Nutricionista explica erros na alimentação infantil
Segundo o IBGE, cada vez mais crianças brasileiras estão acima do peso. Veja algumas práticas que contribuem para esse aumento
Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada em parceria com o Ministério da Saúde, apresentou um aumento importante no número de crianças acima do peso no país, principalmente na faixa etária entre 5 e 9 anos de idade. De 1989 a 2009, o número de meninos acima do peso mais que dobrou, passando de 15% para 34,8%. Já o número de obesos teve um aumento de mais de 300% nesse mesmo grupo, indo de 4,1% para 16,6% no período analisado. Entre as meninas a variação foi ainda maior. Algumas práticas comuns nas famílias contribuem com esse quadro. Confira:
Dizer sempre sim, pois a criança sem limites vai abusar das calorias e das guloseimas. Reserve um dia por semana para liberar na comida.
Lanches fora de hora. O ideal são seis refeições diárias, evitando as beliscadas durante o dia.
Oferecer comida ou eletrônicos como recompensa. Isso transmite a ideia que o alimento não é bom, mas o prêmio (doce, brinquedo, sorvete, TV, celular, computador, por exemplo) por comê-lo é o máximo.
Ameaçar castigos para quem não come toda a refeição. Isso somente vai aumentar o ódio que a criança sente de saladas, por exemplo.
Brincadeiras à mesa é um dos erros comuns. Hora de comer deve ser encarada com seriedade, pois muita afetação é sinônimo de muita esperteza.
Ceder ao primeiro não gosto disso. Assim, a criança cria tendência a dizer que não gosta de uma comida que ainda não provou. Pelo menos deve experimentar.
Substituir refeições. Esse é um erro muito frequente quando a criança rejeita a comida oferecida e que a leva a repetir a estratégica sempre.
Tornar a ida à lanchonete um "programão". Com isso, a comida de casa fica meio sem graça.
Servir sempre o mesmo alimento. Além de enjoar, a mesmice causa carência de nutrientes e fibras.
O exemplo é fundamental. Não adianta mandar tomar sucos e somente beber refrigerantes
É comum cometermos erros achando que estamos fazendo o melhor para as crianças. Por isso listamos os principais erros que cometemos na alimentação das crianças, segundo Priscila Maximino, nutricionista do Centro de Dificuldades Alimentares do Instituto Pensi, do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo, e com a médica nutróloga Ana Luisa Vilela.
1- Dar Qualquer Suco de Caixinha
Muitas vezes a gente prefere o suco de caixinha ao refrigerante. Mas, dependendo da composição, um é tão cheio de açúcar quanto o outro. Para ser saudável o produto precisa ser feito apenas de água e suco de fruta. Como saber isso? Veja a lista de ingredientes na caixinha. Se tiver açúcar esqueça, principalmente para os menores de 2 anos.
2- Dar suco à vontade
Dar suco natural, sem ser como parte de um dos 2 lanches (no meio da manhã ou à tarde), que devem compor a alimentação diária. pode prejudicar o apetite da criança. Um suco que contenha 200 calorias pode representar 20% das necessidades nutricionais de uma criança de 3 anos, por exemplo.
3- Trocar fruta por suco
Entre dar fruta para a criança comer ou o suco natural dela, prefira a primeira opção. Ingerir a fruta é uma experiência enriquecedora para a educação alimentar da criança. Ela vai mastigar, conhecer a textura, além de consumir fibras, elemento importante para o bom funcionamento gastrointestinal, que às vezes se perdem no preparo do suco.
4- Substituir refeições principais
A criança não se alimentou direito no almoço ou no jantar e os pais trocam por um iogurte, suco ou copo de leite. Não faça isso. Por mais difícil que seja ver o filho sem comer, tenha em mente uma coisa: criança com acesso a comida não passa fome. Espere o horário da próxima refeição.
crianças cozinhando
5- Deixar os filhos escolherem o que comer
Crianças pequenas não têm capacidade cognitiva de escolher o melhor alimento para elas. Não pergunte o que a criança quer comer. Você pode, sim, oferecer opções dentro de um mesmo grupo alimentar. Exemplo: Hoje você quer macarrão ou purê de batatas? Ambos são fontes de carboidratos.
6- Forçar ou Chantagear
Já falamos aqui que ver um filho sem comer pode parecer desesperador. Mas, nessa guerra, não vale tudo. Chantagear e/ou forçar fisicamente estão fora de questão. Quando se trata de alimentação, os pais decidem o que a criança come e somente ela sabe o quanto.
7- Deixar biscoitos a mão
Biscoitos de maisena e de polvilho não são tão inocentes quanto parecem. O primeiro é feito basicamente de gordura vegetal e açúcar, e o segundo de gordura e sal. Depois de um ano podem ser consumidos eventualmente, como parte de um lanche. Mas nada de fazer deles parte da alimentação diária.
8- Engrossar o leite com farinhas
A maioria das crianças não precisa tomar leite engrossado com farinhas. O recurso só deve ser usado por indicação do pediatra ou de um nutricionista, em casos específicos de baixo peso ou déficit de crescimento.
9- Fazer papinha com muitos legumes misturados
Na expectativa do filho ingerir maior número de nutrientes, pais fazem papinhas com vários legumes e/ou verduras batidos. Com isso, a criança não aprende a mastigar e nem a distinguir o sabor e nem a textura dos alimentos. O melhor é fazer receitas com poucos ingredientes e amassados para que existam pedaços a serem mastigados.
10- Fazer da sobremesa um presente
No dia a dia, você não dá sobremesa, mas cria a ideia de doces nos finais de semana. Ao fazer isso você torna esse tipo de alimento um hábito. Em vez disso, deixe que a criança peça e você atenda, quando possível, lembrando que os menores de 2 anos não podem ingerir açúcar.
11- Liberar embutidos “magros”
Crianças até 3 anos, pelo menos, não devem consumir embutidos, nem os ditos magros, como peito de peru e de frango. Com muito sal e conservante em sua composição, esses alimentos têm potencial de causar alergia.
Pesquisadores descobriram no estudo que as crianças com idades entre 5 e 8 anos que estão com sobrepeso têm raciocínio e memória prejudicados em relação aos pequenos que estão no peso ideal. "A obesidade preocupa no mundo todo, e o Brasil está entre os principais países acometidos pela doença, que a cada dia faz mais vítima, seja em consequência de outras enfermidades por ela provocadas, ou até mesmo pela morte durante cirurgias bariátricas", comenta a nutricionista e coach de emagrecimento Gladia Bernardi, autora do best-seller "O Código Secreto do Emagrecimento".
O índice de obesidade é tão alarmante que a OMS já a considera uma epidemia global, principalmente entre as crianças, aponta a especialista. "A educação alimentar deve começar desde cedo, para que as crianças criem o hábito de se alimentar de forma saudável e valorizem a inclusão de frutas e legumes em seu cardápio diário. Assim, serão adultos conscientes sobre sua alimentação", diz.
Para a especialista, hoje está cada vez mais desafiador conseguir regrar a alimentação dos filhos, e até mesmo a dos adultos, devido aos pesados investimentos em marketing feitos pela indústria alimentícia. "As crianças muitas vezes são atraídas pelo emocional, e não pela fome ", alerta Gladia.
Para ajudar os pais nessa tarefa, ela lista os seis maiores erros em relação à alimentação infantil:
Levar crianças ao supermercado
Muitos dos produtos destinados ao público infantil trazem na embalagem figuras de personagens, super-heróis e princesas. E isso, obviamente, seduz a criança, que acaba dando preferência a esse alimento, e rejeitando qualquer outro item saudável que seja oferecido. Afinal, todo super-herói é muito mais encantador que as cores de uma fruta ou de uma verdura, das comidas de verdade.
"Infelizmente, é quase impossível competir com o marketing. Por isso, além de ser necessário promover uma mudança no comportamento dos pais, já que o adulto é o responsável pelas escolhas alimentares das crianças, é preciso que evitar ao máximo incentivar os pequenos a fazerem escolhas emocionais na hora de comer. Ou seja, não expor a criança a estímulos desse gênero", explica.
Os grandes responsáveis pelo sobrepeso de uma criança são seus pais, aqueles que determinam o que se consome em casa e fora dela. Normalmente, seja pelos seus erros, obsessões, ou pelo desconhecimento e ignorância dos pais, as crianças consomem mais quantidade de alimentos do que necessitam, e sua alimentação é muito rica em gorduras, açúcares, presentes em grande quantidade de carne, em alimentos pré-cozidos, e nos doces e bolos. São crianças que não consomem verduras, legumes, frutas nem peixes.
A isso também se soma a que muitas crianças ignorem e acabem saindo de casa sem tomar o café da manhã. Na última pesquisa sobre o sobrepeso na infância, entre outras coisas, constatou-se que 8% das crianças espanholas vão para a escola sem o café da manhã. O café da manhã é uma das refeições mais importantes do dia, e está diretamente implicada na regulação do peso.
Erros dos pais ao alimentar os filhos
- obrigar que a criança coma mais do que pode.
- premiar um bom comportamento com guloseimas e outros alimentos calóricos.
- castigar à criança sem comida por apresentar alguma conduta desfavorável.
- festejar qualquer acontecimento importante da vida da criança oferecendo-lhe uma comida “sem qualidade”.
- permitir o consumo diário de doces, bolos, bebidas gasosas e açucaradas.
- oferecer, com frequência, pratos pré-cozidos pela falta de tempo.
Acertos dos pais na alimentação infantil
Quando os pais dão aos filhos a atenção devida e se preocupam com sua alimentação, as possibilidades que sofram sobrepeso são baixas. O controle dos adultos é fundamental na hora de prevenir a obesidade infantil. Para isso é necessário obedecer algumas pautas alimentares, considerando que os primeiros anos de vida de uma criança são cruciais na sua educação:
- aos bebês não devem dar-lhes o peito totalmente segundo a demanda que apresente; desde o princípio deve-se ensiná-los a alimentar-se bem e no seu momento certo.
- quando o bebê chora, não se deve oferecer-lhe o o peito assim, de primeira, sem antes detectar a causa do choro e tentar acalmá-lo. O dar o peito de forma indiscriminada, pode levar a que o bebê, quando seja maior, recorra à comida quando sofra algum mal-estar.
- visitar periodicamente ao pediatra, quando seja necessário ou nas revisões determinadas pelo centro de saúde. Foi demonstrado que uma criança que segue um controle médico tem menos possibilidades de sofrer obesidade ou qualquer outra enfermidade.
- seguir as dietas alimentares que o pediatra passar para o bebê, mês a mês. Ou seja, respeitando e introduzindo os alimentos segundo a idade da criança. É um bom modo de prevenção.
- fazer com que o bebê, até os dois anos de idade tenha provado de tudo um pouco.
- cuidar para que as crianças não “pulem” as refeições, organizando uma rotina alimentar constante.
- preparar as refeições com ingredientes frescos e naturais, sempre que possível.
- considerar a tabela de pesos e medidas que oferecemos e a que determine o pediatra do seu filho. E em caso do bebê ou criança não apresente um quadro de medidas dentro da normalidade, fale com seu pediatra sobre como melhorar a situação.
- oferecer uma alimentação variada em carnes, farinhas, verduras, frutas, etc.
- oferecer muitos líquidos às crianças especialmente em temporadas de muito calor e depois que praticarem exercícios físicos. A água é uma boa fonte e um fluído que não tem calorias.
Biscoitos recheados no café da manhã, telinhas e desenhos durante as refeições, sucos de caixinha para o lanche da tarde e por aí vai. Afinal: quem nunca achou que estava aprimorando a educação alimentar do pequeno quando, NA VERDADE, estava cometendo erros seríssimos com ela?
Apesar de serem bastante prejudiciais à saúde, escolhas “equivocadas” são comuns na hora de decidir o que os filhos. Por isso, não precisa se sentir culpado, e muito menos pensar que você comprometeu a alimentação do seu filho para sempre. O importante é procurar as informações corretas e fazer as mudanças enquanto é tempo!
Continue comigo e veja os 10 maiores erros que os pais cometem na educação alimentar de seus filhos, e pode começar a riscá-los de sua rotina! Preparada(o)?
A má educação alimentar infantil é aquela em que…
1. Os próprios pais não se alimentam direito
Acredite: não adianta NADA convencer o pequeno a comer verduras e legumes se os pais não o fazem. A criança adquire muitos de seus hábitos observando o mundo à sua volta e, claro, as pessoas que convivem com ela.
Portanto, se você quer que ela coma bem e crie apreço pelas refeições saudáveis, basta montar pratos saudáveis para si próprio(a) e comê-lo na frente dela.
Lembre-se: um exemplo vale mais do que mil palavras
2. Ninguém senta à mesa na hora das refeições
É sempre bom tentar comer junto com o pequeno, principalmente em refeições importantes como o almoço e a janta. Assim, a família cria um ritual em que a criança pode ver os pais comendo bem, experimentar a comida deles, concentrar-se no próprio prato e no momento e, claro, criar vínculos especiais com toda a família, deixando o tablet, o smartphone, o iPhone, o WhatsApp, o YouTube, o Facebook ou o Instagram para o final.
3. A criança tem acesso a alimentos processados e industrializados
Todo mundo sabe o quanto um docinho, refrigerante ou bolacha recheada pode fazer o dia de uma criança melhor. Porém, é preciso entender uma série de coisas:
esses alimentos só podem ser oferecidos ao pequeno, de preferência, após os 2 anos. Assim, ele não fica com o paladar condicionado a preferir alimentos ricos em açúcar e gorduras. Além disso, essa prática previne que a criança desenvolva, mais tarde, problemas como obesidade e diabetes.
mesmo depois que seu filho começar a experimentá-los, é importante entender que a presença de alimentos não-saudáveis em casa deve ser evitada. Para que dar a chance ao pequeno de fazer más escolhas alimentares?
4. O pequeno é muito estimulado a beber sucos
É preciso entender que os sucos, naturais ou processados, são bastante ricos em carboidratos e açúcar (frutose).
Basta pensar o seguinte: para fazer um suco de laranja, é preciso, pelo menos, 3 unidades para que ele fique concentrado e muito gostoso. Em outras palavras, a criança, ao bebê-lo, está consumindo o triplo de TUDO que essa fruta tem, incluindo as coisas que, se em grandes quantidades, fazem mal para a saúde.
O preferível, aqui, é dar a fruta para o pequeno comer. Assim, ele aproveita todas as fibras e vitaminas desta, e a ingere de forma moderada.
Aliás, lembre-se do princípio mais importante da hidratação: a única bebida necessária no dia-a-dia é a água.
5. A criança não possui lanches saudáveis em sua merendeira
Colocar um pacotinho de biscoitos industrializados, uma caixinha de suco artificial e um bolinho de chocolate na merendeira do pequeno é bastante tentador. Afinal, parece ser a opção mais simples para os dias corridos, né?
Porém, não se engane. E não se deixe levar pelos produtos que se dizem extremamente saudáveis, livres “disso e daquilo”. Tome como princípio para a sua vida o seguinte: o alimento saudável DE VERDADE é aquele que não vem em um pacote, ou caixinha.
Ao invés de comprar coisas prontas para dar ao seu filho, tire um dia da semana para preparar lanches escolares saudáveis. Selecione vegetais, legumes, frutas e receitas que levam alimentos in natura. Podem ser feitos bolos integrais, petiscos com frutas secas e por aí vai.
6. Os pais não conversam sobre alimentação com seus filhos
Impor que o pequeno coma bastante alface, brócolis e cenouras não adianta. É só se colocar no lugar dele, oras. Se alguém lhe obrigasse a comer verduras e legumes, com o argumento de que “é porque eu mandei”, você as comeria?
Pois é. No lugar disso, converse com o pequeno. Explique sobre as propriedades dos alimentos saudáveis, e o motivo pelos quais eles são importantes. Pode falar da saúde do coração, do organismo como um todo e até mesmo do cérebro. Leve-a, também, para comprar os alimentos, deixe que ela possa escolher as opções que existem na seção de hortifruti no supermercado e criem receitas juntos!
Convença uma criança de que o corpo precisa de comidas saudáveis para ficar bem desde cedo, e veja ela adquirir excelentes hábitos alimentares para o resto da vida!
7. A família come fora de casa várias vezes na semana
Cozinhar em casa possibilita um melhor controle sobre as escolhas e até mesmo o modo de preparo dos alimentos. A certeza de que tudo foi higienizado de forma caprichada, por exemplo, só é estabelecida quando tudo for preparado por… VOCÊ!
Isso inclui, também a opção e quantidade de óleo no preparo das refeições assim como a integridade e procedência dos alimentos de forma geral.
8. Os pais não oferecem à criança um alimento que ela recusou anteriormente
É comum que o pequeno, durante a infância, tenha resistência a certos alimentos. Para se ter ideia, uma criança precisa experimentar algumas receitas umas 10 vezes antes de se acostumar com elas!
Por isso, seja criativo! Invente novas receitas, deixe o prato com um aspecto divertido e bonito e tente de novo.
9. A criança assiste TV, fica na frente do computador ou do rádio ou então usa o celular durante as refeições, ou então conversa e dá explicações, como se fosse transformar a hora de comer em uma aula
O momento da refeição precisa ser “sagrado”. O pequeno deve se concentrar naquilo que está comendo, e aproveitar cada segundo daquele ritual com as pessoas que ama.
Assim, ele saberá dizer se está satisfeito, por exemplo, e desenvolverá melhores hábitos alimentares ao longo da vida.
Dica 1: não insista que a criança coma ainda mais, ou “limpe o prato”, quando ela se diz satisfeita. Além disso, aguarde até o horário da próxima refeição para oferecer a comida novamente.
Dica 2: NUNCA use junk food e guloseimas como recompensa por bom comportamento, e nem como chantagem/condição para que a criança coma tudo o que está no prato.
10. Os pais criticam o excesso de peso dos filhos
Acredite: não existe nada de útil, ou efetivo, em criticar o peso da criança. Isso só trará a ela problemas de autoestima e autoconfiança.
Enfim…
Quase todos os pais do mundo já cometeram ALGUM desses erros. O importante é sempre se informar sobre eles, assim como as boas condutas, e segui-las da forma correta.
Além disso, em caso de quaisquer dúvidas, não hesite em perguntá-las a um profissional, e nunca abandone as consultas de rotina com um pediatra/nutrólogo.
Por fim, siga todas as nossas dicas e tenha em mãos uma educação alimentar efetiva e eficaz!
Quer aprender a fazer lanches escolares mais saudáveis? Leia o texto da Dra. Denise Brasileiro, pediatra e nutróloga, sobre o assunto:
Sendo assim, uma atitude simples é, por exemplo, evitar levar a criança junto para fazer compras no supermercado. "Além de economizar tempo e dinheiro, você conseguirá direcionar suas escolhas para os alimentos de verdade", diz.
Deixar o filho muito tempo em frente à TV - síndrome da 'televisionite aguda'
Criança precisa brincar, fazer atividades físicas e gastar muita energia. Mantê-las ativas, além de incentivar a prática esportiva desde cedo, impede que caiam na rotina e fiquem muito tempo ociosas em frente à TV, sendo "bombardeadas" por propagandas - inclusive de alimentos industrializados.
"A propaganda é a maior ativadora do sistema límbico, que é o responsável pelas nossas emoções. Assim, na hora da compra, o consumidor acredita que adquiriu aquele alimento pela razão, mas na verdade foi uma compra pela emoção. Dizer que comprou pela razão é uma forma de justificar o consumo".
Para Gladia, se as propagandas já seduzem muitos adultos, imagine o que farão com as crianças? "Elas acreditam que realmente precisam daquele alimento, embora estejam apenas sendo estimuladas por uma mensagem de marketing".
Manter hábitos alimentares inadequados
A criança não tem discernimento para escolher o seu próprio alimento, e é a escolha do adulto que formará o seu paladar e seus hábitos. Portanto, saber escolher o que comer, estando consciente dos malefícios que a indústria pode causar na vida cotidiana, impacta diretamente na saúde de toda a família.
"A criança se espelha no que o adulto faz, inclusive no gosto alimentar. Se ela observar o adulto optando por verduras, legumes e frutas, também vai querer ingerir esses alimentos. Agora, se presenciar os pais tomando refrigerante, comendo doces, frituras e outros alimentos pouco saudáveis, certamente irá reproduzir esse comportamento. Por isso, é importante dar o exemplo", ensina.
Segundo a especialista, se você quer que seu filho tenha uma alimentação saudável, a mudança deve começar por você. "É uma mudança de hábito radical? Talvez, mas, se feita de maneira consciente, mudando o seu modo de pensar e de enxergar seu próprio passado, vai se tornar fácil, e os resultados aparecerão em você e na sua família", diz a coach.
Achar que poupá-la de comer açúcar é ruim
O adulto que baniu o açúcar da alimentação e come comida de verdade está cuidando da saúde. Já a criança que é proibida pelos pais de comer açúcar e alimentos ultraprocessados em excesso muitas vezes é vista como "coitadinha".
Você já se deparou com essa situação? São dois julgamentos diferentes, diante do mesmo hábito. O primeiro é visto como algo positivo, como uma virtude, algo que gera prazer a longo prazo. O segundo muitas vezes é mal visto, por que os pais "impedem" a criança de viver o prazer imediato proporcionado pelo açúcar.
"O que ninguém pensa é que essas escolhas direcionam os hábitos da criança durante a vida. Se ela já cresce com o pensamento direcionado para práticas saudáveis em relação à alimentação, e aprende a lidar com prazeres tardios e mais duradouros, a comida nunca será vista como um meio de saciar uma dor ou recompensar uma frustração. O doce e os alimentos ricos em açúcar e gorduras ruins não devem ser usados como válvula de escape", enfatiza Gladia.
Consumir produtos industrializados em excesso
As crianças são suscetíveis a aceitar tudo o que a mãe oferece no início da sua introdução alimentar. Os bebês são capazes de se adaptar para receber os estímulos do leite. Depois, aceitam sucos de frutas. O problema é que, depois dos sucos e das papinhas, algumas mães começam a dar outros alimentos que não são saudáveis - como sorvete, doces e salgadinhos industrializados.
Assim, o cérebro da criança começa a ter acesso a alimentos saborosos e tentadores, como brigadeiro, refrigerante, cachorro-quente, hambúrguer. "Essas guloseimas geram uma liberação excessiva de serotonina, e, com isso, sem perceber, a criança pode tornar-se dependente do açúcar e da gordura", alerta.
"Quando a criança se acostuma a essa alimentação e toma um refrigerante, ou come qualquer coisa ultraprocessada, essa bomba calórica sobe para o cérebro, que marca quais os alimentos que proporcionam mais prazer e mais calorias, e começa a mandar estímulos para a criança: esqueça o leite, suco de caixinha é mais legal! Esqueça o suco, refrigerante é mais legal! E por aí vai...", pondera.
Exagerar em frutas e alimentos naturais com açúcar
Se a criança está viciada em doces e os pais querem reduzir a quantidade de açúcar ingerido pela família, devem ter em mente que as frutas contêm frutose, que vira açúcar dentro do organismo. "As frutas com maior índice de frutose são melancia, banana, manga, melão, mamão e pera. Se gostar muito de frutas, dê preferência ao morango, kiwi, abacaxi, abacate", ensina a especialista.
Há ainda o açúcar do leite- a lactose-, e das raízes e farináceos, como mandioca, batata, arroz, farinha de milho, de mandioca e féculas. "Tudo isso se transforma em açúcar no sangue. Os vegetais também têm açúcar, e as maiores taxas estão na cenoura, beterraba e tomate. As leguminosas e oleaginosas com menos açúcar são feijão, lentilha, ervilha, castanha, nozes, avelã e amendoim. Carnes, aves, peixes e ovos não têm açúcar", diz Gladia.
Para a especialista, o ideal seria cortar o açúcar da alimentação, seja de crianças, seja de adultos. "Mas, como isso é praticamente impossível, o mais sensato é fazer escolhas inteligentes no dia a dia, ou seja, optar por alimentos que tenham menos açúcar em sua composição", orienta a especialista.
Sobre Gladia Bernardi - Autora do recém-lançado livro "O Código Secreto do Emagrecimento (Ed. Gente), Gladia Bernardi é nutricionista e desenvolvedora do método de coaching de Emagrecimento Consciente, baseado na neurociência, na programação neurolinguística e em coaching. Por meio de técnicas e ferramentas pioneiras, que dispensam dietas restritivas, prescrição de medicamentos ou mesmo intervenções cirúrgicas para emagrecimento, visa transformar profissionais da área da saúde, coaches e consultores independentes em especialistas em emagrecimento junto a pacientes. Atualmente, já formou mais de mil profissionais de todo o Brasil e é responsável pelo evento "Por um mundo mais leve", que é realizado anualmente e defende que qualquer pessoa pode emagrecer se estiver em harmonia com a mente.
Muitos pais de primeira viagem têm medo de cometer erros na alimentação infantil. E com razão: uma dieta balanceada desde cedo é garantia de saúde reforçada e desenvolvimento adequado. Confira a seguir os principais problemas que alguns adultos bem intencionados acabam cometendo.
7 erros na alimentação infantil
1. Dar chá e água para recém-nascidos
O leite materno deve ser o alimento exclusivo até os 6 meses de vida do bebê. Ele contém todos os componentes necessários para nutrir e hidratar a criança. Após esse período, as papinhas podem ser introduzidas no cardápio.
2. Bater sopas
As refeições pastosas demais levam poucas quantidades de fibras e impedem que a criança aprenda a mastigar. Você pode peneirar o caldo e adicionar alguns pedacinhos de alimentos para estimular esse processo. Converse com o pediatra para saber a hora certa de fazer isso.
3. Não temperar os alimentos
Todos os pratos servidos para a criança devem ser gostosos e temperados na medida certa. Invista em opções naturais, como alho, cebola, salsinha e cebolinha. O sal deve ser utilizado em pequenas quantidades.
4. Forçar a alimentação
As refeições não devem ser encaradas como uma obrigação. Os pais precisam identificar os sinais e entender quando a criança está saciada. O exagero na cobrança pode transformar o momento em uma tortura. Criança deve manter horários para os lanches, mas não precisa raspar o prato apenas porque o adulto quer.
5. Comer em frente à TV
Esse é um dos principais erros da alimentação infantil. Quando a criança assiste a algum programa, fica distraída e pode exagerar na quantidade de alimentos que ingere. Portanto, realize as refeições com a TV desligada e com o celular no silencioso e só religue e reative o som quando esta terminar.
6. Beber durante a refeição
Sucos naturais e água são indispensáveis para manter o bom funcionamento do organismo, mas não devem ser consumidos durante o almoço ou o jantar. As bebidas podem diluir o suco gástrico e dificultar a digestão.
7. Tratar sobremesa, celular, tablet ou computador como recompensa
Jamais avise para a criança que, ao esvaziar o prato, ela ganhará um doce, brinquedo, sorvete ou televisão. Essa atitude pode deixar o pequeno ansioso.
Os segredos da boa alimentação infantil
Os pais precisam ensinar a importância dos alimentos naturais desde cedo. Frutas, verduras e legumes devem ser vistos como aliados da saúde e podem ser adicionados em todas as refeições infantis. Explique para a criança quais são os benefícios do consumo desses itens – sem, é claro, eliminar completamente as guloseimas.
Brigadeiro de biomassa de banana-verde, tortas de bolacha integral e outros doces podem ser boas alternativas de sobremesas. Porém, o pequeno deve encará-las como opções a serem saboreadas em ocasiões especiais.
Croissants, bolos recheados, biscoitos, queijos amarelos, embutidos e cereais açucarados devem dar lugar a frutas, pães integrais, queijos brancos e geleias naturais. Converse com um nutricionista ou pediatra para encontrar as melhores opções para a dieta do seu filhote.
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