Língua Pátria - TV Câmara - Programa 85 - Palavras e emoções: Função emotiva ou expressiva
A função emotiva ou expressiva é uma das funções da linguagem estudadas pelo linguista russo Roman Jakobson.
O linguista russo tornou-se famoso pelas seis funções que apontou para a linguagem. São elas: referencial, emotiva, conativa, poética, fática e metalinguística.
Essas funções, segundo ele, não esgotariam o papel da língua, pois tais funções dizem respeito ao papel maior, que é o da comunicação.
As funções da linguagem, apontadas por Jakobson, dizem respeito, na verdade, aos usos particulares da língua que podem estar total ou parcialmente presentes em uma situação comunicativa.
Função emotiva ou expressiva – ênfase no emissor
Quando o objetivo da mensagem é a expressão das emoções, atitudes estados de espírito do emissor com relação ao que fala, diz-se que que a função predominante no texto é a emotiva, denominada igualmente de expressiva ou de exteriorização psíquica.
É a função predominante nos poemas, letras de música, cartas pessoais, cordéis, novelas, textos líricos, depoimentos, entrevistas, memórias, autobiografias, narrativas memorialistas e críticas teatrais e cinematográficas subjetivas.
Exemplificando
No trecho abaixo, um repórter narra o que sentiu ao visitar, pela primeira vez, o Museu Judaico de Berlim, inaugurado em 2001.
função emotivaImagem: Reprodução
“Tomado pela costumeira pressa de repórter, eu tinha que fazer, a toque de caixa, imagens do museu para compor a minha matéria.
[…] Quando […] chegamos ao primeiro corredor, o eixo da continuidade, tentei pedir algo a Bárbara, funcionária do museu que nos acompanhava. Não consegui falar. Tudo foi se desfazendo, todos os sentimentos e emoções, e também as racionalizações, reflexões ou desalentos mediados pelo intelecto. Tudo foi se desvanecendo dentro de mim — e um grande vazio, um vácuo que sugava a si próprio, se formou qual redemoinho em m eu peito, até explodir num jorro de pranto, num colapso incontrolável.
Não tive condições de prosseguir com o cinegrafista Fernando Calixto. Procurei um lugar onde esgotar as lágrimas e tentava me explicar, repetindo, aos soluços: “Pela metade, não. Não vou conseguir fazer meia visita. Pela metade, não. Ou encaro todo o périplo ou vou embora”.
Não consegui nem uma coisa nem outra. Nem parei de chorar, nem me recompus; não me atrevi a percorrer todos o s corredores, nem tampouco resisti a penetrar nos espaços desconcertantes do Museu Judaico de Berlim.”
(BIAL, Pedro. Quando o passado é um pesadelo. Almanaque Fantástico, são Paulo: globo, n. 1, p. 61-62, nov. 2005)
Conclusão
Neste fragmento podemos observar a função emotiva da linguagem. O emissor, no caso o repórter, narra os fatos acontecidos porém, não se atém a eles, mas os extrapola indo para o campo das suas próprias emoções e sentimentos fazendo com que o receptor (leitor) possa participar dessa experiência.
O linguista russo tornou-se famoso pelas seis funções que apontou para a linguagem. São elas: referencial, emotiva, conativa, poética, fática e metalinguística.
Essas funções, segundo ele, não esgotariam o papel da língua, pois tais funções dizem respeito ao papel maior, que é o da comunicação.
As funções da linguagem, apontadas por Jakobson, dizem respeito, na verdade, aos usos particulares da língua que podem estar total ou parcialmente presentes em uma situação comunicativa.
Função emotiva ou expressiva – ênfase no emissor
Quando o objetivo da mensagem é a expressão das emoções, atitudes estados de espírito do emissor com relação ao que fala, diz-se que que a função predominante no texto é a emotiva, denominada igualmente de expressiva ou de exteriorização psíquica.
É a função predominante nos poemas, letras de música, cartas pessoais, cordéis, novelas, textos líricos, depoimentos, entrevistas, memórias, autobiografias, narrativas memorialistas e críticas teatrais e cinematográficas subjetivas.
Exemplificando
No trecho abaixo, um repórter narra o que sentiu ao visitar, pela primeira vez, o Museu Judaico de Berlim, inaugurado em 2001.
função emotivaImagem: Reprodução
“Tomado pela costumeira pressa de repórter, eu tinha que fazer, a toque de caixa, imagens do museu para compor a minha matéria.
[…] Quando […] chegamos ao primeiro corredor, o eixo da continuidade, tentei pedir algo a Bárbara, funcionária do museu que nos acompanhava. Não consegui falar. Tudo foi se desfazendo, todos os sentimentos e emoções, e também as racionalizações, reflexões ou desalentos mediados pelo intelecto. Tudo foi se desvanecendo dentro de mim — e um grande vazio, um vácuo que sugava a si próprio, se formou qual redemoinho em m eu peito, até explodir num jorro de pranto, num colapso incontrolável.
Não tive condições de prosseguir com o cinegrafista Fernando Calixto. Procurei um lugar onde esgotar as lágrimas e tentava me explicar, repetindo, aos soluços: “Pela metade, não. Não vou conseguir fazer meia visita. Pela metade, não. Ou encaro todo o périplo ou vou embora”.
Não consegui nem uma coisa nem outra. Nem parei de chorar, nem me recompus; não me atrevi a percorrer todos o s corredores, nem tampouco resisti a penetrar nos espaços desconcertantes do Museu Judaico de Berlim.”
(BIAL, Pedro. Quando o passado é um pesadelo. Almanaque Fantástico, são Paulo: globo, n. 1, p. 61-62, nov. 2005)
Conclusão
Neste fragmento podemos observar a função emotiva da linguagem. O emissor, no caso o repórter, narra os fatos acontecidos porém, não se atém a eles, mas os extrapola indo para o campo das suas próprias emoções e sentimentos fazendo com que o receptor (leitor) possa participar dessa experiência.
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