Língua Pátria - TV Câmara - Programa 67 - Estilística

A estilística, dentro dos estudos linguísticos, abrange as pesquisas que estudam diferentes organizações das palavras. Mas, além disso, as associações linguísticas, bem como a construção de sentenças, terão uma observação desta vertente.



Na estilística, as associações buscam estudar as diferentes situações a qual compõem a comunicação. Elas serão assim analisadas quando acontecerem em discursos (situações pontuais). Sendo eles, inclusive, parte de linguagem falada (oralidade) ou escrita.

Por meio de toda essa análise e observação, a estilística será fundamental como ferramenta para examinar textos. Sejam eles orais ou escritos, a estilística terá a função de verificar padrões, detalhes e especificidades; analisado, sobretudo, o contexto ao qual a fala está sendo submetida.

estilística(Imagem: Reprodução)
Uma ferramenta indispensável dentro dos estudos da literatura. Dentro disso, é possível perceber estilos de linguagem, por exemplo, no que tange o discurso dos escritores em suas obras.



A estilística, portanto, poderá servir como um complemento dos estudos gramaticais. Enquanto estes preocupam-se com a norma culta padrão da língua, a estilística vem como complemento.

Através da função expressiva, a qual analisa os recursos, possuirá a capacidade de verificação de uma fala. Por meio dos chamados Recursos Estilísticos, esta análise poderá ser empírica e analítica do ponto de vida de quem pesquisa.

Campos de estudo da Estilística
Como forma de organização da análise e pesquisa, a Estilística organiza-se em alguns campos de estudo. Segmentados, eles compreendem pontos diversos da comunicação. Contudo, não só da fala/comunicação, como também do ponto de vista da gramática. Assim, estilística e gramática se unem, conforme melhor incorporam análises profundas do idioma. São os campos da estilística, portanto:

Recurso estilístico fônico;
Recurso estilístico morfológico;
Recurso estilístico sintático;
Recurso estilístico semântico;
Individualizando discursos e empregando os recursos
Utilizando alguns recursos inseridos nos estudos gramaticais, a estilística se espalha para fomentar a análise. Por meio disso, a linguagem denotativa e conotativa, as figuras de linguagem, bem como os vícios de linguagem serão fundamentais.

Linguagem Denotativa e Conotativa
A linguagem denotativa representará o sentido literal de uma frase e/ou palavra. Dessa forma, ela terá seu significado tal qual o dicionário apresenta. Sem vazão para novas interpretações, ela representará na fala exatamente o que aponta seu significado.

Na contramão, a linguagem conotativa terá o sentido figurado como principal eixo de análise. Isso porque, através desta, o falante/escritor poderá criar significados a partir de um contexto ou situação.

Figuras de Linguagem
As figuras de linguagem são recursos muito percebidos em poemas, por exemplo. Elas são utilizadas como forma de promover ênfase ao discurso. Assim, seja por meio de figuras sonoras (como onomatopeia), de palavras (metonímia) ou de pensamento (hipérbole), o realce será notado.


Figuras de palavras - Alegoria, perífrase ou antonomásia, catacrese, comparação ou símile, metáfora, metonímia ou transnominação, sinédoque, sinestesia.
Figuras de construção ou sintaxe - Anacoluto, anáfora, anástrofe ou inversão, hipérbato, sínquise, assíndeto, polissíndeto, elipse, zeugma, silepse, hipálage, pleonasmo ou redundância.
Figuras de pensamento - Antítese ou contraste, apóstrofe, eufemismo, gradação ou clímax, hipérbole ou auxese, ironia ou antífrase, paradoxo ou oxímoro, prosopopeia, personificação, animismo, metagoge, animização ou antropomorfismo.
Figuras de som ou harmonia - Aliteração, assonância, onomatopeia, paronomásia.

Alguns autores defendem que as palavras oxímoro, oximoro ou oximóron são termos mais corretos do que paradoxo, visto serem vocábulos da área da gramática, enquanto paradoxo é um vocábulo da área da filosofia.
Na comparação há sempre um elemento comparativo que torna a comparação explícita (como, feito, tal qual, que nem, igual a,…).
Na metáfora, a comparação é feita de modo implícito, não havendo termo comparativo que marque essa comparação.
Na metáfora…

ocorre uma comparação.
há uma associação de ideias entre os termos, feita pelo falante, dependendo dele.
Na metonímia…

ocorre uma substituição.
há uma relação de dependência e contiguidade entre os sentidos dos termos, independentemente do falante.

Fora do âmbito gramatical, a palavra eufemismo é também utilizada como sinônimo de abrandamento, adoçamento, atenuação, comedimento, mitigação, moderação e suavização.
Fora do contexto linguístico, a palavra elipse, assim como a hipérbole, também é muito usada na geometria, referindo-se a tipos de seções cônicas com interseções entre uma superfície circular ou cone e um plano.

Fora do âmbito gramatical, a sinestesia, na medicina, é um fenômeno neurológico caracterizado pela percepção de sensações distintas, provocadas por um só estímulo.

O cérebro processa as informações recebidas pelos sentidos de um modo diferente do habitual, misturando som, cor, sabor, cheiro,…

Não devemos confundir sinestesia com cinestesia e cenestesia. São conceitos distintos, que não se encontram relacionados:

Cinestesia se refere ao sentido que permite a percepção dos movimentos musculares do corpo.
Cenestesia indica as impressões sensoriais que ocorrem internamente no organismo, independentemente dos órgãos dos sentidos.

Tanto na antítese como no paradoxo e na ironia, ocorre a presença de termos contraditória. Apesar disso, a antítese se diferencia do paradoxo e da ironia porque…

na antítese os termos contraditórios se referem a ideias distintas.
no paradoxo os termos contraditórios se referem à mesma ideia.
na ironia há uma oposição indireta, visando à desvalorização e à ridicularização, com tom sarcástico.
A aliteração e a assonância são figuras de linguagem caracterizadas pela repetição de sons. O que as distingue são os sons que são repetidos.

Na aliteração há a repetição de sons consonantais: leve lágrima
Na assonância há a repetição de sons vocálicos: pálida lágrima
Tanto a aliteração como a assonância enfatizam o aspecto fonológico da linguagem, sendo consideradas figuras de som.

Anástrofe, hipérbato e sínquise são figuras de construção ou de sintaxe, estando relacionadas com a estrutura das frases. Estas três figuras se caracterizam pela inversão da ordem normal das palavras numa frase. São apenas diferencias pela intensidade com que essa inversão ocorre.

Na anástrofe ocorre uma inversão suave que cria apenas um ligeiro efeito surpresa e enfático na frase.

No hipérbato ocorre uma inversão brusca que, embora possa prejudicar a clareza da mensagem, não compromete o seu entendimento e sentido.

Na sínquise ocorre uma inversão tão intensa e excessiva que compromete a clareza e sentido da mensagem, tornando-a obscura e ininteligível.

Anástrofe - leve; Hipérbato - forte; Sínquise - extremamente violenta

Além de ser uma figura de linguagem, anáfora é também o nome dado a um processo sintático através do qual um termo faz referência a uma informação previamente mencionada. Esse termo pode ser chamado de termo anafórico ou elemento anafórico.
Exemplo: Paulo não foi à festa. Ele estava fazendo serão no trabalho.
Muito semelhante à metonímia, a sinédoque é considerada por diversos autores como sendo um tipo de metonímia. Alguns defendem que na sinédoque ocorre uma relação quantitativa entre os termos da frase, ocorrendo redução ou ampliação, e na metonímia ocorre uma relação qualitativa, havendo contiguidade entre os termos da frase. Outros, contudo, afirmam ser conceitos tão próximos que consideram desnecessária a distinção entre os dois termos.

Fora do âmbito da retórica existe, na gramática, uma construção chamada perífrase verbal. Ocorre quando uma locução verbal substitui um verbo simples, como “vamos ficar” em vez de “ficaremos” e “vou conseguir” em vez de “conseguirei”.

Fora do contexto gramatical, a palavra sínquise é usada na área da oftalmologia, se referindo à liquefação do humor vítreo do olho por traumatismo ou ruptura espontânea.

Fora do âmbito gramatical, existe Zeugma, uma antiga cidade na região de Comagena. Atualmente localizada na província de Gaziantep da Turquia. É uma povoação histórica, que é considerada entre as quatro mais importantes áreas de habitação do antigo Reino de Comagena. O nome deriva das pontes de barcos que cruzavam o Eufrates ali, as zeugmas.
Vícios de linguagem
Por fim, os vícios de linguagem correspondem a um sutil desvio, intencional ou não, à norma culta. Geralmente empregado para definir uma personagem ou ainda retratar e “entregar” autores com pequenos vícios de fala. Nota-se muito em textos mais longos como alguns autores apresentam pequenos vícios. Estes serão parte importante de uma análise mais aprofundada do mesmo dentro da estilística.

Vícios de linguagem:

Barbarismo - erro de pronúncia, acentuação, ortografia, flexão e significação, emprego inadequado de homônimos ou parônimos
Solecismo - erro de sintaxe: concordância, regência e colocação pronominal
Pleonasmo vicioso, redundância ou tautologia - repetição de ideias desnecessária, não intencional e sem valor estilístico
Ambiguidade ou anfibologia - falta de clareza que acarreta duplo sentido
Cacofonia ou cacófato - união de duas ou mais palavras, formando uma terceira de sentido inconveniente e som desagradável
Eco - dissonância causada por palavras de terminações iguais
Hiato - dissonância causada por sequências de vogais idênticas ou semelhantes
Colisão - dissonância causada por sequências de consoantes idênticas ou semelhantes
Vulgarismo - uso de expressões que não se enquadram no padrão culto
Plebeísmo - gírias, calão e expressões populares que demonstram falta de instrução e erudição, assim como o uso de clichês, que empobrece o discurso e limita a autonomia do pensamento humano
Estrangeirismo - uso excessivo de palavras de outros idiomas, fora da linguagem da informática, do jornalismo e da publicidade, por já existirem formas aportuguesadas ou equivalentes em português
Neologismo - criação excessiva de novas palavras, fora dos avanços tecnológicos, da informática, das inovações associadas aos setores de telecomunicações e ao meio científico, por já existirem palavras análogas na língua pátria
Arcaísmo - uso de palavras ou expressões já ultrapassadas
Preciosismo ou prolixidade - linguagem exagerada e rebuscada, em prejuízo da naturalidade e da clareza da frase, o popular ''falar difícil''
Queísmo - uso indevido, indiscriminado e desnecessário do pronome relativo e da conjunção integrante que
Gerundismo - uso imoderado e descontrolado do gerúndio
Parequema - sílaba inicial e final iguais em palavras seguidas, como Ano Novo, 31 de dezembro, regra gramatical, importante tempo, samba baiano, imaculada dama, impasse sensual

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