, aceitam a diferenciação.
Para efeito de Cespe, se você observar na prova um caso de zeugma, marque como elipse sem problema, ele não cita, entende que tudo é elipse.

''Não, ele chamou de elipse, está errado, isso é zeugma!'' - Cespe e Enap, tudo é elipse.

A zeugma, no entanto, aponta os termos já mencionados anteriormente pelo discurso. No exemplo a seguir, as definições ficam mais claras:

Estávamos ansiosos para o primeiro beijo. (Omissão do pronome “nós” na conjugação verbal);
Manoel comprou um pacote de pipocas, eu uma. (Sem necessidade de expressar mais uma vez a referência a pacote de pipocas);
Assim, na primeira oração temos uma elipse, dada a identificação de imediata do termo omitido. Na segunda, temos a omissão de um termo que já fora exposto.

Características da zeugma
A zeugma, apesar das similaridades com a elipse, apresenta características próprias e pontuais. Entre elas, podemos destacar:

Propõe maior fluidez ao discurso;
Melhora legibilidade;
Impede repetição desnecessária de termos;
Sintetiza a comunicação;
Facilita o entendimento;
Exemplos
Pegue essa caixa que eu pego a outra. (“a outra” sendo a referência ao termo caixa, a fim de impedir repetições desnecessárias);
Comprei duas camisas, e ele uma.
Meus pais adoram ir para o campo, eu também.

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